domingo, outubro 29, 2023

Agora se sabe que a política econômica de Lula 2 e Dilma 1 não era sustentável

Publicado em 29 de outubro de 2023 por Tribuna da Internet

Confira a charge do Iotti desta quarta-feira | Pioneiro

Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)

Samuel Pessôa
Folha

Com o passar do tempo e a consolidação das estatísticas é possível olhar para trás com mais distanciamento. A economia brasileira entrou em uma profunda crise em 2014 e saiu dela somente no final de 2016. A recuperação foi muito lenta. Ainda vivemos sob desequilíbrio fiscal estrutural e tudo sugere que a dívida pública continuará a crescer até 2026 pelo menos.

Uma questão importante é saber quando iniciamos o desvio da rota da estabilidade macroeconômica. Foi no governo Lula 2 ou em Dilma 1? Esta coluna apresenta os números. A evidência é clara de que começamos a construir nossa grande crise no segundo mandato de Lula.

RENDA E PRODUTIVIDADE – Há estatísticas sobre a evolução do custo unitário do trabalho (medido pela renda do trabalho da Pnad) contra a produtividade do trabalho (medida pelo observatório da produtividade Régis Bonelli do FGV Ibre). A partir de 2007, os salários sobem a uma velocidade muito superior à da produtividade.

Fica clara a queda da rentabilidade das empresas —medida pela geração de caixa como fração do faturamento (dados das empresas abertas). Para essa estatística, a piora ocorre a partir de Dilma 1.

Mas a evolução do superávit primário estrutural do governo central, medido pela Instituição Fiscal Independente (IFI), traz queda acentuada em Lula 2. A contrapartida da elevação do déficit fiscal é a claríssima redução, a partir de Lula 2, das exportações liquidas.

DESEMPREGO E INFLAÇÃO – Já em Lula 2, a economia registrava aumento do desemprego. Na época, todas as estimativas de taxa natural de desemprego indicavam algo em torno de 9,5%, bem acima do observado já em 2010.

Após a reforma trabalhista há sinais de que a taxa natural se encontra abaixo de 8,5%.

A inflação de preços livres, após em 2006 cair a 2,6% ao ano, fecha o segundo mandato de Lula a 7% e fica nesse patamar até 2014. Ao longo do primeiro mandato de Lula, o atraso tarifário foi corrigido. Política desfeita já no segundo mandato. Dilma 1 termina com atraso dos preços administrados, em relação à posição de dezembro de 2002, de 6,3%.

POLÍTICA EQUIVOCADA – É comum se alegar que a queda do investimento público teria sido responsável pela desaceleração da economia no primeiro mandato de Dilma. No entanto, como proporção do PIB, o investimento público eleva-se até 2013, inclusive.

Os números documentam: a política econômica em Lula 2 e Dilma 1 era não sustentável.

Se o melhor momento que tivemos — acho que desde que Pedro Álvares Cabral colocou seus dois pés na Bahia — foi sob uma política econômica insustentável, isso indica que nossa democracia ainda não encontrou a fórmula de compatibilizar crescimento econômico sustentável com equidade e redução da pobreza.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Importantissimo artigo de Samuel Pessôa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (FGV), desfazendo mitos das gestões econômicas de Lula e Dilma, cujas contas foram maquiadas pelo ilusionista Guido Mantega, que deveria ter pegado cadeia por esses crimes econômicos(C.N.)


Ben-Gurion, líder de Israel, quis devolver territórios aos palestinos e não foi ouvido

Publicado em 29 de outubro de 2023 por Tribuna da Internet

The unknown side of Ben-Gurion - The Jewish Chronicle

Ben-Gurion anteviu as tragédias que se sucederiam

Henrique Goldman
Folha

O bolo com a forma do distintivo do Santos, as minicoxinhas, quibinhos e bisnaguinhas com patê de sardinha já estavam encomendados, e o seu Aníbinha, um amigo da família que, na juventude, tinha trabalhado no circo do palhaço Arrelia, vinha fazer um show com seu boneco de ventríloquo.

Estava tudo pronto para a festinha do meu sexto aniversário e, uma semana antes, eu já estava contando ansiosamente os minutos para a chegada dos convidados. Mas, na noite antes da festa, no dia 5 de junho de 1967, meu pai chegou em casa com um ar muito assustado. Ele tinha acabado de ouvir no rádio que as Forças de Defesa de Israel haviam atacado o Egito, a Síria e a Jordânia.

GUERRA DOS SEIS DIAS – Foi a deflagração do conflito que depois ficou conhecido como a Guerra dos Seis Dias, após a qual Israel passou a ocupar a Faixa de Gaza, a parte oriental de Jerusalém e a Cisjordânia. Por causa da guerra, cerca de 300 mil palestinos foram expulsos de suas terras e se refugiaram em Gaza. Outros 700 mil passaram a viver sob ocupação militar, e minha festinha de aniversário foi cancelada.

Refletindo hoje sobre aquele período, percebo que, para nós, judeus da diáspora, era como se o povo palestino ainda não existisse. Eles eram simplesmente árabes genéricos, indistintos dos egípcios, sírios, libaneses e jordanianos, e a nossa vitória sobre todos eles tinha sido realmente monumental.

VITÓRIA HEROICA – Em um mágico golpe de mestre, Israel derrotou, em menos de uma semana, três países árabes. Os MiGs soviéticos da aviação egípcia tinham sido destruídos pela homérica Força Aérea israelense antes mesmo de decolar e, acima de tudo, Jerusalém estava unificada e era toda nossa.

Assistindo na escola a um documentário que mostrava os primeiros soldados israelenses chegando para rezar no Muro das Lamentações pela primeira vez, eu entendi que os judeus mortos, nus e raquíticos empilhados em valas comuns que eu via nos livros sobre o Holocausto —os pais e todos os irmãos da minha avó Augusta— tinham reencarnado em Israel como super-heróis.

Aquele ufanismo judaico hoje ressoa e se confunde na minha memória com o triunfalismo nacionalista que tomou conta do Brasil na mesma época, quando éramos o país do milagre econômico e da gloriosa conquista do tricampeonato no México, em 1970. Quem poderia ganhar de um time que tinha Pelé e Moshe Dayan jogando no ataque?

GURION NO BRASIL – Em 1969, David Ben-Gurion, o pai fundador de Israel que tinha proclamado o estabelecimento do país em 1948 e sido primeiro-ministro por dois períodos (1948-1954, 1955-1963), visitou o Brasil. Depois de encontrar em Brasília o nosso presidente, o ditador Costa e Silva, Ben-Gurion chegou a São Paulo e foi ovacionado pela comunidade judaica em um ginásio do Ibirapuera completamente lotado.

Ouvindo o acalorado discurso do velho líder histórico, fui percebendo que sua “pièce de résistance” era aquela careca imensa e lustrosa que separava dois tufos laterais de cabelo branco sempre rigorosamente despenteados. Ben-Gurion podia muito bem ter sido um personagem daquele que era meu seriado de humor favorito, “Os Três Patetas”.

MÃO SUJA DE SANGUE – Depois de ter cantado o hino nacional de Israel com o coral da minha escola, entrei em uma fila para cumprimentá-lo. Só muitos anos depois tomei consciência de que a mão rechonchuda daquele adorável quarto pateta também estava suja de sangue. Árabes ou judeus, ninguém é líder político no Oriente Médio sem ser também um criminoso de guerra.

No dia seguinte, o seu Mendel, um nosso vizinho que era tesoureiro do Clube Israelita Macabi, participou de uma reunião a portas fechadas com Ben-Gurion e líderes da comunidade judaica.

Para surpresa geral, na reunião o velho pai da nação defendeu efusivamente a devolução imediata dos territórios ocupados por Israel —com a exceção de Jerusalém Oriental e das colinas do Golã, que julgava serem essenciais para a defesa do país. O nosso audacioso herói, que, no passado, tinha liderado Israel em duas guerras (1948 e 1956), já compreendia que a paz com os vizinhos árabes seria uma conquista muito mais importante que a expansão territorial.

GAZA E CISJORDÂNIA – Gurion temia que ocupação militar de Gaza e da Cisjordânia iria corromper a própria essência do sionismo e ameaçar a existência do jovem país.

Consternado, após a reunião, o seu Mendel encontrou com meu pai na garagem do prédio e disse em ídiche: “Ben-Gurion é um grande idiota”. Em Tel Aviv, em Washington e no Bom Retiro, poucos conseguiram enxergar a verdade.

Diz a lenda que, admirando a paisagem brasileira pela janela do avião que o levava de volta para Tel Aviv, Ben-Gurion teria se virado para a sua esposa e dito: “Não dá para entender como um país com tanta água pode ter tantos problemas!”.

ASSISTINDO À BBC – Em Londres: assisto ao noticiário da BBC com a minha sogra de 92 anos, que é judia, muito doce e generosa. Ela nasceu em Bagdá, na comunidade judaica que era a mais antiga do mundo.

Revolto-me vendo as imagens trágicas de um pai palestino que enterra seus dois filhos pequenos depois de mais um bombardeio israelense. Minha sogra diz que não devemos acreditar em nada daquilo. É tudo encenação e, dentro daqueles lençóis brancos, não há corpos de crianças, mas bonecos.

Eu tento explicar para ela que civis palestinos são inocentes como eram inocentes as vítimas do Hamas em Israel. Ninguém merece essa desgraceira.

SÃO INOCENTES – Quando argumento que a maioria dos habitantes de Gaza são descendentes de refugiados e que os israelenses tomaram as terras de suas famílias, ela me interrompe consternada e diz:

“Eu tinha oito anos quando fui expulsa do Iraque com a minha família! Os árabes ficaram com a nossa casa! Ninguém teve pena de nós e eu não vou ter pena deles”.

Cerca de 900 mil judeus foram expulsos de países árabes a partir de 1948. Eu não sei como responder. Só dá vontade de chorar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Impressionante relato do cineasta Henrique Goldman. Reforça minha crença de que o povo judeu é o melhor do mundo em certos aspectos e rivaliza com o povo brasileiro, o mais miscigenado. A diferença é que, em sua grande maioria, os governantes brasileiros são incompetentes. Mas os israelenses são piores, porque têm as mãos sujas de sangue. Pena que não tenham ouvido o gigantesco Ben-Gurion. Também tenho vontade de chorar(C.N.)

É impossível enganar todas as pessoas o tempo todo.



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Esse gastou dez milhões para jogar Jeremoabo no maior lamaçal de toda sua história, que esse vírus da maldade e corrupção não
infeste Sítio do Quinto.

Desde semana passada que os leitores deste Blog vem pedindo para comentar esse vídeo, inclusive alguns temerosos  eom as palavras do prefeito de Sítio do Quinto ao alertar uma futura candidata que só sairá vitorioso nas próximas eleições o candiddato a prefeito que gastar R$ 10.000,000,00 como se eleitor fosse boi.

Não conheço essa futura candidata, não tenho procuração da mesma para defende-la, porém, digo a mesma que procure fazer sua campanha apresentando sua atuação na Câmara, conscientizando o povo, dizendo o que pretende fazer e que o dinheiro da prefeitura é dinheiro público oriundo dos impostos para ser revertido em beneficio do povo com saúde, segurança, educação, infraestrutura, remunerando bem os fucionários e professores para prestar um bom serviço a população, não tema discriminação contra a mulher.

Esse meu texto  em questão é uma crítica à afirmação do prefeito de Sítio do Quinto, que teria dito que só sairá vitorioso nas próximas eleições o candidato que gastar R$ 10 milhões. onde afirmo que isso é um absurdo,

Alerto também a futura candidata a prefeita de Sítio do Quinto para que não se espelhe na administração municipal de Jeremoabo, onde o prefeito eleito gastou R$ 10 milhões e, mesmo assim, o resultado foi de corrupção, nepotismo, superfaturamento, fraude, falta d'água, falta de saúde e medicamentos, ruas esburacadas.

Concluo dizendo que é impossível enganar todas as pessoas o tempo todo.

A afirmação do prefeito de Sítio do Quinto é um sinal de que a política brasileira está cada vez mais corrupta e que os políticos estão cada vez mais preocupados em se reeleger do que em governar.

É importante que os eleitores estejam cientes desse problema e que não se deixem enganar por promessas vazias. É preciso exigir dos políticos transparência e accountability, e votar em candidatos que tenham um plano real para melhorar a vida da população.


UMA VISÃO DA VERDADE E SEM PROFECIAS UTÓPICAS.

 

Vivemos um momento polarizado sobre o futuro político da nossa tão massacrada Jeremoabo, diante da ocorrência de atitudes do eleitorado em relação às questões políticas em linhas divergentes, já que há uma óbvia tendência a se querer dar vida a algo que sequer nasceu. Não sou o dono da verdade e muito menos um profetizador do futuro, mas entendo que escolhas são primas irmãs das respectivas dessas mesmas consequências, pois assim é o dia a dia e, por regra, assim também é a vida.

Sonhos são a expressão do subconsciente pelas necessidades e interesses do ser humano, considerando que aquele que não tem sonhos (propósitos), é um condenado a viver do “mesmo pelo mesmo”, ou seja, eternizar-se na mesmice, entretanto, sonhos utópicos são meras conjecturas imaterializáveis, pois nascem por tendência, mas sem propósito ou fundamento lógico, materializando como sendo mera utopia.


Presencia-se nas rodas de amigos e mesas e bares, que tão grande quanto os desejos, são as divergências sobre os mesmos fatos, no entanto, ninguém para pra analisar que o amanhã refletirá o resultado da própria divergência ali existente, ou seja: as diversas tendências já demonstram não haver unanimidade para o assunto debatido, logo, qualquer sugestão sobre quem será o vitorioso não passa de mera especulação, pois o diagnóstico sobre causa e efeito é feito polo eleitorado, jamais pela vontade de pretensos cabos eleitorais, os quais, quando submetidos a escolha popular, sequer servem para vice vereador (suplente do suplente).


A polarização da política em Jeremoabo não é diferente de outros lugares, mudam-se os nomes, mas as práticas e as estratégias em nada diferem, sempre a mesmice já eternizada.

Queiramos ou não, as eleições do próximo ano convergem para dois rumos: um liderado pelo então prefeito, que tentará eleger o Sobrinho, e o outro, por Tista de Deda; qualquer pensamento fora desta realidade é mera vontade irrealizável, pois não vejo qualquer um outro com a coragem que Miranda teve, fato ocorrido em 1992, hoje, muitos se dizem bons, mas só vão se houver “sombra e bom encosto”, pois sozinhos, apenas meros comentários em mesas de bares, nada além disso.

Fazer política não se resume a vontade, mas ter coragem para se expor, dá a cara pra bater, apanhar calado, engolir sapo e dizer que está comendo filé, é fazer história junto ao povo, conhecer suas necessidades e delas fazer parte, não é acreditar que que pagar uma rodada de conheça seja fazer política, mas é tomar parte e ter coragem para defender a população massacrada e vilipendiada em seus direitos, saindo da Zona de Conforto e se - expondo, deixando de viver o “NEPM” – (Não É Problema Meu).

Eu não acredito nos gritos de guerra que tenho ouvido, pois acredito que todos eles sucumbirão junto com as convenções; no momento, apenas um espernear para ver se há vaga no trem.

Sou defensor de que mudar é preciso, pois não haverá evolução sem que ocorra mudança, mas vem precedida de ESTRATÉGIAS, METAS e PROPÓSITOS e SACRIFÍCIOS, não por vontades aleatórias, considerando que aquele que não planta, jamais terá algo a colher ou colher um fruto, diferente da semente plantada.

Por: José Mário Varjão

Em 29/10/2023

Em entrevista à Folha, Lídice defende Flávio Dino de especulações sobre desmembramento do Ministério da Justiça

 

 Em entrevista à Folha, Lídice defende Flávio Dino de especulações sobre desmembramento do Ministério da Justiça
Foto: Chico Ferreira / PSB na Câmara

A deputada federal Lídice da Mata (PSB) defendeu a manutenção da atual estrutura do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em entrevista à Folha de São Paulo, ela rebateu a narrativa de deputados de oposição que a crise da segurança pública no Rio de Janeiro é de responsabilidade do Governo Federal.

 

A parlamentar baiana disse ao jornal paulista que há pelo menos 35 anos se ouve falar em problemas de segurança no Rio e que há uma década e meia a situação se intensificou com o avanço das milícias e, mais recentemente, a alianças destas com o tráfico de drogas ampliou a tensão em território fluminense.

 

Lídice reiterou a necessidade da junção da segurança com a justiça. “Sempre reclamaram da dissociação dessas áreas e agora que estão juntas querem separar”, afirmou numa crítica à ida das polícias federal e rodoviária federal para um possível novo ministério. 

 

Para a parlamentar baiana, a tensão sobre Dino é fruto de um enfrentamento duro que o ministro está fazendo à cultura armamentista. “É uma guerra contra um lobby muito poderoso”, completa. 

 

A deputada federal também destacou que o fato de Dino ser alvo é justamente a sua competência, tanto nas ações de combate ao crime organizado, quanto aos atos golpistas de 8 de janeiro. 

Lula vê disputa interna, e recriação de ministério depende de Dino no STF

Lula vê disputa interna, e recriação de ministério depende de Dino no STF

Por Julia Chaib | Folhapress

Lula vê disputa interna, e recriação de ministério depende de Dino no STF
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A mais recente crise de violência no Rio de Janeiro ampliou o desgaste do governo Lula (PT) com o tema da segurança pública e levou o presidente a dizer nesta semana que ainda estuda recriar o Ministério da Segurança Pública, desmembrando, assim, a pasta da Justiça.
 

O chefe do Executivo, no entanto, não demonstra ter opinião formada sobre o assunto. A decisão, além de dividir aliados do próprio governo, passa por uma equação que envolve indicar ou não o ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), ao STF (Supremo Tribunal Federal).
 

Lula foi munido com novas pesquisas que indicam que os problemas enfrentados por estados, alguns governados por correligionários, acabam respingando na gestão federal. Por essa razão, o tema ficou nos últimos dias entre as prioridades do presidente, que dará aval a um plano mais amplo de ajuda ao Rio.
 

Lula e aliados tem adotado cautela sobre o assunto por verem uma linha tênue entre auxiliar os estados e levar para o colo do Executivo um problema que não é diretamente do presidente.
 

Na última terça-feira (24), durante participação do programa Conversa com o Presidente, Lula disse esperar maior coordenação com os outros entes federados para enfrentar o problema da segurança pública.
 

"Eu, quando fiz a campanha, ia criar o Ministério da Segurança Pública. Ainda estou pensando em criar, pensando quais são as condições que você vai criar, como é que vai interagir com a questão de segurança do estado, porque o problema da segurança é estadual", declarou o presidente.
 

A fala foi lida como uma forma de o presidente demonstrar que o tema é central para o governo, mas integrantes do Palácio do Planalto avaliam que o assunto está longe de ter um desfecho.
 

O presidente já consultou integrantes do núcleo duro do Planalto acerca do tema em tom de questionamento e avaliação de cenários. Há um consenso entre ministros e parlamentares próximos, porém, que Lula só vai aprofundar o debate caso realmente indique Dino ao STF.
 

A separação do Ministério da Justiça e a recriação do Ministério da Segurança Pública constou no programa de governo de Lula.
 

O presidente, no entanto, já havia escolhido para a pasta Dino, que se opõe fortemente à hipótese de separação. Além disso, houve durante a transição outros argumentos apresentados para manter a pasta junta, que foi o que Lula resolveu fazer.
 

Uma avaliação é que seria contraproducente dividir agora a pasta e ter de remanejar atribuições. No Planalto, porém, há quem defenda recriar para cumprir o programa de governo e dar uma resposta à população.
 

O governo atualmente tem 38 ministérios, após a criação da pasta da Micro e Pequena Empresa, em setembro. Eventual ampliação repetiria o recorde do governo Dilma Rousseff, que chegou a ter 39 ministros.
 

Nesta sexta-feira (27), Lula disse estar indeciso sobre o futuro de Dino. "É uma pessoa que pode contribuir muito. Mas eu fico pensando: onde o Flávio Dino será mais justo e melhor para o Brasil? Na Suprema Corte ou é no Ministério de Justiça? Aí tem outra questão que eu fico pensando, onde ele será mais justo?"
 

Na segunda-feira (30) Lula deve ter uma nova reunião com Dino, Rui Costa (Casa Civil), José Múcio (Defesa), Andrei Rodrigues (diretor-geral da PF) e os comandantes das Forças Armadas para novamente debater a questão do Rio. Há expectativa de que representantes da Fazenda também participem.
 

Em meio às discussões sobre a eventual indicação de Dino ao STF, uma série de candidatos apareceram para o Ministério da Justiça e da Segurança Pública.
 

São citados nomes como o do advogado Marco Aurélio de Carvalho, o de Ricardo Cappelli, secretário-executivo do Ministério da Justiça, e o do secretário Nacional de Justiça, Augusto de Arruda Botelho,
 

Ao longo da semana, Dino foi questionado a respeito de eventual separação da pasta, reiterou os argumentos contrários e afirmou que o tema não é prioridade.
 

"Este debate tem décadas. O Ministério da Justiça tem 201 anos. Nesses 201 anos, em 200 anos ele foi integrado e em 1 ano houve essa separação. Minha posição técnica é bastante conhecida", disse o ministro a jornalistas.
 

Em outra frente, deputados petistas, como Zeca Dirceu (PT-PR), líder da bancada na Câmara, defendem publicamente desmembrar o órgão. Além dele, integrantes do PT que têm ligação com o tema também são a favor de separar, como o ex-ministro da Justiça Tarso Genro e o secretário de Segurança de Diadema, Benedito Mariano.
 

"A criação do ministério era um dos primeiros pontos do programa de segurança pública da chapa. Acho que foi importante a fala do presidente esta semana de estar pensando em recriar o ministério", afirma Mariano.
 

Já a deputada Lídice da Mata (PSB-BA), do mesmo partido do ministro da Justiça, saiu em defesa de Dino e afirmou não haver razão para essa discussão. "Dizer que essa crise [do Rio] está se dando em razão de inação do governo federal, não existe", disse Lídice.
 

O Ministério da Justiça foi desmembrado durante o governo Michel Temer (MDB). À época, a Justiça foi ocupada por Torquato Jardim e a Segurança Pública por Raul Jungmann, que tinha sob sua alçada a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.
 

Um dos argumentos para que não se recrie o ministério da Segurança é que isso esvaziaria a Justiça caso a PF e a PRF saíssem de lá. Além disso, defensores da tese da união, entre eles Dino, avaliam que os temas ligados à Justiça são interligados ao da segurança.

 

Relatório da CPI revela doações de R$18 milhões via Pix a Bolsonaro por servidores federais


Por Redação

Jair Bolsonaro
Foto: Isac Nóbrega/PR

Um relatório elaborado por técnicos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos do 8 de janeiro revelou informações surpreendentes sobre doações recebidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) via Pix. De acordo com o documento obtido pelo Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, o ex-presidente recebeu doações de recursos via Pix de 18.082 servidores federais, incluindo doações datadas ainda do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O montante total dessas doações ultrapassa a marca de R$18 milhões.

 

A análise dos técnicos da comissão usou como base de dados a quebra de sigilo bancário do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens, que estava vinculado às contas do ex-presidente. A investigação se concentrou nas transações realizadas via Pix durante o período de 20 de junho a 31 de julho. Nesse período, foram identificadas 809,8 mil transações feitas por 770,2 mil pessoas, totalizando R$18,1 milhões em doações.

 

As doações a Bolsonaro faziam parte de uma campanha de arrecadação realizada por aliados do ex-presidente, que alegavam que Bolsonaro estava sendo alvo de "assédio judicial" e que os recursos seriam usados para pagar multas. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) já havia divulgado um relatório anterior à comissão, mostrando que Bolsonaro havia recebido R$17,2 milhões via Pix até o dia 4 de julho.

 

Uma das revelações do relatório da CPI é que as doações já ocorriam desde o governo do presidente Lula, representando 5,7% do valor total arrecadado. Dentre essas doações, 60 servidores realizaram contribuições acima de R$1 mil, totalizando R$272,6 mil.

 

Os servidores federais que mais contribuíram para a campanha de doação de Bolsonaro são vinculados ao Ministério da Saúde, com 1.589 doadores identificados.

 

No âmbito estadual, o estado de São Paulo lidera com o maior número de doadores, com 60.258 servidores participantes. O total arrecadado por esses servidores atingiu cerca de R$78,3 mil, com 3.689 servidores fazendo doações, a maioria deles sendo policiais militares.

 

Além disso, 135 servidores de gabinetes de deputados federais também colaboraram com a campanha de arrecadação do ex-presidente. A campanha teve início no dia 23 de junho e viu um aumento nas doações durante o final de semana, alcançando um montante de R$12,5 milhões.

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