Luis Augusto Gomes
O quadro da Bahia, pelo ineditismo em décadas da ampla liberdade de ação das forças políticas numa eleição para governador, dá margem a muita especulação, embora algumas verdades, sem considerar o imponderável, sejam irrevogáveis. A principal delas é que o governador Jaques Wagner (PT) é candidato à reeleição. A segunda é que os três grandes partidos não concorrerão entre si com três candidatos próprios. Pergunta-se: quem será o adversário de Wagner – Paulo Souto (DEM) ou Geddel Vieira Lima (PMDB)?
As composições possíveis seriam Wagner-Geddel contra Souto e Geddel-Souto contra Wagner, porque esta parece ser outra verdade indiscutível: Wagner e Souto jamais se aliarão. O ex-governador Paulo Souto representa o sistema de poder que Wagner e Geddel se uniram para derrotar, ambos condenando e repudiando os métodos dos oponentes, ainda capitaneados pelo falecido senador ACM. No plano federal, é adversário do presidente Lula, em cujo ministério Geddel e mais uns cinco representam a "cota" do PMDB.
Grande centrão amorfo da cena nacional, o PMDB é cortejado de ambos os lados quando o assunto é sucessão presidencial. Discute-se que caminho tomará, mas os fatos expressivos recentes do país, como as eleições dos peemedebistas José Sarney e Michel Temer para as presidências do Senado e da Câmara, mostram a arrumação de um grande condomínio do poder em que pontificam (voltam, não, porque sempre estiveram por aí) figuras como Fernando Collor e Renan Calheiros. Tudo devidamente acertado, terminará saindo uma indicação do PMDB para vice de Dilma.
As movimentações indicam que a opção pela aliança com o PT (que tem de ser recíproca, no caso do PT baiano) poderá tornar Geddel vitorioso nacionalmente e quase com certeza na Bahia, com a vantagem de eleger-se senador. No seu jogo de cena, desdenha a cadeira legislativa de elite que tem à disposição, mas no fundo sabe aonde poderá chegar com oito anos de mandato no Senado, que, no dizer de Darci Ribeiro, "é melhor do que o céu, porque você não precisa morrer para entrar".
A tarefa de Wagner nesse processo tem duas vertentes fundamentais. Na seara política, em que tem confirmado sua maestria com um governo marcado pela descompressão, cabe levar o PT à compreensão de que sem acordo não haverá futuro, e que o PMDB deve ser um aliado, não um inimigo íntimo. Administrativamente, o governador, que tem feitos a mostrar, precisa avançar e manter o controle em área vitais. Quando supera a fase aguda na segurança e dá provas de que nem os poderosos o intimidam, Wagner defronta-se com a dengue e a meningite no noticiário nacional.
A aliança Wagner-Geddel colocaria Paulo Souto na obrigação de tomar uma decisão: partir para o sacrifício como candidato a governador do DEM ou, mais racionalmente, concentrar esforços na disputa de uma das duas vagas no Senado. Os antigos arraiais carlistas teriam de conformar-se com um "laranja" para enfrentar o projeto de reeleição de Wagner. E quanto ao Senado, há quem acredite que um segundo candidato da chapa poderá vencer, a depender do nome e se o governador estiver em condições de "puxar" votos.
Fonte: Tribuna da Bahia
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