sexta-feira, outubro 21, 2022

Lula: dos males o menor, para evitar o pior.

em 21 out, 2022 4:01 

Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça
                           “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.


Artigo do economista Roberto Macedo (UFMG, USP E HARVARD) e consultor econômico e de ensino superior publicado no Estadão, ontem, 20:


No primeiro turno, votei em Simone Tebet. No segundo, votarei em Lula, que ela apoia, o que é um bom sinal. Bolsonaro desgoverna sob vários aspectos: entre eles, é grosseiro no trato pessoal, não raciocina bem, fala coisas como “imbrochável” e “pintou um clima”, descuidou da educação, da saúde, do meio ambiente, e nunca buscou seriamente o crescimento econômico de que o País tanto carece. É, também, descuidado com as finanças públicas. Medidas que tomou, em particular no fim do mandato, como a PEC Kamikaze, tiveram viés populista e eleitoreiro, como numa tentativa de comprar votos. E deixará pesado ônus fiscal para Lula, ou para si mesmo, se ficar.

Suas trapalhadas recentes foram, como de hábito, chocantes. Compareceu a vários eventos de olho em aparecer no noticiário, mas tropeçando no mau comportamento. Foi à Inglaterra dar pêsames ao novo rei Charles III, pela morte da rainha Elizabeth II, mas sorriu ao fazer isso e também tocou no príncipe, como numa confraternização social. E usou o prédio público da embaixada brasileira em Londres num comício para apoiadores. No dia de Nossa Senhora Aparecida, foi ao santuário dela para aparecer numa multidão de católicos, misturando religião com política, e acompanhado de uma claque que ofendeu romeiros e até o bispo local. A propósito, o art. 208 do Código Penal fala sobre “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso. Pena: detenção, de um mês a um ano, ou multa. Parágrafo único – se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência”.

Na economia, que, como economista, acompanho mais de perto, é fato que em 2022 ela cresceu mais do que o previsto no início do ano, e ele atribui a si todo o mérito, mas ignora que o forte alívio da pandemia da covid-19 fez os consumidores voltarem às compras, puxando o desempenho do setor de serviços, principal responsável pela melhoria. Conseguiu reduzir o preço dos combustíveis, mas os preços de alimentos, que importam mais para os pobres, permanecem bem acima da inflação média, apurada pelo IPCA.

Também pesou na recuperação o fato, pouco percebido, de que de janeiro até setembro deste ano os saques da poupança superaram depósitos em R$ 91,1 bilhões de reais (!), um recorde. Segundo o Banco Central, em 2021 essa captação líquida negativa já vinha acontecendo, alcançando a cifra de R$ 35,5 bilhões, e no biênio anterior, também apresentado nesse relatório, ela havia sido positiva, particularmente em 2020.

Mas numa eleição a questão mais importante é a política, e é nesse aspecto que está a maior ameaça bolsonarista. Despreza a democracia, ataca suas instituições e pensa em golpes de Estado até contra si mesmo, pois seus vices – em 2018 e, agora, em 2022 – são militares, pelo temor de que, se fossem políticos, poderiam traí-lo. Suas insanas críticas às urnas eletrônicas me levaram a estudar o assunto, com a ajuda de minha filha Cristiana, que é mesária. Antes do início da votação, é impressa pela urna a chamada lista zerézima, que prova não haver registro de votação. E, ao fim, é impresso o boletim de urna, com os votos de cada candidato. A urna não é ligada à internet, e, assim, é imune a hackers. A auditoria do total de votos pode ser feita somando os votos desses boletins finais. E ponto final. O resto é conversa fiada.

E Lula? Se se imprimissem seus pecados políticos, administrativos e comportamentais, viria uma lista extensa, mas o Judiciário o autorizou a ser candidato e ele exerce o direito de sê-lo. Mas Lula tem também um enorme mérito, que é o mais relevante neste momento. É muitíssimo democrata, esteve oito anos no poder, nunca o vi criticar as urnas eletrônicas, nunca gerou crises institucionais nem propôs aumentar o número de juízes do Supremo Tribunal Federal para nomear novos e conseguir maioria de apoiadores, como flerta o atual presidente, que tem forte viés autocrata.

Lula colocou como seu vice um político experiente, Geraldo Alckmin, que já foi deputado federal e governador do Estado de São Paulo por vários mandatos. Essa parceria de dois ex-adversários estranhou muita gente, mas no mundo da política não causa surpresa. Em Portugal, por exemplo, nas eleições de 2015 houve a insólita combinação de um partido de centro-esquerda com três da esquerda radical, que ficou conhecida como geringonça, com conotação positiva. Assim, a aliança entre Lula e Alckmin é como se fosse uma geringonça à brasileira.

Meu voto em Lula não será incondicional. Se eleito, acompanharei seu governo e cobrarei falhas, em particular se não seguir o que venho defendendo neste espaço: um plano de governo que busque o crescimento econômico mais acelerado, e que este seja ambientalmente sustentável, socialmente inclusivo, com efetiva governança do Estado – o que exigirá reformas –, e maior inserção internacional do País.

 

Esclarecimento Sedurbs A  respeito da nota Alerta ao Governo do Estado!, publicada em vosso conceituado blog, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade (Sedurbs) esclarece que a tela de nylon instalada na via e paralela à edificação tem como objetivo garantir a segurança dos pedestres, e justamente fazer com que eles trafeguem no espaço entre ela e os tapumes, e não pela via. A Sedurbs ressalta que já  fez a instalação de placas de sinalização a fim de que os transeuntes ao passar pelo local trafeguem pelo espaço correto. Quanto ao andamento da obra, a empresa responsável pela execução está em fase de mobilização, implantação de canteiro e finalizando a elaboração do projeto de reforço estrutural do prédio, o qual deve ser aprovado para o início dos trabalhos.

Falta de respeito do Cinemark Riomar E o blog recebeu uma denúncia que na última quarta-feira, na sessão das 14h50 – filme A Mulher do Rei – sala 04 do Cinemark do Shopping Riomar o ar condicionado não estava ligado. A gerência não tomou providências nem avisou os clientes sobre um possível problema. A quem recorrer?

Polícia de SP cumpre mandados em SE para apurar desvios em sindicato Infonet: A Polícia Civil de São Paulo deflagrou mais uma fase da Operação Chapelier, que investiga desvios de recursos no Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (SindMotoristas), que tinha como presidente o ex-deputado federal Valdevan Noventa. A ação policial, que acontece nesta quinta-feira (20) e cumpre mandados de busca e apreensão, ocorre em Umbaúba e Aracaju.

Organização criminosa De acordo com o delegado Fábio Darelli, da Polícia Civil de São Paulo, o objetivo da operação é a coleta de novas provas do desvio feito por meio do sindicato, quando Vendaval era o presidente. “A ideia é colher mais provas e elementos para comprovar essa organização criminosa que tomou conta do Sindicato de Motoristas e Cobradores de São Paulo”, detalhou.

Recursos desviados para campanha O delegado também reiterou que a atuação desse grupo criminoso também gera impacto em Sergipe. “Até porque Valdevan era uma pessoa desconhecida em Sergipe até 2016. Apesar de ter suas origens no estado. Ele voltou utilizando recursos públicos desviados, fez a campanha dele e acabou sendo cassado, por utilizar recursos ilegais. A Justiça Eleitoral considerou inelegível e está com os direitos políticos suspensos”, relembrou Monteiro. Toda matéria aqui da Infonet, inclusive com nota da assessoria de Valdevan.

“O PT Sergipe aceita todos os diabos”. Desabafo de um histórico militante e fundador do partido  E após a nova operação da policia de SP em Sergipe, um petista histórico, que hoje não está engajado na campanha, embora peça voto para Lula, sabendo que o titular deste blog faz referência sempre ao professor Marcelo Déda e o legado deixado por ele disparou: “O PT Sergipe aceita todos os diabos, mesmo depois da operação e da cassação do mandato de Valdevan, Rogério posou com ele para foto como se fosse um apoio normal, quando na verdade a polícia já tinha dito que ele tem ligação com uma organização criminosa. Déda tinha seus princípios éticos e jamais aceitaria apoio deste indivíduo.” Primeiro o petista disse que poderia ser identificado, mas depois pediu reserva por conta de familiares que ainda estão na labuta diária em Sergipe.

 

 

 

 

Lagarto: Hilda Ribeiro é criticada pelo eleitorado lagartense após pedir voto em Bolsonaro Deu no site “O Bolo é Grande”: Na quarta-feira, 19, a prefeita de Lagarto, Hilda Ribeiro, através da rede social Twitter, pediu votos aos lagartenses para Bolsonaro. “Minha gente, eu quero reafirmar e reforçar o pedido: para que no próximo dia 30, vocês votem no nosso presidente @jairbolsonaro. Para que o País, o Estado, mas especialmente a nossa cidade continue avançando. Vamos Juntos!”, escreveu Hilda. A publicação foi compartilhada no Instagram de uma página de notícias do município de Lagarto, e já contabiliza mais de mil comentários, em sua maioria, criticando Hilda Ribeiro. “Quais são esses avanços, senhora Hilda?”, perguntou um internauta. Outro disse: “Avançando só se for pra você”. “Nunca vamos fazer isso, vá esperando”, afirmou uma seguidora da página.

 

 

Governo Municipal de Capela reúne municípios para tratar sobre o Hospital de Referências de Cirurgias Com o propósito de dar andamento ao planejamento do fluxo de regulação e debater sobre os procedimentos necessários para dar celeridade à organização das demandas do Hospital de Referências Cirúrgicas Nossa Senhora da Purificação, o Governo Municipal de Capela realizou uma reunião na quarta, 19 de outubro, com representantes das Secretarias Municipais de Saúde que compõem a Regional de Saúde de Nossa Senhora do Socorro, da qual o município faz parte.

Debate Segundo a prefeita Silvany Mamlak, a reunião possibilitou um importante debate sobre o funcionamento da unidade de saúde. “Os secretários e representantes dos municípios puderam tirar as dúvidas e saíram daqui com todas as informações para que a população da nossa região possa usufruir dos serviços desse importante equipamento de saúde. E ontem, 20, serão realizadas as primeiras cirurgias no nosso Hospital, uma alegria sem tamanho”, completa.

Comodidade Para o Secretário da Saúde de Nossa Senhora das Dores é uma grande satisfação ter um estabelecimento de saúde desse dentro da regional. “É um prazer ter um equipamento assim aqui do nosso lado, na nossa cidade vizinha. Tenho certeza que teremos mais comodidade, segurança, conforto e acessibilidade a todos os pacientes da nossa região”, relata.

Procedimentos Mensalmente, o Hospital realizará 120 procedimentos de médio porte e 80 pequenas cirurgias em uma estrutura que conta com 33 leitos totalmente equipados, seguindo todas as regras de segurança como preconiza o Ministério da Saúde. Ao final da reunião, os participantes realizaram uma visita ao Hospital e puderam ver de perto como estão as instalações da unidade que irá oferecer assistência em saúde aos seus munícipes.

Presenças Estiveram presentes os representantes das Secretarias Municipais da Saúde de Capela, Japaratuba, Pirambu, Siriri, Nossa Senhora das Dores, Maruim, Rosário do Catete, General Maynard, Santo Amaro, além do diretor presidente do Hospital Amparo de Maria, Max Carvalho, o diretor geral do Hospital Nossa Senhora da Purificação, Romildo Júnior, e o cirurgião, Roberto Borges.

Praia de Abaís/Estância: ato de ordem de serviço visando urbanização do acesso  Um antigo pleito dos moradores e freqüentadores da Praia de Abais foi atendido na tarde da terça-feira, 18, com a ordem de serviço assinada pelo governador do Estado, Belivaldo Chagas (PSD).

Trecho O trecho que será atendido limita-se de Zé do Baião à orla da praia. Este receberá pavimentação asfáltica, pintura, pavimentação em paralelepípedo dos acessos laterais, arborização, rampas de acessibilidade, sinalização vertical e horizontal, ciclovia, iluminação de led; um investimento superior a R$3,6 milhões.

 Projeto  “É um belíssimo projeto de transformação da praia do Abaís. Eu vi o projeto, confesso que é muito bonito! Este momento para mim é extremamente gratificante de estar na condição de prefeito, em puder realizar um sonho dos moradores, das lideranças daqui da região; esse sonho tem um valor imensurável”, salientou o prefeito Gilson Andrade.  “Belivaldo, o meu muito obrigado por a sua gestão ter esse olhar especial pelo nosso litoral. Quando cheguei para você e pedi que olhasse com carinho esse pleito, você não prometeu, disse vamos ver; e hoje esse sonho se torna realidade”, sublinhou Gilson Andrade.

 Conforto e segurança De acordo com o governador, o objetivo é levar conforto e segurança para as pessoas que utilizam o espaço e incentivar a prática esportiva, com a oferta de melhores condições à qualidade de vida da população, além de impulsionar o turismo local, trazendo mais desenvolvimento para a região. “Eu não gosto de prometer, eu gosto é de resolver! Comece logo a obra, pois quanto mais rápido você começar, mais rápido recebe o dinheiro”, disse o governador ao responsável pela empresa que venceu a licitação.

Brasília: Yandra Moura é recebida por quatro ministros e discute propostas apresentadas em campanha A deputada federal mais votada de Sergipe, Yandra Moura (União), foi até Brasília e participou de reunião com os deputados eleitos pelo União Brasil e realizou uma série de visitas aos ministérios. Esta foi a primeira agenda de Yandra na capital federal como deputada federal eleita. 

Programas e projetos O objetivo da visita aos ministérios foi buscar informações sobre programas e projetos do Poder Executivo que já estão em andamento no Congresso Nacional. “O meu trabalho já começou. Na primeira agenda como deputada eleita, visitei os ministérios para conhecer o trabalho desenvolvido e o funcionamento de todo Congresso Nacional, além de conversar sobre as propostas que pretendo apresentar quando assumir o cargo de deputada federal”, explicou. 

Metas Na Câmara dos Deputados, Yandra Moura participou de uma reunião com os deputados federais eleitos pelo seu partido, o União Brasil, e também de um almoço oferecido pelo presidente nacional da sigla, o deputado federal reeleito, Luciano Bivar. “Esta foi uma ótima iniciativa, a reunião da bancada federal aproxima todos os eleitos e inicia a construção das metas a serem alcançadas em favor do partido na Câmara”, acrescentou a deputada, que também foi recebida pelo presidente da Casa, o deputado Arthur Lira, Yandra recebeu felicitações pelo novo mandato e o desejo de sucesso. 

Audiências Durante a visita aos ministérios, a deputada eleita foi recebida pela Ministra de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Cristiane Britto, pelo Ministro de Estado da Cidadania, Ronaldo Vieira Bento; pelo Ministro-Chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, Célio Faria Júnior; pelo Ministro do Turismo, Carlos Alberto Gomes de Brito e pelo Secretário Executivo da Presidência da República, Carlos Henrique Menezes Sobral.

 Apoio decisivo O deputado federal e senador eleito Laércio Oliveira (PP) afirmou  ontem, 20, durante entrevista para a Rádio Fan FM, que todo o agrupamento político vem trabalhando bastante para a vitória de Fábio Mitidieiri (PSD) neste segundo turno. Laércio disse que é nítido o crescimento da sua campanha. “Cada um está fazendo a sua parte, trabalhando e ajudando. Só ontem eu fui em quatro municípios”, afirmou.

Novas adesões A confiança na vitória aumenta com a chegada de novas adesões todos os dias. O público evangélico é um exemplo. Os cristãos, que votaram em massa no primeiro turno para Valmir de Francisquinho, agora estão com Fábio Mitidieiri. A avaliação de Laércio é que houve uma migração dos eleitores que na sua esmagadora maioria votam no presidente Jair Bolsonaro e não aceitam uma aliança com a esquerda.

 Voto em Valmir e Bolsonaro indo para Fábio “Essa é uma realidade: muita gente que votava em Valmir, a grande maioria vota em Bolsonaro e não apoia o PT e não anula o voto. É assim com a igreja, que de uma forma geral toda ela hoje declara apoio a Fabio Mitidieri. Eu fui um dos condutores dessa articulação. E esses apoios a gente tem visto em diversos outros setores importantes do eleitorado. Isso criou um cenário muito positivo”, avaliou Laércio.

Rádios Comunitárias de Sergipe, fazem transmissão simultânea de entrevistas com os candidatos ao governo de Sergipe A Associação Brasileira de Rádios Comunitárias do estado – Abraço/SE, vai realizar nos dias 25 e 26 de outubro, sabatina com os candidatos ao governo de Sergipe, com transmissão simultânea por mais de 30 emissoras de rádios comunitárias. No dia 25 de outubro, a partir das 12:30, a Abraço recebe o candidato do PSD, Fábio Mitidieri. no dia 26 de outubro, também às 12:30, será a vez o candidato do PT, Rogério Carvalho.

Pauta regionalizada Pretende-se que a pauta apresentada aos candidatos seja regionalizada e, para tanto, esta vem sendo construída com a participação de todas as radcoms parceiras, com o objetivo de contemplar as principais demandas levantadas pelas suas comunidades no dia-a-dia de suas programações. Outra temática que será explorada, é o segmento de radiodifusão comunitária do estado.

As sabatinas vão ocorrer na capital, nos estúdios da Rádio Comunitária Jubileu FM, bairro Grageru, Aracaju, sendo transmitida pelo canal da emissora no YouTube, e por mais de 30 emissoras distribuídas em todas as regiões de Sergipe.

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Feitiço identitário volta-se contra feiticeiros no Reino Unido e também aqui no Brasil

Publicado em 20 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

A premier com o ex-ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng

Demétrio Magnoli
Folha

O gabinete original britânico da primeira-ministra Liz Truss condensava os sonhos mais extremos dos ideólogos das políticas identitárias. No seu núcleo, as “Grandes Pastas de Estado”, não figurava nenhum homem branco. O (agora demitido) ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, é negro, filho de imigrantes de Gana. A mãe de James Cleverly, ministro do Exterior, também negro, imigrou da Serra Leoa. A ministra do Interior, Suella Braverman, é negra, filha de imigrantes africanos.

A descrição identitária não deve ocultar a descrição política. Truss formou o governo britânico mais conservador e sectário desde o pós-guerra. São leninistas da direita, segundo a Economist. Na economia, seguem uma cartilha ultraliberal de alegadas raízes thatcheristas. Na política, uma cartilha antieuropeísta e xenófoba apoiada na nostalgia da “Pequena Inglaterra”.

AQUI NO BRASIL – O feitiço identitário volta-se contra os feiticeiros — e não só na distante ilha de Shakespeare. Entre os deputados federais eleitos no Brasil, a maioria absoluta dos autodeclarados negros pertence a partidos da coalizão de Bolsonaro, com destaque para PL, Republicanos e PP. No Senado, entre os seis eleitos que se declaram negros, quatro pertencem a partidos bolsonaristas.

“Negro vota em negro”, clamaram ativistas do identitarismo racial. Ninguém sabe se a campanha funcionou, pois o voto é secreto. Sabe-se, contudo, sem erro, que cor e ideologia andam em trilhos separados.

Os porta-vozes da política identitária ficaram confusos diante do gabinete ultraidentitário de Truss, mas escolheram criticá-lo nos termos da linguagem identitária. “Não é suficiente ser negro ou de uma minoria étnica; representação não é isso”, fulminou um deputado da esquerda trabalhista. Tradução: negros que pensam diferente de mim não representam os negros.

INSULTO HABITUAL – Por aqui, sempre vamos além. “Os tais candidatos negros de direita são negros mesmo?”, tuitou o Instituto Luiz Gama, presidido por Silvio Almeida. O insulto habitual é aplicar ao negro “errado” o rótulo de “capataz da Casa Grande”.

No caso, porém, inaugura-se o procedimento revolucionário de expropriação de cor: o negro que não concorda com as políticas de raça nem negro será. Logo, alguém se levantará para cassar a identidade étnica da indígena bolsonarista Silvia Waiãpi, eleita deputada pelo Amapá.

O “voto identitário” não funcionou, do ponto de vista da esquerda. Mas qual será o efeito eleitoral mais amplo das políticas identitárias?

EXEMPLO AMERICANO – Nos EUA, ao longo de décadas, ajudaram a empurrar a maioria dos brancos para o Partido Republicano – e já transferem votos das minorias.

Trump, o republicano mais à direita desde Barry Goldwater (1964), incrementou sua parcela do voto hispânico entre 2016 e 2020 (29% a 32%, a maior de um republicano desde 2004) e até do voto negro (8% a 12%, a maior de um republicano desde 1980). Lá, a esquerda identitária amplia o eleitorado da direita nacionalista e antidemocrática.

Há indícios de que algo similar ocorre no Brasil. A direita bolsonarista replica o discurso identitário, mas com um ajuste crucial, operando com signos de identidade que apelam à unidade: a religião (“somos todos filhos de Deus”) e a pátria (“todos somos brasileiros”).

COTAS NO CONGRESSO – A estratégia revela-se mais eficiente que a proposição de fragmentar os cidadãos em grupos raciais condenados ao conflito perene. Como atestam o gabinete de Liz Truss e a bancada negra bolsonarista, nada disso impede a incorporação dos adereços do identitarismo racial.

Nossos parlamentares negros de direita não promoverão a reforma das polícias ou direitos universais à saúde e educação.

Mesmo assim, a esquerda identitária tem algo a comemorar: eles não votarão contra a eternização das cotas raciais nas universidades — e, por interesse próprio, ajudarão a estendê-las para a distribuição de cadeiras no Congresso.

Na campanha, Lula e Bolsonaro disputam a eleição e o troféu “O passado te condena”


Como foi o debate da Band entre Lula e Bolsonaro no segundo turno

No segundo turno, sobraram dois candidatos de ficha suja

William Waack
Estadão

Na fase final da corrida eleitoral, as campanhas se dedicam também à supressão de duas memórias coletivas. Ambas de altíssimo conteúdo emocional. Por parte de Lula, é a tentativa de apagar da recente memória coletiva os enormes escândalos de corrupção do período petista. Esforço até aqui malsucedido: a rejeição de Lula subiu nas últimas semanas.

Por parte de Bolsonaro, é a tentativa de apagar da recente memória coletiva a dor e o sofrimento trazidos pela pandemia. São sentimentos de forte impacto sobretudo no eleitorado feminino. Esforço também malsucedido: a rejeição de Bolsonaro “melhorou”, mas continua superior à de Lula.

POR QUE ISSO? – O que explica o empenho de duas campanhas profissionais em tentar relativizar acontecimentos bastante recentes de tamanhas amplitude e relevância?

Provavelmente o apego à convicção, nos operadores políticos profissionais, de que a essência da política é fazer a própria narrativa prevalecer, impedindo que a do adversário se sobreponha. Isso é tão velho quanto a política, mas parece ter assumido significância ainda maior no atual “espírito de nossa época”, que é o da criação de “fatos alternativos”.

O problema é o choque dessas táticas político-eleitorais com a realidade, pois parecem ter apostado numa monumental dissonância cognitiva coletiva. As duas campanhas aparentemente menosprezaram o peso de acontecimentos históricos cujo alcance se mostrou bem superior à capacidade de gerar “fatos alternativos”, mesmo com a predominância de redes sociais.

MARCADO PELA CORRUPÇÃO – No caso de Lula, é o fato de que uma enorme parcela da população enxerga a corrupção como o pior problema do País e viu na Lava Jato uma resposta aos poderosos que sempre escapavam da Justiça. Ela não é vista como simplesmente uma operação policial ou vingança contra Lula: é encarada como evento a ser celebrado, não importa que erros possa ter cometido.

No caso de Bolsonaro, os mortos da pandemia pesam não só pelos números horríveis, mas, sobretudo, pela gritante falta de empatia frente ao sofrimento de centenas de milhares de famílias. É algo tão profundo, esse tipo de sentimento, que mal se consegue expressar em palavras – mas a rejeição é o sintoma. Ela traduz a falta do gesto de carinho, do abraço, da lágrima dividida com quem perdeu alguém.

É claro que na decisão do eleitor impactam fatores comuns a qualquer eleição em qualquer lugar, tais como economia, ideologias, valores, religião. E tudo se funde num tipo de emoção, em geral de esperança. No caso do Brasil, prevalece o medo. Nenhuma das duas campanhas conseguiu escapar da frase “teu passado te condena”.

Datafolha indica que Lula mantém a dianteira em plena reta final da campanha

Publicado em 21 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Nando Motta (brasil247.com)

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha divulgada na noite de quarta-feira pela GloboNews revela que Lula mantém a dianteira em plena reta final da campanha por 49 pontos a 45, o que significa o estreitamento da margem de 5% para 4%, resultado de um avanço de Jair Bolsonaro. A pesquisa foi comentada por Luã Marinatto, O Globo, e Igor Gielow, Folha de S. Paulo.

Nas tendências por segmento social, na faixa de um a dois salários mínimos, Lula lidera por 57% contra 37%. Na faixa de mais de dez salários mínimos, Bolsonaro tem 55 pontos e Lula 41. Novamente o levantamento deixou de focalizar os que recebem de dois a cinco e entre cinco a dez pisos salariais.

MUDANÇA NA LEI – A margem de vantagem de Lula se estreita ao contrário do avanço de Bolsonaro, mas é preciso considerar que o ministro Paulo Guedes, excelente reportagem de Idiana Tomazelli e Juliana Sofia, Folha de S. Paulo, elabora um projeto para mudar a lei do salário mínimo que é também a lei que corrige as aposentadorias e pensões do INSS, com base na inflação do ano anterior, registrada pelo IBGE.

Essa medida só seria proposta no caso da reeleição de Bolsonaro. Em matéria de absurdo com reflexos no voto do dia 30, a ideia de Paulo Guedes não poderia ser pior, sobretudo porque teria que alterar a lei do salário mínimo e sua vinculação às aposentadorias e pensões. Incrível.

O tema certamente será objeto dos debates no final da campanha política e deve integrar o debate do dia 28 entre Lula e Bolsonaro na TV Globo. O ministro Paulo Guedes é um homem que volta permanentemente o seu pensamento não para a redistribuição, mas para a concentração de renda.

SOMBRA SOBRE AS URNAS –  Respondendo ao ministro Alexandre de Moraes que cobrou o relatório das Forças Armadas sobre as urnas eletrônicas, o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, respondeu que enviará o relatório ao TSE após o segundo turno das eleições. Na minha opinião, deixou evidente que projetou uma nova sombra a respeito dos resultados finais. Sua resposta está destacada em matéria de Mariana Muniz, O Globo desta quinta-feira.

A atitude do general Paulo Sérgio Nogueira causa surpresa, pois a indagação que se encontrava sob análise refere-se ao funcionamento do sistema eleitoral no primeiro turno, quando não se encontrou de parte de setor algum, inclusive das Forças Armadas, nenhuma restrição ao processo. Transferindo o relatório do primeiro para o segundo turno, fica no ar uma atitude inspirada em posição assumida pelo presidente da República.

Afinal de contas, por que a condicionante do ministro da defesa? Além do mais, uma coisa não substitui a outra. Podem existir duas opiniões, a relativa ao primeiro turno e a que vier se referir ao desfecho final. Por qual motivo, o ministro da Defesa deslocou a questão para o segundo turno? Há a suposição de que o posicionamento final do Exército encontra-se na dependência da derrota ou vitória de Jair Bolsonaro.

DIREITO DE RESPOSTA – Enquanto uma avalanche de fake news ocupa as redes sociais da internet, como reconheceu o ministro Alexandre de Moraes, o Tribunal Superior Eleitoral concedeu direito de resposta a Lula por ter sido atacado e considerado corrupto em peças de propaganda veiculadas no horário eleitoral.

Mariana Muniz, em reportagem no O Globo de ontem, focaliza o episódio e acentua que a campanha de Bolsonaro perdeu 184 inserções na televisão, praticamente a metade dos espaços publicitários que possui nessa reta final. O direito de resposta, que é assegurado pela Lei de Imprensa, reduziria o espaço relativo ao presidente da República de 400 para 216 inserções.

O ministro Paulo de Tarso Sanseverino e a ministra Maria Cláudia Bucchianeri consideraram que as condenações lembradas pelo bolsonarismo foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, inclusive – acrescente-se pelo fato de o STF ter considerado parcial o julgamento do ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Como já escrevi em artigos anteriores, o direito de resposta configura-se também como a arma mais efetiva contra as fake news divulgadas pela rede da internet.


quinta-feira, outubro 20, 2022

Pesquisa Ipec: Rogério tem 43% e Fábio 40% das intenções de voto

 

em 20 out, 2022 21:11

(Foto: redes sociais)

Uma pesquisa do Ipec encomendada pela TV Sergipe e divulgada na noite desta quinta-feira, 20, apontou que Rogério Carvalho (PT) tem 43% e Fábio Mitidieri (PSD) tem 40% das intenções de voto para o governo de Sergipe no segundo turno das eleições. A partir dos resultados, a pesquisa aponta um empate técnico entre os candidatos considerando a margem de erro de 3 pontos percentuais.

A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 20 de outubro em 32 municípios sergipanos. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sob protocolo Nº SE – 07256/2022 Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR ‐ 06379/2022.

Votos válidos (quando são excluídos os votos brancos, nulos e indecisos)

Rogério Carvalho (PT): 51%
Fábio (PSD): 49%

PESQUISA ESPONTÂNEA (QUANDO OS NOMES DOS CANDIDATOS NÃO SÃO APRESENTADOS)

Votos Totais

Rogério Carvalho (PT): 30%
Fábio (PSD): 29%
Outros: 3%
Branco/nulo: 15%
Não sabe/preferem não opinar: 22%

Expectativa de vitória (independente da intenção de voto)

Rogério Carvalho (PT): 49%
Fábio (PSD): 37%
Não sabem ou preferem não opinar: 14%
(A soma dos percentuais pode não totalizar 100% em decorrência de arredondamentos)

Com informações do G1 Sergipe

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Bolsonaro cometeu erros na semana passada, mas Lula não soube capitalizar o momento

Publicado em 20 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

Bolsonaro não poderá tocar em Lula no debate da Globo; veja as regras

Descontraído, Bolsonaro conseguiu amortecer Lula na TV

Eliane Cantanhêde
Estadão

Se a semana passada foi péssima para o presidente Jair Bolsonaro, esta começou mal para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e essa montanha-russa das eleições acirra os ânimos na reta final até o dia 30, com expectativa de mais fake news e jogo sujo. Muita calma nessa hora, minha gente.

Especialista em dar tiro no pé e no peito, Bolsonaro fez feio no Círio (não Sírio…) de Nazaré, fez pior ainda em Aparecida e ele e seus seguidores não param de açoitar a Igreja Católica e pressionar fiéis evangélicos. E a agenda foi incompreensível. Comício no Recife um dia antes de Lula, que teve 66% de votos em Pernambuco? E a ida a Fortaleza, se Lula teve o mesmo índice no Ceará?

PINTOU UM CLIMA – Para fechar a semana, depois da “revelação” grotesca até de estupros de bebês em Tapajós (PA), feita pela senadora eleita Damares Alves, ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos (?), veio mais um de tantos vídeos aterrorizantes de Bolsonaro. Neste, o presidente fala que, numa motociata, “pintou um clima” com venezuelanas de 14 anos. Mundo cão…

O tempo abriu para Bolsonaro no domingo, que começou com uma live tentando justificar o injustificável, evoluiu para a decisão, vejam só, do ministro Alexandre de Moraes tirando o vídeo sobre as adolescentes do ar e terminou com o presidente bem treinado para o primeiro debate do segundo turno, e com Sérgio Moro de troféu.

Líder da campanha, Lula tinha tido bons momentos no Rio e em quatro Estados do Nordeste. Mas sofreu um revés com a decisão de Moraes, teve de ignorar a história das adolescentes, atrapalhou-se nas perguntas óbvias sobre corrupção e, pior, deu quase seis minutos de graça para Bolsonaro no horário nobre da TV aberta.

CHANCES DESPERDIÇADAS – Lula comeu muitos “s” e desperdiçou várias chances de reagir e atacar. Não lembrou que Bolsonaro teve os quatro piores ministros da Educação da história, nem que Nelson Jobim, o melhor ministro da Defesa até hoje, não é “companheiro” da esquerda e do PT.

Também esqueceu as rachadinhas, 51 apartamentos comprados com dinheiro vivo, queda da vacinação contra a pólio e, na boa resposta sobre o Complexo do Alemão e os “traficantes”, não citou a condecoração da família Bolsonaro a um líder das milícias no Rio, depois morto pela polícia. São fatos.

Diz o pragmatismo que, em debates, o empate está de bom tamanho para quem está na frente, mas o que está atrás tem de vencer, e por nocaute. Sei não. Em eleições polarizadas, nervosas, nunca é bom titubear em ocasiões decisivas. Debates passam, mas erros e acertos viralizam na internet, ao gosto do freguês, e chegam às urnas.

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