segunda-feira, maio 05, 2008

Marcha da Maconha vai virar ato pela liberdade de expressão

Proibida pela Justiça em nove estados, a Marcha da Maconha, que acontece há seis anos no País, vai dar lugar a um ato pela liberdade de expressão no próximo sábado nos horários e locais onde ontem aconteceria a manifestação pela legalização da droga.
Para o sociólogo Renato Cinco, um dos organizadores do movimento nacional, o veto da Justiça, baseado na acusação de apologia às drogas, fere o princípio da liberdade de expressão. "Não estimulamos o uso ou dizemos que a maconha é boa, mas sim defendemos uma mudança na lei brasileira", afirma.
Cinco argumenta que a liberação e regulamentação da produção e venda da droga diminuiriam os problemas causados pelo tráfico. "A proibição da maconha produz mais danos do que a própria droga, pois traz violência e corrupção", afirma. "Se houvesse uma regulamentação, o Estado retomaria o controle da situação."
Em Porto Alegre, Florianópolis, Vitória e Recife, a marcha estava mantida para o dia de ontem. A marcha foi vetada em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Cuiabá, João Pessoa e Salvador. Os organizadores do evento estariam nos locais de protesto para orientar os manifestantes. "Pedimos que as pessoas não compareçam", diz Cinco. "Mostraremos na semana que vem, com o ato, nossa reação à proibição."
O protesto, que proíbe a participação de menores de 18 anos e o consumo de maconha durante as passeatas, acontece há nove anos em Nova York. A primeira manifestação brasileira foi em 2002, no Rio. Em São Paulo, duas tentativas, em 2004 e 2006, foram reprimidas pela polícia, apesar de, nessas ocasiões, não haver decisão judicial contra a marcha.
No próximo sábado, os atos pela liberdade de expressão acontecerão no Parque do Ibirapuera, em São Paulo; na Praia do Arpoador, no Rio; na Catedral, em Brasília; na Praça da Estação, em Belo Horizonte; no Largo da Ordem, em Curitiba; e na Ponte Metálica, em Fortaleza.
Fonte: Tribuna da Imprensa
ss

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