domingo, maio 25, 2025

Olívia Santana critica Aldo Rebelo após ex-ministro ter embate com Moraes: ‘Um triste fim de Policarpo’

 Foto: Política Livre

Deputada estadual Olívia Santana (PCdoB)24 de maio de 2025 | 12:45

Olívia Santana critica Aldo Rebelo após ex-ministro ter embate com Moraes: ‘Um triste fim de Policarpo’

exclusivas

A deputada estadual Olívia Santana (PCdoB) fez contundentes declarações sobre o ex-ministro Aldo Rebelo, relembrando os embates ideológicos que tiveram no passado, especialmente em relação à luta antirracista e às políticas de cotas. Olívia, nas suas redes sociais, manifestou sua insatisfação com a mudança de postura de Rebelo, que, segundo ela, sempre demonstrou tendências conservadoras.

“Aldo Rebelo sempre deu sinais de conservadorismo. Quando ele foi do partido, tive alguns embates com ele no plano da luta antirracista, pois ele sempre nos acusava de querer dividir o Brasil”, disse a deputada. “Foi contra as cotas e dizia que a luta antirracista era identitarista. Só não sabíamos que ele desceria tão baixo!”, completou.

A crítica de Santana ganha relevância em meio à recente polêmica envolvendo Aldo Rebelo e o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF). Em um evento público, Moraes teria se dirigido a Rebelo com firmeza, dizendo: “Se não se comportar, vou mandar te prender”.

A parlamentar descreveu a trajetória de Rebelo, que, segundo ela, começou como um defensor da democracia durante a ditadura militar, mas que agora se encontra em uma posição contrária aos valores que um dia defendeu. “Um cara que lutou contra a ditadura, agora vira força auxiliar de golpista! Triste fim de Policarpo!!!!”, lamentou a deputada, fazendo referência ao famoso personagem da obra de Machado de Assis, que simboliza a traição e a degradação de valores.

Política Livre

No encontro com Jinping, Lula e Janja confundiram a vida pública e a privada


Janja pede liberação de mais público na posse de Lula - 30/12/2022 - Poder  - Folha

Lula também não sabe separar vida pública e a privada

Demétrio Magnoli
Folha

O célebre jantar com Xi Jinping continua a assombrar Janja da Silva. As críticas, concentradas na primeira-dama, evidenciam duas inclinações paralelas do debate público brasileiro: a opção preferencial pela fofoca, especialmente quando o alvo é uma mulher, e o impulso diferencial de proteção do chefe de Estado, que seria vítima impotente de travessuras de seus familiares. No percurso, passa-se ao largo da política –e, no caso, da política de Estado.

De fato, a comédia chinesa abrange quatro erros. Janja cometeu o menor deles.

PRIMEIRO ERRO – A palavra de Lula precisa ser levada a sério, para o bem ou o mal. Segundo o presidente, foi ele, não sua esposa, que infiltrou o TikTok à mesa de refeições. Erro número um: o Brasil, nação soberana, tem os meios para regular as redes sociais e, portanto, deve abster-se de reclamar ações de outros países. Xi Jinping presenteou Lula com essa aula gratuita de relações internacionais.

Na versão de Lula, Janja teria seguido o rumo que ele indicou, descrevendo os pecados do TikTok. E o erro número dois é que o presidente fala pelo Brasil, pois dispõe de mandato popular, mas a primeira-dama não exerce representação.

“Não há protocolo que me faça calar”, exclamou ela, acendendo a tocha de um curioso feminismo amparado em atributos do marido.

PÚBLICO E PRIVADO – Nesse passo, revelou a ignorância típica dos ativistas: o “protocolo”, aqui, não é uma norma burocrática anacrônica, mas a fronteira que assinala a distinção entre o público (a soberania popular) e o privado (o laço de casamento).

Lula cometeu o terceiro erro, ao escandalizar-se com o vazamento dos diálogos. Na sua invectiva contra um sujeito oculto (Rui Costa?), o presidente definiu o evento como um “jantar privado”.

Na verdade, era um jantar de Estado –ou seja, um ato diplomático oficial. O normal, em países democráticos, é dar publicidade às conversas travadas em encontros dessa natureza, com exceção de temas de segurança nacional.

“ESPECIALISTA” – O erro mais grave foi obra de Lula. Segundo o presidente, Xi Jinping aceitou sua solicitação de enviar ao Brasil um “especialista” na regulação das redes sociais. A ditadura chinesa cerca as redes com a “Grande Muralha Digital”. S

eu alvo principal não são crimes de pedofilia ou pornografia, mas a palavra política dissonante. É como se Lula convidasse um especialista de Trump para contribuir com nossa política imigratória.

Numa tentativa heroica de consertar o erro capital, o chanceler Mauro Vieira emprega o recurso extremo de desmentir o presidente, jurando que “não há nenhum programa de visita de especialista chinês”.

CONTROLE DA MÍDIA – A comédia dos quatro erros não nasceu de um céu azul. Nos mandatos anteriores de Lula, o PT clamava pelo “controle social da mídia” —isto é, por algum tipo de censura da imprensa profissional.

Hoje, só militantes febris ainda cultivam a antiga obsessão, e o foco de quem manda voltou-se para as redes sociais. Sob o álibi da necessária regulação das redes, o governo sonha criminalizar a “desinformação” e o “discurso de ódio”, abstrações sujeitas à interpretação da autoridade estatal.

Diante de Xi Jinping, Janja teria afirmado que o algoritmo do TikTok favorece a direita. Crime digital? Não: trata-se da busca pelo “algoritmo certo”, capaz de favorecer a esquerda. Da Grécia clássica para cá, aprendemos que toda comédia contém uma tragédia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A piada de confundir a vida pública com a privada é do Barão de Itararé, e não resisti em repeti-la, porque está acontecendo de novo(C.N.)

Maluf, Collor e até Bolsonaro têm atestados médicos para evitar cadeia


CBN - A rádio que toca notícia - Deputado Paulo Maluf recebeu alta nesta  manhã

Maluf simulou estar com câncer e ganhou prisão domiciliar

Wálter Maierovitch
do UOL

O habeas corpus liberatório teve a sua origem próxima em 1215. Com os aperfeiçoamentos e a regra republicana da igualdade, esse instituto jurídico representou uma conquista civilizatória. Nasceu com a Magna Carta imposta ao rei João Sem-Terra (João 1º de Inglaterra) pelos barões e clérigos. Isso a fim de não serem presos, privados da liberdade de locomoção, mas escravos e estrangeiros não gozavam desse direito.

A partir daí, nenhum homem livre pode ser preso ou detido sem flagrante ou condenação pelos seus pares, e nem custodiado em desconformidade com as leis.

CONTRA O ABUSO – Com efeito, o remédio do habeas corpus é usado para colocar fim à ilegalidade e o abuso, a cercear a natural liberdade de locomoção.

No Brasil, onde o habeas corpus é uma garantia constitucional, os políticos poderosos e os endinheirados potentes passaram a buscar, dadas as limitações do habeas corpus, fórmulas para se livrarem da cadeia. Ou seja, buscaram outros remédios jurídico-constitucionais com efeitos a garantir, no lar doce lar, o cumprimento de penas.

Os corruptos Paulo Salim Maluf e Nicolau dos Santos Neto, já morto e em vida apelidado de juiz Lalau por ter ingressado na Magistratura trabalhista sem concurso público e desviados verbas públicas da construção do complexo do Fórum Trabalhista, deram-se bem.

ATESTADO MÉDICO – Ambos lograram substituir o habeas corpus pelo atestado médico comprovador de gozarem de precário estado de saúde, sem condições de tratamento nas cadeias.

A partir daí, e pela inexistência de hospital penitenciário a dar suporte aos doentes poderosos e potentes, criou-se remansosa e pacífica jurisprudência, edulcorada com ingredientes humanitários. Entre os operadores do direito e os acadêmicos das faculdades, o precedente judiciário ganhou o nome de ‘jurisprudência Maluf-Lalau’.

Pela precariedade do estado de saúde atestado e referente ao mega corrupto Maluf, pode-se concluir que não teria atingido os 93 anos de idade, não estivesse em prisão domiciliar, na sua mansão do aristocrático bairro paulista do Jardim Europa.

CADEIRA DE RODAS – Maluf havia sido recolhido ao presídio da Papuda em dezembro de 2017 e, três meses depois, depois de inúmeras imagens em deslocações em cadeira de rodas, recebeu o benefício de domiciliar, em decisão do ministro Dias Tóffoli.

Recentemente, o corrupto e lavador de dinheiro Fernando Collor de Mello, condenado em regime prisional inicial fechado, foi contemplado, com fundamento em atestado médico, com prisão albergue domiciliar.

Collor não passou mais de 24 horas em prisão fechada. De repente, os cidadãos comuns e a população carcerária de doentes pobres e sem prestígio, descobriram que Collor, fazia bastante tempo, estava com vários problemas de saúde.

BOLSONARO NA ESPERA – No nosso Estado de Direito, existem vários institutos que, por motivos variados, levam à impunidade ou melhoram situações gravosas de criminosos poderosos ou potentes.

O ex-presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, busca desesperadamente a impunidade e o fim da inelegibilidade. Na lista dos remédios jurídico-legais, Bolsonaro escolheu, para conquistar a extinção da punibilidade, a anistia. Seu “plano b”, caso venha a ser condenado com pena de prisão fechada, será o “atestado médico”.

Para quem levou uma facada e quase perdeu a vida, com cirurgias posteriores realizadas por problemas decorrentes, uma enfermaria de penitenciária não seria recomendada, ou melhor, representaria risco. Em síntese, os cuidados humanitários a Bolsonaro, pela jurisprudência consolidada, serão realizados, certamente, no ‘lar doce lar’.

AGORA, ZAMBELLI – A deputada Carla Zambelli foi recentemente condenada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). As suas penas privativas de liberdade foram elevadas.

A decisão condenatória ainda não transitou em julgado, seu partido representou à Presidência da Câmara Federal cobrando manifestação sobre o benefício da imunidade parlamentar, e ele já seleciona seus atestados médicos.

Detalhe: como magistrado concursado que passou por varas criminais, de execução de penas, de inquéritos, corregedoria de presídios, Tribunal de Alçada Criminal e Tribunal de Justiça, nunca topei com petições de presos pobres, doentes, solicitando, com apoio em atestados médicos, prisão domiciliar para cumprir o restante da pena em barraco de favela.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Para escapar da prisão em 2018, Maluf não apenas fez o truque da cadeira de rodas, como também alegou sofrer de câncer. Não era mentira. Ele realmente foi operado de câncer na próstata em 1990. Mas ficou curado e nunca teve recaída nesses 35 anos. E foi solto em 2018 sem ser submetido a nenhum exame. Isso é Brasil. (C.N.)

Crise do IOF: Falta de coordenação externa e interna expõe fragilidades do governo


Charge do Cazo (blogdoaftm.com.br)

Pedro do Coutto

O governo Lula enfrentou mais uma turbulência institucional após a publicação de um decreto que previa aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para uma série de operações de câmbio e crédito de empresas. A medida, anunciada sem o necessário amadurecimento técnico e político, precisou ser revisada poucas horas depois da sua edição, revelando falhas graves de coordenação interna no Executivo e falta de sensibilidade em relação aos impactos no mercado financeiro.

O recuo quase imediato da equipe econômica, convocando uma reunião emergencial no Palácio do Planalto, escancarou a improvisação que permeou a construção da medida. Participaram da reunião ministros estratégicos, como Rui Costa (Casa Civil) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), além de técnicos da área jurídica do governo. A ausência física de Fernando Haddad, que participava remotamente por estar em São Paulo, também evidencia o grau de desconexão entre os setores responsáveis pela política econômica.

REAÇÃO – A decisão de aumentar a alíquota de IOF para aplicações de fundos de investimento no exterior gerou forte reação do mercado financeiro, que alertou o governo para os riscos de desorganização no fluxo de capitais. A equipe econômica, ao perceber que o texto original autorizava uma tributação diária desses fundos, recuou, restaurando a alíquota zero anterior. A correção, embora necessária, comprometeu a credibilidade do governo ao expor uma falha de avaliação técnica da Fazenda.

A resposta oficial do Ministério da Fazenda, que classificou a mudança como um “ajuste com equilíbrio”, não foi suficiente para conter as críticas. A comunicação truncada e os ruídos entre as pastas envolvidas criaram um cenário propício para especulações e disseminação de desinformação, o que obrigou o governo a editar um novo decreto antes mesmo da abertura dos mercados na sexta-feira. Essa instabilidade teve impacto imediato na confiança de investidores e agentes econômicos.

Outro ponto que motivou revisão foi a previsão de aumento do IOF sobre remessas de brasileiros ao exterior para fins de investimento, o que causou apreensão entre contribuintes e operadores do setor financeiro. A Fazenda esclareceu que a alíquota de 1,1% seria mantida, mas o estrago na percepção pública já estava feito. A oposição rapidamente explorou o episódio, acusando o governo de buscar formas disfarçadas de controle de capitais.

PREVISÃO – A estimativa inicial da equipe econômica era de que o aumento do IOF poderia render até R$ 20,5 bilhões em 2025, cifra que ajudaria a aliviar o esforço fiscal. No entanto, com as mudanças de última hora, essa previsão caiu entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões. A perda potencial de arrecadação, somada ao desgaste político, questiona se o custo-benefício da iniciativa compensou o embate com o setor produtivo e a sociedade civil.

O episódio também gerou ruídos políticos. Empresários influentes, como Flávio Rocha da Riachuelo, foram duros nas críticas, classificando a medida como “uma explosão de arrecadação insuficiente para uma expansão assustadora do gasto público”. O governo, por sua vez, teme que a oposição capitalizará politicamente o aumento do IOF sobre cartões de crédito no exterior, ainda mantido no decreto, como forma de desgastar Lula perante a classe média.

Por fim, o episódio serve como um alerta para os desafios de gestão política e técnica enfrentados pela atual administração. Em um momento em que busca equilibrar as contas públicas e demonstrar compromisso com a responsabilidade fiscal, o governo precisa urgentemente melhorar sua articulação interna e comunicação com o mercado. A construção de uma agenda econômica sólida exige previsibilidade, diálogo e, sobretudo, coerência entre discurso e prática.


Lula acaba com 17 anos de transparência em despesas e coloca a culpa na AGU


Foto grátis natureza morta de pilha de documentos

Governo Lula colocou em sigilo 16 milhões de documentos…

Maria Vitória Ramos e Bruno Morassutti
Folha

Já dissemos nesta coluna que a aplicação da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) na administração pública tem sido um desastre. Mas é preciso reforçar e ilustrar a gravidade da situação. O apagão promovido pelo Ministério da Gestão e Inovação, sob suposta orientação da AGU (Advocacia-Geral da União), marca um retrocesso histórico na política de transparência federal.

O fato é que o governo retirou do ar mais de 16 milhões de documentos necessários para o controle de R$ 600 bilhões em recursos públicos.

ACESSO AOS GASTOS – Desde a promulgação da Constituição de 1988, os brasileiros têm o direito de acessar o inteiro teor de contratos públicos e documentos que fundamentam os gastos do governo —seja em repartições públicas ou pela internet.

No plano federal, esse direito antecede inclusive a LAI (Lei de Acesso à Informação), sancionada em 2011. O Siconv, sistema de convênios e contratos, existe desde 2008.

Em 2022, o Executivo federal lançou o TransfereGov para consolidar e ampliar essa política, com acesso direto a documentos primários como notas fiscais, croquis, atas e laudos. O Brasil se tornou referência mundial no tema, superando países com IDH superior.

FORA DO AR – Entretanto, em 2024, a ministra da Gestão, Esther Dweck, retirou do ar mais de 16 milhões de documentos públicos, alegando que a medida era necessária para cumprir a LGPD e proteger dados pessoais. Em sua justificativa, o ministério disse ter seguido orientação da AGU.

O próprio órgão, porém, afirmou ao jornal O Globo que o parecer não se aplica aos dados de convênios e que os documentos podem “continuar plenamente acessíveis, auditáveis e publicamente disponíveis”.

Em live na última sexta-feira (16), o ministério alegou que existem outros dados de fiscais de contratos, atas de entidades privadas, entre outros. Nada disso é informação pessoal que possa ser restrita: conforme a própria ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados), dados de entidades privadas e seus proprietários são públicos, motivo pelo qual o cadastro nacional de pessoas jurídicas os divulga na internet e qualquer um pode legalmente acessar num registro público.

AMEAÇA À DEMOCRACIA – Assim, mais uma vez, como escreveu na Folha o ministro Bruno Dantas, ex-presidente do Tribunal de Contas da União, a má aplicação da LGPD ameaça a democracia brasileira.

A reação ao apagão de dados se intensificou nos últimos dias, com novas reportagens e o posicionamento de dezenas de entidades. Na segunda-feira, o Ministério Público acionou o TCU, pedindo a suspensão imediata da medida adotada pelo governo.

Na mesma linha, considerando que o apagão inclui dados sobre emendas parlamentares, as organizações Contas Abertas, Transparência Brasil e Transparência Internacional – Brasil, que atuam como amici curiae (partes interessadas) na ADPF 854 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), solicitaram ao ministro do STF Flávio Dino que determine a imediata restauração do acesso público aos documentos.

É PROIBIDO PROIBIR – Chega a ser cansativo repetir: não possui expectativa de privacidade quem recebe recursos públicos.

É requisito e pressuposto para receber dinheiro público que seja possível à sociedade, e não apenas a burocratas, saber quem recebeu, como e para quê foi gasto. Tudo isso com acesso a informações primárias e detalhadas, direto na fonte.

O que está em jogo é muito mais do que acesso a despesas públicas. É o direito de fiscalizar o Estado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – E ainda chamam Lula de defensor da democracia, mas meu senso de ironia não chega a tanto. (C.N.)

Supremo faz acerto de contas com os militares e manda recado aos cadetes


Canal Meio | Que golpe? Charge de @martinez_marcelo para a ...

Charge do Marcelo Martinez (Arquivo Google)

Francisco Leali
Estadão

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal mandou para o banco dos réus oficiais do Exército acusados de tentativa de golpe. A lista completa tem dez nomes e inclui generais de quatro estrelas. A turma foi chamada de “núcleo 3″ na denúncia do Ministério Público Federal. O julgamento que se viu ultrapassou os limites do caso em si. Ministros da corte fizeram de seus votos um acerto de contas com as Forças Armadas.

Nos anos recentes, o mesmo STF pareceu temer os ventos que vinham do Quartel General do Exército no Setor Militar Urbano em Brasília. Dali, um comandante da força pressionou publicamente os magistrados usando o antigo Twitter. Na Era Bolsonaro, ministros andaram visitando fardados e vice-versa.

PRESSÕES AO TSE – Nos meses que antecederam o pleito de 2022, do Ministério da Defesa veio nova onda para pressionar o Tribunal Superior Eleitoral, levando a corte a permitir que oficiais ganhassem o direito de virar peritos de urna eletrônica. No 8 de Janeiro, o plenário do STF virou terra arrasada pela malta que clamava por intervenção militar.

Na tarde do último dia 20, foi a vez a Primeira Turma expor os abusos da conduta de parte da caserna. Do ministro Flávio Dino veio a admoestação sobre os caminhos que militares tomaram.

O magistrado apontou para “a doutrina do inimigo interno”. Essa, segundo ele, foi usada para perseguir cidadãos e cidadãs tão patriotas quanto qualquer integrante das Forças Armadas. E citou episódios da história brasileira:

INIMIGO INTERNO – “Quando nós fazemos alusão aqui ao longo da apreciação do recebimento da denúncia há outros eventos da história brasileira, a exemplo do manifesto dos coronéis de 1954, a ambiência que se gerou em 1964, o AI-5 e outros eventos tristes da vida brasileira, nós vamos encontrar simbolicamente nesta sala a ideia deletéria que deve ser expungida para sempre do ethos das instituições militares segundo a qual existem inimigos internos, elementos hostis na pátria que devem, portanto, ser alvo de combate militar”, disse Dino.

Em seguida veio o voto da ministra Cármén Lúcia. Ela preferiu fazer outra leitura dos atos analisados no processo. Para a magistrada, os ali sob julgamento não tinham um inimigo real. Fabricaram um adversário com a única intenção de permanecer no poder.

Dino e Cármén concordaram numa comparação histórica. Lembraram que nem no golpe de 1964, nem no pós-AI-5, da ditadura militar, projetou-se matar ministros do STF. Eles foram cassados, com dois ss, como disseram os ministros. No plano golpista em julgamento, o verbo projetado pelos réus grafa-se com “ç”: queriam caçar e matar magistrados.

MATAR O INIMIGO – Este plano, aliás, está no centro das acusações contra a turma do ex-presidente Jair Bolsonaro que gestava uma minuta de golpe. A ideia de aniquilar quem discorda é qualidade de regimes ditatoriais, ainda que seus autores adotem palavras como liberdade e democracia.

Mesmo que se questione que o caso seria para outra esfera da justiça, o STF já chamou para si o direito de processar e julgar o golpismo recente. E o ministro Dino resumiu numa frase a mensagem final aos cadetes que adentram na carreira militar:

“Quem pode distinguir, classificar e punir as pessoas é o Poder Judiciário. E mais ninguém”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Muito preciso e esclarecedor esse artigo de Francisco Leali, coordenador da reportagem política do Estadão. Pessoalmente, acho “meio muito” perigosa essa revanche com as Forças Armadas. Considero uma tremenda infantilidade provocar os militares. Vou escrever sobre isso. (C.N.) 


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