segunda-feira, junho 30, 2025

No Brasil de hoje, o mais importante é o eleitor defender a democracia. Apenas isso.

Publicado em 29 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

A ameaça à democracia no Brasil

Charge do J.Bosco (O LIberal)

Roberto Nascimento

O parlamentarismo foi o regime de governo na crise da renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961. Durou apenas sete meses. O primeiro-ministro, Brochado da Rocha, era um político gaúcho corretíssimo e defendeu o plebiscito em prol do retorno do presidencialismo. Reputava que o parlamentarismo era legal, porém não necessariamente legítimo.

Por não conseguir avançar na proposta para a realização de um plebiscito imediato, Brochado da Rocha renunciou ao cargo de primeiro-ministro. Foi substituído pelo então deputado Tancredo Neves, que ia bem, até que o presidente João Goulart conseguiu aprovar no Congresso o plebiscito, e o povo votou pela volta do Presidencialismo.

LEVAR VANTAGEM – Como se sabe, no Brasil nenhum regime prospera em benefício da nação. Os governantes querem se beneficiar e levar vantagem, principalmente os deputados, os senadores e os vereadores. A corrupção é o normal, como se viu na Lava Jato.

Em 2022, se o golpe de estado dos bolsonaristas fosse adiante, o Congresso seria fechado e teríamos o repeteco do polarizado bipartidarismo. Mas a conspiração fracassou. Mesmo assim, a política continua desvirtuada e passamos por novo período autoritário, disfarçado de democracia.

O regime que estamos experimentando é o semipresidencialismo, que pode ser chamado de parlamentarismo à brasileira, sem o equilíbrio requerido para o funcionamento harmônico dos três poderes.

SEM ANISTIA – Quem hoje passa pano para os golpistas de 2022, militares e civis, defendendo anistia ampla, geral e Irrestrita, com toda certeza está trabalhando contra a democracia.

É preciso lembrar que o mais importante não é defender a direita ou a esquerda. O fundamental é preservar a democracia. Até porque só existem direita e esquerda em países democráticos.

Nos regimes autoritários, o que existe é apenas a ditadura, não há direita ou esquerda, mas apenas o partido do governo, que funciona sem oposição ou com oposição consentida, somente para tentar manter as aparências.

Comprem pipocas! Big techs anunciam que vão enfrentar censura do Supremo

Publicado em 30 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Câmara das big techs aponta os erros que o STF cometeu

Patrícia Campos Mello
Folha

As big techs rechaçaram a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que altera o Marco Civil da Internet, afirmando que ela torna o ambiente digital brasileiro um dos mais “juridicamente instáveis e regulatoriamente complexos do mundo democrático” e que vai gerar “judicialização em massa”.

Em comunicado obtido pela Folha, a Câmara Brasileira de Economia Digital (camara-e.net), que tem entre seus associados Meta, Google, Amazon, Kwai, Mercado Livre e TikTok, afirma que a decisão do Supremo ampliando a responsabilidade das empresas por danos decorrentes de conteúdo de terceiros “encarece a moderação de conteúdo, favorece a remoção preventiva de publicações, serviços e produtos legítimos”, aumenta a “insegurança jurídica” e desorganiza “cadeias inteiras do ecossistema digital, especialmente entre pequenos empreendedores”.

RESPONSABILIZAÇÃO – Os ministros do Supremo decidiram nesta quinta-feira (26), por 8 votos a 3, ampliar as obrigações das plataformas de redes sociais para atuação no Brasil e divulgaram as teses que alteram o regime de responsabilidade dos provedores.

A partir de agora, elas serão responsáveis civilmente caso não removam de forma pró-ativa, antes de determinação judicial, uma nova lista de conteúdos, incluindo antidemocráticos, discriminatórios ou de incitação a crimes.

Representantes do segmento preveem que haverá uma “avalanche” de embargos declaratórios pedindo esclarecimentos e especificações após a publicação do acórdão da decisão.

PRESSÃO NO CONGRESSO – Além disso, a indústria pretende pressionar o Legislativo para legislar sobre o assunto rapidamente. Na interpretação das empresas, se o Congresso aprovar uma lei, ela vai se sobrepor à decisão do STF.

Isso estaria claro nas teses publicadas pelo Supremo nesta quinta, no trecho em que se diz: “Apela-se ao Congresso Nacional para que seja elaborada legislação capaz de sanar as deficiências do atual regime quanto à proteção de direitos fundamentais”.

A camara-e.net considera que a decisão do STF altera “radicalmente” o regime construído desde o Marco Civil da Internet, em vigor desde 2014. Entre as críticas está a falta de diferenciação entre setores afetados pela decisão e o porte das empresas.

GERAM INCERTEZAS – “As exceções previstas não abrangem toda a diversidade de serviços digitais e geram incertezas sobre sua aplicação prática”, diz o comunicado.

Segundo a entidade, “o impacto pode ser particularmente severo sobre empresas nacionais de pequeno e médio porte, que não dispõem da estrutura necessária para absorver os custos operacionais e jurídicos desse novo cenário”.

Com a decisão do Supremo, as empresas podem ser responsabilizadas por danos decorrentes de conteúdos a partir de notificação extrajudicial (denúncia de usuário).

JUDICIALIZAÇÃO – Para as empresas, isso vai gerar uma judicialização em massa. Hoje em dia, são necessárias ordens judiciais para requerer remoção de conteúdo (e as empresas só podem ser responsabilizadas se descumprirem essas ordens).

Opositores da decisão do Supremo estão se organizando online para denunciar em massa conteúdos que consideram ter viés ideológico de esquerda.

Outra crítica é em relação às regras para marketplaces. Empresas como Mercado Livre responderiam seguindo o Código de Defesa do Consumidor (CDC), que prevê responsabilidade solidária (o provedor pode ser acionado ao mesmo tempo que o vendedor de produto com problema).

REMOÇÃO EM MASSA – As empresas afirmam que isso vai gerar remoção em massa de produtos vendidos pelo comércio eletrônico por medo de responsabilização.

O julgamento no STF se deu em torno do artigo 19 do Marco Civil da Internet, que diz que as plataformas só deverão indenizar usuários ofendidos por postagens de terceiros se descumprirem ordem judicial para remoção de conteúdo.

Foram 8 votos para a ampliação das obrigações, dos relatores Dias Toffoli e Luiz Fux, além de Luís Roberto Barroso, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia. Já André Mendonça, Edson Fachin e Kassio Nunes Marques votaram contra a mudança do artigo 19.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – “Dom Quixote”, a obra de Cervantes, é uma concepção genial. Mas se torna patética quando é reproduzida na vida real. Ainda mais quando a paródia acontece numa Suprema Corte. Pesquisa DataFolha mostra que 58% dos brasileiros têm vergonha do STF. Eu sou um deles. (C.N.)


Imbróglio fim eleição absolutamente direta na OAB/SE para o Quinto

 em 30 jun, 2025 4:00

 Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça
  “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

Ficou para o próximo dia 15 de julho o julgamento do processo que denuncia manobras da OAB/SE em torno da nova versão de procedimentos para a escolha dos advogados que concorrerão à vaga de desembargador, via Quinto Constitucional, foi marcado para o próximo dia 15 de julho no Tribunal Regional Federal da 5ª Região – TRF-5 (Recife).

Em 25 de setembro do ano passado Presidência do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) enviou ofício, na manhã desta quarta-feira, 25/09, para a OAB, comunicando a abertura de vaga de desembargador pelo Quinto Constitucional. A vaga decorre da aposentadoria do desembargador Luiz Antônio de Araújo Mendonça. De lá para cá as regras foram mudadas em dezembro do ano passado, pela maioria dos conselheiros da OAB/SE e o advogado Aurélio Belém ingressou com uma ação. Em março, o desembargador Vladimir Carvalho do Tribunal Regional Federal da 5.ª Região (TRF-5) determinou a suspensão da lista sêxtupla para a escolha do ‘Quinto Constitucional’. Com isso o processo está parado e a OAB/SE entrou com a defesa para que a decisão seja revista. O processo já entrou e saiu da pauta por três vezes.

Em outro recurso – divulgado pela Infonet –  que começou a ser julgado na última quinta-feira, 26,  o TRF5 analisa um recurso que pede a anulação do edital do processo eleitoral diante da ausência de reserva de vagas para Pessoas com Deficiência (PcD). ação foi movida pelo advogado Tony David da Silva Melo, representado pelo advogado Luciano Almeida. No processo, eles argumentaram que a ausência da reserva de vagas para PcD é inconstitucional, principalmente porque o edital já prevê ações afirmativas – com reserva de 50% das vagas para mulheres e 30% para pessoas negras e pardas. m primeiro momento, o pedido de anulação do processo eleitoral foi negado pelo juiz federal Ronivon de Aragão, mas, após apelação dos autores, o recurso foi analisado pela 1ª Turma do TRF5. O desembargador Roberto Wanderley Nogueira, relator do processo, votou pela anulação do edital e pela obrigatoriedade de inclusão de ao menos 5% de vagas para PcD. No entanto, o julgamento foi suspenso após pedido de vista do desembargador Edvaldo Batista e será retomado após a decisão (Infonet). 

Seja qual for o resultado este episódio da eleição para o Quinto Constitucional do TJSE ficará marcado na história da OABSE e servirá de referência para todo o país. O blog torce para que a eleição absolutamente direta na OAB para a escolha dos nomes para o Quinto Constitucional do TJSE seja restabelecida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atenção Emsurb e prefeita Emília: moradores denunciam poluição visual em calçada no Bairro Jabotiana. Preocupação é que se nada for feito todos comerciantes poderão “tomar conta da calçada”, que também prejudica a mobilidade dos pedestres O blog recebeu a denúncia de moradores da região, com a foto acima – retirou o nome do comércio porque o problema não é com a loja, mas com a mobilidade urbana e a poluição visual venha de quem vier – de um comércio que colocou uma enorme placa tomando toda extensão da calçada na Rua Major João Teles no Bairro Jabotiana. Aracaju tem uma legislação para a instalação de placas, totens e luminosos. Com certeza a placa acima destoa do padrão e, além da poluição visual, de prejudicar a mobilidade se nada for feito abrirá um precedente para que todos comerciantes da rua façam o mesmo, ou seja, usem toda extensão da calçada com enormes placas.

 

 

 

 

 

 

Propaganda eleitoral antecipada? Cabe ao TRE-SE avaliar o caso e decidir se punirá o parlamentar E jornalistas repercutiram ontem nas redes sociais que ao lado da prefeita Emília Corrêa, no show de Wesley Safadão foi anunciado pelo deputado federal Thiago de Joaldo (PP), que a apresentação do artista já está garantida para o próximo ano, graças a uma emenda parlamentar dele. Nas redes sociais, não só os jornalistas, mas advogados da área do direito eleitoral escreveram que  a atitude pode configurar propaganda eleitoral antecipada, ao transformar um evento público em palanque eleitoral. Agora, cabe ao TRE-SE avaliar o caso e decidir se punirá o parlamentar.

https://infonet.com.br/blogs/claudio-nunes/imbroglio-fim-eleicao-absolutamente-direta-na-oab-se-para-o-quinto/

domingo, junho 29, 2025

AULA INVESTIR É PARA TODOS COM EDUARDO MOREIRA - DOMINGO, 29/JUNHO ÀS 20H

Ala dominante do PT espera vencer em ao menos 18 estados em eleição interna

 Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação / Arquivo

Corrente majoritária do PT, Construindo um Novo Brasil, que apoia Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara29 de junho de 2025 | 18:29

Ala dominante do PT espera vencer em ao menos 18 estados em eleição interna

brasil

Principal corrente do PT, a CNB (Construindo um Novo Brasil) espera conquistar os diretórios estaduais de ao menos 18 das 27 unidades da Federação, no processo de eleição direta dos filiados marcado para o próximo domingo (6).

O grupo, que controla o partido há 20 anos, prevê derrotas apenas em Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Bahia, Rio Grande do Norte, Amazonas e Amapá. Há ainda disputas acirradas com outras tendências internas em Mato Grosso e Alagoas.

Nas principais unidades da federação, portanto, incluindo os estados do Sudeste, a ala deve manter sua hegemonia.

Nacionalmente, a CNB prevê algo com 50% dos votos para o diretório nacional.

Já a previsão de líderes da corrente é que seu candidato a presidente, Edinho Silva, que é apoiado também por outros grupos internos, passe de 60%.

Fábio Zanini, Folhapress

Contra fatos, fotos e vídeos, não há argumentos: O São João de Jeremoabo fortalece laços e preserva a tradição

 

Contra fatos, fotos e vídeos, não há argumentos: O São João de Jeremoabo fortalece laços e preserva a tradição

Junho mal começa e as ruas de Jeremoabo já se transformam em um cenário de cores vibrantes com bandeirinhas e balões. É o anúncio da festa mais esperada do ano, que para muitos é mais do que uma celebração: é uma tradição que se renova, um reencontro com a cultura e um abraço em memórias que atravessam gerações. O São João de Jeremoabo se consolidou como um evento que, com alegria e segurança, atendeu a todos os gostos musicais e, mais importante, fortaleceu os laços da comunidade.

Mais do que um palco para grandes shows, a festa junina de Jeremoabo se torna um espaço de convivência social e de resgate cultural, que eleva a autoestima de todos os participantes. E nesse resgate, um público especial brilhou: a terceira idade. Para os idosos, a festa junina é uma verdadeira máquina do tempo. É a chance de reviver memórias da juventude, das danças na roça, do cheiro das comidas típicas feitas em casa e das noites iluminadas pelas fogueiras. É o momento de reencontrar amigos, de se vestir com a velha roupa de caipira, cantar quadrilhas animadas e compartilhar sorrisos que valem mais do que qualquer lembrança.

O sucesso da festa, segundo os próprios moradores, se deve à organização da equipe do prefeito Tista de Deda, que demonstrou um olhar atento e carinhoso para com o público sênior. A programação incluiu atividades especialmente pensadas para eles: danças adaptadas, brincadeiras tradicionais e, claro, um banquete de comidas típicas como canjica, bolo de milho e quentão sem álcool. Tudo foi preparado com o máximo de cuidado e respeito, considerando as preferências e limitações de cada um.

A festa junina na terceira idade, em Jeremoabo, foi muito mais do que um evento: foi uma verdadeira celebração da vida. Um momento em que a quadrilha dançada era, na verdade, o compasso de um tempo vivido com sabedoria, gratidão e muita alegria. Foi a prova viva de que a idade não é uma barreira para a felicidade, para o amor e, principalmente, para a diversão.

Viva São João e viva a melhor idade! O São João de Jeremoabo não é apenas uma festa, é um legado de cultura, alegria e união que se perpetua.

A malha se embaralha

 

A malha se embaralha

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Por ADHEMAR BAHADIAN
agbahadian@gmail.com

Publicado em 29/06/2025 às 08:35

Alterado em 29/06/2025 às 08:35


Tenho a ligeira sensação de que o nevoeiro se dissipa. E, aos poucos, a insânia se revela em toda sua impregnada ilusão, em todo seu delírio de grandezas imaginadas e insustentáveis à luz do bom-senso mais elementar.

A tal ponto que já se torna corriqueira a sensação de que não há lideranças consensuais e as linhas de comunicação se cruzam entre o real e o fantástico. E a cada dia que passa se espalha a certeza de que algo de muito doentio brota do espetáculo cotidiano de guerras que se iniciam com o mesmo absurdo com que nos querem convencer de que elas são vencidas ou perdidas numa espiral de notícias contraditórias.
De útil e até elucidadora, apenas a saída do proscênio do homem dos bilhões, afastado depois de provocar incessantes sobressaltos lá e aqui. Elucidadora sobretudo na ânsia com que revelou, voluntária ou involuntariamente, a estratégia do mergulho no absurdo da geopolítica da cobiça argentária essencialmente acumulativa e insaciável.

Não à toa se aprofundam as análises de um neofeudalismo a rondar o capitalismo pós-globalização em direção a um regime econômico em que o “hegemon” se vale da astúcia da desvalorização da própria moeda como sorvedouro de injeções maciças de investimentos.
Uma resultante possível da aparentemente tresloucada política de tarifas alfandegárias inimagináveis.

Varoufakis, o grego, nos elucida no Youtube e, de quebra, nos explica o porquê de o calcanhar de Aquiles de Trump ser a própria contradição entre o que o MAGA promete e o que não conseguirá cumprir.
Elucidativas também as análises de Obama e de Jeffrey Sachs, igualmente disponíveis nas redes, sobre o impacto do neoliberalismo no imoral desnível social trazido pelo abandono das regras e regulamentos que durante anos impediram o avanço antropofágico do capital monopolizador.

A desregulação dos mecanismos de proteção social acompanhada de politicas de redução do imposto de renda de grandes empresas e de bilionários na hipótese de que reverteriam no bem-estar social mostraram-se, ao contrário, regressivas com impacto relevante sobre a classe média e a classe assalariada em geral.

Nesta hora, é sempre bom lembrar de Milton Friedman, quando não escondia ser o único objetivo social da empresa dar lucro a seus acionistas. Lição que, infelizmente, não absorvemos.

Mas o que estamos a presenciar de mais grave e assustador hoje em dia é a tendência de vários segmentos sociais que, ao contrário de se mostrarem fartos desta espiral do canibalismo econômico e social, pretendem aprofundar ainda mais a alienação em que nos encontramos.

E da desregulamentação econômica se passa gradualmente ao desprezo e ao abandono de conquistas seculares da humanidade como o respeito ao Direito Internacional, aos Direitos Humanos, à integridade territorial, à soberania dos Estados e à lei em geral.

A primeira vítima nesta guerrilha é a Democracia, o respeito aos poderes constituídos e a solerte ideologia que só a autarquia, a ditadura, o despotismo seria capaz de reduzir a insânia econômico-social que estamos a presenciar.

A crescente repulsa da sociedade brasileira aos movimentos de antagonismo do Congresso Nacional, sobretudo os derivados da absurda insistência de congressistas em não reconhecer a inaceitável insistência em que bilhões de reais possam ser distribuídos como emendas parlamentares, sem transparência nem rastreabilidade, tende a produzir o fenômeno mais importante deste ano. E certamente das eleições para a renovação do Congresso em 2026.

Mais absurda ainda é a suposta tentativa de fazer com que o Senado Federal possa rever decisões do Supremo como se não coubesse àquela Corte decidir sobre matéria constitucional.

Na realidade, a tendência a desrespeitar o Poder Judiciário é moeda corrente nos regimes autoritários, a começar pela Hungria de Orban, pela Venezuela de Maduro e talvez - que Deus nos proteja - dos Estados Unidos de Trump.

O que mais atinge o sentimento de desamparo do povo brasileiro é saber que todas essas firulas, todo esse debate bastardo apenas beneficiam os defensores dos regimes de força, civis, militares ou cívico-militares que buscam na opressão de seus povos um arremedo paspalho de paz social.

Mas, sobre este ponto, a sociedade brasileira está mais do que escolada. Descolada.


*Embaixador aposentado


Marcos Lúcio
Resumo: Na realidade, a tendência a desrespeitar o Poder Judiciário é moeda corrente nos regimes autoritários, a começar pela Hungria de Orban, pela Venezuela de Maduro e talvez - que Deus nos proteja - dos Estados Unidos de Trump.
https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2025/06/1056010-a-malha-se-embaralha.html

Se não é bom pros EUA, por que serve ao Brasil?

 

COISAS DA POLÍTICA

Se não é bom pros EUA, por que serve ao Brasil?

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Publicado em 29/06/2025 às 07:35

Alterado em 29/06/2025 às 09:09

Davi Alcolumbre e Hugo Motta: próceres da emboscada Fotos: Geraldo Magela/Agência Senado - Câmara do Deputados


Imagina se fosse o presidente Lula que dissesse essa frase: "Estamos pagando 900 bilhões a mais por ano [de juros] por causa desse cara. Acho ele estúpido. Ele é uma pessoa mentalmente muito mediana", disparou o presidente. Lula esteve perto de dizer coisas desse tipo para o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O setor público brasileiro pagou R$ 950,4 bilhões em juros no ano passado, o último da gestão Campos Neto. Lula recebia pedradas do mercado financeiro quando só criticava a demora do Banco Central em baixar os juros para animar o consumo e a economia. Jamais cogitou de abreviar o mandato do neto do ex-ministro do Planejamento Roberto de Oliveira Campos, nem mexer na independência do banco. Quando o mandato expirou em 31 de dezembro de 2024, o ex-diretor de Política Monetária, Gabriel Galípolo, indicado por Lula, foi escolhido para suceder a Campos Neto, em 1º de janeiro, com seu nome aprovado pelo Senado Federal. [Dia 30 acaba a quarentena (bancada pelo Tesouro) e Campos Neto já pode assumir um alto cargo no Nubank, que não é banco e deve perder o nome fantasia e adotar só o "Nu", mas com um ex-presidente do BC na diretoria].

Mas quem disse essa frase, como afronta ao Federal Reserve Bank, e em ameaça ao cumprimento do mandato de seu presidente, Jerome Powell, foi o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Os EUA estão com uma dívida pública de US$ 36 bilhões e os juros da dívida (4,25% a 4,50% ao ano) custam US$ 900 bilhões anualmente. Mas se houve estranhamento em Wall Street contra a interferência de Trump nas decisões do Fed e em abreviar o mandato de Jerome Powell, que vence em maio de 2026, nada se ouviu na Faria Lima, sempre diligente em defender a ortodoxia dos bancos centrais, e que se insurgiu contra a cobrança de IOF para compensar os ônus ao Tesouro Nacional causado pela escalada de juros concentradora de renda.

Com a Selic em 15% ao ano, para uma dívida pública líquida em títulos de R$ 7,361 trilhões em abril (os dados de maio sairão dia 30), cada aumento de um ponto na Selic custa R$ 55,6 bilhões ao fim de 12 meses. Desde junho de 2024, a Selic subiu de 10,50% para 15%, com uma transferência de renda contratada de mais de R$ 230 bilhões para o sistema financeiro e os rentistas. Em maio, os bancos e instituições financeiras, incluindo “fintechs”, detinham 30,14% dos papéis da dívida, os fundos de pensão e de previdência privada controlavam 23,60% da dívida, os fundos de investimentos tinham 22,40%, atendendo aos rentistas, e os não residentes (estrangeiros e brasileiros com “off-shore” em paraísos fiscais) bancavam 9,88% da dívida. Por isso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quer buscar uma parte do ganho extra com IOF e IR sobre papéis até aqui isentos (Letras de Crédito Agropecuário e Letras de Crédito Imobiliário). E o governo resolveu recorrer ao Supremo Tribunal Federal para manter a medida derrubada pelo Congresso.

Nos EUA, Trump, além do seu interesse particular em baixar os juros para reativar seu patrimônio imobiliário, a bazuca contra Jerome Powell visa tirar de suas costas, pelo impacto do tarifaço nas importações (tantas vezes recuado), a responsabilidade pela forte desaceleração da economia americana. Assim como despejou superbombas sobre as instalações nucleares do Irã, Trump mirou seu arsenal verborrágico contra Powell. O mandato de cada presidente do Fed é de quatro anos, mas essa função é exercida dentro de um cargo maior: o de membro do Conselho de governadores do Fed, cuja duração é de 14 anos. Jerome Powell foi nomeado membro do Conselho em 2012, por Barack Obama, e depois promovido a presidente do Fed por Trump em 2017. Em 2022, foi reconduzido ao cargo por Joe Biden. Seu mandato presidencial termina em maio de 2026, mas ele poderia continuar no Conselho até 2028, salvo renúncia ou remoção por justa causa.

O que é bom para os EUA...

Ficou famosa no primeiro governo militar (marechal Castelo Branco) a frase do então embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Juracy Magalhães, que viria a ser nomeado ministro das Relações Exteriores: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Foi largamente explorada pelos nacionalistas e opositores do regime militar como o máximo do servilismo entreguista. Mas a frase é uma cópia do que disse, em meados dos anos 50, o ex-presidente da General Motors (GM), Charles Wilson, ao ser nomeado pelo presidente Eisenhower como secretário da Defesa. Disse Wilson: "O que é bom para a América é bom para a General Motors e vice-versa". Na época, a GM era a maior empresa americana e a maior fabricante mundial de automóveis.

Na guerra de nervos contra Jerome Powell, que tem adotado um tom cauteloso à frente do Fed, justamente devido às incertezas causadas pelo tarifaço no aumento da inflação doméstica, Trump já teria nomes ventilados para o cargo, segundo o “Wall Street Journal”. O secretário do Tesouro, Scott Benset, encabeça a lista. Outro nome seria o do diretor do Fed, Christopher Waller, da ala mais moderada do banco central americano. Semana passada, Waller defendeu a possibilidade de o Fed já discutir a redução das taxas de juros na reunião de 30 de julho. Outra possível indicação seria de Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional. Corre por fora, segundo a agência Dow Jones, o ex-governador do Fed e membro da Hoover Institution, Kevin Warsh.

Os paradoxos da Câmara dos deputados

Tão diligentes e servis na defesa da austeridade fiscal, que veta qualquer aumento de impostos mesmo concentrado nos ganhadores da alta dos juros da dívida pública e dos papéis privados – os bancos e fundos de investimentos das instituições financeiras representam mais de 52,5% dos rentistas –, e insistentes em cortes de programas sociais do governo (o Orçamento Secreto e as verbas parlamentares são intocáveis), na mesma semana em que infligiram uma dura derrota ao governo - 383 votos a 98 contra os aumentos de impostos sobre operações financeiras -, os (as) senhores (as) parlamentares aprovaram o aumento do número de assentos na Câmara dos Deputados dos atuais 513 para 531, a partir de 2027. Na eleição de outubro de 2026, serão criados mais 18 cargos de deputados com todas as mordomias já conhecidas: casa, verbas para gasolina dos carros oficiais e passagens aéreas à vontade para ida aos estados, além de cotas para nomear mais de uma dúzia de assessores parlamentares. Alguns deles, a exemplo dos chefes, nem batem ponto.

Quando votaram a maior derrota do governo Lula, já de olho nas eleições de 2026, com a tática mais comum da política – a tocaia - mais da metade dos 398 deputados que aprovaram o Projeto de Lei do Legislativo para derrubar o IOF e outras propostas de taxação (IR de 5% para 2026 sobre LCAs e LCIs) nem estava no plenário ou até mesmo em Brasília. Desde que, na pandemia da Covid-19, o então presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL), reeleito em 2023 para mais dois anos até 1ºde fevereiro de 2025, quando foi sucedido por Hugo Motta (Republicanos-PB), adotou a aprovação de matérias pelo Sistema Remoto de Votação, passada a pandemia o hábito fez o monge. Em vez do voto declarado e assumido no plenário ou nas mesas e cabines de votação da Câmara (que impedia que terceiros votassem pelo parlamentar), agora é possível votar remotamente pelo telefone celular até de locais menos ortodoxos. Na semana de São João, a maioria dos parlamentares estava em campanha nas festas juninas em seus estados. Um assessor pode, perfeitamente, ter votado pelo chefe. Circula no plenário, em forma de piada, a informação de que alguns votos contrariaram a orientação da bancada porque o parlamentar (ou seu assessor) abusou do quentão durante o forró.

Mas a questão é que o mesmo Congresso Nacional que barra impostos sobre os rendimentos dos ricos ou reluta em cortar parte dos R$ 800 bilhões em subsídios e incentivos fiscais que causam um rombo no Tesouro Nacional, não mostra coerência quando aprova (na Câmara e no Senado) o aumento das bancadas federais dos estados, de acordo com o crescimento da população apontado pelo IBGE no Censo 2022. O aumento de 18 vagas vai implicar, de imediato, gastos anuais de mais R$ 64,6 milhões. A Câmara jura que ficará só nisso. Você acredita, caro leitor?

Desde a Constituição de 1988 as bancadas não aumentavam: o teto é dos 70 representantes de São Paulo (estado mais populoso). Minas Gerais vai aumentar de 53 para 54 deputados. Pará e Santa Catarina ganharão mais quatro cadeiras. Aumentam duas Amazonas, Mato Grosso e Rio Grande do Norte. Ganham uma cadeira, Ceará, Goiás e Paraná, cuja população supera a do Rio Grande do Sul e agora os dois estados terão 31 representantes. O RS estava, ao lado de Alagoas (9) e do Rio de Janeiro (46), entre os três estados que perderam população. Mas o Congresso só quer saber de salvar a própria pele (alguns estão sendo presos por falcatruas na distribuição de verbas do Orçamento Secreto) e de propor cortes nos programas sociais. Imagina fazer na própria carne? A bancada mínima é de 8 deputados. O Senado manterá as 81 vagas, mas o Congresso incha de 594 para 612 parlamentares com as suas mordomias. Aliás, 65 anos após a criação de Brasília, com a capital federal sendo a terceira metrópole do país, faz sentido sustentar as idas e vindas semanais dos parlamentares a seus estados e o expediente de três dias no Congresso (terça, quarta e quinta-feira)? Nos EUA e Europa não há isso.

https://www.jb.com.br/

O IMPERIALISMO ROMANO E AS ESPECIFICIDADES DA JUDEIA: UM QUADRO TEÓRICO-CONCEITUAL

O IMPERIALISMO ROMANO E AS ESPECIFICIDADES DA JUDEIA: UM QUADRO TEÓRICO-CONCEITUAL
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Author Photo Jorwan Costa Junior
2010, Revista Eletrônica Antiguidade Clássica
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ABSTRACT
RESUMO O estudo do processo do imperialismo romano na Judeia deve ressaltar as especificidades daquela região frente ao Ocidente conquistado pelos romanos. Dentre tais especificidades destacamos: a recorrência de revoltas armadas e o contato prévio com o helenismo. Para analisarmos como se desenvolveu tal processo...
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