sábado, novembro 12, 2022

Apostas na queda da Bolsa indicam que há ações submetidas a especulações invisíveis

Publicado em 12 de novembro de 2022 por Tribuna da Internet

Homem observa monitores na Bolsa de Valores brasileira, em São Paulo

Bolsa de Valores está sujeita a todo tipo de artimanhas

Marcos de Vasconcellos
Folha

Nunca se apostou tanto na queda da Bolsa! No dia 1º desse mês, logo após o segundo turno das eleições, atingimos o pico de R$ 128,8 bilhões em ações alugadas, ou seja, em apostas de que o preço dos papéis vai cair.

Um levantamento exclusivo, feito pela plataforma TradeMap, publicado no site Monitor do Mercado, mostra que, entre o dia 29 de setembro, logo antes do primeiro turno das eleições, e o dia 1º de novembro, após a definição de Lula como próximo presidente, o estoque de ações alugadas saltou de R$ 112 bilhões para R$ 128 bilhões.

UM EXEMPLO CLARO – E uma ação que subiu mais de 70% neste ano entrou no topo das apostas de investidores: dessa vez, miram na queda das ações.

Mais conhecida pelo macarrão Adria e pelos biscoitos Piraquê, a empresa M. Dias Branco viu seus papéis MDIA3 dispararem desde janeiro. Só na última semana, foram quase 8% de valorização, com o anúncio da compra de uma concorrente no Uruguai.

As margens do negócio, entretanto, se apertaram no último ano. Enquanto, em 2020, o lucro registrado pela empresa foi de R$ 760 milhões, em 2021, caiu para R$ 504 milhões.

RECUPERAÇÃO? – No primeiro semestre deste ano, a companhia ensaiou uma recuperação nas contas, com um lucro 70% maior do que o do mesmo período do ano passado. Ainda assim, abaixo do que tinha em 2020.

E de onde vem esse aperto? Da sua principal matéria-prima. De quase 450 itens pelos quais medimos a inflação oficial no Brasil, o sétimo maior aumento no ano foi da farinha de trigo. De janeiro a setembro, o preço da farinha aumentou 32%, enquanto a inflação medida pelo IPCA foi de 4,09%.

E nós importamos mais da metade da farinha de trigo que consumimos no país. Com a guerra entre Rússia e Ucrânia, duas grandes exportadoras de trigo, o preço da commodity disparou.

IMPORTAÇÃO – O pão nosso de cada dia depende principalmente dos nossos vizinhos argentinos. Das 6,2 milhões de toneladas de trigo que compramos em 2021, 87% vieram da Argentina. Depois dela, compramos do Paraguai e do Uruguai.

A alta dos preços não atrapalhou as ações da M. Dias Branco neste ano, mas a companhia já alertou seus investidores que poderá não ser possível repassar integralmente, de forma imediata, o reajuste nos preços dos produtos, “o que poderá vir a diminuir suas margens e afetar a organização de forma adversa”.

Agora, as ações MDIA3 estão no topo da lista de papéis com mais apostas na sua queda. Na última semana, 16% das ações que a empresa tem no mercado (o chamado free float) estavam alugadas, ou seja, vendidas a descoberto, de acordo com dados do site TradeHunter. Para comparação, apenas 6% das ações da Petrobras e da Vale estão na mesma situação.

GANHANDO NA QUEDA – Esse tipo de operação, chamado também de short selling, é feito por quem quer ganhar na queda do preço dos papéis. Os investidores tomam uma posição vendida em uma ação quando acham que seu preço vai cair. Para isso, alugam as ações de alguém que as têm em carteira e vendem no mercado, para, depois, recomprar os papéis a preços mais baixos e “devolvê-los”.

Se a ação subir, eles perdem dinheiro, pois, além de pagar o aluguel, terão de pagar um preço mais alto na recompra, antes de “devolver”.

Essa operação ganhou holofotes em 2021, com o caso da GameStop, quando grandes fundos dos EUA apostavam na queda das ações da empresa e outros investidores se juntaram para inflar o preço do papel, causando graves prejuízos a quem estava vendido — operação chamada de short squeeze.

COPIANDO O MODELO – Houve até uma tentativa de copiar o modelo, aqui no Brasil, com as ações da resseguradora IRB Brasil RE (IRBR3).

Ao contrário do que pretendiam os responsáveis por tentar inflar o preço dos papéis, as ações seguiram caindo e, hoje, inclusive, ocupam o segundo lugar no ranking de ações mais alugadas, com 15,9% dos seus papéis em operações de short selling.

Esse tipo de sinal não pode, nem deve, ser ignorado. Claro que há apostas que viram pó no mercado de ações, mas esses movimentos costumam indicar tendências que às vezes estão invisíveis aos olhos não treinados da maioria dos investidores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Bolsa é coisa de profissionais. Os amadores correm riscos desnecessários, nem sabem o que realmente está acontecendo nas empresas, mas quem se importa? (C.N.)

Congresso Internacional de Gestão da Previdência Social (Congeps)

https://congeps.inss.gov.br/ 


https://congeps.inss.gov.br/wp-content/uploads/2022/11/PROGRAMACAO-AUDITORIO-PRINCIPAL-FINAL-111122-1900.pdf

Um governo despreparado e ineficiente prejudica todo mundo.

                                                              Foto Divulgação

Vamos partir para um caso concreto que acontece na saúde de Jeremoabo, que desde que o Dr. Luizinho saltou do barco nunca mais se aprumou, estoura dinheiro porém, a saúde não sai da UTI.

A saúde de Jeremoabo entenda atendimento hospitalar e ambulatórial, só funcionou a contento no período em que João Ferreira esteve prefeito, casos de pequeno porte eram resolvidos em Jeremoabo sem precisar deslocar-se para qualquer cidade circunvizinha, mesmo para Paulo Afonso só havia deslocamente de um ou outro caso excepcional.

Hoje a saúde por incrivel que pareça falta até médico para atender casos de urgência no Pronto Socôrro conforme documentado através de vídeo pelos vereadores da oposição, únicos que ainda denunciam os desmandos e as improbidades do prefeito e seu conluio que inchou a folha de pagamento do Hospital, inclusive com casos de nepotismo.

Por falar em vereador, a incompetência é o vago existente na saúde que vem prejudicando os pacientes por falta de um atendimento médico com eficiência e dignidade; ao tempo em que obriga os vereadores a praticar o assistencialismo para que o povo humilde não sofra ainda mais.

Diàriamente alguns vereadores por questão de humanidade e até por omissão de não exigir em nome dos cidadãos que representam, reivindicar sua melhoria junto ao Poder Executivo, obrigam-se a transportar  pacientes para cidades circunvizinhas ou em outras capitais em busca de atendimento médico, caso que deveria ser levado ao conhecimento do Minsitério Público de forma oficial, ou a denpender do caso em instâncias superiores; da forma que  está não pode continuar.

 “De boas intenções o inferno está cheio,” o ato dos vereadores não poderá continuar eternamente em substituição a responsabilidade e dever do gestor omisso e desumano, que vem bricando com a saúde e a vida do cidadão.

Nota da redação deste Blog - Exerça seu direito de cidadania, reúna todas as informações e provas que puder obter a respeito dos fatos e procure o Ministério Público em sua cidade, instituição que tem o dever de defender a sociedade e zelar pela correta prestação dos serviços públicos. Combater o clientelismo, em todas as suas formas, é uma das missões do Ministério Público.


Ministros do STF criticam nota dos chefes militares e procuram evitar uma nova crise


Bolsonaristas tentam disfarçar ato golpista em Brasília - 02/11/2022 -  Poder - Folha

Manifestantes lutam para manter Bolsonaro a todo custo

Igor Gielow
Folha

A nota em que os três comandantes das Forças Armadas fazem crítica veladas ao Judiciário representa um sinal claro do estertor da chamada doutrina Villas Bôas, mas também um desafio para o presidente eleito Lula da Silva (PT). Elaborada durante a gestão do mais influente comandante do Exército desde a redemocratização, general Eduardo Villas Bôas (2015-19), a doutrina em resumo buscou normalizar a presença de militares na política cotidiana, da qual foram alijados após a debacle da ditadura em 1985.

Descrita em seu livro-depoimento de memórias como uma permissão para que falas de chefes militares não sejam vistas como golpistas, ela desaguou na ideia corrente entre muitos generais de que a eleição de Jair Bolsonaro (PL) em 2018 representava uma volta ao poder dos fardados, ou de sua visão de mundo, pelo voto.

GESTÃO DESATROSA – O resultado foi visto na prática, com a gestão desastrosa em setores como a Saúde durante a pandemia de Covid-19 e o imbróglio institucional que levou ministro da Defesa e comandantes de Forças a serem demitidos por não aderir à agenda do chefe.

Além de tudo, fracassou de forma retumbante a ideia de que o “mau militar” Bolsonaro, para ficar nas palavras de Ernesto Geisel em 1993, seria um marionete. O Golem imaginado nos quartéis engoliu o rabino que o criou, usando a metáfora judaica do monstro de barro a serviço de seu mestre.

Como é notório, há camadas diversas de estamento militar, o que raramente é percebido nas avaliações de políticos brasileiros, pouco afeitos a entender os fardados ou questões de defesa. O estrato mais barulhento e francamente golpista se encontra na reserva, não por acaso representada nos generais palacianos em torno de Bolsonaro.

MINISTÉRIO SERVIL – O Ministério da Defesa, encampando a cruzada do presidente contra as urnas eletrônicas, tornou-se um aparelho da vanguarda bolsonarista a partir da crise militar de 2021, mas o serviço ativo sempre buscou equilibrar-se entre o distanciamento e o respeito hierárquico.

Com isso, oficiais-generais das três Forças passaram os picos da apoplexia golpista do comandante em silêncio e enviando sinais de que não embarcariam em aventuras autoritárias. Mas houve momentos em que a doutrina Villas Bôas falou mais alto, como no episódio em que bateram de frente com a CPI da Covid ou na nota desta sexta (11).

O texto atual é um primor de ambiguidade, por insinuar críticas sem ter coragem de assumi-las, ciente de que isso representaria um golpismo inaceitável. Foi lido por ministros do Supremo como uma provocação a mais numa semana tensa, mas a ideia geral é evitar a escalada.

AMBIGUIDADES – Os magistrados já se haviam mostrado agastados com a nota emitida pela Defesa na quinta (9), quando o ministro Paulo Sérgio Oliveira insistiu que seu relatório descartando fraudes no sistema eletrônico de votação não dizia que elas não poderiam ocorrer. Ao jogar biscoitos para o bolsonarismo, foi qualificado como uma figura que será muito menor ao sair do cargo.

Entre oficiais-generais, a nota foi defendida como uma manifestação legítima ante o que consideram abusos de uma outra doutrina em formação, a de Alexandre de Moraes, o implacável presidente do Tribunal Superior Eleitoral. As críticas ao ministro não são novas, ao contrário da exposição delas em público.

Há também um sujeito oculto no texto, Lula. Na véspera, o presidente eleito deixou o prudente silêncio ante a questão da Defesa e fez um discurso em que criticou Bolsonaro por instrumentalizar as Forças. Exigiu desculpas aos militares, no que parecia uma esperta sinalização ao serviço ativo.

“CONSCIÊNCIA DO POVO” – O problema é que fardados não gostam de se ver colocados como manipuláveis. Mais: pela tradição da República, fundada em um golpe militar e marcada por eles ao longo de sua história, as Forças Armadas se arrogam um papel de consciência do “povo”, aspas mandatórias.

Assim, a nota desta sexta conversa com o infame tuíte de Villas Bôas admoestando o Supremo a não conceder habeas corpus que teria livrado Lula de 580 dias de cadeia, em 2018. Ambos os textos sugerem uma mediação única feita por militares entre o sentimento da população e os Poderes.

Por óbvio, no máximo a nota fala pelos que se dispõe a pedir intervenção militar ou outros golpismos na frente de quartéis, de resto um fenômeno que não deveria ser desprezado pelos novos donos do poder. O limite da agitação dos comandantes, expostos de crise em crise pelo bolsonarismo como um tigre de papel ante a realidade política-econômica do século 21, fica evidente.

FRENTE DE BATALHA – Mas o potencial de disrupção nada tem de desprezível, e tudo o que Lula não precisa é de outra frente de batalha — sua fala esquerdista na quinta e a opacidade na transição da economia já ressuscitaram os fantasmas que a Faria Lima adora enxergar, seja por medo genuíno ou para lucrar. Nunca é demais lembrar a má vontade dos fardados com Lula e o petismo, vistos de forma geral como encarnação da corrupção.

Como dois políticos com amplo trânsito entre os fardados receitaram ao analisar o cenário, o melhor que o presidente tem a fazer é lidar com esse estertor da era Villas Bôas de forma objetiva: abrindo uma interlocução oficial, dentro da transição, e escolhendo sábia e rapidamente a nova cúpula militar. Fila que anda não gera queixa.

Renan cobra de Lula nomes para coordenar Economia, Política e Defesa




Patrocinador do apoio do MDB a Lula, senador criticou PEC da Transição e afirmou que proposta constitucionaliza o orçamento secreto

Por Lucyenne Landim 

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) cobrou do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a definição de nomes que irão coordenar as áreas relacionadas à Economia, Política e Defesa no futuro governo. O petista tem evitado adiantar sua equipe e disse que só irá montar nomes a partir do fim da próxima semana, quando retornar de viagem ao Egito e Portugal.

Patrocinar do apoio do MDB à campanha de Lula e indicado pelo partido para o conselho político da equipe de transição, Renan criticou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) articulada para garantir recursos para serviços considerados essenciais pelao futuro governo. Entre eles, a manutenção da parcela de R$ 600 do Auxílio Brasil - que deve voltar a ser chamado de Bolsa Família - com R$ 150 extras para crianças de até seis anos.

Na avaliação de Renan, "há caminhos alternativos" à PEC que, se apresentada e aprovada, agirá "constitucionalizando o orçamento secreto". "Gestos são sagrados na política. É prudente cortar na raiz fricções com mercado, militares e a política. Aliança com o Centrão apavora porque sinaliza descompromisso na política fiscal, imprevisibilidade e vai na contramão das urnas", disse o senador.

"A PEC constitucionalizando o orçamento secreto abre um espaço fiscal de 1 trilhão e libera imediatamente 7,9 bloqueados. O Congresso entrega previamente a responsabilidade de fiscalizar o reequilíbrio fiscal", acrescentou.

"Há caminhos alternativos através de MPs, créditos extraordinários e no próprio orçamento. Sem falar na eleição para presidência da CD que impedirá a punição dos criminosos.Seria prudente indicar coordenadores para Economia, Política e Defesa", completou Renan por meio do Twitter.

A previsão é que o texto da PEC seja apresentado na próxima quarta-feira (16). A análise irá começar pelo Senado Federal. O senador eleito Wellington Dias (PT-PI), que faz a interlocução da PEC com o Parlamento, informou nesta sexta-feira (11) que o texto ainda está em estudo. De acordo com ele, a proposta deve ter um valor de R$ 175 bilhões e a duração de que seja válida por quatro anos é estudada.

O Tempo

Ideias de Lara Resende são música para governo Lula




Risco é esse ideário produzir uma corrida bancária e hiperinflação

Por Claudia Safatle

Desde o último fim de semana que agentes do mercado se dedicam a discutir o texto intitulado “Diretrizes de Políticas Públicas para 2023 - Elementos para uma Estratégia de Retomada do Crescimento Sustentável e Inclusão Social”. Elaborado por vários economistas do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) sob a coordenação de André Lara Resende, o texto, somado à notícia de que Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, poderia vir a ser o ministro da Fazenda no governo de Lula, teria pautado uma piora do mercado na segunda feira.

Não se trata de um texto novo, mas houve uma corrida em busca de entendimento do que nele se propõe, e é oportuno dar uma revisitada no seu conteúdo macroeconômico, defendido por Lara Resende, que faz parte do comitê de transição de governo, na área econômica.

Ele sugere que as políticas monetária e fiscal sejam conduzidas, de forma coordenada, por um comitê composto por diretores do Banco Central e do BNDES, à semelhança do atual Copom. Esse comitê de políticas macroeconômicas seria o responsável pela trajetória da taxa básica de juros (Selic) e pela implementação de um plano plurianual de investimentos públicos que seriam decididos e anunciados por esse novo Copom.

Caberia ao Banco Central fixar a estrutura a termo da taxa de juro. “A alta de juros atua como inibidor das pressões de demanda, um efeito monetário contracionista, mas eleva o serviço da dívida e as despesas financeiras do governo, um efeito fiscal expansionista”, diz o texto. Sobretudo quando associada a um aumento do déficit primário do governo, o aumento da taxa básica pode ser contraproducente, pois desacelera a economia e simultaneamente eleva a despesa financeira do governo.

O BC fixaria a estrutura a termo da taxa de juros em um patamar abaixo do crescimento da economia. Uma proposta de políticas públicas para a formulação de uma estratégia de retomada do crescimento deve partir da constatação de que elas são de responsabilidade do Estado. “Sem governo e Estado competentes não há como formular e implementar políticas públicas”, diz. Porém, nas últimas quatro décadas, “cristalizou-se entre uma parcela expressiva dos analistas, e amplamente dominante na mídia, a noção de que o Estado é exclusivamente um ônus para a sociedade. Ao caracterizar o Estado como oneroso e incompetente e o governo e seus ocupantes irremediavelmente capturados por interesses patrimonialistas e corporativistas”, concluiu-se que o Estado precisa ser contido.

A expressão prática da noção do Estado e seus ocupantes como um peso morto “é a hipervalorização da necessidade de equilíbrio fiscal”. O resultado é que o debate orçamentário no país, hoje, “resume-se à disputa entre os interesses patrimonialistas pela expansão das despesas e os ideólogos do equilíbrio fiscal a todo custo”, diz o texto.

Para escapar dessa “armadilha neoliberal”, o texto propõe diretrizes que devem ser seguidas. O cenário internacional é marcado por grandes mudanças geopolíticas. Mudanças que vão provocar importantes deslocamentos internacionais das cadeias produtivas e a necessidade de revisão das alianças estratégicas, o que abre “desafios e oportunidades para a reinserção competitiva do Brasil”, avalia.”

É preciso ter em mente que não existe sociedade organizada, economia de mercado capitalista sem Estado. “A economia e a sociedade refletem o Estado, assim como o Estado é a expressão da sociedade.” É fato que o Estado perdulário e incompetente desorganiza a economia, “mas a solução não é asfixiá-lo, pois asfixiar o Estado é asfixiar a economia”. O objetivo e o desafio são tornar o Estado eficiente, a sua governança democrática e competente. Esta parece ser uma visão por demais otimista dos autores.

A decisão sobre os investimentos públicos e públicos-privados seria dissociada da questão orçamentária anual, consequentemente excluída do teto dos gastos, e transferida para um orçamento plurianual. “A programação de longo prazo estaria a cargo de um órgão técnico de planejamento e a velocidade de sua implementação submetida à avaliação do novo comitê de políticas macroeconômicas”, advogam os autores. A formulação e divulgação de um programa de longo prazo permitirá a mobilização de esforços públicos e privados para garantir os investimentos necessários para a reversão do processo de desindustrialização prematura da economia.

“André vem há tempos flertando com ideias bastante heterodoxas sobre política monetária. Começou com a teoria ‘neofisheriana’, segundo a qual para combater a inflação é preciso derrubar a taxa de juros”, diz um ex-dirigente do Banco Central. O próprio autor, o professor John H. Cochrane, da Universidade de Stanford, disse não recomendar que o Banco Central experimente tal caminho. “Desconselho veementemente”, disse ele ao repórter especial do Valor Alex Ribeiro, quando confrontado com o resultado das suas pesquisas. Em seguida ele migrou para a teoria monetária moderna (MMT na sigla em inglês). Em que ele argumenta que um governo que emite sua própria moeda nunca vai entrar em default. O problema é que para emitir moeda ele depende de credibilidade, senão vai depreciar a taxa de cambio e gerar inflação, que é uma forma de default. “Essa teoria é um completo non sense.”

André sugere, ainda, que o governo pode pedir dinheiro emprestado para investir. Cabe, aqui, a pergunta do que é investimento. Pensando bem, vai se concluir que “educação é investimento, assim como saúde e segurança são investimentos. Você tem que olhar o quanto de poupança o setor público está atraindo e se ele não está avançando no espaço da dívida privada. A criação de uma agência para decidir quais os investimentos serão feitos na economia “é de um dirigismo sem sentido e de um otimismo maluco”.

“Outra loucura é que ele fala com um monte de gente que não entende o que ele está dizendo, mas gosta do que está ouvindo porque lhe parece um atalho interessante. Mas a macroeconomia dele é uma biruta”, diz um outro economista.

“André cita o exemplo do Banco do Japão, que está na fase de juros zero e ameaça de deflação”, comenta esse economista que conclui que “essa é uma política que requer uma convicção de que o mercado não funciona”. Não há qualquer sinal de que o novo governo pretende fazer reformas estruturais para reduzir o custo do dinheiro no país de forma sustentável.

Valor Econômico

Hora de descer do palanque




Lula tem a missão de pacificar um país que continua a ser inflamado pelo bolsonarismo.

Por Vera Magalhães (foto)

É preciso descer do palanque. Luiz Inácio Lula da Silva precisa se despir do figurino de candidato que envergou ao longo de sucessivas eleições e se assenhorar do aparato de presidente que envergou por oito anos, mas ciente de que encarará uma realidade completamente distinta.

E Jair Bolsonaro precisa entender que perdeu as eleições de forma limpa, e o que lhe resta é governar por esses pouco menos de dois meses de mandato — algo a que vem se furtando nos últimos meses, notadamente desde o segundo turno.

O discurso de Lula nesta quinta-feira foi desastroso em mais de um aspecto. É preocupante que alguém tão experiente, diante de um país cindido ao meio, com um caos institucional instigado pessoalmente pelo atual ocupante do Palácio do Planalto e a par da delicada situação fiscal que herdará, se ponha a falar com a falta de compromisso de quem está em cima de um caminhão de som.

Ao colocar em xeque as metas de inflação, com que, diga-se, se comprometeu ao longo dos oito anos que governou, Lula ignora algo que deveria estar careca de saber: diante de um quadro de descontrole inflacionário, quem paga a conta são justamente os mais pobres, com quem selou um compromisso de campanha legitimado nas urnas por mais de 60 milhões de brasileiros.

Para cumprir essa plataforma sagrada, vitoriosa na eleição, ele não precisa, nem pode, decretar o fim da “tal” estabilidade econômica, pois sem ela só aprofundará o fosso social agravado nos quatro anos de Bolsonaro. Ele sabe disso, e seu entorno também.

Com a fala de apelo populista de que a verdadeira regra de ouro é que ninguém deve passar fome, Lula passa aos agentes econômicos e a investidores que o Brasil precisa atrair a impressão de que não está nem aí para o princípio segundo o qual o governo não pode contrair dívida para pagar despesas correntes, outro que observou quando governou. Foi uma declaração absolutamente desnecessária.

A junção do elogio da gastança à nomeação de praticamente todo o escrete petista dos governos Lula e, sobretudo, Dilma Rousseff produziu a tempestade perfeita. Lula não foi eleito por saudades do PT, e parece que essa ficha não lhe caiu ainda.

Diante disso, não adianta o presidente ainda ironizar o “nervosismo” do mercado, porque tanto essa tensão quanto a insistência de Bolsonaro em tragar as Forças Armadas para um questionamento inadmissível do resultado das eleições só contribuem para tumultuar a transição e o início de seu próprio governo. Para tirar suas promessas do papel, Lula precisará não de sua retórica inflamada, mas de uma grande concertação que acalme a fatia derrotada do eleitorado, retire o receio de quem produz, emprega e investe — e atraia o apoio do Congresso.

É isso que fará Bolsonaro recolher sua sanha golpista. O contrário só contribuirá para atiçá-la. O presidente eleito está correto em questionar o fato de os mesmos que se chocam com suas falas não verem a grande instabilidade propiciada por um presidente que abdicou de qualquer responsabilidade administrativa em nome de uma conspirata, aquartelado no Alvorada.

Cobrar a responsabilidade das Forças Armadas com seu papel constitucional não deve ser confundido, em nome dos interesses do próprio governo que se anuncia, com tripudiar sobre uma suposta “humilhação” dos militares, pois isso apenas faz com que eles se aproximem ainda mais de Bolsonaro, com quem construíram uma identificação e de quem receberam benesses e status nos últimos anos. Desmontar esse aparato que mistura perigosamente as funções institucionais das Forças com um papel político que coloca em xeque a própria democracia requer diplomacia, serenidade e inteligência. Os três atributos passaram longe do discurso palanqueiro de Lula na quinta-feira.

O Globo

Transição de onde para onde?




Discute-se como se gastará mais dinheiro necessário para pagar promessas, mas não há a mínima inquietação ainda sobre a origem desses recursos.

Por Fernando Gabeira (foto)

Apesar da resistência de alguns grupos bolsonaristas que bloquearam estradas, choraram com a prisão de Alexandre de Moraes, aclamaram a intervenção de Lady Gaga no Tribunal de Haia e acreditaram que a cantor Agnetha Faltskog, do Abba, era uma juíza sueca, apesar de tudo isso, estamos em transição. Embora saibamos que é uma transição do velho para o novo governo, não podemos afirmar precisamente de onde para onde é essa transição.

Para saber de onde, é preciso conhecer todos os dados que ainda estão sendo transferidos. Eles nos mostram o estado geral do País, depois de quatro anos de governo Bolsonaro.

Depois desse movimento, saberemos, então, para onde vamos. O novo governo não apresentou um programa. Os argumentos para isso se baseiam na própria ignorância sobre o estado real do País. De posse dessa informação, é possível que conheçamos, então, as principais políticas públicas que vão conduzir o País.

Já sabemos, por exemplo, que há uma ruptura na política ambiental destrutiva de Bolsonaro. A viagem de Lula ao Egito é uma clara indicação ao mundo de que o Brasil pretende proteger a Amazônia e voltar ao protagonismo internacional na luta contra o aquecimento global.

Essa é uma importante novidade, porque não se limita à política ambiental. Tem repercussões na economia, de um lado atraindo investimentos para projetos sustentáveis, de outro liberando investimentos em infraestrutura inibidos pela visão suicida de Bolsonaro no trato com o meio ambiente.

Abre-se o horizonte para empregos verdes, e isso pode ser um dos motores da economia nacional. Só a recuperação da área degradada na Amazônia, potencialmente, ocuparia milhares de pessoas.

Outro componente que poderia ser um dínamo em novo impulso é o avanço digital. A ampliação do acesso digital significa aumentar as possibilidades de renda dos mais pobres, sem contar a chance de estudo das crianças que estão ficando para trás no medíocre sistema de ensino brasileiro.

Mas não é só no âmbito individual que o avanço tecnológico pode abrir novos caminhos. Um governo inteligente é mais barato e eficaz. As grandes somas em ajuda social poderiam ser mais certeiramente distribuídas. A Índia economizou milhões de dólares ao implantar o número individual e cadastros eletrônicos.

Até o momento, a transição não indica nenhum rumo, exceto o do cumprimento de promessas de campanha, tais como a ajuda de R$ 600, a recomposição das verbas da merenda escolar, o Farmácia Popular e o aumento do salário mínimo.

O debate se trava em torno dos instrumentos que permitem ao governo arcar com essas despesas. Medida provisória, PEC, alteração no teto de gastos. A imprensa se dedica a analisar cada uma dessas saídas, embora a decisão final seja do governo, que sabe melhor o que lhe interessa.

Se olharmos o médio prazo, esse debate pode parecer, no fundo, um exercício de magia. Discute-se como se gastará mais dinheiro necessário para pagar promessas, mas não há a mínima inquietação ainda sobre a origem desses recursos.

No universo particular, decide-se gastar o dinheiro sem nenhuma preocupação com PECs ou medidas provisórias. A única condição é a existência do dinheiro.

Quando se trata de governo, o debate é principalmente sobre instrumentos, a existência do dinheiro fica em segundo plano.

Mas uma das interrogações sobre os futuros projetos de governo é exatamente esta: onde conseguir dinheiro para financiá-los?

Naturalmente que a chegada de dinheiro de fora e o próprio dinamismo do crescimento econômico oferecem uma resposta para aumento da arrecadação. Mas será que isso basta? Há espaço para imposto indireto? A passagem para um governo inteligente poderia ajudar. Não creio que o tema redução de gastos seja viável com o anúncio de novos ministérios e a existência de uma ampla frente que necessita de espaço no novo governo.

Toda essa reflexão sobre financiamento parece extemporânea. No entanto, creio que nasce daí a primeira grande condição para a sobrevivência de uma frente democrática.

Sem resolver esse problema, caímos num processo inflacionário, abrindo uma brecha para o retorno das forças rechaçadas pelas eleições.

O que está acontecendo nos EUA é muito significativo. Houve um debate sobre aborto e pensou-se que ele seria decisivo nas eleições parlamentares que se realizam agora. Mas logo se constatou o problema central que certamente ameaçou o poder dos democratas: a inflação.

Como os EUA passaram por um processo semelhante ao nosso, com a vitória sobre Trump, é possível definir a inflação como um grande fator de instabilidade política. Não me refiro apenas às perdas reais no poder de compra, mas também à capacidade de provocar a volta de forças de oposição que, usando temas econômicos, podem retomar seu trabalho de desmonte das instituições democráticas.

Na campanha que se encerrou, Bolsonaro centrou sua tática na pauta de costumes. Ainda assim, as dificuldades econômicas minaram seu prestígio. Certamente, a extrema direita aprendeu a lição. Resta saber se as forças democráticas analisam dessa forma ou se, a esta altura, já se colocaram este remoto problema da volta dos derrotados de 2022

O Estado de São Paulo

Covid-19: infectologistas defendem volta das máscaras e mais vacinação

 




A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) defendeu, nesta sexta-feira (11), o incremento da vacinação, a volta do uso de máscaras e outras medidas para evitar que o cenário atual de alta nos casos de covid-19 traga um possível aumento de internações, superlotação nos hospitais e mais mortes no futuro.

A entidade divulgou nota técnica de alerta, elaborada por seu Comitê Científico de Covid-19 e Infecções Respiratórias e assinada pelo presidente da SBI, Alberto Chebabo.

“Pelo menos em quatro estados da federação, já se verifica com preocupação uma tendência de curva em aceleração importante de casos novos de infecção pelo SARS-COV-2 quando comparado com o mês anterior”, diz o texto, baseado nos dados divulgados ontem (10) no Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz.

A SBI alerta que o cenário é decorrente da subvariante Ômicron BQ.1 e outras variantes e pede que o Ministério da Saúde, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tenham atenção especial às medidas sugeridas. 

O primeiro ponto levantado pela sociedade científica é que é preciso incrementar as taxas de vacinação contra a covid-19, principalmente nas diferentes doses de reforço. A SBI avalia que as coberturas se encontram, todas, em níveis ainda insatisfatórios nos públicos-alvo.

Os infectologistas recomendam também garantir a aquisição de doses suficientes de vacina para imunizar todas as crianças de 6 meses a 5 anos de idade, independente da presença de comorbidades. Até o momento, a vacinação da faixa de 6 meses a 3 anos ainda está restrita a crianças com comorbidades, e o Ministério da Saúde iniciou ontem (10) a distribuição de 1 milhão de doses de vacinas destinadas a elas.

A SBI também pede a rápida aprovação e acesso às vacinas covid-19 bivalentes de segunda geração, atualizadas com as novas variantes, que estão atualmente em análise pela Anvisa. Procurada pela Agência Brasil, a agência respondeu que os processos estão em fase final de análise, e é esperado que a deliberação ocorra em breve, embora não haja uma data fixada para isso.

“A Agência Nacional de Vigilância Sanitária continua trabalhando na análise dos pedidos de uso emergencial das novas versões de vacina contra a covid-19 do laboratório Pfizer contendo as subvariantes BA.1 e BA.4 /BA.5. Os processos passaram pelas etapas de análise dos dados submetidos à agência, questionamentos da agência e esclarecimentos dos fabricantes, bem como discussão com sociedades médicas brasileiras. A equipe técnica da agência já recebeu os pareceres de especialistas das sociedades médicas sobre ambas as vacinas bivalentes da Pfizer”, detalhou a Anvisa.

O quarto ponto levantado pelos infectologistas é a necessidade de disponibilizar nas redes pública e privada as medicações já aprovadas pela Anvisa para o tratamento e prevenção da covid-19, como o paxlovid e o molnupiravir, medida que ainda não se concretizou após mais de seis meses da licença para esses fármacos no Brasil, ressalta a SBI. A Agência Brasil perguntou ao Ministério da Saúde se essas medicações já estão disponíveis, mas não recebeu resposta até o fechamento desta reportagem.

O quinto ponto diz respeito às medidas de prevenção chamadas não farmacológicas. A SBI defende a volta do uso de máscaras e do distanciamento social para evitar situações de aglomeração, principalmente pela população mais vulnerável, como idosos e imunossuprimidos.

A SBI pede que as medidas sugeridas sejam tomadas com brevidade, para otimizar as tecnologias de prevenção e tratamento já disponíveis e reduzir a chance de um possível impacto futuro de óbitos e superlotação dos serviços de saúde públicos e privados por casos graves de covid-19.

Agência Brasil / Dinheiro Rural

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