domingo, fevereiro 01, 2026

 

No vácuo dos governadores, vices chegam ao comando sem capital político

Romeo Zema sinaliza que disputará o Planalto

Luis Felipe Azevedo
O Globo

Com dois terços dos governadores impedidos de tentar reeleição, o ano eleitoral começa desafiador para os vices, em geral ainda desconhecidos pelo eleitorado, que planejam candidaturas ao Executivo estadual e pretendem ampliar sua visibilidade até outubro. Levantamento da consultoria Bites feito a pedido do O Globo revela que, por enquanto, a posição de número dois nos estados não se reflete em uma base consistente de seguidores nas redes sociais.

Especialistas destacam importância da comunicação digital nas campanhas, mas ressaltam, porém, a possibilidade de crescimento destes nomes com a proximidade do pleito e a exposição junto ao governador ou figuras nacionais até a data de ida às urnas. Uma alavanca para o crescimento da figura dos vices é a desincompatibilização dos governadores, até abril, para disputarem novos cargos nesta eleição.

CANDIDATURAS – Como mostrou O Globo, 11 dos 18 chefes do Executivo estadual sem possibilidade de reeleição sinalizam candidaturas ao Senado, enquanto outros três se colocam como nomes à Presidência. Os vices poderão, nesses casos, ocupar a cadeira principal durante o período eleitoral e capitalizar politicamente a posição para maior projeção.

O levantamento da Bites considerou os 18 estados com governadores sem possibilidade de uma nova disputa pelo cargo e São Paulo, onde Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) tem destino político ainda indefinido diante da possibilidade de disputar o Planalto. Os dados indicam que o ineditismo da maioria dos vices na posição de cabeça de chapa em eleições majoritárias anteriores compromete a visibilidade deles perante a população.

— O vácuo das grandes lideranças estaduais após a saída dos governadores é reflexo da alta taxa de reeleição há quatro anos. Foram 18, oito a mais do que em 2018. Entre abril e dezembro deste ano, veremos estados sendo comandados por nomes desconhecidos e que vão precisar, a qualquer custo, aumentar sua projeção tanto política quanto digital para continuar no poder, disputando uma reeleição — diz André Eler, diretor-técnico da Bites.

DIFERENTES PERFIS –  É neste contexto que o desconhecimento nas redes pode comprometer as campanhas. A exceção apontada no levantamento é a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), que supera o governador Ibaneis Rocha (MDB) no número de seguidores nas principais plataformas. Uma das razões do impulsionamento dela foi a atuação à frente do Palácio Buriti durante os desdobramentos do 8 de Janeiro, enquanto o titular estava afastado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sob acusação de omissão perante os atos golpistas na sede dos três Poderes.

Ibaneis é um dos governadores que deixarão o cargo até abril e abrirão espaço para o vice assumir o posto. Além dele, devem ser candidatos ao Senado os governadores Eduardo Leite (PSD-RS), Gladson Cameli (PP-AC), Wilson Lima (União-AM), Helder Barbalho (MDB-PA), João Azevêdo (PSB-PB), Antonio Denarium (PP-RR), Mauro Mendes (União-MT) e Renato Casagrande (PSB-ES).

COTADOS – Também cotados para disputar o Senado, Cláudio Castro (PL-RJ) e Fátima Bezerra (PT-RN) vivem situações excepcionais. A ausência de um vice-governador no Rio e o anúncio no Rio Grande do Norte de que o número dois do estado se desincompatibilizará para disputar o cargo de deputado estadual levarão, em ambos os casos, a eleições indiretas. O cenário, que traz desafios a Castro e Bezerra, culminará na escolha pelo Legislativo dos nomes que estarão à frente de um “governo-tampão” até a posse do escolhido pela população ano que vem.

Já Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, Ronaldo Caiado (União), de Goiás, e Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, sinalizam que disputarão o Planalto. Assim, abrirão espaço para os vices — da lista, devem disputar o comando da máquina estadual Mateus Simões (PSD-MG) e Daniel Vilela (MDB-GO). No Paraná, o aliado que receberá aval de Ratinho não está definido.

Há ainda casos de governadores que descartam deixar o Executivo, abrindo mão de candidaturas, para não darem palanque aos vices. Entre os motivos estão a “quebra de confiança” e o desejo por apoiar um outro nome na corrida eleitoral. São os casos de Paulo Dantas (MDB-AL), Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO), Carlos Brandão (PSB-MA) e Marcos Rocha (União-RO).

ALINHAMENTO – Para o cientista político Fábio Vasconcellos, professor da Uerj e PUC-Rio, o destaque do vice no ambiente digital conta na disputa eleitoral, mas o alinhamento com quem deixou o cargo ou com um grupo que disputa a Presidência pesa mais na campanha.

— Podemos ter um “novo” governador sem força no digital, mas alinhado politicamente com uma candidatura nacional. Isso conta e muito porque o presidenciável vai trabalhar para que a máquina e seus aliados atuem a favor de determinada candidatura. — diz o também pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia — Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem). — A comunicação digital é relevante porque ajuda a reverberar e criar ondas de opinião contra ou a favor, mas devemos lembrar que a eleição no Brasil ainda é fortemente determinada por fatores extra digital.

SOMBRA DOS PADRINHOS –  Cientista político da UnB, Murilo Medeiros cita como desafio aos vices o fato de que herdam a máquina, mas não necessariamente o capital político do titular. O pesquisador afirma que o resultado é um paradoxo: ao mesmo tempo em que se beneficiam do bônus da continuidade nos meses pré-eleitorais, eles governam sem identidade própria e dependem intensamente do endosso de seus padrinhos políticos para transferência de votos e legitimidade:

— Vice-governadores costumam ganhar tração apenas com o início do calendário eleitoral, quando passam a contar com maior exposição institucional, propaganda e agenda oficial convertida em vitrine política. Do ponto de vista eleitoral, esse cenário tende a produzir campanhas menos programáticas e mais personalistas, reforçando uma lógica de poder baseada na tutela política e no apadrinhamento eleitoral.


Senado retoma atividades prometendo devassar a corrupção no Banco Masterr,


Gilmar Fraga | Charge publicada em GZH e Zero Hora. #charge #bancomaster  #fragadesenhos #humor #stf | Instagram

Charge do Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Vicente Limongi Netto

A colunista Denise Rothenburg informa no Correio Braziliense de hoje, domingo, que o senador Renan Calheiros vai jogar pesado com “o pântano mal cheiroso do Master”. Como presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), uma das mais importantes do Senado, Calheiros quer investigar quem eram os agentes públicos que ajudaram a fraude, a maior do país.

 Como acentuei no meu artigo sobre a cachorrada do Master, teremos grandes emoções pela frente, porque as CPIs do INSS e do Crime Organizado também decidiram buscar a verdade sobre o Master, que compromete não somente Toffoli, mas também Alexandre de Moraes.

A VOLTA DE ALICE – Pele branca, cabelos encaracolados, vestidinho sujo, olhos espantados, 4 anos de idade, Alice conviveu com trevas da mata por dois intermináveis dias. Autista, sem fala, longe dos remédios fortes e do carinho da família, a doce menina Alice sobreviveu porque foi acolhida por anjos e passarinhos.

O Brasil orou por Alice. A fibra da solidariedade é forte e cativante. Dentro da noite fria e longa, o choro saia fraco. Apenas para a mãe dela, chorosa e aliviada   Karine, Alice contará o que passou. 

Alice foi encontrada deitada, sonolenta, entre folhas e gravetos caídos do céu especialmente para cuidar dela. 

Desvairado, Donald Trump parece estar declarando guerra aos Estados Unidos


Donald Trump tries to get his felony charges dismissed | Latest US politics  news from The Economist

Donald Trump demonstra ser diabolicamente perigoso

Ruy Castro
Folha

Em “Doze Homens e uma Sentença” (1957), filme de Sidney Lumet, um jurado (Henry Fonda) consegue reverter a decisão de seus dez colegas dispostos a condenar um jovem acusado de matar o pai. Fonda, o jurado nº 8, não está convencido da culpa do rapaz e apresenta objeções que vão dobrando, uma a uma, a certeza de cada um.

No fim, todos votam pela absolvição do garoto. São 95 minutos num cenário único, a sala de reunião do júri, e uma esgrima de diálogos em busca da verdade e da justiça.

UM SR. XERIFE – Em “Matar ou Morrer” (1952), de Fred Zinnemann, um xerife (Will Kane, interpretado por Gary Cooper) é avisado pelo telégrafo de que um assassino que ele prendeu anos antes foi posto em liberdade e cavalga rumo à cidade, com mais três pistoleiros, para se vingar.

Serão quatro contra um. Kane, a quem a cidade devia a paz em que vivia, pede ajuda aos cidadãos e todos têm motivo para recusar. Deixado sozinho, ele encara e mata os quatro (um deles, com a ajuda de sua noiva quaker Grace Kelly),

Quando a cidade vai festejá-lo, Kane tira a estrelinha do colete, atira-a ao chão e vai embora.

EVOLUCIONISMO – Em “O Vento Será Tua Herança” (1960), de Stanley Kramer, um advogado (Spencer Tracy) enfrenta uma cidadezinha maciçamente evangélica e criacionista decidida a silenciar um jovem professor adepto da ciência e do evolucionismo. O filme mostra o julgamento, um duelo de argumentos entre Tracy e outro poderoso advogado (Fredric March) sobre Darwin e a Bíblia — o darwinismo era então crime no estado. O professor acaba condenado, mas a uma multa ridícula, que não o impedirá de lecionar.

Eram esses os EUA que, apesar de todas as sujeiras em política internacional, éramos levados a admirar. O país em que, pela bravura e correção, um indivíduo conseguia se impor a uma maioria hostil. Hoje é o contrário: um ferrabrás se impõe pelo poder e hostiliza e esmaga a maioria. Donald Trump parece estar declarando guerra aos próprios EUA.

E os americanos já não têm um Henry Fonda, um Gary Cooper e um Spencer Tracy que os defendam.

TJ vai julgar uma ação milionária que opõe Zanin ao sogro por lucros de escritório


MP junto ao TCU pede providências sobre doações do Banco Master em campanhas eleitorais

 

MP junto ao TCU pede providências sobre doações do Banco Master em campanhas eleitorais

Por Renan Monteiro / Estadão Conteúdo

31/01/2026 às 17:00

Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

Imagem de MP junto ao TCU pede providências sobre doações do Banco Master em campanhas eleitorais

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) pediu ao ministro Jhonatan de Jesus a adoção de providências para o exame de eventuais doações feitas pelo Banco Master em campanhas eleitorais. O pedido foi feito pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, na sexta-feira, 30, no âmbito do processo na Corte de Contas que envolve a instituição financeira, sob relatoria de Jesus.

Em novembro de 2025, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Master. A autarquia citou grave crise de liquidez e comprometimento significativo da situação econômico-financeira do banco, entre outros achados. No TCU, o caso entrou na pauta em dezembro passado, quando o ministro Jhonatan de Jesus deu 72 horas para a autarquia justificar o que chamou de "medida extrema".

Desde então, o caso segue no Tribunal. A Corte fiscaliza a legalidade do processo de liquidação, sob a relatoria de Jesus, sem perspectiva de reverter o que foi determinado pelo BC. A movimentação provocou críticas à atuação do TCU, com questionamentos sobre os limites da Corte de Contas no processo

No ofício encaminhado na sexta pelo MPTCU, foi indagado se caberia ao TCU examinar as doações em campanha eleitoral realizadas pelo Banco Master.

"Essa análise não apenas poderia trazer maior transparência sobre o financiamento das campanhas eleitorais, mas também contribuir significativamente para um entendimento mais aprofundado do escândalo envolvendo o caso Master e os diversos atores nele implicados", defendeu Lucas Furtado.

No mesmo pedido, o subprocurador-geral reconhece que a Corte de Contas pode entender que essa nova linha na fiscalização é competência da Justiça Eleitoral. Se essa for a conclusão, o ofício pede o acionamento do Ministério Público Eleitoral para que sejam adotadas as providências cabíveis.

"Ao direcionar essa questão para a instância adequada, será possível avançar na apuração dos fatos e na responsabilização de eventuais irregularidades ... reitero que este caso exige atenção especial e uma atuação firme por parte do TCU, não apenas para apurar as operações de aquisição de carteiras de crédito pelo BRB, mas também para investigar os desdobramentos que envolvem autoridades públicas e instituições federais", argumentou Furtado.

A realização da diligência no Banco Central foi acordada em reunião, neste mês, entre diretores e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, o presidente do TCU, Vital do Rêgo, e o ministro Jhonatan de Jesus.

A inspeção de documentos sobre a liquidação do Banco Master faz parte do trâmite instrutório conduzido pela área técnica; em tese, não precisa do aval do plenário. O caso será submetido ao plenário, com o voto do relator, após esse encaminhamento.

Politica Livre

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