segunda-feira, outubro 30, 2023
domingo, outubro 29, 2023
Dívida pública nos EUA já ultrapassa US$ 30 trilhões, com a alta nos juros
Publicado em 29 de outubro de 2023 por Tribuna da Internet
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Estados Unidos pagam mais de US$ 1 trilhão de juros anuais
Paulo Gala
O Globo
A dívida pública dos EUA já supera os US$ 30 trilhões, e os pagamentos de juros anuais romperam a barreira do US$ 1 trilhão. Além disso, foram divulgados dados surpreendentemente positivos sobre a produção industrial e sobre as vendas no varejo nos EUA. Esses fatores influenciaram o aumento das taxas de juros de longo prazo, com as taxas de dez anos atingindo 5%, e as de 30 anos, 5,10%.
As hipotecas de longo prazo custam hoje mais de 8% ao ano. Os dirigentes do Federal Reserve (Fed) têm sinalizado a possibilidade de interromper o aumento dos juros curtos, e isso traria algum alívio para os mercados. Argumenta-se que a alta das taxas longas pode, por si só, compensar a necessidade de se elevar as taxas curtas.
ESTRATÉGIA DO FED – Se a tensão externa persistir, o Fed poderia até reverter o movimento de redução de seu balanço, adquirindo títulos do Tesouro americano para tentar conter o aumento das taxas.
É importante destacar que existe um desequilíbrio entre a oferta e a demanda de títulos de longo prazo nos Estados Unidos devido à redução da demanda por parte dos asiáticos e à interrupção das compras pelo Fed, bem como ao grande déficit fiscal do governo dos EUA, que coloca mais títulos no mercado.
Além disso, há preocupações com o possível shutdown (‘fechamento’) das contas do governo americano devido à falta de acordo no Congresso sobre o limite da dívida. A contagem regressiva de 30 dias para resolver essa questão também está preocupando os mercados.
ECONOMIA FORTE – O último relatório “Livro Bege” também mostrou que a economia americana está mais forte do que se imaginava no terceiro trimestre. Portanto, além das tensões no Oriente Médio que pressionam os preços de petróleo e inflação, também é preciso acompanhar de perto a situação nos Estados Unidos.
Uma boa notícia recente para os mercados foi o crescimento do PIB da China de 4,9% no terceiro trimestre, superando as estimativas de 4,5%. A produção industrial chinesa também subiu, assim como as vendas no varejo, sugerindo um sólido desempenho econômico, apesar dos desafios enfrentados pelo setor imobiliário.
No Brasil, o presidente do Banco Central reforçou a visão de que o ritmo adequado de corte da Taxa Selic é de 0,50%. O cenário mais provável é de terminarmos o ano com uma Taxa Selic de 11,75%, com cortes de 0,50% na próxima reunião de novembro e mais 0,50% na última reunião do ano, em dezembro.
Ter 65 anos ontem era uma coisa; hoje é muito diferente e dá para encarar…
Publicado em 29 de outubro de 2023 por Tribuna da Internet

Hoje, a chamada terceira idade continua ativa e produzindo
Pedro do Coutto
O IBGE divulgou na última sexta-feira o resultado do censo que realizou, chegando à conclusão de que se verificou na última década o envelhecimento da população brasileira, acompanhado de um número menor de nascimentos. Reportagem de O Globo, de Cássia Almeida, Ana Flávia Pilar e Pamela Dias, focaliza amplamente o tema e o trabalho do Instituto.
A matéria revela que 11% da população têm acima de 65 anos, demonstrando, no entender do IBGE, um processo de envelhecimento. Mas acredito que o que ocorre com pessoas com mais de 65 anos não é o envelhecer, mas a manutenção de um período de vida praticamente idêntico ao dos homens e mulheres com idade entre 40 a 50 anos, por exmeplo. Os hábitos mudaram, as atividades físicas também, os atendimentos médicos para as classes mais altas modernizaram-se, resultando em reflexos diferentes do que o de anos anteriores.
OUTROS TEMPOS – Antigamente, na década de 30, por exemplo, uma pessoa com 40 era considerada idosa. Hoje, uma pessoa com esta idade é vista até em campeonatos de futebol. O que há na queda do índice de nascimentos é que as famílias reduziram o número de filhos, até mesmo pelo avanço das técnicas anticoncepcionais. São fenômenos naturais.
Um número de pessoas com mais de 80 anos, cerca de 4,6 milhões, segundo o IBGE, significa cerca de 2% da população brasileira. É claro que a longevidade é maior nas regiões Sul e Sudeste. A explicação é simples, é onde existe um sistema de saneamento compatível com as necessidades populacionais, com exceção das faixas de pobreza.
REJUVENESCIMENTO – O que deve ser destacado é o rejuvenescimento da população acima de 65 anos. Não há motivos de preocupação, até porque a atividade econômica passou a ser acrescida por pessoas que mesmo aposentadas, continuam em atividade no mercado de trabalho, produzindo e consumindo.O fato deve ser representado como avanço social.
Quanto mais a vida útil estiver se alongando, melhor para todos os seres humanos. O problema que existe no Brasil é o da redistribuição de renda, que depende do mercado de emprego, que apresenta reações, e também do sistema salarial para que os vencimentos do trabalho parem de perder a corrida para a inflação.
PERSPECTIVAS – Reportagem de Vera Rosa e Wesley Galzo, O Estado de S. Paulo, e de Marianna Holanda, Matheus Vargas e Renato Machado, Folha de S. Paulo, focalizam o comentário do presidente Lula da Silva, no café da manhã de seu aniversário, na sexta-feira, admitindo que será difícil cumprir a meta do déficit zero em 2024, como vem sendo defendido pelo ministro Fernando Haddad.
Ao fazer a afirmação, evidentemente, o presidente da República contribuiu para manter alto o nível dos juros, inclusive da Selic. Quando se verifica déficit, o governo tem que colocar no mercado papéis para cobri-lo. Foi uma falha política a afirmação feita por Lula da Silva. Certamente, ele tentará consertar a falta cometida. A aceitação dependerá de como o mercado reagirá a partir de amanhã, segunda-feira.
TRÉGUA – O Plenário da ONU, por ampla maioria de votos, mais de 120 países, formularam a proposta de uma trégua humanitária no teatro da guerra em Gaza, capaz de fazer pelo menos cessar as mortes de milhares de pessoas a cada 24 horas. Mas está difícil. Reportagem de O Globo, revelou que Israel ampliou a ofensiva por terra no território de Gaza, que além de não receber água, alimentos e energia elétrica, está agora sem comunicação porque a internet foi bloqueada.
É dramático sentir que a cada dia pessoas perdem a vida e milhares de outras sofrem mutilações. É uma tragédia deflagrada pelo Hamas em 7 de outubro e que agora se prolonga com a reação israelenese. O Plenário da ONU marcou a sua posição humanista. Vamos torcer para que a guerra seja cessada.
Guterres e Netanyahu se transformam em mais dois reféns do extremismo do Hamas
Publicado em 29 de outubro de 2023 por Tribuna da Internet

Guterres e Netanyahu conseguem errar ao mesmo tempo
Demétrio Magnoli
Folha
Não se sabe ao certo o número de israelenses mantidos em cativeiro pelo Hamas. Dias atrás, porém, a organização terrorista capturou dois novos reféns, de alto perfil: António Guterres, secretário-geral da ONU, e o governo do Estado de Israel. O primeiro proferiu uma caprichosa justificativa para os atos de terror do 7/10. O segundo adotou como represália a negação de vistos a autoridades humanitárias da ONU, o que simboliza seu desprezo pela ajuda emergencial aos civis palestinos.
O discurso de Guterres na ONU qualificou os atentados do Hamas como injustificáveis para, na sequência, argumentar que eles “não ocorreram num vácuo”, mas no contexto de “56 anos de ocupação sufocante”.
MESMAS VERSÕES – No fundo, é a mesma lógica de vozes estatais da direita, como o presidente turco Erdogan, que descreveu o Hamas como “um grupo de libertação”, e da esquerda acadêmica, como os professores da USP que atribuíram “esse ponto de violência extremada” à ocupação dos territórios palestinos.
A recusa a uma condenação incondicional (por oposição à condenação retórica protocolar) do terror do Hamas descortina, além da ausência de bússola moral, uma avaliação histórica envenenada por prévias opções ideológicas.
De fato, porém, o Hamas não surgiu da ocupação, não combate a ocupação e não prega a convivência entre o Estado judeu e um Estado palestino independente.
IRMANDADE MUÇULMANA – O Hamas é um galho da árvore da Irmandade Muçulmana, organização fundamentalista islâmica criada no Egito em 1928 – ou seja, duas décadas antes da fundação de Israel. Sua atuação em Israel/Palestina começou em 1987, durante a primeira Intifada, que foi uma revolta civil e popular contra a ocupação israelense.
Mas – eis o ponto! – o Hamas opunha-se ao método da Intifada original e logo escolheu a via do terror. A escolha refletia uma estratégia: a rejeição do projeto de paz em dois Estados.
Os Acordos de Oslo de 1993, fruto da primeira Intifada, foram imediatamente denunciados pelo Hamas como traição à causa palestina. O motivo encontra-se na Carta fundadora do grupo, que prega uma jihad pela eliminação do Estado judeu.
VISÕES EQUIVOCADAS – O “grupo de libertação” (Erdogan) quer “libertar” os israelenses de seu Estado. A “violência extremada” do 7/10 (professores da USP) deriva de um objetivo extreminista que independe da ocupação israelense.
O Estado de Israel viola os direitos nacionais palestinos e contamina a própria sociedade israelense ao persistir na ocupação ilegal dos territórios palestinos. Tem razão, porém, ao denunciar a imoralidade inscrita nas sentenças que recobrem a barbárie do 7/10 com uma pátina de legitimidade histórica. Guterres converte-se em refém do Hamas ao sugerir que o terror é consequência da ocupação.
Mas são dois os reféns. Netanyahu e seu cortejo de sabotadores da paz são reféns do Hamas desde 2009, quando inauguraram a estratégia de convivência violenta.
DISSE NETANYAHU – “Aqueles que querem frustrar a possibilidade de um Estado Palestino devem apoiar o fortalecimento do Hamas e a transferência de dinheiro para o Hamas. Isto é parte da nossa estratégia”, esclareceu o primeiro-ministro numa conferência do Likud, em 2019.
A chacina do 7/10 provou que o empreendimento fortaleceu militarmente o Hamas. Agora, Israel fortalece politicamente a organização terrorista ao violar reiteradamente as leis de guerra.
O planejamento do Hamas é mais político que militar. Seus líderes apostam num cessar-fogo imposto a Israel pelo clamor internacional que acompanha a crise humanitária em Gaza. Rússia e Irã vocalizam o apelo na arena diplomática. A inclinação do governo de Netanyahu pelo atalho da punição coletiva, que se reflete no bloqueio total imposto ao território, colore a paisagem nos tons mais adequados à estratégia do Hamas. O gesto obtuso de negação de vistos é um prêmio extra concedido ao exército do terror.
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