BRASÍLIA - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), cobrou ontem que a Polícia Federal seja enquadrada nos "estritos limites da lei e do Estado de Direito". Ele criticou os supostos excessos cometidos pelo delegado da PF Protógenes Queiroz na condução da Operação Satiagraha, como mostra reportagem da revista 'Veja' desta semana. Para Sarney, os "excessos" praticados pela polícia causam medo à população e preocupação permanente às autoridades.
"Eu acho que nós atravessamos um período muito difícil nesse sentido (a ameaça de um Estado policialesco). Realmente tivemos muitos excessos e dando a impressão e até mesmo criando na população brasileira um medo a respeito de ações que extrapolassem a parte legal e ferissem o Estado de Direito", afirmou o presidente do Sarney, que esteve reunido ontem com o diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, para tratar do assunto.
Segundo Sarney, é necessário manter o alerta permanente para evitar o risco e ameaça à liberdade. "É uma preocupação permanente. Quero lembrar uma frase antiga que 'o preço da liberdade é o da eterna vigilância'. O preço do Estado de Direito é o permanente controle da sociedade e todos nós para que ele possa existir. Nós não devemos dormir de qualquer maneira, dormir no sentido de vigiar cada dia, isso é a garantia do cidadão e da liberdade", disse ele.
Da tribuna, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), que segundo reportagem foi um dos alvos de Protógenes em sua investigação, criticou sua ação e afirmou que a apuração seletiva do delegado serve a uma ala do governo. Para o senador, trata-se de uma "briga de gangues".
"Não tenho dúvidas de que o senhor Protógenes está a serviço de uma ala do governo. Esse caso envolve sucessão presidencial, envolve interesses de outros dentro do governo e concorrências que estão sendo anunciadas", discursou Heráclito.
Jarbas
O presidente do Senado também a comentou denúncia de que o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) estaria sendo vítima de arapongas. No mês passado, Jarbas disse que o PMDB, em parte, "só quer mesmo é corrupção".
"De minha parte, tenho de analisar pelo lado do Senado. A denúncia é gravíssima, porque se trata de espionagem de um membro da Casa e isso constitui um crime que não podemos tolerar E vamos pedir aos órgãos encarregados de apurar esses delitos que o façam, no caso a Polícia Federal. Encaminhei através do Ministério da Justiça um pedido para que iniciassem uma investigação nesse sentido. Mandei ao procurador geral da República outro ofício pedindo sua colaboração para mostrar a absoluta transparência dessa investigação, colocando um membro do Ministério Público para acompanhar as investigações. E naturalmente, a Corregedoria da Casa, que tem funções autônomas sobre isso. Ela também terá oportunidade de coletar dados sobre isso", disse Sarney.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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