quinta-feira, junho 19, 2025

Ramagem usou drones da Abin em motociata e ato por voto impresso e postou imagens nas redes

 Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados/Arquivo

O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem18 de junho de 2025 | 22:00

Ramagem usou drones da Abin em motociata e ato por voto impresso e postou imagens nas redes

brasil

O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem autorizou o uso de drones da agência para acompanhar manifestações públicas em defesa do voto impresso e motociatas do então presidente Jair Bolsonaro (PL) e, depois, utilizou as imagens em suas próprias redes sociais.

A informação consta no relatório final da Polícia Federal (PF) sobre o esquema de espionagem ilegal conhecido como “Abin Paralela”, tirado do sigilo pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira, 18.

Segundo a investigação, essas imagens beneficiariam diretamente o “núcleo político” do esquema, composto pelo ex-presidente e pelo seu filho vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ). Procuradas, as defesas do ex-presidente, do vereador e do ex-diretor da agência ainda não se manifestaram.

Apesar do acompanhamento dos drones para garantir ações de segurança do então presidente estejam dentro da alçada da agência, o uso das imagens obtidas para fins particulares revela desvio de finalidade.

Segundo a investigação, o diretor-adjunto da Abin, Frank Márcio de Oliveira, questionou o coordenador geral de Operações de Inteligência, Paulo Magno de Deus Rodrigues, sobre em quais cidades havia drones. As manifestações foram gravadas pelos equipamentos em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife e Belo Horizonte.

Apenas Fortaleza, que também tinha o equipamento, ficou de fora, porque a equipe teria sido abordada Polícia Militar e, “dado o cenário político do Estado”, não iriam mais subir o equipamento.

As manifestações acompanhadas pelos drones ocorreram em 10 de julho de 2021, em motociatas com Bolsonaro, e em 31 de julho, em que o então presidente e aliados pediram “voto impresso”.

Karina Ferreira/EstadãoPolitica Livre

Quebra de sigilo de delação põe em risco benefícios a Cid sem afetar provas de trama golpista

 Foto: Reprodução/Arquivo

O tenente-coronel Mauro Cid foi ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL)19 de junho de 2025 | 08:23

Quebra de sigilo de delação põe em risco benefícios a Cid sem afetar provas de trama golpista

brasil

Dentre os argumentos das defesas de réus para tentar a anulação da colaboração premiada do tenente-coronel Mauro Cid, apenas uma eventual falta de voluntariedade do delator poderia prejudicar a utilização de provas e interferir no processo no STF (Supremo Tribunal Federal) que investiga a trama golpista de 2022, avaliam especialistas ouvidos pela Folha.

Esse cenário, porém, é considerado remoto no caso do militar, que tem reiterado publicamente a higidez do acordo.

As outras possibilidades —como eventuais omissões ou quebra de sigilo, com a divulgação de informações referentes à colaboração— teriam potencial de prejudicar apenas Cid, que pode perder seus benefícios.

A colaboração do militar tem sido contestada por advogados de acusados da trama golpista. As defesas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de quem Cid era ajudante de ordens, e do general Braga Netto pediram a anulação do acordo sob argumento de que Cid mentiu ao Supremo e contou detalhes de seus depoimentos a amigos. O pedido foi inicialmente negado por Alexandre de Moraes, que citou a fase atual do processo, e pode ser analisado no julgamento final.

Também pediu a nulidade da delação a defesa de Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro e réu no caso da trama golpista preso nesta quarta-feira (18) sob suspeita de obstrução de Justiça. Nesse caso, a solicitação cita também possível quebra de voluntariedade do pedido e conta com fotos e áudios de conversas entregues à Justiça por seu advogado e que comprovariam a quebra do sigilo feita pelo delator. Mauro Cid nega que isso tenha ocorrido.

Também comporia prova de descumprimento da regra um perfil que, segundo a revista Veja, teria sido usado por Cid nas redes sociais para falar da delação, episódio questionado pela defesa de Bolsonaro durante interrogatório em 10 de junho no STF.

Para o advogado Rogério Taffarello, especialista em direito penal e sócio do Mattos Filho, o vazamento do áudio e das mensagens pode dar base para a perda dos benefícios de Cid. “Deverá haver uma avaliação de proporcionalidade, [sobre se] isso é uma violação grave o bastante para a rescisão do acordo. Existe uma série de cláusulas, algumas cujas violações são menos relevantes, outras mais.”

Ricardo Yamin, doutor em direito pela PUC-SP, concorda que a quebra de sigilo pode ensejar a perda de benefícios combinados entre a Polícia Federal e Cid. O conteúdo da delação, entretanto, permaneceria intacto. O mesmo tenderia a acontecer se fosse comprovado que o militar mentiu.

A delação de Cid ajudou a fundamentar relatório da PF e denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre a trama golpista, mapeando a participação de Bolsonaro e outros atores e fornecendo detalhes sobre questões como a minuta golpista e o plano Punhal Verde Amarelo, que previa o assassinato de Moraes, do presidente Lula (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

O acordo prevê ao tenente-coronel perdão judicial ou pena privativa de liberdade inferior a dois anos, assim como a restituição de bens e valores apreendidos. Também está prevista a extensão dos benefícios a familiares de Cid, bem como ação da PF garantindo segurança.

O caso de omissão no depoimento de Cid também poderia resultar em perda de benefícios, mas a prática jurídica tem sido de pedido de ajuste no depoimento do colaborador, aponta Thiago Bottino, professor da FGV Direito Rio. “Isso aconteceu com várias empresas na Lava Jato, como a Odebrecht e a Andrade Gutierrez”, diz.

Um cenário com falta de voluntariedade, porém, traria espaço para a anulação de provas, podendo impactar todo o processo. A possibilidade, entretanto, é considerada remota pelos especialistas ouvidos pela Folha pelo fato de o próprio colaborador ter repetido em depoimentos oficiais sua disposição.

Mauricio Stegemann Dieter, professor da Faculdade de Direito da USP, ressalta que Cid teve gravadas as suas tratativas de delação e que o conteúdo oficial sobre a indicação ou não de constrangimento ilegal é obtido nos encontros do militar com a Justiça, não em mensagens privadas.

“Qualquer pessoa disposta a fazer uma delação se sente pressionada, senão por que ela faria [um acordo de colaboração]? A pressão é inerente à delação”, afirma Dieter. “Não tem como supor a involuntariedade que retiraria a validade da delação a partir de um ‘desabafo’ “, diz ele em referência ao conteúdo de mensagens vazadas atribuídas a Cid.

Jordan Tomazelli, mestre em direito processual pela Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo) e autor do livro “O jogo da colaboração premiada”, soma ao argumento o fato de que as mensagens divulgadas parecem sinalizar que o militar teve espaço para manter sua versão dos fatos, apesar de falar em pressão.

Ele cita como exemplo trecho de conversa em que Cid teria dito que, mesmo direcionado, não usou a palavra “golpe” em seu depoimento.

Para Luísa Walter da Rosa, mestre em direito do Estado pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) e autora de livros sobre acordos penais e colaboração premiada, soma-se à improbabilidade de aceitação pela Justiça de pedido a favor de uma anulação o fato de que apenas as partes do acordo, ou seja, o próprio Cid e a Polícia Federal, poderiam questionar a voluntariedade.

“Uma coisa é o acordo de colaboração e outra é o seu conteúdo. Quem foi delatado ou mencionado nesse acordo não é parte dele. Não pode questionar a validade desse termo que foi realizado entre o Estado e a defesa”, afirma.

Já sobre a possibilidade futura de que o acordo caia, a exemplo de episódios ocorridos na Lava Jato, os especialistas citam que o cenário é mais improvável, embora possa ocorrer a depender de mudanças no tribunal ou no cenário político, na opinião de alguns.

Para Dieter, as regras da colaboração premiada evoluíram desde os acordos firmados na Lava Jato, o que diminuiria essa probabilidade. Ele também destaca que, por estar sendo julgado diretamente pelo Supremo, não haveria no caso possibilidade de recurso a outra instância.

Ana Gabriela Oliveira Lima e Arthur Guimarães de Oliveira, FolhapressPolitica Livre

‘Abin paralela’ monitorou o Alexandre de Moraes errado, diz PF

 Foto: Antonio Augusto/ STF/Arquivo

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal)18 de junho de 2025 | 19:51

‘Abin paralela’ monitorou o Alexandre de Moraes errado, diz PF

brasil

Um homônimo do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), foi, segundo a Polícia Federal, monitorado ilegalmente pelo grupo investigado por uso político da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na gestão Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com o relatório final da apuração, o homem de nome igual ao do ministro foi pesquisado ao menos em três ocasiões por meio do software espião FirstMille. Ele seria gerente de uma loja de artigos domésticos em São Paulo.

As investigações sobre a “Abin paralela” começaram a partir de suspeitas do uso do sistema para espionar adversários políticos, jornalistas e ministros do STF durante o governo Bolsonaro.

“O registro, por exemplo, associado à pesquisa de ‘Alexandre de Moraes Soares’ não apresenta nenhuma justificativa, levando à plausibilidade de terem sido realizadas 3 (três) pesquisas do homônimo do exmo. ministro relator no dia 18/05/2019. O homônimo alvo da pesquisa, ainda, reside no Estado de São Paulo”, diz o documento.

O período citado coincide com o início da tramitação do inquérito das fake news, de relatoria de Moraes. A apuração foi instaurada em março de 2019, e em 14 de maio o ministro Luiz Edson Fachin liberou para julgamento do plenário um recurso para a suspensão do inquérito.

O ministro foi monitorado em outros momentos relacionados ao andamento do inquérito das fake news, como quando o plenário do STF confirmou a legalidade da ação.

“Não bastassem as ações clandestinas direcionadas para atacar o exmo. ministro relator em razão de suas funções em atentado ao livre exercício do Poder Judiciário, foram identificadas outras referências ao exmo. ministro Alexandre de Moraes com indicativo de violência, bem como ações relacionadas a tentativa de impeachment”, diz o texto.

A estrutura paralela também teria sido usada para blindar os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro em processos judiciais, atacar a credibilidade do sistema eleitoral e produzir desinformação.

No último dia 12, a PF entregou o documento ao Supremo com o indiciamento de 36 pessoas, incluindo o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) e o delegado federal Luiz Fernando Corrêa, atual diretor-geral da agência, foram incluídos na lista.

O nome de Jair Bolsonaro não constou nessa relação de indiciados, embora o documento atribua ao ex-presidente indícios de conduta criminosa.

O relatório final da PF inclui, no entanto, “potencialmente” o ex-presidente no núcleo político da organização criminosa acusada de estar por detrás da conduta ilícita atribuída ao órgão.

De acordo com a apuração, este núcleo foi o “responsável por definir as diretrizes estratégicas da Orcrim [organização criminosa], determinar os alvos das ações clandestinas (opositores, instituições, sistema eleitoral) e se beneficiar politicamente das operações. Era o centro decisório e o principal destinatário das ‘vantagens’ ilícitas (manutenção no poder, ataque a adversários)”.

Ana Pompeu/FolhapressPolitica Livre

Braga Netto foi ‘figura central’ para desacreditar urnas, diz PF

 Foto: Reprodução/TV Justiça

Ex-ministro Braga Netto está preso há seis meses por suposta tentativa de obstrução da investigação da Polícia Federal sobre a trama golpista18 de junho de 2025 | 21:05

Braga Netto foi ‘figura central’ para desacreditar urnas, diz PF

brasil

A Polícia Federal enviou nesta quarta-feira (18) ao STF (Supremo Tribunal Federal) um relatório de investigação que levanta novos indícios de participação do ex-ministro Braga Netto e aliados na trama golpista de 2022.

O documento tem como base a análise do celular do coronel da reserva Flávio Peregrino, ex-auxiliar direto de Braga Netto que tinha foco no relacionamento com a imprensa.

Segundo a Polícia Federal, o material analisado ainda reforça que aliados de Braga Netto “atuaram para obter o conteúdo do acordo de colaboração premiada firmada por Mauro Cid com a Polícia Federal”.

O relatório destaca que Braga Netto participou de um grupo de WhatsApp chamado “Eleicoes 2022@” com o deputado Osmar Serraglio (PP-PR), o coronel da reserva Franco Duarte, o major da reserva Angelo Denicoli, o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Flávio Peregrino.

As conversas no grupo tinham como foco a busca por indícios de fraudes nas eleições presidenciais de 2022. De acordo com o relatório, as mensagens trocadas, com dados falsos, serviram como uma das bases do relatório do Partido Liberal para tentar invalidar o segundo turno do pleito.

“As trocas de mensagens confirmaram a atuação do general Braga Netto como uma figura central para a implementação das estratégias visando desacreditar o sistema eleitoral e o pleito de 2022, elemento fundamental, dentro do escopo traçado pela organização criminosa, para estimular seus seguidores a ‘resistirem’ na frente de quartéis e instalações das Forças Armadas, no intuito de criar o ambiente propício para o golpe de Estado”, diz a PF.

Em nota, a defesa de Braga Netto afirmou que a afirmação da PF de que Braga Netto seria a figura central da estratégia de desacreditar as urnas é infundada. “Trata-se de distorção do fato de ele participar de grupo de WhatsApp onde se discutia a representação do PL perante o TSE”, diz a equipe comandada pelo advogado José Luis Oliveira Lima.

“Mais uma vez, a Polícia Federal tenta induzir em erro a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal, com interpretações que não condizem com as provas. Esta defesa reafirma que o general Braga Netto sempre respeitou as instituições democráticas e o processo eleitoral”, completou.

O relatório da Polícia Federal também diz que Braga Netto cogitou apoiar uma ruptura institucional na esteira das manifestações golpistas de Bolsonaro em 7 de setembro de 2021.

Bolsonaro fez naquele dia seu discurso mais efusivo contra o Supremo, com ataques diretos ao ministro Alexandre de Moraes e anúncio de que não cumpriria mais decisões do tribunal.

“Dizer a vocês, que qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou, ele tem tempo ainda de pedir o seu boné e ir cuidar da sua vida. Ele, para nós, não existe mais”, discursou Bolsonaro para apoiadores na avenida Paulista, em São Paulo.

“Ou esse ministro [Alexandre de Moraes] se enquadra ou ele pede para sair. Não se pode admitir que uma pessoa apenas, um homem apenas turve a nossa liberdade. Dizer a esse ministro que ele tem tempo ainda para se redimir, tem tempo ainda de arquivar seus inquéritos. Sai, Alexandre de Moraes. Deixa de ser canalha”.

Dois dias após as ameaças ao Supremo, Bolsonaro se encontrou com o ex-presidente Michel Temer (MDB) e decidiu divulgar uma nota em que recuava das declarações golpistas.

“Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar”, dizia o texto.

No dia 10 de setembro de 2021 —um dia após o recuo de Bolsonaro—, Braga Netto enviou ao tenente-coronel Mauro Cid uma notícia de que indígenas comemoravam o voto do ministro Edson Fachin em julgamento sobre o marco temporal.

“Isso sim se passar vai dar M”, disse Braga Netto. “Vc me falou. Mas agora nós podemos virar a mesa porque ele fez tudo para apaziguar”.

Braga Netto ainda disse, em referência ao Supremo, que Bolsonaro poderia virar o jogo caso o tribunal não cumprisse com o acordo —sem detalhar qual seria o combinado.

“Os cmts (comandantes militares) estão cientes. Ele vai pra mídia, conta o combinado e rompemos”, escreveu o general.

A Polícia Federal conclui que as conversas reforçam o intuito de Braga Netto e aliados de romper com o regime democrático, por meio de ataques ao Poder Judiciário, ainda antes do fim das eleições de 2022.

“As trocas de mensagens entre Braga Netto e Mauro Cid sobre esse evento confirmam que o intento golpista dos integrantes da organização criminosa já estava presente desde o ano de 2021”, diz.

O ex-ministro Walter Braga Netto está preso desde dezembro de 2024, por suspeita de tentativa de obstrução de investigação. A Polícia Federal afirma que o general tentou conseguir detalhes da delação premiada de Mauro Cid em conversas com o pai do tenente-coronel.

Ele ainda é réu no STF por participação no núcleo central da trama golpista de 2022. Em depoimento ao Supremo, Braga Netto negou que tenha participado de uma tentativa de golpe de Estado e apontou contradições no depoimento de Cid para se defender das acusações.

Cézar Feitoza/FolhapressPolitica Libre

PF diz que Ramagem foi um dos principais responsáveis por estimular ideia de fraude eleitoral

 Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados/Arquivo

Relatório da 'Abin paralela' cita ações clandestinas sob Bolsonaro; ex-diretor disse ao STF que documentos eram anotações privadas19 de junho de 2025 | 07:27

PF diz que Ramagem foi um dos principais responsáveis por estimular ideia de fraude eleitoral

brasil

O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi, segundo a Polícia Federal, um dos principais responsáveis por estimular a ideia de fraude eleitoral para atacar a credibilidade das urnas eletrônicas. A conclusão consta no relatório final da investigação sobre a chamada “Abin paralela” que teria atuado no governo Jair Bolsonaro (PL).

“As anotações de Ramagem demonstram que o investigado foi um dos principais responsáveis em incutir a ideia de fraude eleitoral com uso da Agência Brasileira de Inteligência para atacar o sistema eleitoral. A fonte primária das informações sobre inquérito da Polícia Federal foi obtida por um pedido de inteligência
direcionado à Polícia Federal”, dizem os investigadores.

As anotações do ex-diretor-geral da Abin citadas se referem a um documento intitulado “Presidente TSE informa.docx”, cuja última alteração foi em julho de 2021.

No último dia 12, a PF entregou o documento ao Supremo com o indiciamento de 36 pessoas, incluindo Ramagem, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, e o delegado federal Luiz Fernando Corrêa, atual diretor-geral da agência.

O capítulo sobre Ramagem no documento tem 12 páginas, um dos maiores entre os indiciados. Ele é o primeiro listado no núcleo da estrutura paralela —o núcleo anterior é o político.

O relatório cita várias ações clandestinas das quais ele teria atuação, como a de blindagem dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro em processos judiciais, atacar a credibilidade do sistema eleitoral e produzir desinformação, a de acompanhamento do caso da execução da vereadora Marielle Franco (PSOL) e a de produção de dossiês contra integrantes do MPF (Ministério Público Federal).

Procurado pela Folha para comentar as conclusões da polícia, Ramagem não se manifestou.

Em interrogatório ao STF (Supremo Tribunal Federal) no caso da trama golpista de 2022, no qual é réu, o parlamentar afirmou que documentos encontrados em seu computador com ataques às urnas eletrônicas eram anotações privadas e nunca foram enviados a nenhuma pessoa.

O deputado federal disse fazer anotações para “concatenar as ideias” e conversar em outros momentos que o tema estivesse em debate.

O congressista afirmou que após a derrota do então governo na votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o voto impresso, em 10 de agosto de 2021 na Câmara dos Deputados, não voltou mais a falar ou escrever sobre o tema.

“Após essa, vamos dizer assim, derrota, porque o governo Bolsonaro estava tentando, era um pleito do governo que se passasse o voto impresso auditável, depois dessa votação, não há mais nenhuma anotação privada, discussão pública, não há.”

O ex-diretor da Abin é acusado de participar da construção e do direcionamento das mensagens que passaram a ser difundidas por Bolsonaro em ataques às urnas eletrônicas e à democracia a partir de julho de 2021.

A denúncia tem como base arquivos armazenados por Ramagem e apreendidos pela Polícia Federal no decorrer da investigação.

O nome de Jair Bolsonaro não constou na relação de indiciados da “Abin paralela”, embora o documento atribua ao ex-presidente indícios de conduta criminosa.

O relatório final da PF inclui, no entanto, “potencialmente” o ex-presidente no núcleo político da organização criminosa acusada de estar por detrás da conduta ilícita atribuída ao órgão.

Ana Pompeu, FolhapressPolitica Livre

Em destaque

Motta nega irregularidade em voo alvo de investigação da PF e diz que sua bagagem foi inspecionada

  Motta nega irregularidade em voo alvo de investigação da PF e diz que sua bagagem foi inspecionada Por Marcos Hermanson/Folhapress 12/05/2...

Mais visitadas