terça-feira, junho 24, 2025

Trump diz que tanto Israel quanto Irã violaram cessar-fogo

 Foto: Reprodução/Instagram/Arquivo

Donald Trump24 de junho de 2025 | 08:41

Trump diz que tanto Israel quanto Irã violaram cessar-fogo

mundo

O cessar-fogo entre Israel e o Irã começou a valer nesta madrugada de terça (24), mas já está em posição precária. Os rivais se acusam de violação da trégua anunciada por Donald Trump na véspera, tendo ordenado ataques retaliatórios mútuos, e o presidente americano disse que ambos romperam o combinado.

“Nós basicamente temos dois países que têm lutado há tanto tempo, e tão duramente, que eles não sabem que porra estão fazendo. Você entende isso?”, afirmou irritado sobre os rivais a repórteres na Casa Branca, ao embarcar para a cúpula da aliança militar Otan, na Holanda, onde queria fazer sua “volta da vitória”, vendendo-se como pacificador.

A fragilidade do acordo era previsível, e será necessário esperar as próximas horas para ver se estão em curso espasmos naturais de um processo tenso ou a volta às hostilidades abertas, iniciadas na forma atual no dia 13 pelo Estado judeu.

“Eu não estou feliz com o Irã, não estou feliz com Israel”, disse a repórteres, embora tenha focado suas críticas no Estado judeu. “Eu preciso fazer Israel se acalmar. Assim que aceitaram o acordo, eles vieram e lançaram um monte de bombas, algo que eu nunca tinha visto, a maior carga que já vimos”, disse, com o exagero habitual.

Na rede Truth Social, ele havia acabado de publicar: “Israel. Não lance essas bombas. Se fizer isso, será uma grande violação. Traga seus pilotos para casa, agora!”.

Horas antes, quando o arranjo passou a valer, à meia-noite em Washington (1h em Brasília), o presidente havia pedido “por favor, respeitem” o acordo aos beligerantes. Oficialmente, ambos os rivais aceitaram o acordo do americano.

Ele mesmo já havia pulado fora do conflito antes de anunciar a trégua. No sábado (21), um poderoso ataque com bombardeiros B-2 atingiu três instalações nucleares vitais para Teerã. O mundo prendeu a respiração, temendo uma escalada incontrolável.

Mas retaliação dos aiatolás foi meramente simbólica, com 14 mísseis lançados inocuamente contra a maior base do EUA no Oriente Médio, no Qatar. A ação teve aviso prévio a Washington e Doha, exacerbando seu caráter de propaganda para consumo interno do regime iraniano.

Trump se deu por satisfeito, agradeceu Teerã e pediu o fim do conflito, inclusive ao aliado Binyamin Netanyahu. Duas horas depois, foi anunciado o cessar-fogo, que prevê uma pausa do lado de Teerã de 12 horas seguida por outra igual de Tel Aviv. Dando tudo certo, a guerra acaba.

A realidade se interpôs logo antes do início do acordo, com um ataque iraniano matando quatro pessoas em Beersheba, sul de Israel. Segundo Teerã, foi uma última salva de 14 mísseis. Depois da trégua, as forças israelenses registraram dois mísseis vindos do Irã, que fizeram soar alarmes no norte do país.

O governo em Teerã negou ter feito os lançamentos pós-trégua. O belicoso ministro Israel Katz (Defesa) determinou então a retaliação, voltando a dizer que atacaria não só alvos militares, mas também do regime, que gostaria de ver cair pelas mãos de uma oposição ora impotente. Segundo os iranianos, ela ocorreu às 9h locais (2h30 em Brasília), com três ataques distintos ao país.

Israel não confirmou a ação, e a troca de acusações deverá seguir ao longo do dia, restando saber se ao fim haverá acomodação além da desconfiança. O Qatar, que se viu no meio do tiroteio, voltou a se queixar da ação do Irã, pela qual o presidente Masoud Pezeshkian se desculpou com emir Tamim bin Hamad al-Thani.

O governo qatari aproveitou o clima de conversa e disse que é possível fazer avançar um acordo para um cessar-fogo na Faixa de Gaza, algo que tenta mediar com o Egito. A guerra no território controlado pelo Hamas palestino, iniciada com o mega-ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, foi o estopim para a série de conflitos que desaguaram no ataque de Israel ao Irã.

As causas fundamentais da desavença entre os rivais seguem em aberto. Se é certo que houve danos significativos a suas instalações nucleares, os 400 kg de urânio enriquecido a 60% que a ONU diz estar nas mãos dos aiatolás seguem a salvo.

Os iranianos podem não ter mais as ultracentrífugas de Fordow, Natanz e Isfahan para elevar a gradação aos 80% necessários para uma ogiva nuclear, mas pode haver outros equipamentos no país, e mesmo com esse enriquecimento é possível criar perigosas bombas sujas —que só espalham radiação.

Trump por ora finge que isso não é um problema, insistindo na obliteração do programa iraniano. Já o presidente francês, Emmanuel Macron, disse nesta terça que o assunto ainda depende de negociações, que já vinham ocorrendo entre EUA e Irã antes da guerra.

Essa etapa do conflito matou mais de 610 iranianos e 28 israelenses, segundo os países, deixando milhares de feridos e deslocados internos. Em Israel, a escala de destruição em alguns pontos é sem precedentes.

A trégua de Trump foi desenhada para que todos os envolvidos possam cantar vitória, mas a posição do Irã é a de derrota militar. Israel degradou suas capacidades de defesa antiaérea, e hoje o país está aberto a qualquer ataque pelos céus.

Sua força de mísseis balísticos de médio e longo alcance, estimada em 2.000 armas antes do conflito, teve os sistemas de lançamento bastante afetados pelos bombardeios. Com efeito, as primeiras ondas de retaliação tiveram 220 mísseis, número que caiu a 22 nas últimas, registradas nesta terça.

O país retém suas capacidades de disrupção no Golfo Pérsico e o arsenal de mísseis de curto alcance, mas já não parece ter uma Força Aérea. O acordo estratégico assinado com a Rússia prevê a entrega de caças e sistemas de defesa, mas é incerto o ritmo disso agora.

Na segunda (23), o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, foi a Vladimir Putin pedir ajuda. Saiu só com palavras de apoio, repetidas nesta terça pelo porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, segundo quem “a posição da Rússia” já basta. O líder russo precisa continuar com a boa vontade de Trump acerca de sua guerra na Ucrânia.

Folhapress

Ataque dos EUA ao Irã aumenta importância da cúpula dos Brics


O vice-presidente e o presidente dos Estados Unidos, JD Vance (à esquerda) e Donald Trump (à direita)

O vice JD Vance e Trump discutem o alcance do ataque

Beatriz Bulla
do UOL

A escalada do conflito no Oriente Médio, com o ataque dos Estados Unidos ao Irã na noite de sábado, tende a jogar luz sobre a próxima cúpula dos Brics, que acontecerá daqui a duas semanas no Brasil. Isso porque, diferentemente de outras cúpulas multilaterais, como o G-7, o Brics reúne o próprio Irã, dois de seus principais aliados, China e Rússia, e importantes aliados regionais dos Estados Unidos, como Arábia Saudita, Egito e Emirados Árabes.

Um comunicado do grupo, portanto, terá de balancear as nuances regionais do conflito e, na visão do governo brasileiro, terá maior legitimidade perante a comunidade internacional do que as manifestações de grupos de atores que estão distantes do conflito.

BLOCO IMPORTANTE – Concebido inicialmente para congregar Brasil, Rússia, Índia e China, o Brics se expandiu nos últimos anos e atualmente é formado por onze países membros. Além dos quatro primeiros, o grupo reúne África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.

Se a cúpula fosse hoje, a tendência seria um comunicado com condenação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, com grande ênfase na contenção da escalada. A diplomacia brasileira avalia, no entanto, que daqui até a cúpula, prevista para os dias 6 e 7 de julho, muita coisa pode acontecer no enfrentamento entre EUA e Irã.

A avaliação atual do governo brasileiro é de que a posição do Irã dentro dos Brics tende a ser balanceada pelo posicionamento dos aliados dos EUA no Oriente Médio – Arábia Saudita, Egito e Emirados Árabes – e que China e Rússia tendem a apoiar a contenção da escalada.

MUITAS DÚVIDAS – Rússia e China têm se colocado ao lado do Irã, mas há dúvida entre analistas internacionais a respeito do quanto os dois países irão se envolver diretamente na guerra. Moscou, Pequim e Teerã tentam formar um eixo global que se contraponha ao dos americanos. Os russos, no entanto, enfrentam uma guerra contra a Ucrânia e os chineses não demonstram apetite para se envolver para além da retórica nos conflitos do Oriente Médio.

Há receio por parte de Pequim também sobre os efeitos do fechamento do estreito de Ormuz, já que uma parte significativa das importações chinesas de petróleo vem dos países do golfo pérsico.

A decisão de Donald Trump, presidente dos EUA, de atacar instalações nucleares do Irã não surpreendeu o governo brasileiro.

JUSTIFICATIVA FRÁGIL – Integrantes da diplomacia consideram que a justificativa do americano foi frágil e contradiz informações da própria inteligência americana que informou que não há evidências de que o Irã estivesse desenvolvendo uma arma nuclear. O ato, segundo diplomatas, foi ilegal e cabe ao Brasil condenar — o que o Itamaraty fez através de nota neste domingo.

Dentro do governo, a avaliação é de que o conflito pode fortalecer a linha dura no Irã e a guerra tende a escalar após a entrada dos Estados Unidos. Há uma segunda preocupação dentro do governo brasileiro, com o efeito da guerra nos preços do petróleo e dos alimentos ao redor do mundo.

Daí a importância do próximo encontro dos Brics.


Disputa das verbas públicas se acirra com o Supremo entrando em campo

Publicado em 23 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Independência e harmonia entre os Poderes

Charge do Nani (nani.humor.com)

Marcus André Melo
Folha

Há aparentemente dois paradoxos no comportamento do Executivo e do Congresso em relação à política fiscal. O primeiro diz respeito à suposta inversão observada em relação ao padrão austeridade no início do mandato e expansão de gasto no fim. Seria o proverbial ciclo político na política fiscal. O segundo é que o Congresso seria conservador, e o Executivo, expansionista.

Um olhar atento revela que a questão é mais complexa. No início do mandato, o governo patrocinou uma expansão fiscal inédita. E isso ocorreu em virtude da natureza própria da eleição apertada e de seu caráter hiperminoritário.

PEC DA TRANSIÇÃO – Sua extrema vulnerabilidade levou-o a antecipar a expansão do gasto com a PEC da Transição. Ao mesmo tempo deflagrou ataques ao Bacen, como estratégia de deslocar responsabilidades. O aumento recente da Selic expõe a inconsistência do discurso e da prática.

A expansão do gasto no ano eleitoral tem sido a tônica no país. Em 2006, foi de 10,3%, alcançando impressionantes 15,3% em 2010, na eleição de Dilma. Foi elevada em 2014 (6,3%) e 2022 (6%), quando Bolsonaro recorreu inclusive aos precatórios para gerar caixa.

A exceção foi 2018 e tem explicação clara. Sob Temer o gasto cresceu meros 1.8%. Isso é o que acontece nos raros casos em que o presidente não é candidato e não mobiliza o gasto em prol de nenhuma candidatura.

ETERNA GASTANÇA – O conflito atual entre o Congresso e o Executivo é também fácil de explicar. O fato é que o governo nunca abdicou do gasto. O arcabouço fiscal foi uma autorização para sua expansão. Mas o governo não antecipou seus efeitos dinâmicos.

Daí a política seletiva de austeridade: mira os ministérios que estão à míngua sinalizando contenção. Ao mesmo tempo, surge o pacote oportunístico de bondades. Ele inclui programas de crédito subsidiado e iniciativas como o Minha Casa, Minha Vida e o Pé de Meia que não estão no orçamento. E medidas como isenção na conta de luz e distribuição de botijões de gás, dentre outras.

Somam-se a isso o uso importante de estímulos parafiscais e a antecipação de benefícios como o 13º salário, em clara contradição com a política monetária. A alternativa de maior custo político —reduzir subsídios e isenções— é abandonada.

PELA REELEIÇÃO – É a viabilização desses programas e medidas que está em disputa quando o Congresso —cujas principais lideranças estão alinhadas a candidaturas presidenciais rivais— impõe obstáculos ao aumento da receita. Ao mesmo tempo, a maioria congressual também busca a reeleição, o que transforma o orçamento em campo de disputa, num jogo de soma zero.

Pela sua composição, o Congresso tem imposto, ao longo da última década, uma forte restrição fiscal assimétrica aos governos: veto para aumento de receita, mas não para a despesa de interesse da maioria legislativa.

A socialização dos custos desta dinâmica de relações Executivo-Legislativo tem limites. A inflação é um deles. No entanto o que vemos já há décadas é um equilíbrio político perverso, ancorado na concessão de benefícios setoriais para grupos e setores com forte influência sobre o jogo. O Executivo é seu árbitro. Mas o jogo tornou-se mais complexo com a entrada do STF em cena. O resultado é que a capacidade de arbitragem pelo Executivo das perdas e dos ganhos envolvidos tem se exaurido.


É preciso reequilibrar a composição de forças entre os três Poderes


Tribuna da Internet | Brasil hoje é governado com base no rancor e vingança  entre os Poderes

Charge do Duke (Arquivo Google)

Hélio Schwartsman
Folha

O governo levou outra surra no Congresso. Parlamentares derrubaram vários vetos que o presidente Lula apusera a projetos de lei. É sintoma de uma mudança tectônica na política nacional.

Nos ainda recentes e longínquos anos 1990, tínhamos uma Presidência imperial, com poderes até para legislar sozinha através da reedição ilimitada de medidas provisórias (MPs). Enquadrar parlamentares era ainda mais fácil, já que o Executivo tinha total discrição para definir se liberaria ou não o dinheiro para emendas individuais.

CONGRESSO FORTE – Hoje a situação é outra. Seria exagero falar em Presidência decorativa, mas o Parlamento se tornou bem mais poderoso. É a tal da faca de dois gumes. Se ficou mais difícil para governantes eleitos implementarem suas políticas, também ficou mais difícil para líderes autoritários ou ensandecidos imporem suas preferências.

Parte desse rearranjo de forças se deve a mudanças legislativas, como as que alteraram o trâmite de MPs e de emendas parlamentares. Outra parte, porém, pode ser descrita como o Congresso descobrindo um poder que sempre teve, mas não usava.

Um bom exemplo é justamente o das derrubadas de veto presidencial. Elas passaram de raríssimas nos anos 1990 a corriqueiras agora, mas a única mudança legislativa nesse mecanismo foi que as votações deixaram de ser secretas —o que em tese facilitaria a vida do governo.

HAVER CONSENSO – O Parlamento é um órgão multifacetado, que reúne gente com diferentes ideologias, agendas e prioridades. Isso significa que ele só consegue se impor quando há relativo consenso em torno da matéria. E isso só tende a ocorrer em pautas corporativistas ou no esquema “eu o ajudo com o seu projeto e você me ajuda com o meu”. Ambos os modelos favorecem o paroquialismo de curto prazo.

Não penso que seja possível — e talvez nem mesmo desejável — retornar ao “status quo” dos anos 1990. O caminho para encontrar um ponto de equilíbrio mais saudável passa por fazer os parlamentares responderem mais por suas decisões. Só não me perguntem como fazer isso.


Acareação de Cid e Braga Netto a portas fechadas é grave erro do STF

Publicado em 23 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Acareação de Cid e Braga Netto a portas fechadas é erro do STF

Será que conseguiremos saber qual dos dois está mentindo?

Josias de Souza
do UOL

A imprensa acompanhou os depoimentos das testemunhas da tentativa de golpe em tempo real. Os interrogatórios de Bolsonaro e seus cúmplices foram ainda mais transparentes, com transmissão ao vivo da TV Justiça. Inexplicavelmente, Alexandre de Moraes decidiu fechar as portas da Primeira Turma do Supremo durante o tête-à-tête de Mauro Cid com o general Braga Netto, marcado para esta terça-feira.

A acareação destina-se a elucidar duas divergências cruciais entre as versões do ajudante de ordens e do vice de Bolsonaro. Delator seletivo, Cid fez duas revelações tardias sobre Braga Netto.

POUCA MEMÓRIA – Numa, contou que o plano Punhal Verde e Amarelo foi esmiuçado numa reunião na casa de Braga Netto, em novembro de 2022.

Noutra, Cid ajustou a delação original para revelar que o general lhe entregou, no Palácio da Alvorada, uma caixa de vinho com dinheiro para financiar os kids pretos que se encarregariam de monitorar e executar Moraes, Lula e Alckmin. Alegou não se lembrar de quanto havia na embalagem nem do dia em que recebeu os recursos.

Sabe-se que algum dinheiro circulou nas mãos dos kids pretos, pois a Polícia Federal documentou a aquisição de celulares usados por oficiais do Exército que monitoraram os movimentos de Moraes sob a camuflagem de codinomes frios. Em mensagem trocada com Cid, o tenente-coronel Rafael de Oliveira falou sobre dinheiro. Coisa de R$ 100 mil.

CID MENTE? – Braga Netto alega que Cid mente. Por isso pediu a acareação. Preso preventivamente há seis meses, o general foi autorizado a viajar a Brasília. Fez questão de confrontar o delator cara a cara.

Moraes proibiu a presença da imprensa também em outra acareação marcada para esta terça, do ex-ministro da Justiça Anderson Torres com o ex-comandante do Exército Freire Gomes.

Pior do que um erro, só dois equívocos. As acareações pedem luzes acesas, não portas fechadas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Excelente análise de Josias de Souza. Em países democráticos, a Justiça e caracteriza pelas portas abertas e pela transparência de seus atos. Aqui no Brasil é ao contrária. O todo-poderoso Alexandre de Moraes permite a divulgação do julgamento, mas na hora H, quando o respeitável público saberá quem está mentindo, o ministro tem uma recaída e esconde debaixo do tapete. Francamente, não tem a menor vocação para ser juiz. Mas quem se interessa? (C.N.)

Trump anuncia e comemora aceitação de um cessar-fogo entre Israel e Irã


Foto-montagem mostra Ali Khamenei, Donald Trump e Benjamin Netanyahu - Metrópoles

Foto-montagem de Khamenei, Donald Trump e Netanyahu

José Augusto Limão
Metrópoles

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, anunciou, na tarde desta segunda-feira (23/6), que foi acordado um cessar-fogo entre Israel e Irã. Os países envolvidos no conflito não confirmaram a informação. O republicano fez o anúncio em sua rede social, a Truth Social. Trump afirmou que o cessar-fogo se iniciaria no início da madrugada desta terça-feira.

O Irã seria o primeiro que encerraria os ataques, em seguida Israel também aceitaria o cessar-fogo. O presidente dos EUA também parabenizou Irã e Israel por terem “resistência, coragem e inteligência” para encerrar o que ele definiu como “a guerra de 12 dias”.

TRUMP FESTEJA – “O fim oficial da guerra de 12 dias será saudado pelo mundo. Durante cada cessar-fogo, o outro lado permanecerá pacífico e respeitoso”, disse Trump.

Apesar do anúncio de Trump, Israel voltou a lançar ataques aéreos contra o país, nesta segunda-feira (23/6), com “intensidade sem precedentes” ao “coração de Teerã”, capital do Irã, tendo como alvo a sede da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC),

Segundo o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, os alvos incluiam o quartel-general de Basij; a Prisão de Evin, “para presos políticos e opositores do regime”; o relógio da Destruição de Israel, localizado na Praça Palestina; e o quartel-general de segurança interna da Guarda Revolucionária.

IRÃ LANÇA MÍSSEIS – Em resposta, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã realizou, nesta segunda-feira (23/6), a 21ª operação com mísseis desde o início do conflito com Israel, no último dia 13 de junho. A ação adota nova tática ao lançar um ataque combinado de mísseis e drones contra múltiplos alvos em outras regiões de Israel.

Os iranianos também lançaram mísseis em direção a uma base americana no Catar, mas o Departamento de Defesa dos EUA afirmou que não houve feridos.

De acordo com um comunicado oficial do IRGC, foram usados mísseis de propulsão sólida e líquida, além de drones suicidas, para atingir áreas estratégicas espalhadas de norte a sul do território israelense.

EUA NA GUERRA – No sábado passado (21/6), os Estados Unidos entraram oficialmente na guerra, depois de bombardear três instalações nucleares do Irã.

O Iêmen anunciou a entrada no conflito “contra Israel e EUA”, ao lado do Irã, e diz estar de “prontidão para participar do ataque a navios de guerra norte-americanos no Mar Vermelho, caso o inimigo americano lance uma agressão em apoio ao inimigo israelense contra a República Islâmica do Irã”.

RESPOSTA MUITO FRACA -Mais cedo nesta segunda, Trump definiu os ataques do Irã a uma base militar norte-americana no Catar como uma “resposta muito fraca” à ofensiva norte-americana contra instalações militares e nucleares iranianas no último sábado.

Em retaliação aos ataques dos Estados Unidos no sábado (21/6), o Irã lançou mísseis em direção ao Catar. O alvo era Al Udeid, conhecida por ser a maior base militar dos EUA no Oriente Médio.

Em comunicado, um porta-voz do governo catari condenou os ataques.

DISSE O PORTA-VOZ – “O Irã respondeu oficialmente à nossa destruição de suas instalações nucleares com uma resposta muito fraca, o que esperávamos e que combatemos com muita eficácia. Foram disparados 14 mísseis – 13 foram derrubados e um foi “liberado” porque estava direcionado para onde não causaria danos. Tenho o prazer de informar que nenhum americano foi ferido e quase nenhum dano foi causado. Mais importante ainda, eles se livraram de tudo e, com sorte, não haverá mais ódio”, disse Trump.

Trump ainda agradeceu ao Irã por “avisar com antecedência” sobre os ataques, “o que possibilitou que nenhuma vida fosse perdida e ninguém ficasse ferido”.

O presidente dos EUA, em seguida, falou em paz. “Talvez o Irã possa agora prosseguir rumo à paz e harmonia na região, e eu encorajarei Israel com entusiasmo a fazer o mesmo.


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