quarta-feira, setembro 02, 2026

Alcolumbre cita dinheiro para 'Dark Horse' para responder à pressão por impeachment de Moraes

 

Alcolumbre cita dinheiro para 'Dark Horse' para responder à pressão por impeachment de Moraes

Presidente do Senado foi cobrado por Flávio Bolsonaro e outros bolsonaristas a abrir processo contra ministro do STF

Por Carolina Linhares/Folhapress

02/09/2026 às 20:45

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP)

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mencionou, de forma indireta, os repasses de Daniel Vorcaro ao filme "Dark Horse" ao responder a cobranças de senadores bolsonaristas para que ele abrisse um processo de impeachment contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, de quem é aliado.

Os pagamentos do dono do Banco Master para a obra de biografia de Jair Bolsonaro (PL) foram feitos a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.

"Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar. Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes", disse Alcolumbre no plenário na sessão desta quarta-feira (2).

Ele acrescentou que ainda fará um relato de tudo que quer falar a respeito desse tema. "Vou voltar para a pauta, senão eu vou ter que responder muitas agressões que como presidente do Senado Federal eu estou recebendo nos últimos dias".

Nesta terça-feira (1º), o ministro André Mendonça, relator do processo do Banco Master, suspendeu o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou as ligações de Moraes com Vorcaro. Em reação, Flávio e outros senadores bolsonaristas aumentaram a pressão pelo impeachment de Moraes.

Na sessão desta quarta, Alcolumbre foi cobrado por Cleitinho (Republicanos-MG), Carlos Viana (PSD-MG) e Carlos Portinho (PL-RJ), entre outros.

"Não fique na sombra! [...] Abra esse impeachment de uma vez por todas. Vivemos dias imorais, com revelações imorais, pessoas imorais", disse Portinho a Alcolumbre.

"Cabe a nós, no Senado, tomar a frente e as rédeas e chamar à responsabilidade, presidente. [...] Faça, presidente Davi, faça", cobrou o líder do PL.

Aliados de Alcolumbre consideram que a chance de ele abrir um processo de impeachment contra Moraes é zero —até porque o presidente do Senado tem uma relação próxima com o ministro.

Alcolumbre, Moraes e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) jantam juntos frequentemente. Na presidência, os dois senadores sempre se colocaram como anteparo do afastamento de Moraes.

Desde que eclodiu o escândalo envolvendo o ministro do STF, Alcolumbre vinha evitando falar no tema. Ao deixar o Senado nesta terça, ele disse apenas que não achou nada sobre as mensagens e que haver 109 pedidos de impeachment protocolados não era normal.

"A minha percepção é que tem 109 pedidos, isso não é normal. [São] 109 solicitações no Congresso, [a respeito] dos 10 ministros, de pedido de impeachment de ministros do Supremo", disse.

A investigação da Polícia Federal indica que Vorcaro perguntou a Moraes se deveria fugir do país, dois dias antes da operação em que acabou preso, em novembro do ano passado. O ministro também editou o contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Master com o escritório da mulher dele, Viviane Barci de Moraes.

Sem maioria política no Senado para um processo de impeachment, Flávio defendeu que o ministro renuncie ao cargo e cobrou explicações —apesar de ele próprio evitar responder sobre sua relação com Vorcaro.

"É uma coisa muito grave. Eu acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem mais condição dele continuar sendo ministro do Supremo", disse o presidenciável do PL a jornalistas nesta terça.

No mesmo dia, ele foi ao plenário afirmar que a "espécie de anestesia" do Poder Legislativo era preocupante. "Até quando esse Senado vai tapar os olhos. [...] Cadê os defensores da democracia que não estão falando desse absurdo, desse conluio, desses crimes que claramente foram praticados por Alexandre de Moraes?", questionou.

Flávio também provocou Alcolumbre lembrando que foi por meio do ministro que Lula (PT) e o presidente do Senado se reaproximaram. "O presidente da República tem que se servir de Alexandre de Moraes para fazer articulação política, presidente Davi, com Vossa Excelência", declarou.

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Flávio Bolsonaro chama encontro de Mendonça com Vorcaro de cortina de fumaça e diz que Moraes é 'laranja podre'

 

Flávio Bolsonaro chama encontro de Mendonça com Vorcaro de cortina de fumaça e diz que Moraes é 'laranja podre'

Por Carlos Villela, Folhapress

02/09/2026 às 16:30

Atualizado em 02/09/2026 às 16:06

Foto: Reprodução/Arquivo

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O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL)

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) chamou a revelação de uma conversa entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça de "cortina de fumaça" para desviar o foco das revelações sobre os contatos entre o ex-banqueiro e o também ministro Alexandre de Moraes.

"É impossível querer lançar uma cortina de fumaça como essa contra o ministro André Mendonça", disse Flávio. "Pelo que eu vi na nota que ele publicou, [o encontro] foi numa época em que ele sequer era relator dessa ação, tratando de um assunto específico registrado em sua agenda, um contato totalmente profissional. Muito diferente do Alexandre de Moraes."

Em coletiva de imprensa em Esteio (RS), onde visitou a feira agrícola Expointer, o senador voltou a cobrar que Moraes, a quem chamou de "laranja podre", deixe o STF. O senador também fez um aceno ao tribunal, e disse que é preciso defendê-lo como instituição.

"A gente não pode mais admitir que uma laranja podre contamine todas as laranjas, e nós temos que fazer uma defesa intransigente do Supremo Tribunal Federal. Para que o Supremo resgate sua credibilidade, Moraes tem que sair."

Segundo o candidato, as mensagens reveladas apontam que Moraes "cometeu diversos crimes". Flávio também disse que o ministro é "alguém que claramente usava sua caneta para fazer uma espécie de proteção ao Vorcaro."

"É inadmissível, com o que veio à tona, ele continuar a ser ministro do Supremo", continuou Flávio. Ele disse que o PL também vai pedir o afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues —ambos citados nas mensagens.

Na coletiva, Flávio não fez menções às suas próprias interações com Vorcaro a respeito do financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar.

Depois da coletiva, Flávio segue a agenda em Porto Alegre, onde fará um comício no Parcão, tradicional ponto de manifestações de direita na capital, previsto para as 18h30.

Antes, na feira, reuniu-se com representantes da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul), participou de um almoço com empresários do agronegócio e lideranças políticas da base no estado. Após o almoço, Flávio fez uma caminhada com correligionários.

A chegada de Flávio foi aplaudida por apoiadores, que pediram a prisão do presidente Lula e do ministro Alexandre de Moraes.

A entrada no restaurante onde ocorreu o evento causou aglomeração entre assessores e candidatos, e seguranças intervieram para verificar quem tinha pulseira para entrar no local, fechado ao público.

Flávio estava acompanhado do candidato do PL ao Governo do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco, da vice, Silvana Covatti (PP), e dos candidatos ao Senado Marcel van Hattem (Novo) e Sanderson (PL). A esposa de Flávio também acompanhou a agenda.

Na cerimônia, ele também foi condecorado com a Medalha do Mérito Farroupilha, maior honraria da Assembleia Legislativa gaúcha, pelo deputado Delegado Zucco (PL), irmão do candidato ao governo.

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Com Moraes e Mendonça lado a lado, STF ignora caso Master em 1ª sessão após novas mensagens de Vorcaro

 

Com Moraes e Mendonça lado a lado, STF ignora caso Master em 1ª sessão após novas mensagens de Vorcaro

Por Ana Pompeu e Luísa Martins, Folhparess

02/09/2026 às 17:08

Atualizado em 02/09/2026 às 17:12

Foto: Antonio Augisto/STF

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Moraes e Mendonça ficam lado a lado em sessão do STF após novas revelações do caso Vorcaro

Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça se encontraram no plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quarta-feira (2) pela primeira vez depois de as mensagens de Daniel Vorcaro a Moraes serem tornadas públicas, por determinação do relator do caso do Banco Master.

Nenhum dos ministros presentes mencionou a crise das suspeitas sobre os diálogos envolvendo o ex-banqueiro e Moraes. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também está na corte. O material O material também registra pedidos para que fossem acionados o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o PGR.

Moraes e Mendonça dividem a bancada e se sentam lado a lado e são as figuras centrais da crise enfrentada pela corte. Na abertura da sessão, eles não conversaram.

O decano da corte, ministro Gilmar Mendes, que costuma fazer intervenções em momentos de tensão que recaem sobre a corte, também não se manifestou e deixou o prédio do Supremo pouco depois da abertura.

O presidente da corte, Luiz Edson Fachin, optou por evitar dar espaço para manifestações dos ministros. Nos bastidores, ele afirmou a interlocutores que a mensagem que gostaria de dar sobre o caso foi passada por meio de nota divulgada pela manhã.

No texto, ele afirmou que tomará medidas "cabíveis e necessárias" nos próximos dias.

Na sessão, o chefe do Judiciário chamou um processo a ser começado do zero, o que significa que, ao menos na primeira parte da sessão, os ministros ouvirão as manifestações dos advogados. Os ministros só votam e, portanto, falam depois dessa etapa.

Fachin afirmou, no início da sessão, que daria prioridade a casos com previsão de sustentação oral de advogados e chamou o último item da pauta, que tem baixo potencial de polêmica.

O colegiado passou a ouvir as defesas das partes de um recurso sobre o pagamento de ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis) por empresas de compra, venda ou locação de imóveis ao transferir bens e direitos para incorporação ao capital social.

O plenário é organizado de acordo com a data de entrada de cada magistrado. Moraes assumiu a cadeira em 2017 e Me ndonça em 2021.

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Gilmar procura Lula para cobrar apoio do governo à cúpula da PF em embate entre Moraes e Mendonça

 

Gilmar procura Lula para cobrar apoio do governo à cúpula da PF em embate entre Moraes e Mendonça

Encontro aconteceu antes da suspensão do sigilo do caso Master

Por Catia Seabra/Folhapress

02/09/2026 às 19:15

Foto: Rosinei Coutinho/STF

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O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal)

Decano do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Gilmar Mendes procurou o presidente Lula (PT), na manhã de terça-feira (1º), com intuito de alertá-lo para o que, em conversas, tem chamado de falta de apoio à cúpula da Polícia Federal por parte das instituições de governo.

A conversa se deu em meio a uma queda de braço entre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça, do STF, sobre a condução das investigações do Banco Master. O caso ganhou novos contornos após Mendonça determinar a elaboração pela PF de um relatório que expôs trocas de mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Na conversa, Gilmar afirmou que, se um ministro do Supremo está fazendo uma intervenção indevida no trabalho da PF, esse não é só um problema do tribunal, mas do governo. O ministro teria procurado Lula após um café com a participação de ministros do STF e Andrei, ainda segundo relatos.

Integrantes da cúpula da Polícia Federal dizem ver omissão da AGU (Advocacia-Geral da União) nos atritos entre a corporação e Mendonça. O órgão comandado por Jorge Messias, por sua vez, tem apontado que a PF propõe medidas que poderiam resultar na anulação de investigações sobre o Banco Master.

Segundo relatos, na conversa com Lula, Gilmar afirmou que existe uma disfuncionalidade nas relações entre PF e a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Justiça, chefiados pelos ministros Jorge Messias e Wellington César Lima e Silva, respectivamente.

A troca de acusações é o último capítulo da disputa que escalou entre a AGU e a PF nos últimos meses. O embate começou quando a Polícia Federal passou a demandar que a AGU atuasse perante o Supremo para tentar reduzir o controle do ministro Dias Toffoli sobre os inquéritos dos quais ele era relator.

A AGU, responsável por representar juridicamente a União, tem se manifestado de forma contrária a esse tipo de demanda.

Messias já tentou articular uma solução consensual para o conflito e marcou em agosto uma reunião entre Mendonça e o ministro Wellington Lima e Silva. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não esteve no encontro.

Na noite de segunda-feira (31), o ministro da Justiça voltou a se reunir com Mendonça, também sem a presença de Andrei. Procurado, Gilmar não quis se manifestar.

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