sexta-feira, outubro 21, 2022

Dados preocupantes - Editorial




Cenário global, juros altos e incertezas fiscais prenunciam dificuldades em 2023

A economia brasileira padece de baixo crescimento desde o início da década passada —e o momento atual, embora mais favorável que o da maior parte desse período, não pode ser encarado como o início de uma recuperação duradoura.

As projeções de mercado para a expansão do Produto Interno Bruto neste ano, hoje, rondam os 2,7%. Trata-se de uma taxa surpreendentemente favorável diante das expectativas iniciais de crescimento zero ou mesmo recessão, mas está longe de ser um resultado animador para um país de renda média.

Ademais, os cálculos mais consensuais apontam para um avanço de não mais que 0,6% em 2023, quando se inicia o próximo governo. A se confirmarem as previsões, o país estaria de volta ao padrão de quase estagnação que se observava antes do impacto devastador da pandemia sobre a atividade de indústria, serviços e agropecuária.

Divulgado na segunda-feira (17), o índice do Banco Central que procura reunir os desempenhos de todos esses setores —chamado de IBC-Br e uma espécie de sinalizador de tendência do PIB— mostrou queda aguda de 1,13% em agosto, na leitura mais recente.

Não se pode tomar o dado de apenas um mês como prova de que a economia já deixou a rota de melhora, inclusive porque o crescimento de julho foi revisado para cima, de 1,17% para 1,67%. Cumpre apontar, de todo modo, os riscos que rondam a retomada.

O cenário global, do qual dependem as exportações e os investimentos estrangeiros, é adverso. Juros estão em alta para o combate à inflação, com ameaças de recessão nos EUA e na Europa. Aqui mesmo, o impacto da alta da taxa do BC ainda se fará sentir.

Não menos importante, há grande incerteza sobre como o próximo governo, qualquer que seja o vencedor da eleição presidencial, lidará com o descalabro orçamentário produzido pela gastança eleitoreira de Jair Bolsonaro (PL).

O próprio presidente, mesmo tendo indicado a continuidade de seu ministro da Economia em caso de novo mandato, ainda não foi capaz de apresentar um Orçamento que contemple a permanência de todos os benefícios sociais criados e prometidos na campanha.

A tergiversação do oponente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a pobreza do debate na disputa presidencial alimentam as dúvidas e desestimulam os investimentos essenciais para que o país enfim deixe o marasmo econômico.

Folha de São Paulo

Jacaré preguiçoso




Tudo indica que o próximo presidente será definido no photochart, mas estamos assistindo ao maior escândalo de abuso do poder econômico e político já visto em eleições

Por Merval Pereira (foto)

A pergunta de um milhão de dólares (talvez valha até mais) é da antiga, porém atualíssima, piada política eternizada por Marco Maciel, ex-vice de Fernando Henrique e político de respeito de Pernambuco. Numa de suas disputas majoritárias, o marqueteiro disse a ele, satisfeito, que as curvas dele e do adversário estavam se cruzando, a sua ascendente, a do outro descendente. Maciel calmamente perguntou:

— Elas se cruzarão antes ou depois da eleição? Quando as curvas vão se aproximando, diz-se no jargão das pesquisas eleitorais que “a boca do jacaré está se fechando”. É o que parece estar acontecendo na disputa entre o presidente Bolsonaro e o ex-presidente Lula, mas esse jacaré é um tanto preguiçoso, fecha a boca devagarinho, pontinho a pontinho. No momento já existe um empate técnico no limite da margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Como os institutos de pesquisas fazem questão de ressaltar, pela primeira vez em anos, que o resultado não é um prognóstico, mas uma fotografia da realidade no momento em que são realizadas, não há mais favoritismo na corrida presidencial. Essa situação deve-se a que os eleitores estão obrigados a escolher entre os dois candidatos mais rejeitados da campanha, uma situação instável que pode ser abalada por qualquer movimento de última hora. Mesmo que 94% dos pesquisados declarem não pretender mudar de voto, tanto em Lula quanto em Bolsonaro.

É inegável que estamos assistindo ao maior escândalo de abuso do poder econômico e político a favor de um incumbente já visto desde os tempos da República Velha. Bolsonaro criou tal clima de suspeição contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que se tornou inimputável. Por muito menos já se cassou o mandato de prefeitos e governadores eleitos, e isso poderá vir a acontecer caso Bolsonaro se reeleja, mas só que tarde demais.

Os processos do TSE são lentíssimos. Basta lembrar que a ação de abuso econômico do candidato do PSDB em 2014, Aécio Neves, que perdeu a eleição por uma margem mínima (51,64% para Dilma e 48,36% para ele, diferença de 3,4 milhões de votos), foi julgada tanto tempo depois que Dilma já havia sido impedida pelo Congresso, e o vice Michel Temer governava.

No momento, segundo as pesquisas, a diferença entre Bolsonaro e Lula é semelhante, e tudo indica que a decisão será no photochart, a favor de um ou de outro. Isso nos traz uma preocupação adicional: será que o presidente Bolsonaro, perdendo por uma margem estreita, aceitará o resultado ou tentará melar a eleição alegando fraude, como vem insistindo em acusar? E Lula, perdendo nas mesmas circunstâncias, como reagirá?

Certamente entrará no TSE com uma ação de abuso de poder contra Bolsonaro, com excesso de provas a apoiá-lo. Mas o TSE estará em condições de dar uma resposta rápida a uma crise institucional tão grave? A postura do Ministério da Defesa em relação ao relatório sobre as urnas eletrônicas é um sinal de alerta. O ministro, general Paulo Sérgio Nogueira, recuou do compromisso que assumira com o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, e não entregou o relatório sobre o primeiro turno. Disse que somente depois do segundo turno terá uma visão geral da questão.

Essa atitude afrontosa foi tomada, tudo indica, por pressão do presidente Bolsonaro, que quer manter essa espada de Dâmocles suspensa sobre a cabeça de Moraes, diga-se da Justiça Eleitoral. Melhor seria se o TSE tocasse a vida dentro da normalidade, deixando o Ministério da Defesa de lado. Não entregando o relatório que ameaçara fazer, ficaria claro que os técnicos militares não encontraram nada. Agora, o relatório volta a ser uma arma contra a higidez do processo eleitoral, a ser usada caso o resultado não seja favorável ao presidente.

O que impressiona é como as Forças Armadas cedem a todos os desejos de Bolsonaro, colocando-se como seus agentes políticos, o que é uma ameaça à democracia. Seja qual for o resultado, Bolsonaro já conseguiu ampliar os limites de sua atuação além dos marcos legais e ficou imune a sanções mais graves. Reeleito, se sentirá mais forte para apertar o controle das instituições, inclusive o STF.

Um Congresso como o eleito agora, presidido pelo deputado Arthur Lira, não terá pudores para cercear os poderes fiscalizadores que ameaçam a predominância de políticos fisiológicos e corruptos. É o que tentam fazer com as pesquisas eleitorais. A reviravolta já está acontecendo, “com Supremo, com tudo”, como dissera o ex-senador Romero Jucá, alvo de diversos processos e punido pelo voto.

O Globo

O peso das memórias




Não funcionou a tática das duas campanhas de apelar ao esquecimento

Por William Waack (foto)

Na fase final da corrida eleitoral as campanhas se dedicam também à supressão de duas memórias coletivas. Ambas de altíssimo conteúdo emocional.

Por parte de Lula, é a tentativa de apagar da recente memória coletiva os enormes escândalos de corrupção do período petista. Esforço até aqui malsucedido: a rejeição de Lula subiu nas últimas semanas.

Por parte de Bolsonaro, é a tentativa de apagar da recente memória coletiva a dor e o sofrimento trazidos pela pandemia. São sentimentos de forte impacto sobretudo no eleitorado feminino. Esforço também malsucedido: a rejeição de Bolsonaro “melhorou”, mas continua superior à de Lula.

O que explica o empenho de duas campanhas profissionais em tentar relativizar acontecimentos bastante recentes de tamanhas amplitude e relevância?

Provavelmente o apego à convicção, nos operadores políticos profissionais, de que a essência da política é fazer a própria narrativa prevalecer, impedindo que a do adversário se sobreponha. Isso é tão velho quanto a política, mas parece ter assumido significância ainda maior no atual “espírito de nossa época”, que é o da criação de “fatos alternativos”.

O problema é o choque dessas táticas político-eleitorais com a realidade, pois parecem ter apostado numa monumental dissonância cognitiva coletiva. As duas campanhas aparentemente menosprezaram o peso de acontecimentos históricos cujo alcance se mostrou bem superior à capacidade de gerar “fatos alternativos”, mesmo com a predominância de redes sociais.

No caso de Lula, é o fato de que uma enorme parcela da população enxerga a corrupção como o pior problema do País e viu na Lava Jato uma resposta aos poderosos que sempre escapavam da Justiça. Ela não é vista como simplesmente uma operação policial ou vingança contra Lula: é encarada como evento a ser celebrado, não importa que erros possa ter cometido.

No caso de Bolsonaro, os mortos da pandemia pesam não só pelos números horríveis, mas, sobretudo, pela gritante falta de empatia frente ao sofrimento de centenas de milhares de famílias. É algo tão profundo, esse tipo de sentimento, que mal se consegue expressar em palavras – mas a rejeição é o sintoma. Ela traduz a falta do gesto de carinho, do abraço, da lágrima dividida com quem perdeu alguém.

É claro que na decisão do eleitor impactam fatores comuns a qualquer eleição em qualquer lugar, tais como economia, ideologias, valores, religião. E tudo se funde num tipo de emoção, em geral de esperança. No caso do Brasil, prevalece o medo. Nenhuma das duas campanhas conseguiu escapar da frase “teu passado te condena”.

O Estado de São Paulo

Liberdade. Democracia. Estado de Direito.




Não estamos na frente de batalha, não temos familiares a morrer por nós, morrem os ucranianos, mas estamos em guerra. Uma guerra tem muitas frentes. A nossa é económica e contra a recessão democrática. 

Por Eugénia de Vasconcellos 

Em nome da liberdade, da democracia e pelo Estado de direito combate-se e morre-se na Ucrânia. Por estes valores, que são os nossos, levantados pela civilização ocidental e conquistados no fio de séculos, o povo ucraniano recebeu o prémio Sakharov.

Em simultâneo, nos Estados Unidos, uma sondagem revela que 71% dos eleitores considera que a democracia está em perigo, mas a sua preservação não é uma prioridade. Não se combate nem se morre pela democracia – que importância tem aquilo que não se preserva nem defende? Esta avaliação foi feita nesta altura em que se aproximam as eleições intercalares norte-americanas. Prevê-se a vitória dos Democratas no Senado por uma curtíssima margem, e dos Republicanos por uma margem confortável na Câmara dos Representantes. Estas eleições que nos parecem longínquas são também sobre o destino da ordem internacional. Ordem que vimos chegar ao fim neste tempo de advento de uma ordem desconhecida ainda.

A fortíssima ala trumpista, pró-russa, que está a deteriorar os valores conservadores e democráticos do Partido Republicano, e o faz até à inconstitucionalidade, não patrocinará a defesa da Ucrânia, assim tenha poder para isso – Kevin McCarthy, líder da oposição na Câmara dos Representantes, foi explícito quando referiu o «fim do cheque em branco». É um indicador. Há outra ala republicana a lutar pela dominância partidária. Mas o facto permanece: sem o patrocínio norte-americano bem podemos continuar na Europa a fechar cada discurso oficial com a frase «apoiaremos a Ucrânia durante o tempo que for», a maioria dos meios não são nossos. Cometemos na Europa erros grosseiros, do desinvestimento na NATO à desindustrialização e à super-dependência energética da Rússia, e este rosário já desfiado de culpas de nada servirá se não emendarmos a mão. Kevin McCarthy é só um dos porta-vozes e amplificadores de uma forma de vida em que o Estado de Direito empalidece quando comparado com o poder per si. Na realidade, o que defende são os princípios putinistas. Como ele, infelizmente, também na Europa, uma fatia enorme de eleitorado subalterniza o valor da democracia; não apenas o eleitorado capturado pelos movimentos populistas de direita, também o eleitorado jovem de extrema esquerda, como o sondado nas eleições francesas, os apoiantes de Mélenchon.

Vivemos o tempo duríssimo da transição de algo conhecido para algo que desconhecemos.

É preciso dizer a verdade. Estamos em guerra. Nós, ocidente, estamos em guerra. Não estamos na frente de batalha, não são os nossos familiares que estão a morrer por nós, são os ucranianos, mas estamos em guerra. Uma guerra tem muitas frentes. A nossa é económica, de desinformação e de fractura social, visa a recessão democrática. E não a estamos a ganhar.

Acabámos de assistir, incrédulos, às declarações de Elon Musk. Decerto com as melhores intenções, mas Elon Musk vem propor a agenda de Putin, os seus termos e a sua mundivisão. E como afirmou Fiona Hill, numa entrevista ao Politico que aconselho muitíssimo, fá-lo a partir de um lugar de poder enquanto reduz a intervenção diplomática – todos temos conhecimento da importância dos seus satélites para os soldados ucranianos; dos seus mais de cem milhões de seguidores no Twitter e do peso desse número, da Tesla e da Space X, na opinião pública. Também por situações como esta, é preciso dizer: estamos em guerra pela liberdade, pela democracia, pelo Estado de direito.

Às declarações pró-putinistas do lado MAGA do Partido Republicano; às declarações de Kissinger e de Musk, intermediários de peso ao gosto de Putin; às dos ditos pacifistas que subsidiam a Nova Rússia como subsidiariam o próprio diabo logo ele fosse anti-americano; juntam-se as de uma certa Europa representada na voz de Órban – amplificador de uma direita populista e anti-democrática que se faz passar por conservadora e democrata.

A clareza convém-nos: na Rússia putinista defende-se o frio, a fome, a doença e o exílio para submeter os ucranianos. 

Observador (PT)

Provas da Faroeste são compartilhadas com TCE por indícios de irregularidades em licitação no TJ-BA

 Sexta, 21 de Outubro de 2022 - 07:45


por Cláudia Cardozo

Provas da Faroeste são compartilhadas com TCE por indícios de irregularidades em licitação no TJ-BA
Foto: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias

O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), vai compartilhar provas obtidas na Operação Faroeste com o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA). As provas da Ação Penal 940, a primeira originada após a deflagração da operação, foram requisitadas pelo TCE diante de indícios de irregularidades em licitações no ano de 2017, quando o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) era presidido pela desembargadora Maria do Socorro, investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal.

 

O compartilhamento das provas teve aval do MPF por haver elementos que permitirão o conhecimento se houve irregularidades administrativas durante a gestão da desembargadora. Por conta dos indícios de irregularidades, até este ano de 2022, as contas do TJ-BA referentes ao ano de 2017 ainda não foram aprovadas. Os pareceres indicam a possibilidade de aprovação com ressalvas. Atualmente, o processo de prestação de contas do TCE está suspenso. O relator é o conselheiro Antônio Honorato.


IRREGULARIDADES

O TCE realizou inspeção in loco no TJ-BA no início do ano de 2018 para coletar informações que permitiram a seleção das áreas a serem auditadas, com vistas à verificação da regularidade da execução orçamentária, financeira e patrimonial; dos controles internos; e das disposições legais para prestação de contas. Na época, o orçamento total do TJ-BA era de R$ 2,4 bilhões, sendo 78% empenhados para despesa com pessoal.


Naquele ano, o TJ-BA realizou 149 procedimentos licitatórios, sendo nove concorrências, 11 tomadas de preços, 116 pregões e 133 convites, que totalizaram R$ 260,2 milhões. Em termos de contratações diretas, foram concluídas 4.399 com dispensa de licitação, sendo 4.338 de pequeno valor. Sobre as inexigibilidades, foram concluídas 65, totalizando empenho de R$ 28,1 milhões.


Após a auditoria, foram encontradas divergências dos quantitativos de dispensas e inexigibilidades apresentados na prestação de contas, como ausência de avaliação quanto à gestão orçamentária do TJ-BA, observando aspectos da eficácia, eficiência, economia e efetividade. Foram relatadas ainda inobservâncias dos limites legais de acréscimos nas alterações contratuais. O TJ havia indicado que os valores aditados eram referentes a três contratos. que estariam dentro do limite legal, de 25% para obras de construção e 50% para reformas, como previsto pela Lei nº 8.666/1993. Entretanto, segundo o TCE, ficou evidente que os valores foram superiores ao limite legal.


A principal irregularidade foi constatada no Pregão Eletrônico nº 085/2017 para formar uma ata de registro de preço para contratação de Sistema Integrado de Segurança (SIS), no valor de R$ 37,3 milhões, sem realização de estudos e análises preliminares para embasar o Termo de Referência do edital. Para o TCE, não foram apresentados elementos essenciais requeridos na fase interna da licitação, o que tornaria a contratação irregular.


A auditoria do TCE constatou um direcionamento da licitação, e que a base do edital foi elaborada por oficiais da Assistência Militar, com considerações específicas técnicas consideradas mínimas para hardwares e softwares, inclusive com exigência de marca e de declaração de solidariedade do fabricante, “sem qualquer respaldo ou fundamento técnico, sem evidência de aderência à demanda efetiva, e sem a análise e avaliação pela área técnica, Secretaria de Tecnologia, Informação e Modernização (SETIM), indicando a restrição à competitividade e o direcionamento da contratação”.


A auditoria observou que houve previsão de pagamento total do contrato antes do cumprimento integral do objeto. O edital previu o pagamento de R$ 20,9 milhões a partir do recebimento provisório dos equipamentos, sem considerar a prestação de serviço, como instalação e configuração de infraestrutura para implantação do SIS em todas as unidades do tribunal. O ato se configurou para os auditores do TCE “como risco de não adimplemento do contrato, e, consequente, prejuízo aos cofres públicos, ainda mais, quando considerado o valor envolvido”.


Outra irregularidade apontada seria uma “burla” ao orçamento público com o uso inadequado do Sistema de Registro de Preço, através do procedimento licitatório na modalidade pregão para formação de ata de registro de preço, quando, na verdade, se enquadrava como licitação tipo técnica e preço. O TCE frisou que o procedimento teve como objetivo dar celeridade à contratação, sem estudos técnicos prévios. Também acrescentou que não houve pesquisa de mercado e que as bases dos valores utilizados na licitação “estão eivadas de vícios”.


O TCE pontuou que o objeto contratado, por abranger solução de Tecnologia da Informação e Comunicação, requer, sempre, a avaliação de uma área técnica, com projeto detalhado, quando se considera a complexidade dos itens especificados, como sistemas de cabeamento estruturado até equipamentos como switches, responsáveis pela conexão dos dispositivos de rede. O pregão chegou a ser questionado em um mandado de segurança no TCE para que fosse declarado nulo, que ainda tramita no tribunal de contas. O contrato foi firmado com a empresa Megatech Controls Comércio e Serviços, com pagamento realizado no ano de 2018, já tendo sofrido um aditivo no valor de R$ 786 mil. A auditoria indicou que havia propostas com preços menores na disputa, conforme indicado na ata da sessão pública. Em defesa prévia, o Núcleo de Licitação do TJ-BA informou que era impossível os preços das propostas serem parametrizados com os registrados na Secretaria da Administração do Estado (Saeb).


Outra irregularidade observada foi em duas dispensas de licitação para contratação de serviços de limpeza e conservação, com fornecimento de materiais, nas unidades do TJ-BA, pelo período de quatro meses.


A auditoria ainda detectou fragilidades no acompanhamento e fiscalização de um contrato; inconsistências nas demonstrações contábeis; fragilidade no controle patrimonial; demora na nomeação de fiscais de contratos; inobservância dos limites legais de acréscimos nas alterações contratuais; vedação à participação de Empresas Consorciadas sem a devida motivação; entre outras.


O Ministério Público de Contas emitiu um parecer pela aprovação das contas de 2017 com ressalvas pelas irregularidades constatadas pela auditoria. O órgão opinou pela suspensão do processo de contas até o julgamento da medida cautelar que versa sobre a licitação da Megatech. 

 

RECOMENDAÇÕES

A auditoria do TCE chegou a recomendar ao TJ-BA que adotasse medidas para sanear as irregularidades apontadas, e determinou que o tribunal, em licitações futuras, “se abstenha de firmar termos aditivos acima dos limites definidos em lei, observando a jurisprudência atual do TCU quanto à impossibilidade de compensação entre acréscimos e supressões”.


PREJUÍZO

Devido a licitação irregular do TJ-BA com a empresa Megatech, a auditoria do TCE constatou que houve um prejuízo para os cofres públicos no valor de R$ 635 mil por diferença nos preços praticados no contrato, como detalhado a seguir:


a) Uma diferença, a maior, no preço total de 10 unidades do Painel de Visualização, no valor de R$ 35.799,20, o equivalente a 104,67%;

b) Uma diferença, a maior, no preço total de 05 unidades do Nobreak de 10 Kva, de R$ 457.420,50, o equivalente a 678,01%; e

c) Uma diferença, a maior, no preço total de 05 unidades de Switch Core, de R$ 142.435,65, o equivalente a 793,59%. 


O TJ-BA, ao TCE, informou que o caso já estava resolvido perante o órgão, “não existindo qualquer dúvida sobre a regularidade dos atos realizados pelos departamentos técnicos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia”. Entretanto, o TCE diz que a afirmação “não condiz com o resultado das auditorias realizadas”.

 

Em 2018, a defesa da desembargadora Maria do Socorro afirmou que os apontamentos da auditoria se constituíram como meras ressalvas à plenitude das contas prestadas. A defesa afirmou que “as supostas irregularidades foram enfrentadas de forma clara e objetiva no âmago daquele processo, não existindo qualquer dúvida sobre a regularidade dos atos realizados pelos departamentos técnicos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia”.

 

A defesa asseverou que a Comissão de Segurança do TJ-BA recomendou a abertura do processo licitatório em caráter de urgência para para aquisição de equipamentos de segurança, em razão das Unidades do Poder Judiciário Baiano estarem desprovidas de qualquer item de segurança tanto na Capital quanto no interior, conforme despacho do Desembargador Presidente da referida Comissão. Na época, a comissão era presidida pelo desembargador Gesivaldo Britto.

 

A desembargadora Maria do Socorro, através de sua advogada na época constituída, declarou que os prédios “estavam comprovadamente desprotegidos”. Foi detalhado que o serviço de monitoramento “consiste em captura de imagens e emissão de alertas de ocorrências de acordo com a área dos prédios”. “O TJ-BA estava com uma necessidade de segurança e um meio para resolver, e sob estas premissas elaborou o Termo de Referência”, justificou. O termo teria sido elaborado a partir de um estudo de demanda, que “está amplamente comprovado nos autos daquele processo”.  A defesa afirma que o termo de referência do pregão eletrônico é semelhante a outros processos licitatórios desta natureza e que, por serem equipamentos fabricados em escala para o mercado, “obedecem a padrões técnicos inclusive em suas fichas descritivas, não havendo, data vênia, em momento algum indicativo de marca dos produtos a serem contratados”. Foram contratados equipamentos como câmeras, gravadores, monitores e sensores.

 

Em 2021, pelo fato da desembargadora ter estado presa na época, a defesa pediu sobrestamento do processo de prestação de contas, por estar privada de liberdade, em decorrência de decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ),r elator das ações penais originadas na Operação Faroeste. Por conta disso, a defesa perante o TCE estaria prejudicada. Houve pareceres favoráveis à suspensão da prestação de contas até a soltura de Maria do Socorro.

 

Ao Bahia Notícias, o TJ-BA respondeu alguns questionamentos sobre o processo de prestação de contas e o contrato com a Megatech.  O TJ afirma que sempre "presta todas as informações solicitadas pela Corte de Contas em todas as auditorias realizadas", e que disponibiliza em seu site institucional o andamento processual de cada Prestação de Contas. Afirmou que sempre envida esforços para "cumprir os apontamentos trazidos pela Corte de Contas desde o recebimento dos Relatórios de Auditoria de modo a respeitar os Princípios Constitucionais bem como os Princípios basilares da Administração Pública sempre com o objetivo finalístico de maximizar a qualidade, a eficiência e a eficácia e amplitude do acesso à Justiça para todos". O TJ ainda informou que o contrato com a Megatech já foi encerrado, com todo pagamento realizado, e que o serviço foi completamente efetuado.

Bahia Notícias

VÍDEO: Deputado bolsonarista diz que universitários merecem ser queimados vivos

 Sexta, 21 de Outubro de 2022 - 09:20

por Redação

VÍDEO: Deputado bolsonarista diz que universitários merecem ser queimados vivos
Foto: Reprodução Redes Sociais

O deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) atacou estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) que protestaram contra cortes de verbas nas universidades públicas e a favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O parlamentar cita um trecho do filme Tropa de Elite durante seu discurso.


“Sabe o que aconteceu? Olha o filme um. Pegaram aqueles coitadinhos, aqueles riquinhos ajudando pobre, se deram mal, queimaram vivos dentro de pneus”, disse o deputado.


Em 2013, 242 pessoas morreram na capital gaúcha, na tragédia do incêndio na Boate Kiss. Mais de 100 jovens entre as vítimas eram estudantes da UFSM. Outros 636 jovens ficaram feridos.


Bibo Nunes discursa contra os estudantes, a quem caracteriza como pessoas que não querem “trabalhar, ir à luta, estudar para vencer na vida” e “sempre dependeram da mesada do papai e da mamãe”.


“Vocês são a vergonha, a escória do mundo. Vocês têm que viver no lixo, no esgoto, porque vocês produzem nada”, diz o deputado.

 

No Facebook, em resposta, o parlamentar afirmou que sua fala foi deturpada covardemente e editada e também criticou uma matéria feita pelo jornal Zero Hora sobre o caso.

 

Com informações do portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias. Veja o vídeo:

 

Bolsonaro desdenha da fome| Sertanejo causa vergonha alheia| Família doa cérebro de Eder Jofre

 

EM DESTAQUE
Bolsonaro: Se tem alguém passando fome, é muito fácil se inscrever no Auxílio
05:10 - 21 DE OUTUBRO DE 2022
Bolsonaro: Se tem alguém passando fome, é muito fácil se inscrever no Auxílio
Morre o empresário Olavo Monteiro de Carvalho
05:20 - 21 DE OUTUBRO DE 2022
Morre o empresário Olavo Monteiro de Carvalho
A 'mulher ideal', diz Fernando Zor, 'Não pode ser ciumenta, nem muito gorda'
04:30 - 21 DE OUTUBRO DE 2022
A 'mulher ideal', diz Fernando Zor, 'Não pode ser ciumenta, nem muito gorda'
Salário mínimo no Brasil é o segundo menor entre 31 países, mostra OCDE
06:35 - 21 DE OUTUBRO DE 2022
Salário mínimo no Brasil é o segundo menor entre 31 países, mostra OCDE
Apoio à democracia atinge recorde no Brasil às portas do 2º turno, mostra Datafolha
05:25 - 21 DE OUTUBRO DE 2022
Apoio à democracia atinge recorde no Brasil às portas do 2º turno, mostra Datafolha
Família doa cérebro de Eder Jofre para estudo sobre demência pugilista
05:54 - 21 DE OUTUBRO DE 2022
Família doa cérebro de Eder Jofre para estudo sobre demência pugilista
Indígena de 5 anos é estuprada em São Vicente, no litoral de SP
04:45 - 21 DE OUTUBRO DE 2022
Indígena de 5 anos é estuprada em São Vicente, no litoral de SP
Trabalhar horas e horas em cargos estressantes aumenta risco de depressão
05:39 - 21 DE OUTUBRO DE 2022
Trabalhar horas e horas em cargos estressantes aumenta risco de depressão
Será mais fácil organizar videochamadas com a nova opção do WhatsApp
05:50 - 21 DE OUTUBRO DE 2022
Será mais fácil organizar videochamadas com a nova opção do WhatsApp

Uma bomba relógio no colo do futuro governador

 em 21 out, 2022 8:15

Adiberto de Souza


É bom o futuro governador de Sergipe botar as barbas de molho, pois uma enorme bomba relógio está prontinha para cair em seu colo. Essa advertência foi feita por ninguém menos do que o atual gestor estadual Belivaldo Chagas (PSD). Segundo ele, embora tenha sido eleito com o slogan “chegou pra resolver”, não conseguiu encontrar soluções para os intrincados problemas da Fundação Hospitalar de Saúde. Criada no governo do falecido Marcelo Déda (PT), que teve em sua primeira gestão Rogério Carvalho como secretário da Saúde, a Fundação é um problemão que vem sendo empurrado com a barriga pelo Executivo. Conforme Belivaldo, o futuro governador terá que encontrar a saída que ele e sua equipe não conseguiram nos quatro anos de mandato. O pior é que uma possível implosão dessa estrutura administrativa obrigaria o Estado a pagar milhões em indenizações, além de afetar diretamente a saúde estadual, em particular o funcionamento do Hospital de Urgência Governador João Alves Filho. Seria bom que antes das eleições o candidato a governador petista Rogério Carvalho explicasse como pretende solucionar tão intrincada questão, já que tudo começou quando o PT mandava na saúde em Sergipe. Home vôte!

Da política para a polícia

Definitivamente, o ex-deputado federal Valdevan Noventa (PL) trocou as páginas políticas pelas policiais. Ontem mesmo, a imponente fazenda do fidalgo no interior de Sergipe, foi cercada logo cedo por policiais de carros e helicóptero. Sob o comando do delegado paulista Roberto Monteiro, os agentes da lei deram um baculejo na propriedade à procura de provas que comprovem denúncias de desvios de dinheiro do Sindicato dos Motoristas de São Paulo, comandado por Valdevan e seus amigos. Da vez anterior que baculejou a fazenda, a Polícia paulista apreendeu 50 cavalos de raça, relógios de luxo, carros sem registro e 160 cestas básicas. Misericórdia!
Cabeça a cabeça

Pesquisa do Ipec (antigo Ibope) encomendada pela TV Sergipe e divulgada ontem, mostra o candidato a governador Rogério Carvalho (PT) com 43% das intenções de votos, enquanto o seu adversário Fábio Mitidieri (PSD) aparece com 40%. considerando a margem de erro de 3% para mais ou para menos, ambos estão tecnicamente empatados. Brancos e nulos ainda são 11% e os indecisos 7%. O nível de confiança da consulta é de 95%. Foram ouvidas 800 pessoas entre os últimos dias 18 e 20, em 32 municípios. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sob protocolo Nº SE-07256/2022 Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR‐06379/2022. Então, tá!

Escolheu o mais votado

O governador Belivaldo Chagas (PSD) decidiu manter no cargo, pelos próximos dois anos, o procurador-geral de Justiça Manoel Cabral Machado Neto. O ilustre foi o mais votado na lista tríplice composta por ele e pelos promotores Nilzir Soares Vieira Junior e Etélio de Carvalho Prado Junior. Há dois anos, Chagas também escolheu o atual procurador por ter sido o mais votado entre os promotores que disputaram vaga na lista tríplice. Manoel Cabral Machado Neto tem 45 anos, é sergipano e está no Ministério Público Estadual há 19 anos, tendo atuado nos municípios de Cedro de São João, Lagarto e Nossa Senhora do Socorro. Boa sorte na nova empreitada!

Sangue novo na PM

Evento solene marcou, ontem, a formatura de 33 integrantes da segunda turma de aspirantes da Polícia Militar de Sergipe, batizada de “Major Manoel Alves de Oliveira Santos”. Com mais este grupo, a PM chega a 61 oficiais formados do concurso em vigor, de um total de 164 convocados para o oficialato. Entre soldados e oficiais, a atual gestão estadual já chamou 1.371 homens e mulheres, que chegaram para renovar as fileiras da nossa briosa Polícia Militar. Em frente, marche!
Cadeia de rádio

As rádios comunitárias de Sergipe vão formar um pool para transmitir entrevistas com os candidatos a governador Fábio Mitidieri (PSD) e Rogério Carvalho (PT), respectivamente, nos próximos dias 25 e 26. As sabatinas com os dois postulantes ao governo acontecerão às 12h30 e serão transmitidas por mais de 30 emissoras sergipanas, sob a coordenação da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias. Rogério e Fábio vão ser entrevistados no estúdio da Rádio Comunitária Jubileu FM, em Aracaju. Marminino!

Terra de pés juntos

O Ministério Público de Sergipe ajuizou ação exigindo o cumprimento de sentença que obriga a Prefeitura de Aracaju a interditar os cemitérios clandestinos da capital, regularizar o licenciamento ambiental do Cemitério São João Batista e construir um novo campo santo na cidade. A gestão do prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) informou que a exigência feita pelo MPE “será objeto de reunião com os órgãos envolvidos”. Ressalte-se que, diante da lotação dos cemitérios públicos, quem tem recursos opta por sepultar os parentes no particular Colina da Saudade. Pessoas pobres também costumam providenciar os enterros de familiares em cidades do interior. Só Jesus na causa!

Síndrome de Odorico

Desde o sucesso da novela global “O Bem Amado”, há quase meio século, nenhum prefeito de Aracaju se dispôs a construir um novo cemitério. Temem repetir a saga do personagem central da trama, Odorico Paraguaçu, que foi o primeiro defunto sepultado no cemitério construído por ele na imaginária cidade de Sucupira. O último campo santo edificado em Aracaju foi o Colina da Saudade, em 2003, e assim mesmo pela iniciativa privada. O superlotado Cemitério São João Batista foi construído na década de 60 pelo então prefeito Conrado de Araújo (PTB). Já faz muito tempo, né? Danôsse!

Gazeteiros denunciados

O esvaziamento da Câmara de Aracaju foi denunciado pela vereadora Emília Corrêa (Patriotas). Segundo ela, em todas as campanhas eleitorais as sessões ordinárias ficam esvaziadas, provocando a falta de quórum para a realização dos trabalhos. “Muitos priorizam os outros afazeres e não cumprem o principal dever. Está errado”, discursa. A distinta ressalta que os vereadores são pagos pelo povo e devem honrar os seus compromissos. Por fim, Emília lembrou que mesmo tendo sido candidata a vice-gvernadora, sempre participou tanto das sessões quanto das reuniões na Câmara Municipal. Certíssima!

Catraca livre

O prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) decretou a gratuidade do transporte público em Aracaju no próximo dia 30, data do 2º turno das eleições. A medida segue decisão do Supremo Tribunal Federal, que autorizou as prefeituras e concessionárias a oferecerem tarifa zero sem que isto configure prática de improbidade administrativa ou crime eleitoral. Segundo Edvaldo, o seu decreto visa garantir que todos os residentes da capital tenham condição de votar e eleger quem considerem mais preparado para cuidar dos destinos de Sergipe e do Brasil. Ah, bom!

Filosofia de Britto

Do sergipano Carlos Ayres de Britto, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal, sobre o Dia do Poeta, comemorado ontem: “Música é a fala mais bonita do som. Poesia é o som mais bonito da fala.”. Supimpa!

Recorte de jornal

Publicado no jornal aracajuano Diário da Manhã, em 24 de janeiro de 1919.
Esta coluna é publicada pelos seguintes sites: Destaquenotícias, Infonet, Faxaju, Luxoaju, Leiamaisba, Espaço Vivre e no Jornal Zona Sul.

INFONET

Em destaque

A bomba que abalou a candidatura de Flávio Bolsonaro

Publicado em 15 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Flávio cobrou repasses milionários de Vorcaro Pedro ...

Mais visitadas