Patrocinador do apoio do MDB a Lula, senador criticou PEC da Transição e afirmou que proposta constitucionaliza o orçamento secreto
Por Lucyenne Landim
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) cobrou do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a definição de nomes que irão coordenar as áreas relacionadas à Economia, Política e Defesa no futuro governo. O petista tem evitado adiantar sua equipe e disse que só irá montar nomes a partir do fim da próxima semana, quando retornar de viagem ao Egito e Portugal.
Patrocinar do apoio do MDB à campanha de Lula e indicado pelo partido para o conselho político da equipe de transição, Renan criticou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) articulada para garantir recursos para serviços considerados essenciais pelao futuro governo. Entre eles, a manutenção da parcela de R$ 600 do Auxílio Brasil - que deve voltar a ser chamado de Bolsa Família - com R$ 150 extras para crianças de até seis anos.
Na avaliação de Renan, "há caminhos alternativos" à PEC que, se apresentada e aprovada, agirá "constitucionalizando o orçamento secreto". "Gestos são sagrados na política. É prudente cortar na raiz fricções com mercado, militares e a política. Aliança com o Centrão apavora porque sinaliza descompromisso na política fiscal, imprevisibilidade e vai na contramão das urnas", disse o senador.
"A PEC constitucionalizando o orçamento secreto abre um espaço fiscal de 1 trilhão e libera imediatamente 7,9 bloqueados. O Congresso entrega previamente a responsabilidade de fiscalizar o reequilíbrio fiscal", acrescentou.
"Há caminhos alternativos através de MPs, créditos extraordinários e no próprio orçamento. Sem falar na eleição para presidência da CD que impedirá a punição dos criminosos.Seria prudente indicar coordenadores para Economia, Política e Defesa", completou Renan por meio do Twitter.
A previsão é que o texto da PEC seja apresentado na próxima quarta-feira (16). A análise irá começar pelo Senado Federal. O senador eleito Wellington Dias (PT-PI), que faz a interlocução da PEC com o Parlamento, informou nesta sexta-feira (11) que o texto ainda está em estudo. De acordo com ele, a proposta deve ter um valor de R$ 175 bilhões e a duração de que seja válida por quatro anos é estudada.
O Tempo
