BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a atual crise econômica, que antes chamava de “marolinha”, não será vencida com o contingenciamento das verbas orçamentárias, com o corte de gastos ou de salários, mas com ousadia, com investimentos e com disponibilidade de crédito.
"Nós não teremos medo de dizer em alto e bom som: tudo o que tem que acontecer nessa crise, não é o presidente da República se trancar em seu gabinete, os ministros resolverem fazer contingenciamento cada vez maior, cada vez gastar menos, cortar salários, em nome de que a gente vai vencer a crise. Não", afirmou Lula, durante discurso na abertura de um seminário realizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).
"Essa crise nós iremos vencê-la diferentemente de outras crises. Essa é com investimentos, é com ousadia, e com coragem, é disponibilizando crédito que a gente vai poder fazer este País crescer", acrescentou.
Lula chegou a dizer aos participantes do seminário - empresários, em sua maioria - que não lhe pedissem "para fazer com que os trabalhadores paguem a crise outra vez, arrochando os salários", apesar de ser que vem acontecendo. O presidente repetiu a expressão "não me peçam" (para fazer o arrocho) três vezes. Ele disse que está convencido de que "é preciso distribuir para garantir que a economia cresça".
O presidente afirmou que "agora é a hora da gente aproveitar essa crise para fazer o que nós não tivemos coragem de fazer nos últimos 20 anos". Lula não chegou a explicitar que coisas seriam essas, mas insinuou que elas envolvem gastos públicos. "Nós não temos problemas de déficit público, pois o País está totalmente equilibrado", afirmou. "Aqui ninguém mais ousa falar em equilíbrio fiscal", acrescentou.
As palavras de Lula no seminário mostram que a área econômica está seguindo orientação do próprio presidente quando estuda reduzir o atual superávit primário de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) para até 2,8% do PIB.
Como a crise derrubou a receita tributária, a área econômica acredita que somente com a redução do superávit primário o governo poderá manter os investimentos públicos e pagar as despesas decorrentes do aumento de 12% do salário mínimo e dos reajustes ao funcionalismo concedidos no ano passado.
Em seu discurso, no seminário do CDES, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi contraditório quando tratou da questão fiscal. Inicialmente, o ministro disse que "se enganam aqueles que acham que iremos enfraquecer a política fiscal". Segundo ele, o governo vai cortar gastos correntes para poder compensar a queda nas receitas derivada da crise econômica.
Em seguida, o ministro afirmou que, com o acúmulo de solidez fiscal nos últimos anos, o Brasil pode adotar nesta crise uma política fiscal anticíclica. Em crises do passado, disse o ministro, o governo tinha que subir os juros para conter a saída de capitais e era forçado, por isso, a realizar uma política fiscal contracionista, que gerava aumento no desemprego e menor crescimento econômico. "Antes da política econômica agravava a crise. Hoje, nós podemos fazer política monetária expansionista e política fiscal também expansionista, com desoneração tributária e ampliação dos investimentos públicos", afirmou.
Estatização
O presidente Lula voltou ontem a defender que os países ricos estatizem os seus bancos, como forma de resolver a crise financeira e restabelecer o crédito internacional. "Será que os países ricos vão continuar apenas colocando dinheiro com intuito de salvar bancos, ou será que alguns países terão coragem, sem medo da palavra, de estatizar os bancos, recuperá-los, fazer voltar o crédito, e depois, se quiserem, entregar os bancos a quem eles entenderem que devem entregar?", questionou.
Lula criticou ainda o ressurgimento do protecionismo comercial em vários países do mundo. "Não podemos passar do vale tudo financeiro, que jogou o planeta na situação atual, para um vale tudo protecionista, que certamente nos jogaria numa crise ainda pior do que aquela que resultou na Segunda Guerra Mundial", disse.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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