domingo, junho 26, 2022

Pesquisadora descobre floresta fossilizada de 290 milhões de anos




Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) possibilitou à ciência abrir uma janela para viajar no tempo e estudar uma floresta composta por 164 árvores de cerca de 290 milhões de anos, quando o mundo começava a ter os continentes divididos, em uma transição da deriva continental entre os períodos do megacontinente Pangeia e o antigo paleocontinente Gondwana.

A floresta era formada por árvores de uma linhagem chamada licófitas de Ortigueira, plantas que mediam até 18 metros e cresciam em áreas frequentemente inundadas por água salgada.

A descoberta, feita durante uma pesquisa de doutorado da estudante do Programa de Pós-Graduação em Geologia da UFPR Thammy Ellin Mottin, foi publicada no periódico Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology.

Em nota publicada pela federal do Paraná, a pesquisadora diz que as árvores encontradas fossilizadas “estão preservadas dentro da rocha da exata maneira em que viviam”, guardando as características de um ecossistema que existia há cerca de 290 milhões de anos.

Posição original

Thammy acrescenta que os fósseis encontrados apresentam plantas preservadas na posição original (vertical), o que é considerado algo extremamente raro, “especialmente no paleocontinente Gondwana”.

Segundo a UFPR, até hoje, só há relato de mais dois locais com plantas da linhagem preservadas desta forma. Um desses locais é na Patagônia argentina e outro, no Rio Grande do Sul, “regiões em que o número de licófitas é bem menor e cujos caules se encontram deformados verticalmente”.

De acordo nota divulgada pela universidade, as licófitas de Ortigueira recém-descobertas não estão comprimidas como as de outros lugares, o que permite “uma reconstrução da planta com mais fidelidade”, proporcionando noções mais precisas sobre como essas árvores eram distribuídas no terreno, bem como sobre a quantidade de plantas por hectare, a relação delas entre si e sua interação com o ambiente, entre outros aspectos.

Thammy acrescenta que o sistema de raízes das árvores encontradas nunca havia sido descrito em licófitas do Gondwana. “O sistema de raízes forma lobos que partem da base dos caules, cuja função seria a ancoragem da planta no substrato.”

Ela destaca que, ao associar o estudo com outros trabalhos científicos, foi possível, aos pesquisadores brasileiros, reconstruir o ambiente em que a floresta viveu e a forma como as plantas morreram. A floresta era banhada pelo antigo Oceano Panthalassa, em uma região costeira que sofria influência da água doce dos rios e da água salgada do mar.

Inundação

As plantas viviam nessa transição entre terra e mar, em algo semelhante ao que seria uma região de manguezal. “Elas ocupavam um substrato frequentemente inundado”, explica a pesquisadora. Fortes chuvas, então, causaram uma inundação fluvial, com o transbordamento da água dos rios, evento que contém, além de água doce, grande quantidade de sedimentos, entre partículas de areia e argila.

“Presume-se que os sedimentos foram cobrindo as árvores progressivamente, levando à asfixia e à compressão das raízes. O soterramento continuou até o ponto em que a parte superior das licófitas colapsou, deixando exposta parte do caule. A parte interior do caule foi sendo removida pela ação da água e foi preenchida por sedimentos que ainda chegavam e que terminaram por soterrar completamente a floresta”, detalha a doutoranda.

De acordo com Thammy, supõe-se que todo esse processo ocorreu rapidamente no tempo geológico, em questão de dias ou poucos anos, enquanto um processo de fossilização em condições normais costuma demorar milhares ou milhões de anos.

Piscar de olhos

“No tempo geológico, esse período de dias a poucos anos é comparável a um piscar de olhos. Nesses casos, o que vemos atualmente nessa floresta é muito fidedigno ao que era o ecossistema da época em que vivia”, explica Thammy.

Ela acrescenta que as informações obtidas por meio de plantas fossilizadas podem revelar aspectos da evolução biológica, datação e reconstituição da história geológica da Terra, ecossistemas e climas do passado; e que muitas dessas informações são difíceis de recuperar pois, durante sua vida ou morte, as plantas colapsam e são levadas para longe de seu habitat, perdendo suas características originais.

Nesse sentido, a vegetação fossilizada descoberta no Paraná torna-se ainda mais relevante “devido à sua rara fossilização instantânea”, o que torna seus elementos extremamente fiéis. Assim, o achado acaba por ajudar a traçar o clima existente na época, “demonstrando que uma importante mudança climática ocorreu naquele período, com a passagem de uma forte glaciação para um período de clima mais quente, chamado pós-glacial.”

Agência Brasil / Dinheiro Rural

O Brasil virou um país de ofensas', diz Barroso após ser interrompido por bolsonarista em evento na Inglaterra




'Precisamos resgatar a capacidade de divergir com respeito, viramos um país de ofensas', disse o ministro do STF durante evento promovido pela Universidade de Oxford

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou que o Brasil "virou um país de ofensas”. A declaração foi proferida neste sábado (25), após ele ser interrompido no momento em que defendia o processo eleitoral brasileiro, durante participação em um evento promovido pela Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Barroso teve sua fala interrompida ao afirmar que durante o período em que presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre 2020 e 2022, teve que “oferecer resistência aos ataques contra a democracia e impedir esse abominável retrocesso que seria a volta do voto impresso com contagem pública manual, que sempre foi o caminho da fraude no Brasil”.

Neste momento, uma mulher acusou o ministro de estar “mentindo” por afirmar que os críticos das urnas eletrônicas desejam a contagem manual dos votos. Barroso então respondeu que ela poderia pesquisar a informação na internet e que o que ele estava dizendo era “um fato”.

“Com todo respeito, se você entrar em qualquer lugar, vai ouvir do presidente da República, e da autora da proposta, que queria voto impresso com contagem pública manual. Esse é um fato. A partir daí, cada um pode achar o que quiser, mas esse é um fato”, disse Barroso. Ainda segundo ele, “esse é um dos problemas que nós estamos vivendo no Brasil, um déficit imenso de civilidade.”

“Uma coisa que aconteceu no Brasil é que o pensamento conservador, que é legítimo, foi capturado pela grosseria, ofensa, pela falta de respeito. O sujeito fala em nome de Deus ‘eu quero que você morra’, tudo contrário ao que o cristianismo prega. Portanto, acho que um choque de civilidade é o que precisamos”, disse Barroso. “Precisamos resgatar a capacidade de divergir com respeito, viramos um país de ofensas”, completou.

Jornal do Brasil

Com o Supremo, com tudo?'




Conchavos na penumbra estão muito longe do que deve ser o papel do STF

Por Cristina Serra

A colunista Mônica Bergamo revelou que Bolsonaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes tiveram um encontro reservado de 15 minutos na casa do presidente da Câmara, Arthur Lira. Os dois estavam num repasto que reuniu outros luminares desta república em frangalhos.

Imagine se o tal encontro reservado tivesse sido entre o candidato da oposição, Lula, e Moraes, que em breve assumirá a presidência do TSE, autoridade máxima das eleições? Qual teria sido a reação de Bolsonaro e de suas milícias digitais?

"Ah, mas é preciso manter o diálogo entre as instituições e os poderes, Bolsonaro é presidente etc." Sim, ele é presidente e também candidato. E não um candidato qualquer. É aquele que age para erodir a democracia e a República com voracidade de roedor faminto.

A relação estilo morde e assopra de Bolsonaro com o STF, em especial com Moraes, ainda está por ser devidamente esclarecida. Vamos aos fatos mais notórios. Atos golpistas no 7 de Setembro de 2021, intermediação de Michel Temer (o golpista de 2016 e que indicou Moraes à corte), conversa com o ministro por telefone. Bolsonaro disse que teve um acordo. Temer e Moraes negam.

Continua. Condenação de Daniel Silveira pelo STF. Perdão de Bolsonaro ao condenado. Pregação de novos atos golpistas e de desobediência a decisões judiciais. Mais uma conversa com Alexandre de Moraes, desta vez no ambiente noturno de um salão brasiliense. Quais os termos dessas conversas? Que compromissos são assumidos? Proteção para o presidente e sua família depois que for derrotado em outubro?

Acordos nos bastidores fazem parte da política. Mas conchavos na penumbra estão muito longe do que deve ser o papel do STF. Ministros deveriam se dar ao respeito e se ater à função de guardiões da Constituição. Mas o país está virado do avesso. Vivemos num "dane-se" generalizado. E o comportamento de algumas excelências faz lembrar o famoso bordão de Romero Jucá: "Com o Supremo, com tudo".

Folha de São Paulo

PEC do desespero eleitoral




O aumento do piso dificultará o acesso de mais famílias que poderiam ter direito ao Auxílio Brasil

Por Adriana Fernandes (foto)

A decisão do presidente Jair Bolsonaro de subir o valor do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 não acaba com a demanda reprimida de milhões de famílias que estão esperando na fila e “na fila da fila” para terem acesso ao benefício social de transferência de renda do governo federal.

Mapeamento feito pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), e publicado pelo Estadão no domingo passado com grande repercussão nacional, mostrou que o contingente de famílias na fila estava em 2,8 milhões em abril.

No caminho contrário, a PEC “do desespero eleitoral”, como foi batizada por técnicos da área econômica, deve estimular ainda mais pessoas que moram juntas a se cadastrar individualmente para receber o piso do benefício.

Uma família “dividida” pode conseguir R$ 800. Se o piso do benefício aumentar para R$ 600, o valor sobe para R$ 1,2 mil. Além de exigir um reforço de R$ 21,6 bilhões de orçamento para o Auxílio Brasil, o aumento do piso dificultará o acesso de mais famílias com perfil hoje de renda para ter direito ao benefício.

O problema foi apontado, no início do mês, por quatro experientes especialistas da área social.

Com a bagagem adquirida na gestão do Cadastro Único de Programas Sociais (Cadúnico), Letícia Bartholo, Lúcia Modesto, Ellen Sampaio e Joana Mostafa alertaram em artigo que a distorção permite que um beneficiário morando sozinho receba o mesmo valor que uma mãe solo com dois filhos pequenos.

Para as quatro especialistas, esse “desmembramento” de famílias prejudica a qualidade dos dados do cadastro e, com isso, sua capacidade de direcionar as políticas públicas à população mais vulnerável.

Ao invés de melhorar o desenho do programa, o governo vai acentuar os problemas num quadro em que nem todos os benefícios complementares criados com o Auxílio Brasil saíram do papel.

Diretora da Rede Brasileira de Renda Básica, Paola Carvalho destaca que, sem zerar a fila, o impacto será reduzido. Fora a fila para entrar na fila. Muitas famílias relataram que aguardam cinco meses para fazer o registro no Cadastro Único e, então, entrar na fila.

Bolsonaro e aliados bancaram os R$ 600 porque esperam ganhar apoio com o aumento do valor mínimo do benefício nas eleições. Esse é o valor mágico da primeira rodada do auxílio emergencial durante a pandemia, quando o presidente conseguiu melhorar a sua popularidade. Ele quer repetir esse cenário faltando poucos meses para as eleições. Além da inflação adicional contratada, mais difícil será corrigir essas distorções a partir de 2023. 

O Estado de São Paulo

Uma oportunidade a mais




Candidatos como Tebet e Ciro cumprem papel fundamental: dão chance a que o debate se qualifique e o centro político se mostre mais progressista

Por Marco Aurélio Nogueira* (foto)

Há duas maneiras de avaliar a candidatura presidencial de Simone Tebet (MDB), apresentada semanas atrás por uma coligação entre seu partido, o PSDB e o Cidadania.

A primeira é negativa. Seus adversários são, em parte, ativistas de uma das duas candidaturas postas desde o ano passado, Lula e Bolsonaro, para quem o ideal é que não se mexa no quadro atual, que já estaria favoravelmente definido para eles. Outra parte é composta por céticos radicais, para quem Simone chegou tarde demais e não tem fôlego para competir com os candidatos mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais. É um ceticismo que se combina com a descrença no potencial de crescimento de Simone e com alguma dúvida sobre sua capacidade de pensar o País e propor soluções para o combate às suas mazelas.

Ao lado dessa rejeição, argumenta-se que Simone – assim como Ciro Gomes – impede que a eleição seja resolvida no primeiro turno, o que seria fundamental para a completa deslegitimação de Bolsonaro e a desmontagem de seus planos golpistas.

Nesse argumento, dorme um ceticismo pragmático, que não desmerece Simone, mas a vê como um fator de perturbação daquilo que é tido como estratégico: a derrota do autoritarismo. A ideia seria concentrar esforços para um desfecho logo na primeira rodada eleitoral, em outubro. Dado que o fundamental é derrotar o autoritarismo, não valeria a pena cogitar do fortalecimento de polos alternativos, que poderiam promover uma perigosa dispersão de votos e reforçar o polo bolsonarista, como aconteceu em 2018.

Esse ceticismo pragmático tem uma lógica respeitável, deve ser considerado com atenção. Afinal, não temos hoje uma disputa eleitoral simples, na qual o representante do autoritarismo esteja preliminarmente derrotado, tantos são os desacertos e os crimes cometidos por seu governo. Uma caneta na mão pode muito. E o perigo mora atrás da porta. Não devemos perder de vista o que há de risco de ruptura democrática no País. A candidatura Lula-Alckmin precisa ganhar mais musculatura, e Bolsonaro precisa continuar a ser constrangido a partir de múltiplas frentes.

Numa disputa polarizada como a que se desenha em 2022, a tendência é de uma forte magnetização dos polos, que tenderiam não só a atrair o eleitorado, como, sobretudo, a pautar o debate eleitoral, fazendo-o se concentrar na destruição recíproca dos adversários, mediante a utilização intensiva de recursos de marketing, ataques, denúncias e acusações do pior tipo. A dinâmica da disputa leva os polos a se agarrarem no contraste entre eles, fechando-se para temas substantivos. A decorrência é que não haveria debate político, ou ele ficaria dramaticamente empobrecido, com o que a incerteza sobre o futuro se ampliaria. Como e com quem governará o vitorioso? Que Brasil ele carrega no peito e na cabeça? O que promete fazer para reerguer o País? Suas promessas são factíveis, realistas, viáveis? Com qual programa econômico e com quais políticas públicas enfrentará os problemas nacionais? Como projetará o lugar do Brasil no sistema internacional?

Sem uma discussão eleitoral consistente e de qualidade, tudo ficará no campo das incógnitas. Nada saberemos sobre política econômica, reforma social, política, cultural, educacional, sanitária. O que mais se necessita em disputas polarizadas é de vozes alternativas, que furem os bloqueios derivados da polarização e forcem os polos a se posicionarem.

Candidatos como Simone Tebet e Ciro Gomes – cada qual a seu modo – cumprem um papel fundamental: representam uma oportunidade a mais para que o debate público se qualifique e o centro político se mostre mais progressista.

Isso não significa, evidentemente, que Simone e Ciro conseguirão crescer vitoriosamente. Ambos têm problemas de afirmação. Ciro é conhecido pelo destempero, Simone tem o tempo como adversário. Ciro está mais adiantado na formulação programática, Simone ainda não apresentou propostas consistentes. Terá de trabalhar dobrado para conquistar terreno.

A seu favor, Simone conta com baixa rejeição e com uma imagem positiva como parlamentar, ativa integrante da bancada feminina e da CPI da pandemia. Nas entrevistas que vem concedendo desde a sua indicação, demonstra conhecer o País e deixa claro que sabe discutir temas complexos com serenidade e tolerância, sem ocultar a indignação com a fome, a miséria, a exclusão, o desmatamento, o maltrato aos indígenas, o descaso governamental. Passa a impressão de que dispõe de garra, coragem e energia para olhar nos olhos do Brasil profundo, decifrá-lo e ajudar a reconstruí-lo. Pode não bastar para fazê-la crescer, mas é um trunfo e tanto. Se conseguir, por exemplo, deslocar Bolsonaro e passar para o segundo turno, a democracia ganhará alento.

Ainda temos cem longos dias pela frente antes de outubro. É um tempo estreito quando está em marcha uma dinâmica eleitoral com forte viés de cristalização. Mas hoje, no mundo complexo e acelerado em que vivemos, o tempo já não se dobra aos ponteiros do relógio, escapa deles e sempre se abre para surpresas desconcertantes.

*Professor titular de teoria política da Unesp

O Estado de São Paulo

Como a Petrobras virou tema central das eleições




Com a disparada dos preços dos combustíveis pesando no bolso dos brasileiros, o futuro da Petrobras voltou ao centro da discussão eleitoral, repetindo 2018, quando a operação Lava Jato jogou luz sobre a corrupção na estatal.

Dessa vez, enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PL) tenta às pressas tirar do papel uma série de medidas para conter o encarecimento do gás de cozinha, da gasolina e do diesel antes da eleição de outubro, seus principais adversários reforçam a artilharia contra a forma como a estatal vem sendo administrada em seu governo.

No centro do debate eleitoral está a política de preços da empresa, que desde o governo Michel Temer (2016-2018) passou a alinhar o valor cobrado pelos combustíveis no Brasil às cotações do mercado internacional. O problema é que esses valores têm subido muito com a retomada econômica global após a fase mais críticas da pandemia de covid-19 e a invasão da Ucrânia pela Rússia, importantes produtores.

Com isso, os preços da gasolina e do gás de botijão acumulam alta de quase 30% em média no Brasil no último ano, segundo o IPCA, principal índice de preços do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Já o diesel ficou 52% mais caro no mesmo período e o preço médio praticado no país se aproxima de R$ 7,00 por litro, mostra levantamento da ANP (Agência Nacional do Petróleo).

Como boa parte do transporte de carga e urbano no país é movido a diesel, seu encarecimento pressiona também a inflação de outros itens essenciais na vida da população, como alimentos e tarifa de ônibus.

Líderes na pesquisa querem intervenção

Os defensores do alinhamento dos preços da estatal com as cotações internacionais dizem que isso maximiza os lucros de empresa, favorecendo mais investimentos e o retorno de recursos para os cofres públicos por meio de tributos e dividendos pagos pela estatal. Alegam também que o controle de preço praticado nos governos petistas, somado a desvios por corrupção e decisões equivocadas (como investimentos mal gerenciados em refinarias), teriam “quebrado” a Petrobras.

á os críticos do alinhamento dos preços ao mercado externo afirmam que ela atende a interesses do mercado financeiro (acionistas minoritários da empresa) em detrimento do bolso da maioria dos brasileiros. Argumentam ainda que os valores cobrados da Petrobras devem estar alinhados aos custos domésticos de produção da estatal, que são mais baixos que o valor internacional do petróleo.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que hoje lidera com folga as pesquisas para a eleição presidencial, defende que a estatal volte a controlar o preço dos combustíveis e aumente os investimentos em refinarias, para reduzir a necessidade de importação. Ciro Gomes, pré-candidato do PDT que aparece em terceiro nas pesquisas, atrás de Bolsonaro, também propõe essas mudanças.

Já Bolsonaro foi eleito em 2018 com a promessa de uma agenda econômica bastante liberal, representada pelo ministro da Economia Paulo Guedes, que defende o alinhamento dos preços ao mercado externo. No entanto, desde o primeiro ano de governo, quando os combustíveis vendidos pela estatal já sofriam reajustes impopulares, passou a pressionar a empresa a segurar os aumentos — e agora atua abertamente pela intervenção nos preços.

Bolsonaro também passou a defender a privatização da empresa. O argumento do governo é que isso aumentaria a competição no setor, favorecendo preços menores. Segundo nota do Ministério de Minas e Energia no final de maio sobre a intenção de “desestatizar” a empresa, esse “processo é fundamental à atração de investimentos para o País e para a criação de um mercado plural, dinâmico e competitivo, o qual promoverá ganhos de eficiência no setor energético e uma vigorosa geração de empregos para os brasileiros”.

Os críticos da proposta dizem que vender a estatal na verdade manteria os preços atrelados ao mercado internacional. Argumentam também que a empresa é estratégica para o país e por isso deve permanecer em controle estatal. Lula e Ciro são contra a medida.

O próprio Bolsonaro já reconheceu, porém, que a venda da Petrobras seria um processo “muito difícil”, que levaria anos.

Diante disso, ele tenta contornar o problema da alta de preços mudando o comando da empresa. A queda de braço com a estatal levou à primeira troca de presidente em fevereiro de 2021, com a demissão do economista Roberto Castello Branco. Em seu lugar, assumiu o general Joaquim Silva e Luna, mas ele acabou demitido pelo mesmo motivo em março desse ano, quando a disparada de preços internacional se agravou com invasão da Ucrânia pela Rússia.

Agora, com menos de dois meses no cargo, o substituto de Luna, o engenheiro José Mauro Coelho, pediu demissão na última semana após Bolsonaro e o presidente da Câmara, Arthur Lira, defenderem uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o comando da estatal.

O novo indicado de Bolsonaro é o publicitário Caio Mario Paes de Andrade, que integrou a equipe de Guedes, mas seu nome ainda precisa ser confirmado pelo Conselho de Administração da empresa.

Em paralelo à mudança de diretoria para tentar barrar novos aumentos até outubro, Bolsonaro estuda amenizar o aumento dos combustíveis com mais benefícios sociais, como a criação de um auxílio direto a caminhoneiros autônomos no valor de R$ 1 mil, a ampliação do auxílio para compra de gás de cozinha por famílias mais pobres e o aumento temporário do valor do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600.

Segundo reportagem do jornal O Globo, esses novos gastos sociais custariam cerca de R$ 30 bilhões e devem substituir o corte do ICMS (imposto estadual) sobre o óleo diesel, que chegou a ser anunciado pelo governo. As medidas, porém, esbarram na legislação eleitoral, que proíbe criação de novos benefícios sociais antes do pleito, justamente para evitar que o governo use a máquina pública a seu favor nas eleições. O governo deseja que o Congresso aprove estado de emergência no país devido ao encarecimento dos combustíveis, para que a restrição eleitoral possa ser driblada, mas a medida é alvo de controvérsia jurídica e pode vir a ser barrada no Poder Judiciário.

Pesquisas mostram eleitor preocupado com inflação

Para Rafael Cortez, cientista político e sócio da consultoria Tendências, a movimentação do governo Bolsonaro reflete o aumento da preocupação do eleitor com a inflação, revelada em diferentes pesquisas.

Em levantamento realizado em maio pelo Ipespe, a alta de preços foi apontada como o tema mais importante a ser tratado pelo próximo presidente por 23% dos entrevistados, ficando em primeiro lugar na lista de preocupações ao lado de educação. Já em novembro de 2021, educação liderava sozinha como tema mais importante (30%) e inflação era citada por 15% dos entrevistados.

Outra pesquisa do Ipespe de maio mostrou também que 45% da população aponta Bolsonaro como muito responsável pelo aumento dos combustíveis e 25% como pouco responsável. Já os governos do PT (Lula e Dilma Rousseff) são vistos como muito responsáveis por 37% e pouco responsáveis por 23%.

Pesquisa Datafolha do mesmo mês revelou ainda que três em cada dez eleitores dizem que podem mudar seu voto se a inflação continuar subindo até a disputa de outubro.

Na visão de Cortez, a Petrobras já teria destaque no embate eleitoral desse ano pelos debates de privatização e corrupção — esse último como um tema “para ajudar os rivais do presidente Lula”, devido ao escândalo investigado pela operação Lava Jato no governo petista de Dilma Rousseff.

“E agora deve ter um espaço ainda mais privilegiado por conta do debate inflacionário, debate que fica muito concentrado no preço dos combustíveis. Mesmo com a alta forte dos preços dos alimentos, a questão dos combustíveis é que mais gera barulho político, pois a gasolina impacta diretamente as pessoas de maior renda que têm também mais voz no debate”, ressalta.

Para Cortez, a questão inflacionário traz o tema Petrobras para um campo mais difícil para Bolsonaro.

“O debate econômico virou quase sinônimo de inflação, e não há uma perspectiva de reversão (antes da eleição). Os preços não vão cair. Na melhor das hipóteses, eles vão subir com menor intensidade”, analisa.

“Então, a economia não vai gerar dividendos políticos para a reeleição. O que o presidente pode eventualmente conseguir é minimizar essa percepção de que ele é o responsável por esse cenário, mas me parece pouco provável que tenha sucesso nesse processo a ponto de se tornar favorito na disputa de 2022”, acrescenta.

O que pode acontecer após a eleição?

Com os candidatos mais competitivos defendendo o fim da paridade internacional, o cenário mais provável hoje é que o próximo governo busque uma nova política de preços. No entanto, especialistas no setor veem fatores que podem dificultar o controle.

Ex-diretor da ANP, David Zylbersztajn diz que para controlar os preços o governo teria que fechar o capital da Petrobras. Hoje, ressalta, a empresa está sujeita a regras de mercado e à supervisão de órgãos reguladores no Brasil e nos Estados Unidos, como CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e SEC (Securities and Exchange Commission).

“Com quase 800 mil acionistas que a empresa tem, (esses acionistas) não vão mais aceitar o que aconteceu no passado. O governo controla a gestão da Petrobras, mas está sujeita à CVM, à SEC americana. Se a gestão causa prejuízo deliberado à empresa, diretores podem ser processados”, ressalta Zylbersztajn.

Já o professor da UFRJ especialista em energia Adílson de Oliveira defende uma solução intermediária: que suavize a alta dos preços, mas preserve a rentabilidade da empresa. Para ele, os preços poderiam seguir os custos internos de produção da Petrobras e um percentual das variações internacionais.

“O cenário atual (de alta constante dos combustíveis) é insustentável, paralisa a economia e cria conflitos sociais”, afirma.

Ele ressalta, porém, que o problema demanda soluções estruturantes, de longo prazo, que envolvem também o aumento do refino de combustíveis no país, com a construção de novas refinarias. Hoje a Petrobras está reduzindo os investimentos no setor e focando na extração de petróleo, que oferece retornos maiores. Para Oliveira, o governo precisa criar um planejamento estratégico, que incentive investimentos privados em refinarias.

“A ideia de reduzir o poder de monopólio da Petrobras também é uma boa ideia, mas isso não pode ser alcançado no curto prazo. São todas ideias que exigem um longo planejamento, um longo período de execução. Não é projeto para apenas um governo”, analisa.

POR MARIANA SCHREIBER

BBC Brasil / Daynews

Áudio neutraliza cortina de fumaça que Bolsonaro tentava com aborto




Por Vera Magalhães (foto)

Durou menos de 24 horas a cortina de fumaça que Jair Bolsonaro, com uma mãozinha inesperada da Suprema Corte dos Estados Unidos, vinha tentando, com algum sucesso, criar para neutralizar o estrago em sua imagem provocado pela prisão de seu ex-ministro da Educação Milton Ribeiro. 

O presidente viu na tragédia do estupro de uma menina de 11 anos, que, além de violentada teve adiado seu direito a um aborto legal, a chance de surfar num tema que mobiliza seu eleitorado mais radicalizado. Passou a dizer que mandaria "investigar" irregularidades em algo que a Constituição garante e a Justiça covardemente adiou até quase sete meses de gestação.

Durou pouco porque foi revelado o áudio, obtido em grampo legal no inquérito policial para apurar os desvios e o tráfico de influência no MEC, em que Milton Ribeiro diz à filha ter sido avisado pelo presidente que poderia ser alvo de busca e apreensão, o que, no entendimento do Ministério Público Federal, é forte indício de vazamento da investigação e interferência ilegal do presidente nela.

Além de devolver o caso, gravíssimo, ao centro do noticiário e ao calor das redes sociais, o áudio corrobora aquilo que o delegado responsável pela investigação, Bruno Calandrini, afirmou, quando, em carta, disse não ter independência nem autonomia para continuar as investigações, uma vez que teria havido interferência superior para evitar a transferência de Milton Ribeiro para Brasília no momento seguinte à sua prisão.

Só a conversa de Milton Ribeiro com a filha não prova o envolvimento de Bolsonaro para obter informações prévias das investigações que poderiam chegar nele. O presidente e o entorno vai usar a palavra "pressentimento", usada pelo ex-ministro, para tentar livrar a cara do presidente. E vai colar junto ao seu eleitorado fanatizado, para o qual nada abala a confiança cega no "Mito".

Mas uma investigação profunda fazendo a cronologia dos fatos e casando o áudio obtido com o resultado da quebra de sigilo do ex-ministro e as mensagens trocadas entre ele e Bolsonaro pode compor os elementos de prova. A conversa de Ribeiro com a filha foi em 9 de junho. O pedido da PF para busca e apreensão é do dia 13, e a autorização da Justiça, do dia 15.

A defesa de Bolsonaro vai tentar usar isso como prova de que ele não tinha como saber. Mas um pedido desta magnitude não é feito no dia, e sim preparado ao longo de semanas. A isso poderá responder o delegado Calandrini, quem primeiro apontou interferência política na investigação: alguém com acesso à apuração poderia ter alertado o Planalto do que estava por vir?

Daí a importância da decisão do juiz federal Renato Borelli, que, ao devolver o caso ao Supremo Tribunal Federal após o pedido do MPF diante do áudio com os indícios de vazamento da operação e interferência política de Bolsonaro, o tira da alçada do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Foi o desembargador Ney Bello, do TRF-1, quem, por liminar, mandou soltar Ribeiro e os pastores investigados por favorecimento com recursos do MEC um dia depois das prisões preventivas. O TRF-1 é hoje, no Brasil, a corte mais favorável a Bolsonaro e seus aliados, colecionando decisões que revertem outras que poderiam ser potencialmente preocupantes para o presidente, familiares e ministros.

A apuração a respeito da interferência direta de Bolsonaro sobre a PF para blindar o ex-aliado e a si próprio coloca o presidente como o centro do escândalo, posição da qual ele vinha tentando se esquivar ora jogando Ribeiro nas chamas sozinho, ora mudando de assuntos para temas da pauta de costumes com os quais gosta de lacrar, como o aborto.

O Globo

Um estupro coletivo




Por Eduardo Affonso (foto)

Dela, não sabemos o nome, só a idade: 11 anos. Tinha 10 quando engravidou numa “relação consensual” com um adolescente pouco mais velho. Primeira violência: crianças de 10 anos não têm condições — físicas, psíquicas, legais — de dar consentimento sexual.

Descoberta a gravidez, é levada pela mãe a um hospital público para o aborto legal. Segunda violência: a equipe médica recusa o procedimento sob a alegação de já ter passado o “prazo-limite”, fingindo desconhecer que a lei não estabelece prazo gestacional para interrupção da gravidez em casos de estupro ou quando há risco à vida da gestante. Ambas as condições estavam atendidas.

Segue, então, para a Vara da Infância e Juventude, onde, supõe-se, encontrará acolhimento. Começa a terceira violência — manipulação, chantagem emocional — desta vez cometida pela promotora e pela juíza do caso, que não têm olhos para a criança de 11 anos, apenas para o feto que ela, a contragosto, traz dentro de si.

— Qual é a expectativa que você tem em relação ao bebê? Você quer ver ele nascer? Quer escolher o nome do bebê? Você acha que o pai do bebê concordaria na entrega para adoção?

— Não, não, não sei — é tudo o que ela sabe dizer.

— Você suportaria ficar mais um pouquinho? A gente mantinha mais uma ou duas semanas apenas a tua barriga, para ele ter a chance de sobreviver mais. Em vez de deixar ele morrer, porque já é um bebê, já é uma criança, em vez de a gente tirar da tua barriga e ver ele morrendo e agonizando. Ele vai nascer chorando.

Ninguém pensa nela,  na menina de 11 anos. Para as representantes da Justiça, ela é pouco mais que uma incubadora: aguente mais um pouco, ponha sua vida em risco, faça a felicidade de um casal.

É internada (quarta violência) numa instituição, a fim de que o aborto se torne inviável. Passa um mês nesse “abrigo”, longe da mãe, tão somente para que a vontade da DD. Promotora e da MM. Juíza prevaleça sobre seus interesses e os de sua responsável.

— Por óbvio — reconhece a promotora — uma criança em tenra idade não possui estrutura biológica em estágio de formação apto para uma gestação.

Mas o óbvio não sobrevive ao implícito: a sacralidade da vida só se aplica, ali, ao feto de 22 semanas — que ainda pode vir a ser — não a ela, a menina de 11 anos — que já é.

Quinta violência: uma desembargadora nega o requerimento para o aborto (que nem precisaria de autorização judicial), por não ver “risco imediato”.

Nenhuma dessas mulheres (que ironia!) fez o que fez em prol da vítima, mas por estarem presas ao arcabouço da crença que as ampara. Por considerarem que sua lei interna se sobrepõe ao Código Penal.

O menino responsável pelo estupro é inimputável. Imputáveis são esses homens e mulheres cujas convicções pessoais tiveram mais peso que os direitos de uma menina.

Outra criança, também estuprada, também de 11 anos, grávida de gêmeos, espera por um aborto legal no Piauí. Todas permanecem anônimas. Que as próximas meninas sem nome e com um feto, fruto de estupro, no ventre, tenham melhor sorte do que esta que deparou com uma equipe médica burocrática e uma joana, uma mirela, uma cláudia. 

O Globo

São coisas nossas




Por Carlos Brickmann (foto)

O Governo se dispõe a abrir uma CPI para tentar descobrir algo contra os diretores e conselheiros, nomeados pelo Governo, da maior das empresas do Governo. O Governo desconfia que eles estejam aplicando na Petrobras a política de preços definida pelo Governo, o que o Governo considera intolerável, e por isso o chefe do Governo disse que não se importa que a empresa controlada pelo Governo perca R$ 30 bilhões de valor de mercado num só dia. Não, não tente entender: a oposição está feliz com a tal de CPI, e o pessoal que apoia o Governo, embora diga que também está na luta, trabalha para derrubar a iniciativa do chefe do Governo, que tentam reeleger.

Afinal de contas, o pessoal do Governo é também do Centrão. Ruge alto, elogia o Mito, mas rasgar dinheiro que poderia ser distribuído, isso não. Um sábio empresário disse certa vez a este jornalista que se alguma coisa só existe no Brasil, e não é jabuticaba, não presta. Pois vamos em frente.

Como se sabe, o Senado não costuma trabalhar às sextas-feiras. Mas nesta sexta, 24, o Senado trabalhou: comemorou o 75º aniversário do Dia Mundial dos Discos Voadores, por iniciativa do senador Eduardo Girão, do Podemos do Ceará. Na sessão, o ex-deputado Wilson Picler disse que quase um terço dos brasileiros acreditam em ETs; e mais da metade dos ateus e agnósticos creem em discos voadores e seres espaciais, “mais em ETs do que em Deus”.

Girão disse que o Brasil é o primeiro país a reconhecer que discos voadores existem e são extraterrestres. Chamou a sessão de “histórica”.

Outros assuntos

Fome, guerra, inflação? São temas que podem esperar a semana que vem.

É lei – e daí?

Quando uma empresa tem algo importante a informar, “fato relevante”, só o divulga após o fechamento da Bolsa. O presidente Bolsonaro demitiu o presidente da maior empresa do país, provocando R$ 30 bilhões de perda em seu valor de mercado; e anunciou em seguida a tal CPI, dizendo que ia dar outro prejuízo de R$ 30 bilhões à empresa em que é o sócio majoritário, tudo sem seguir as normas habituais de Bolsas.

Com isso deu prejuízo também aos demais acionistas, que talvez peçam reposição do que perderam. Isso, em Nova York, costuma gerar processos de bilhões de dólares, não só contra a empresa, mas também contra seus dirigentes que causaram os prejuízos.

Robin Hood ao contrário

Mas, pensando bem, para os atuais dirigentes do país alguns bilhões não fazem muita diferença. O SUS, por exemplo, perdeu mais de R$ 40 bilhões de verbas entre 2021 e 2022. Os R$ 200,6 bilhões de 2021 caíram em 2022 para R$ 160,4 bilhões.

Há mais: vejamos a fila de espera para inscrição no Auxílio-Brasil. Pois, na passagem de um programa para outro, havia sobrado um saldo de R$ 375,9 milhões no Bolsa Família. O dinheiro foi transferido para as Forças Armadas, e usado, conforme informações do Ministério da Economia à “Folha de S.Paulo”, em gastos como o projeto Astros 2020, um sistema lançador de foguetes, ou o auxílio-moradia de militares. Tudo foi feito dentro da lei, com autorização do Congresso.

O curioso é que tanto o Governo quanto o Congresso concordam com essa escolha de prioridades.

A pesquisa - Bolsonaro

Os bolsonaristas mais extremados, especialmente os que usam Bolsonaro no nome, dizem que não acreditam em pesquisas. Mas acreditam: o esforço para aumentar o Auxílio Família agora, com fim previsto para dezembro, é sinal claro de busca de votos. A guerra contra os presidentes da Petrobras é outro sinal: precisa convencer os eleitores de que tenta baixar o custo dos combustíveis.

A última pesquisa Datafolha, mostrando perspectivas de vitória de Lula no primeiro turno, assustou Bolsonaro. A deputada Janaína Paschoal, bolsonarista de primeira hora, diz em público que há risco real de derrota no primeiro turno. Mas que fazer, quando há briga até na campanha, e Carluxo, o filho 02, rejeita a coordenação de Flávio, o filho 01, seu irmão?

A pesquisa – Lula

Lula continua jogando quase parado –parte por temor de agressões de adversários, parte por achar que é melhor não se movimentar. Nesta semana foi a dois jantares com empresários – sempre com pouca gente, para haver oportunidade de conversar. Lula se recusa, entretanto, a dizer o que vai fazer, e como. Diz que já foi presidente e todos o conhecem. Há um certo temor de que tente reestatizar a Eletrobras e impeça novas privatizações. Mas, com a vantagem que tem em todas as pesquisas, por que se arriscar falando muito?

Pela culatra

O ministro da Defesa e os comandantes das Três Armas mandaram uma notícia-crime à Procuradoria Geral da República contra Ciro Gomes, por dizer que o Governo destruiu a capacidade operacional das Forças Armadas e fez da Amazônia a “holding do crime”. Mas, se a queixa tirar votos de Ciro, para quem os votos irão?

Bolsonaro ou Lula, de quem Ciro já foi ministro?

Brickmann.com.br

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