domingo, novembro 20, 2022

Devíamos aprender com a Roma antiga, onde a crença e a descrença conviviam

Publicado em 20 de novembro de 2022 por Tribuna da Internet

Citação de Martýn Lloyd Jones (Arquivo Google)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Afora as evidentes diferenças históricas e técnicas, Roma foi, pelo menos no Ocidente, a maior civilização e império que já existiu. O Império Britânico se aproximou, mas não foi nem de longe um império com tamanha duração e solidez. Os Estados Unidos são um nada. A experiência da longa duração do tempo é algo extinto em nosso mundo.

A pergunta que Edward Gibbon (1737-1774) faz a si mesmo no seu monumental “Declínio e Queda do Império Romano”, que conta com um compilado no Brasil pela Companhia das Letras, é: o incrível não é que o Império Romano —Roma e Constantinopla— tenha declinado e caído, o incrível é que tenha durado tanto tempo.

VÁRIAS VERSÕES – São muitas as hipóteses para responder a essa pergunta segundo Gibbon. Uma delas é assaz interessante e versa sobre a têmpera romana com relação à religião.

Já se sabe com razoável evidência que Roma — a original — estava longe de ser uma sociedade religiosamente intolerante, como o cinema e avaliações apressadas acabaram por produzir no senso comum.

Gibbon apresenta o politeísmo romano como sendo um panteão de deuses que estava sempre aberto para novas adesões. A produção seria mesmo infinita, como mitologias gregas e romanas revelam ao historiador dessa antiguidade.

SEM DISCRIMINAÇÃO – O homem e a mulher comuns aceitavam todos os deuses de forma natural, isto é, na dependência da necessidade, do caso específico, ou do pedido ou sofrimento em questão. Rituais, ritos, liturgias de diferentes deuses ou crenças eram aceitos por todos, sem discriminação, inclusive produzindo sínteses mítico-teológicas múltiplas. Se as pessoas comuns rezavam para todos os deuses —e quanto mais deuses, melhor—, os filósofos não acreditavam em nenhum deles.

A filosofia antiga era um estilo de vida, como bem nos mostrou o historiador e humanista Pierre Hadot (1922-2010). Sendo um estilo de vida, a filosofia competia com a religião para aqueles que entendiam que a vida deveria ser conduzida pelo pensamento livre e não por práticas e crenças no sobrenatural de alguma forma.

FILÓSOFOS ATEUS – Estoicos, epicuristas, céticos, todos ateus no sentido dado por Gibbon —os filósofos não acreditavam em nenhum dos deuses— ofereciam estilos de vida que, basicamente, desconfiavam da submissão à crença nos deuses. Viviam, lado a lado, crenças em diversos deuses, com a descrença em todos eles.

Por outro lado, os magistrados, nos diz Gibbon, consideravam todas as crenças úteis porque garantiam alguma forma de constrangimento do comportamento, facilitando o trabalho de controle e imposição da lei.

Nesse sentido, a fé e a adesão a um conjunto de crenças e deuses diferentes, digamos, eram avaliadas como uma ferramenta civilizadora, na medida em que sustentava o convívio social, em vez de impor reveses em nome de apenas um deus verdadeiro.

SURGEM INDAGAÇÕES – Teria Roma durado tanto tempo, fosse ela monoteísta? Teria Roma sido capaz de assimilar povos tão distintos, fosse ela certa de carregar em seu seio uma verdade definitiva sobre o mundo divino?

A fragmentação do politeísmo conviveu melhor com a expansão e poder romanos — não é à toa que, grosso modo, os mil anos da Constantinopla cristã foram um lento e gradual declínio do império.

Interessante notar que o biógrafo de Winston Churchill (1874-1965), Andrew Roberts, na sua obra “Churchill: Caminhando com o Destino”, fala da ausência, para o primeiro-ministro inglês, de qualquer referência ao cristianismo como fundamento da expansão britânica em seu império.

SEM CITAR JESUS – Pelo contrário, nos diz o autor, foi exatamente a influência sobre Churchill do pensamento de Gibbon acerca de Roma, e seu modo de ver as religiões romanas, que o teria levado a descrer na divindade de Jesus Cristo e mesmo nunca ter citado a palavra “Jesus” em seus milhares de discursos, e apenas uma vez “Cristo”, dissociado da ideia de salvador do mundo.

Vale dizer que, diante de Churchill, todos os líderes posteriores são menores.

E a chamada tolerância religiosa parece estar mais associada à descrença num deus único do que à apaixonada fé nele.

A garapa continua azedando após fermentação da AIJE-0600512-30.2020.6.05.0051 - Abuso - De Poder Econômico, Abuso - De Poder Político/Autoridade

 


Pessoal desde dia 18.122020 até a presente data,  passaram-se dois anos que o DIRETORIO MUNICIPAL DO PARTIDO SOCIAL DEMOCRATICO EM JEREMOABO -BA, através da sua patrona BARBARA MARQUES PUTRIQUE, ingressou com a presenta Ação na Justiça Eleitoral de Jeremoabo,  com isso quero dizer que, com o final do ano batendo na porta continue acreditando na justiça; porém, não alimente o seu CORAÇÃO com falsas ilusões e esperanças de que o prefeito Deri do Paloma e seu vice-prefeito JOSE FABIO DOS SANTOS serão afastados ou torenados inelegíveis antes do término do seu mandato.

Não sou pessimista, mas é a realidade nua e crua, isso porque mesmo que venham a ser condenados, com certeza irão ingressar com recursos que provavelmente  ultrapassarão o período que ainda rseta do seu mandato.

O Dr. Leandro Ferreira de Moraes - Juiz Eleitoral, DECIDIU:

Assim, designo o dia 30/11/2022 às 11:30h, na forma presencial conforme decisão anterior, a ser realizada no Fórum da Comarca de Jeremoabo, situado na Av. Dr. José Gonçalves de Sá, nº 206 – Centro, Jeremoabo/BA, oportunidade em que será ouvida, novamente, Adelma Nunes dos Anjos, testemunha arrolada pelo investigado Derisvaldo José dos Santos, o qual deverá comunicar a testemunha para comparecimento nos termos do art. 5º e do Art. 22, V da LC 64/90."

Isso é, se o prefeito não ingressar com algum fato tentando protelar.

O brasileiro que pretende criar ‘MIT da Amazônia’, instituto de tecnologia voltado à floresta




Carlos Nobre é um dos cientistas brasileiros mais influentes da atualidade

Desenvolver tecnologias a partir dos recursos da região é um dos objetivos de novo instituto de pesquisa

Por André Biernath, enviado a Sharm El Sheik (Egito) 

Um dos cientistas mais influentes de sua geração, o meteorologista brasileiro Carlos Nobre se espelha na própria história pessoal para fazer um sonho virar realidade.

Formado no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, e com doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em ingês), nos Estados Unidos, o pesquisador trabalha agora para criar um centro de pesquisa nos mesmos moldes no coração da Amazônia.

O projeto, conhecido como Instituto de Tecnologia da Amazônia (ou AmIT, na sigla em inglês), tem a pretensão de envolver não apenas o Brasil, mas todos os países que possuem porções da floresta, como Peru, Colômbia e Bolívia.

"Será uma instituição pan-amazônica, capaz de produzir ciência de ponta no padrão dos melhores centros do mundo", antevê.

Nobre aponta que "não há nenhum país tropical que desenvolveu a bioeconomia baseada em recursos naturais, biodiversidade e florestas" e que essa pode ser uma grande oportunidade para o Brasil.

O cientista projeta que o instituto terá recursos públicos e privados e pode virar realidade nos próximos dois ou três anos.

Os eixos fundamentais

O site oficial da iniciativa traz mais detalhes sobre como o AmIT foi estruturado.

A premissa principal do instituto é a de que "o conhecimento da Amazônia deve ser fundamentado na ciência e na tecnologia direcionadas à inovação para garantir a inclusão socioeconômica no desenvolvimento da própria região".

Em outras palavras, a ideia é fazer pesquisas científicas para desenvolver tecnologias, descobrir potenciais usos dos recursos naturais da floresta de modo sustentável e gerar riquezas para as próprias pessoas que vivem lá.

Usando como exemplo o próprio ITA, o pesquisador lembra que, graças às pesquisas feitas no local, o Brasil desenvolveu a terceira maior companhia de aviação do mundo: a Embraer.

Além de Nobre, fazem parte do projeto do AmIT os cientistas Maritta Koch-Weser, presidente da ONG Earth3000 e Adalberto Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

O meteorologista destaca que o AmIT terá cinco eixos principais.

"Nós desenhamos grandes unidades de pesquisa e desenvolvimento local para guiar a lógica de formação dos alunos", explica.

"Vamos trabalhar com florestas, paisagens alteradas ou degradadas e como restaurá-las, infraestrutura sustentável de transporte e energia, biodiversidade e manejo da água", conta.

Segundo o pesquisador, o grande objetivo é aliar "a ciência indígena de milhares de anos, com a ciência contemporânea, de forma harmoniosa e operativa".

Desafios para o Brasil e para o mundo

Nobre, que está participando da Conferência de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (COP27), que acontece em Sharm El Sheik, no Egito, também acredita que o Brasil pode (e deve) assumir o papel de liderança global nas políticas ambientais.

"Nosso país pode ser a primeira grande economia a zerar suas emissões de carbono", pontua.

O cientista aponta que isso representa um enorme ganho para a economia — a manutenção da floresta é fundamental para o regime de chuvas que irriga e sustenta as plantações espalhadas pelo resto do país, por exemplo.

Ele ainda reforça a necessidade de que o mundo atinja as metas estabelecidas em 2015 no Acordo de Paris, de preferência com o limite de aumento de 1,5°C na temperatura do planeta em comparação com a era pré-industrial.

Por fim, Nobre vê com boas perspectivas a eleição de Lula e o início do novo governo sob o ponto de vista do meio ambiente.

"Há uma experiência no passado em que vimos a queda no desmatamento e na degradação ambiental, a melhora da qualidade de vida da população brasileira e especificamente da Amazônia, a criação de várias unidades de conservação e demarcação de territórios indígenas", lista.

"As eleições de 2022 foram a última chance de manter a Amazônia e de combater o crime organizado na região, que sempre existiu, mas se sentiu empoderado nos últimos anos", diz.

"Me parece que a política do novo governo vai toda na direção do desmatamento zero e existe, claro, uma pressão internacional para que se obtenha sucesso."

"Nós temos quatro anos para acabar com o desmatamento, a degradação e a ilegalidade na Amazônia", completa.

BBC Brasil

O mapa econômico depois da pandemia - Editorial




Novo estudo do IBGE mostra que o peso de SP na economia brasileira continua a diminuir, enquanto Estados com forte produção agropecuária apresentam resultados melhores

A pandemia mudou a classificação dos Estados brasileiros. Ruim para todos, a pandemia afetou de maneira diferente a economia de cada um deles, acentuou algumas tendências, modificou outras e alterou o peso de várias Unidades da Federação na composição da economia brasileira. O novo Brasil que vinha se desenhando desde o início do século foi, como o resto do mundo, duramente afetado pela covid-19. Em 2020, o PIB brasileiro diminuiu 3,3%, de acordo com novo estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Das 27 Unidades da Federação, 24 registraram queda de seu produto. Apenas 2 Estados, Mato Grosso do Sul e Roraima, cresceram e 1, Mato Grosso, não cresceu nem encolheu.

Mas, entre os que viram sua economia encolher, uns sentiram mais os efeitos das medidas necessárias para conter o avanço da pandemia. A economia do Estado de São Paulo, por exemplo, diminuiu 3,5%, mais do que a média nacional. Por isso, o peso da economia paulista no PIB brasileiro, que vem diminuindo há anos, encolheu mais. São Paulo continua a ser, por grande margem, a maior Unidade da Federação em termos de produção, mas sua participação, que era de 34,9% do PIB nacional em 2002, ficou em 31,2% em 2020 (em 2019, tinha sido de 31,8%).

A explicação para isso está no efeito da pandemia sobre os três grandes grupos de atividades econômicas aferidos pelo IBGE. Entre 2019 e 2020, a produção da indústria brasileira diminuiu 3,0% e o volume do setor de serviços ficou 3,7% menor. A agropecuária, de sua parte, teve crescimento de 4,2%.

Dos serviços, segundo o IBGE, o de alojamento e alimentação teve redução de 27,0% em 2020 na comparação com o ano anterior. Os serviços domésticos, de sua parte, diminuíram 23,3%. Estes são alguns dos efeitos mais notáveis das restrições à circulação de pessoas para conter a disseminação da covid-19. O setor de serviços é o de maior peso na economia brasileira, com participação de 70,9% no PIB em 2020 (tinha sido de 73,3% no ano anterior). Em São Paulo, essa participação é ainda maior, de 77%, daí o Estado ter sido mais duramente afetado pelo desempenho desse setor.

O fato de a agropecuária ter crescido em ritmo apreciável em 2020, em razão do aumento da produção, sobretudo, de soja, milho e café, além da pecuária, beneficiou Estados do Centro-Oeste. O crescimento do PIB estadual de Mato Grosso Sul é o exemplo mais claro desse efeito. Já no Rio Grande do Sul, onde a agropecuária tem grande peso, a produção foi afetada pela seca.

Como ocorre com o PIB do Estado de São Paulo, a produção somada de Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul também vem perdendo participação no PIB brasileiro. Por isso, o peso das demais 22 Unidades da Federação vem crescendo, e em 2020 chegou a 37,3% do PIB nacional, ante 36% em 2019 e 31,9% em 2002. É uma indicação de um país menos desigual do ponto de vista da produção.

É notável o desempenho de Mato Grosso neste século. Entre 2002 e 2020, o PIB estadual cresceu 130,4%, o que fez sua participação no PIB nacional passar de 1,3% para 2,3%. O PIB de São Paulo aumentou 39,0% nesse período. Entre 2019 e 2020, Mato Grosso passou da 13.ª para a 12.ª posição entre as maiores economias estaduais, superando o Ceará.

Quanto ao PIB por habitante, o estudo do IBGE mostra uma notável diferença entre os Estados. Os mais bem classificados são os das Regiões Sudeste e Centro-Oeste. O Distrito Federal é a Unidade da Federação com o maior PIB per capita do País (R$ 87.016,26), bem maior do que a média nacional (R$ 33.935,76). Em seguida vêm São Paulo (R$ 51.364,73) e Mato Grosso (R$ 50.663,19). Concentração de funcionários públicos, com renda média superior à da população, desenvolvimento econômico acentuado e forte produção agropecuária explicam cada um desses resultados.

No outro extremo, está o Maranhão, com PIB per capita de R$ 15.027,69 em 2020. Corresponde a apenas 17,3% do resultado do Distrito Federal. Esse número parece sintetizar as disparidades regionais, sociais e econômicas do País.

O Estado de São Paulo

Centrão ameaça colocar na PEC regra que obriga Lula a pagar orçamento secreto




Agora é rezar para que as mudanças não tragam figuras ainda menos qualificadas como as que tínhamos 

A proposta foi colocada na mesa como resposta à investida do PT de retirar o programa Bolsa Família do teto de gastos

O Centrão ameaça embutir na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição uma regra que obrigaria o governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva pagar as emendas do orçamento secreto nos próximos anos.

A proposta foi colocada na mesa como resposta à investida do PT de retirar o programa Bolsa Família do teto de gastos de forma permanente e dar a Lula uma licença de R$ 200 bilhões em gastos extras logo no início do mandato.

A PEC foi apresentada na quarta-feira, 16, pela equipe de transição e entregue aos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Como mostrou o Estadão, a PEC foi gestada pela ala política do governo eleito. Ficaram de fora, para trabalhar no grupo de economia na transição, os economistas André Lara Resende, Guilherme Mello, Nelson Barbosa e Pérsio Arida.

O texto deve começar a tramitar pelo Senado, mas é na Câmara que Lula enfrenta o maior impasse. Se passar no Senado, o presidente eleito dependerá de Lira para pautar a PEC e aprovar o conteúdo até dezembro. Hoje, o deputado tem controle sobre as emendas do orçamento secreto - esquema revelado pelo Estadão que consiste na transferência de verba a parlamentares sem critérios de transferência em troca de apoio político - e não quer perder o poder no novo governo, de acordo com aliados.

O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), defendeu a inclusão da chamada "impositividade" das emendas do orçamento secreto na PEC. Atualmente, os recursos são liberados conforme a indicação de deputados e senadores e pagos pelo governo do presidente Jair Bolsonaro em troca de apoio político no Congresso.

Tornar os repasses impositivos manteria a negociação política, mas reduziria o controle do Executivo. Dessa forma, as emendas teriam uma blindagem maior e seriam executadas no montante determinado pelo Congresso. Neste ano, houve uma tentativa de aprovar uma proposta semelhante na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), mas o Legislativo recuou.

A cúpula da Câmara tem maior interesse em aprovar a impositividade das emendas e estuda embutir essa regra na PEC da transição. "Seria bom", disse Barros ao Estadão. Os líderes governistas não querem dar a Lula uma licença permanente para gastar e defendem apenas um gasto extra transitório, limitado a R$ 80 bilhões em 2023 para viabilizar o Bolsa Família de R$ 600 e o reajuste real do salário mínimo.

A inclusão da medida na PEC ainda não é consenso e está pendente de negociação. A regra é colocada como uma estratégia para forçar o governo Lula a negociar a aprovação da medida. A aprovação precisa ser feita em um mês, antes da votação do Orçamento de 2023. "É ingenuidade pensar que a PEC vai ser aprovada sem ter diálogo com todo mundo. Vai ser preciso muito diálogo e paciência", disse o deputado Danilo Forte (União-CE), aliado de Lira.

O futuro governo quer garantir um controle maior das despesas federais e resiste à ideia de tornar as emendas secretas impositivas, mesmo admitindo a manutenção dos recursos e dando transparência às indicações feitas pelos parlamentares.

O senador eleito Wellington Dias (PT-PI), escalado por Lula para negociar a PEC e o Orçamento, afirmou ao Estadão que é preciso separar as duas coisas, conforme o interesse do novo presidente: aprovar PEC com o Bolsa Família fora do teto e discutir o futuro do orçamento secreto por meio de uma resolução do Congresso.

"Nossa proposta original é colocar os pobres no Orçamento fora do teto, mas abertos ao diálogo", disse o senador eleito. "Não podemos é ficar atrás de argumentos para negar a quem mais precisa políticas permanentes e sem esta tensão a cada ano: mantém ou não mantém o Bolsa Família?"

A equipe de transição negocia com o Senado a elaboração de um projeto de resolução alterando a dinâmica de indicação das emendas secretas. A proposta teria de ser aprovada também pela Câmara. Para 2023, estão reservados R$ 19,4 bilhões. Pelas regras atuais, os valores vão crescer nos próximos anos, conforme a inflação, e os parlamentares têm poder de escolar a destinação final do recurso. Além disso, há brecha para os verdadeiros padrinhos das emendas permanecerem ocultos.

"Como sou senador para próximo mandato, também acompanho e estamos bem próximos de entendimento", disse Wellington Dias, ao falar da proposta de mudar as regras do orçamento secreto em um projeto separado da PEC. "A proposta é dar solução com apoio das duas casas para regras semelhantes às emendas individuais e de comissões, já praticadas e sob o controle e prioridades do Poder Executivo." 

Estadão / O Tempo

Quartel-general do golpe é comandado por Braga Netto numa mansão em Brasilia




É neste QG que políticos e manifestantes buscam as instruções. Braga Netto dá expediente no QG do golpe

Por Sarah Teófilo e Rodrigo Rangel

A casa no Lago Sul de Brasília que foi alugada para sediar o comitê da campanha de Jair Bolsonaro à reeleição continua funcionando – movimentada e a todo vapor. Só que, agora, virou uma espécie de central do golpe, onde apoiadores do presidente, liderados pelo general Braga Netto, ex-ministro e candidato a vice, reúnem-se para discutir estratégias destinadas a questionar o resultado das eleições.

O general Braga Netto tem dado expediente no local regularmente, na companhia de seu entourage, que inclui oficiais das Forças Armadas.

ENTRA E SAI – Nesta semana, a coluna acompanhou o movimento no endereço. Na quinta-feira, por exemplo, Braga Netto recebeu o ex-ministro e deputado federal Osmar Terra, conhecido propagador do discurso radical bolsonarista.

Abordado na saída, Terra admitiu que foi ao local tratar da auditoria contratada pelo PL, o partido de Bolsonaro, para questionar as urnas eletrônicas.

“(A reunião) foi para buscar informações, (saber) se tinha alguma novidade sobre o processo do PL”, disse ele, referindo-se à auditoria. “Queria ter a informação mais adequada”, emendou, acrescentando que segue no aguardo de “novidades”.

VISITA DE PARLAMENTES – Braga Netto e outros integrantes do estado-maior da campanha derrotada de Bolsonaro têm recebido na casa visitas de parlamentares que apoiam o presidente.

Entre os que foram à casa nesta quinta-feira está o deputado federal Marcel Van Hattem, do Partido Novo, também apoiador de Bolsonaro. O gabinete do parlamentar informou que ele foi ao encontro de Braga Netto a convite do senador Eduardo Girão, do Podemos.

Girão, por sua vez, disse à coluna que o assunto da reunião foi também a auditoria das urnas – em mais uma evidência de que a casa tem servido para tramar novos ataques ao sistema eleitoral. Havia pelo menos mais um senador na reunião: Guaracy Silveira, do PP, partido da base aliada do atual governo.

FLUXO INTENSO – Outras pessoas que estiveram na equipe de campanha de Bolsonaro também frequentam o local. É o caso do coronel da reserva do Exército Marcelo Azevedo, que foi tesoureiro do comitê bolsonarista.

Há um fluxo intenso na casa. O entra-e-sai é permanente. O endereço tem servido ainda para reuniões com manifestantes que engrossam os protestos antidemocráticos. É uma evidência importante sobre a cadeia de comando das manifestações nas portas de quartéis e nas estradas questionando o resultado das eleições.

Na tarde desta sexta-feira, por exemplo, chegou à casa uma camionete decorada com a bandeira do Brasil. Dela saiu um homem com uma camisa com inscrições pedindo intervenção militar. Indagado, ele limitou-se a responder que seria recebido por uma pessoa no QG. Não disse por quem. Braga Netto estava lá.

OUTRO MANIFESTANTE – A camionete, uma Amarok de quase R$ 300 mil, tem placa registrada na cidade baiana de Luis Eduardo Magalhães, um dos principais polos do agronegócio do país. Também nesta tarde, uma outra Amarok, cujo proprietário é um empresário do Mato Grosso, chegou à casa. Saiu pouco antes de o general deixar o local.

Um dos veículos que esteve no antigo comitê no início da tarde foi localizado pela reportagem, horas depois, na manifestação bolsonarista no quartel-general do Exército, no Setor Militar Urbano de Brasília — eis aí uma prova cabal da conexão entre a chapa derrotada nas eleições e as manifestações de caráter golpista.

O general Braga Netto tem se dividido entre o expediente no “QG do golpe” e visitas frequentes a Bolsonaro no Palácio da Alvorada. Nesta quinta, ele deixou a casa e foi direto para a residência presidencial, onde declarou a jornalistas que Bolsonaro, recluso há semanas, está recuperado de uma infecção na perna e “deve voltar logo”.

AGUARDANDO A SURPRESA – Entre uma reunião e outra no antigo comitê de Bolsonaro no Lago Sul, Braga Netto tem se ocupado ainda em manter acesa, entre os militantes bolsonaristas que protestam contra as eleições, a expectativa de que uma “surpresa” pode acontecer.

Dias atrás, a um prefeito do interior de Mato Grosso que viajou a Brasília para participar dos protestos na frente do quartel-general do Exército, o general disse, sem mais detalhes, que “algo muito bom” vai acontecer até o fim desta semana.

O encontro se deu em um mercado, onde o prefeito Carlos Capeletti, do município de Tapurah, havia ido para comprar mantimentos para o acampamento. Logo depois, Capeletti fez um vídeo relatando o que ouviu e publicou nas redes sociais.

DISSE O PREFEITO – “Eu falei que eu iria embora, que não acreditava em mais nada, e ele (Braga Netto) falou assim: ‘Fica tranquilo que vai acontecer’”, disse o prefeito à coluna.

O relato mostra que o general tem insuflado os manifestantes com a expectativa de uma virada de mesa antidemocrática.

Em outro vídeo, que circulou nesta sexta, ele cumprimenta militantes bolsonaristas na frente do Alvorada. Ao ouvir apelos do grupo, que diz estar firme nos protestos, ele afirma: “Não percam a fé. É só o que eu posso falar para vocês agora”.

A coluna vem tentando insistentemente falar com Braga Netto nos últimos dias, sem sucesso. Tanto nesta quinta quanto nesta sexta, ao sair da casa, ele não aceitou conversar.

A CASA E O PL – Sobre a casa no Lago, o PL disse que, como a campanha acabou, o comitê de campanha já não funciona mais no endereço.

Respondeu ainda que “não sabe” das atividades no local atualmente.

A coluna perguntou também se o partido segue bancando o funcionamento da casa, como fez durante o período eleitoral, mas não houve resposta.

Nota do blog Tribuna da Internet – Importantíssima essa reportagem de Sarah Teófilo, enviada ao blog por Batista Filho, sempre atento ao lance. A repórter ficou a semana inteira de plantão diante do antigo comitê eleitoral. A matéria é documentada com uma série de fotos e comprova a ligação direta do Planalto com as manifestações diante dos quartéis e com a insistente preparação de um golpe de estado que jamais será dado pelos militares – e, se fosse, não seria para eternizar Bolsonaro no cargo, mas para substitui-lo por um general de verdade, com afirma o advogado Roberto Nascimento, em seu mais recente artigo.

Jornal Metrópolis / Tribuna da Internet 

Perdeu, mané




O Brasil desandou a falar de seu maior complexo: a irrefreável vocação para matar o pai, Portugal, começando pela língua

Por Eduardo Affonso (foto)

Preocupado com a saúde mental do país, O GLOBO levou o Brasil a quatro renomados psicanalistas. Os diagnósticos estão lá, na página 29 da edição de domingo passado (13 de novembro): psicose, luto, autossabotagem, idealização, desilusão.

O Brasil ouviu, elaborou, racionalizou, introjetou, fechou uma gestalt, teve um insight e resolveu ouvir uma quinta opinião. Procurou Pai Dudu da Gamboa, que incorpora Freud, Jung, Reich e Lacan em seu terreiro — e volta e meia faz previsões imprevisíveis aqui, nesta coluna.

Acomodado no divã depois de um rápido banho de descarrego (não por falta do que descarregar, mas premido pelo tempo lógico), o Brasil desandou a falar de seu maior complexo: a irrefreável vocação para matar o pai, Portugal (começando pela língua) e se amasiar com a mãe África (uma relação ambígua de orgulho e preconceito). E, claro, do trauma recente:

— Tenho medo do desamparo, de passar o resto da vida como um sem-teto.

— Sem teto de gastos... – interpreta Freud.

— Sim. Foram quatro anos ao relento, e tudo indica que os próximos quatro também serão a céu aberto.

Reich sugere que o Brasil se solte mais, deixe de lado essa obsessão com censura e controle da mídia, invista no desbloqueio das armaduras psíquicas e das estradas.

— É que eu estou numa fase de transição. Não de gênero, mas de um mito para outro.

Jung lembra que foi para o Brasil que ele desenvolveu, postumamente, o conceito de “inconsequente coletivo”. Algo que se manifesta nas camadas mais epidérmicas da psique — quando milhões de pessoas se enrolam na bandeira para pedir que uma ditadura venha salvar a democracia. Ou outras tantas concordam em dar um cheque em branco a um notório perdulário para que ele as proteja da bancarrota.

— Impulsos sadomasoquistas — pontifica Freud. Vamos fazer associações livres...

— Ok. Faz o L, alea jacta est, jactância, Lava-Jato, Vaza-Jato, compra de jatos suecos, jato da FAB com cocaína, jet ski, viagem em jatinho de empresário condenado...

Freud faz anotações. Lacan faz um trocadilho. Darwin baixa, do nada, sente o clima e avisa que volta quando a situação tiver evoluído.

— Tenho tido pesadelos, doutor: eu sou um navio, e vem um iceberg desgovernado na minha direção. Ou uma Ponte Rio-Niterói, não sei bem. Os filhos do capitão brincam com o leme, achando que aquilo é um manete de videogame.

— Esse pesadelo vai acabar, já já...

— Sei que vai, mas já comecei a ter outro: agora eu sou um avião, e a mulher do piloto quer um lugar na cabine de comando. Sem contar que vivo me debatendo em falsos dilemas. Dividir o bolo ou esperar o bolo crescer? Economia ou saúde? Responsabilidade fiscal ou social?

— Você precisa fortalecer seu Ego liberal, equilibrando as demandas do Id de esquerda e as imposições do Superego de direita.

— É que metade de mim está em negação, se recusando a aceitar a mudança. A outra metade quer mudar, mas para voltar a ser o que já foi. Doutores, será que eu perdi o rumo, o bonde, o juízo?

Reich e Jung se entreolham, desolados. Lacan murmura algo incompreensível. Freud explica:

— Perdeu, mané.

O Globo

Por que gigantes da tecnologia estão demitindo em massa




Mais de 120 mil funcionários do setor de tecnologia foram demitidos nas últimas semanas

Por Shiona McCallum

O primeiro sinal de cortes de empregos na Amazon veio de postagens no LinkedIn de funcionários demitidos.

Então, o executivo da divisão de dispositivos da empresa, Dave Limp, anunciou: "É doloroso para mim... mas perderemos funcionários talentosos da área de dispositivos e serviços."

Em toda a indústria de tecnologia, em empresas como Twitter, Meta (controladora do Facebook), Coinbase e Snap, trabalhadores têm anunciado que estão "em busca de novas oportunidades".

No mundo todo, incluindo o Brasil, mais de 120 mil funcionários foram demitidos de acordo com o site Layoffs.fyi, que acompanha os cortes na área de tecnologia.

Empresas diferentes fizeram demissões por motivos distintos, mas há alguns fatores em comum.

À medida que muitas coisas migraram para o online durante a pandemia, os negócios dos gigantes da tecnologia cresceram e os executivos acreditaram que os bons tempos — para eles — continuariam.

A Meta, por exemplo, contratou mais de 15 mil pessoas nos primeiros nove meses deste ano.

Agora, os executivos que anunciam cortes dizem que "calcularam mal".

"Tomei a decisão de aumentar significativamente nossos investimentos. Infelizmente, as coisas não aconteceram da maneira que eu esperava", disse Mark Zuckerberg, diretor-executivo da Meta, ao demitir 13% dos funcionários da empresa.

'Pressão de investidores por mais lucros é uma das causas'

Mudanças no mercado

Anúncios online são a principal fonte de receita para muitas empresas de tecnologia, mas a perspectiva é de tempos difíceis à frente para o mercado de publicidade.

As empresas têm enfrentado crescente oposição a práticas publicitárias invasivas.

A Apple, por exemplo, dificultou o rastreamento da atividade online das pessoas e a venda desses dados a anunciantes.

Além disso, enquanto a economia enfrenta dificuldades, muitas empresas têm reduzido seus orçamentos para publicidade online.

No setor de tecnologia financeira, o aumento das taxas de juros para conter a alta global da inflação também atingiu as empresas.

"Tem sido um trimestre realmente decepcionante para os resultados de muitas das grandes empresas de tecnologia", diz o analista Paolo Pescatore, da PP Foresight. "Ninguém está imune."

Até a Apple sinalizou cautela, com o diretor-executivo Tim Cook dizendo que a empresa "ainda está contratando", mas "de forma cautelosa".

A Amazon atribuiu suas demissões a um "ambiente macroeconômico incomum e incerto", que teria forçado a empresa a priorizar o que mais importa para os clientes.

"Como parte de nosso processo anual de revisão do planejamento operacional, sempre analisamos cada um de nossos negócios e o que acreditamos que devemos mudar", disse a porta-voz Kelly Nantel.

"Enquanto passamos por isso, dado o atual ambiente macroeconômico (assim como vários anos de rápidas contratações), algumas equipes estão fazendo ajustes, o que em alguns casos significa que certas funções não são mais necessárias. Não tomamos essas decisões levianamente e estamos trabalhando para apoiar todos os funcionários que possam ser afetados."

Cortar o inchaço

Investidores também aumentaram a pressão para cortar custos, acusando as empresas de estarem inchadas e de serem lentas para responder aos sinais de desaceleração.

Em uma carta aberta à Alphabet, controladora do Google e do YouTube, o investidor britânico Christopher Hohn incitou a empresa a cortar empregos e salários.

A Alphabet precisava ser mais disciplinada em relação a custos, escreveu ele, e cortar perdas em projetos como a Waymo, sua empresa de carros autônomos.

'Musk demitiu milhares funcionários após comprar o Twitter'

Elon Musk certamente acredita que há espaço para cortar custos em seu mais recente investimento, o Twitter, que enfrentava dificuldade para gerar lucro e atrair novos usuários.

Além disso, muitos analistas argumentam que Musk pagou um valor maior do que a empresa vale e há pressão para fazer o investimento valer a pena.

O bilionário demitiu metade dos cerca de 7.500 funcionários da empresa. E, para aqueles que permaneceram, a carga de trabalho ficou muito maior.

De acordo com relatos da imprensa americana na terça-feira (15/11), Musk disse aos funcionários que eles precisavam se comprometer com uma cultura de "longas horas de trabalho em alta intensidade" ou sair da companhia.

Na quinta (18/11), após relatos de que mais de 1 mil trabalhadores teriam optado por deixar o Twitter, os funcionários da rede foram avisados abruptamente que os escritórios da empresa seriam fechados até domingo, mas o motivo para isso não está claro.

Fim dos bons tempos

O analista Scott Kessler diz que há menos tolerância para grandes gastos em apostas de alta tecnologia, como realidade virtual ou veículos autônomos, que podem não compensar no curto prazo.

Os investidores também consideram insustentáveis ​​os altos salários e as regalias que alguns desfrutam no setor.

"Algumas empresas tiveram que enfrentar duras realidades", diz ele.

Mike Morini, da WorkForce Software, que fornece ferramentas de gerenciamento digital, afirma que o momento parece ser um ponto de virada.

"A indústria de tecnologia está saindo de um período de crescimento a todo custo", diz ele.

Mas, embora as grandes empresas de tecnologia possam estar passando por um momento desfavorável, elas não estão quebradas.

As 10 mil demissões propostas pela Amazon em funções corporativas e de tecnologia — seu maior corte de vagas até o momento — representam apenas 3% de sua equipe administrativa. 

BBC Brasil

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