sexta-feira, junho 24, 2022

Guedes é um pote até aqui de mágoa




“Chamar o Benzema pra jogar no CSA não dá. Vou morrer em campo. Preciso de uma equipe melhor”, afirmou o ministro da Economia em uma roda de conversa

Por Cristiano Romero (foto)

O jornalista Thomas Traumann lançou, em 2018, “O Pior Emprego do Mundo” (Ed. Planeta), compêndio de 344 páginas sobre as venturas e aventuras de 14 cidadãos que ocuparam o cargo de ministro da Fazenda no Brasil. Trata-se de livro obrigatório para quem tem a pretensão de saber como funciona o centro do poder, especialmente, num país desigual e com histórico de instabilidade econômica e política - se, nos Estados Unidos, a pior das crises é incapaz de abalar a República, por aqui, como nos ensina a História, quando a coisa aperta, “dane-se” a democracia!

Se quiser manter o livro na categoria dos clássicos, Traumann terá que escrever novo capítulo, ainda sem epílogo: a gestão de Paulo Guedes, iniciada em 1º de janeiro de 2019. Guedes é, sem dúvida, o mais injustiçado ocupante da cadeira onde se sentaram vultos como Fernando Henrique Cardoso, Mário Henrique Simonsen, Delfim Netto, Pedro Malan, Santiago Dantas, Luiz Carlos Bresser Pereira, Eugênio Gudin, Henrique Meirelles, Mailson da Nóbrega, Roberto Campos, Lucas Lopes, Oswaldo Aranha, Horácio Lafer, Ruy Barbosa, Octávio Bulhões...

Quando Antonio Palocci Filho comandou a Fazenda, entre janeiro de 2003 e março de 2006, a expressão “fogo amigo” tomou o noticiário porque, mesmo bem-sucedida, sua gestão era cotidianamente atacada por gente de seu próprio partido, o PT. No caso de Guedes, “fogo amigo” é eufemismo: sua vida, desde o início, é mar revoltoso e turbulência; calmaria e céu de brigadeiro são estados de exceção.

Já faz tempo que o ministro não esconde de ninguém quem no governo tenta sabotar a disciplina fiscal e a manutenção do teto de gastos. A área política, vendo Lula (PT) aumentar nas pesquisas eleitorais a vantagem sobre o presidente Jair Bolsonaro, defende dia sim, outro também, a adoção de medidas populistas. Tendo chegado a Brasília sem ler o livro de Traumann, Guedes se acostumou à peleja diária do poder. Sua frustração, que o tem feito, inclusive, “pensar em desistir”, está fora da Esplanada dos Ministérios.

Começa com a letra “m” o sentimento (mágoa) que o ministro nutre neste momento por dois setores da sociedade, cujos vocábulos também começam com “m”: mídia e mercado. Como a primeira é um não assunto - o ministro se queixa sobremodo da imprensa, mas, não impede o acesso de jornalistas nem a ele nem ao ministério -, o desgosto é com a Faria Lima, que, na sua opinião, “joga contra”.

A decepção é severa e pode ter consequências. “Ou as pessoas começam a elogiar, a reconhecer o certo ou eu canso. O meu custo é muito alto. O custo é a minha vida. Eu preciso de proteção”, desabafou Guedes recentemente durante encontro com integrantes do mercado.

O ministro costuma lembrar aos viventes que, além do que fez (reforma da previdência, privatização da Eletrobras, independência do Banco Central, aprovação dos marcos legais dos setores de saneamento e gás, redução do déficit primário etc.), precisa ser lembrado pelo que não deixou que colegas de governo fizessem. “Chamar o Benzema pra jogar no CSA não dá. Vou morrer em campo. Preciso de uma equipe melhor”, disse numa roda de conversa.

Relatos colhidos por esta coluna mostram um Paulo Guedes ainda casmurro na defesa das finanças públicas, mas, pela primeira vez, cansado por não ter o apoio de quem, na sua visão, deveria defendê-lo. Revelam, também, a disposição do Palácio do Planalto em levar a rinha com a Petrobras às últimas consequências:

1. Combustíveis: Guedes contou que, na hora de definir a equipe de governo, optou por pessoas com mais ousadia. Bento Albuquerque (ex-ministro das Minas e Energia) foi um dos últimos a serem escolhidos. “Os militares são leais, diretos e falam as coisas na cara. Não fui eu quem o derrubou”.

2. Custo do subsídio: Bento queria subsídio, disse Guedes a interlocutores. O ministro revelou que fez a conta e esta chegou a R$ 130 bilhões por ano. “Era inviável. Único caminho seria dar ‘cashback’ para o caminhoneiro, que custa R$ 6 bilhões.” Nos encontros, Guedes reiterou que, desde o início, avisou que subsídio à Petrobras ele não aceitaria. “Não tem o que fazer. A culpa do preço alto do combustível é do [presidente da Rússia, Vladimir] Putin!”

3. Redução do ICMS: os Estados, observou Guedes, fizeram acordo com o governo para reduzir o ICMS dos combustíveis, mas não cumpriram. “Precisam compensar agora.”

4. Bolsonaro: o presidente está irritado, contou Guedes num convescote, com os preços dos combustíveis. Ter estatal que produz commodity só traz subexploração. “Se tivesse a ‘Sojabrás’, o Brasil não teria produção de soja.” O ministro é da opinião de que a crise dos combustíveis é um bom mote para se privatizar a Petrobras. “Quando eu era crianca, havia seis petroleiras. Hoje, só tem duas. O fato de ela ser estatal e ter esse tamanho traz subinvestimento.”

5. Inflação: num desabafo recente, o ministro disse que “teve” que ouvir por um ano que a “culpa da inflação é o fiscal”. “Juro real negativo no país e a culpa da inflacao era do fiscal...” Ele não aceita a afirmação de que coube à inflação de dois dígitos em 2021 melhorar o resultado das contas públicas, ao corroer o valor real dos gastos. Números melhoraram porque, segundo ele, houve controle das despesas (com pessoal, por exemplo).

6. Taxa de Juros: todo o mundo, afirma Guedes, dormiu no volante. Mas, o Roberto Campos Neto [presidente do Banco Central] acordou cedo. “Tentaram me derrubar e colocá-lo. Ele é ótimo. Disse que, se eu saísse, ele sairia junto. Mas ele é da geração do ‘inflation targeting’ (regime de metas de inflação). Eu sou do Paul Volcker [presidente do o BC dos EUA entre 1979 e 1987]: dá uma porrada de uma vez [eleva os juros] e resolve.” E elogiou: “Nosso BC é o único que não está ‘behind the curve’ [atrás da curva, isto é, não está atrasado]”.

7. Próximo mandato: Guedes disse que, reeleito, Bolsonaro privatizará a Petrobras, fará a reforma tributária e promoverá a desoneração do IPI e do Imposto de Importação.

8. Relação com Bolsonaro: o presidente, afiançou Guedes numa reunião em São Paulo, é “espetacular”. “Ele tem um acordo comigo. Ele me defende, me dá autonomia. Mas, se ‘der ruim’, a culpa é minha. Ele me defende, não me derruba, mas não defende os projetos. O pau come lá dentro. Mas, quando chega a uma temperatura, o presidente sempre arbitra para o meu lado.”

Valor Econômico

Um presidente em chamas




Prisão de Milton encontra Bolsonaro isolado e sem rumo

Por Malu Gaspar (foto)

Não faz nem três meses que um indignado Jair Bolsonaro chamou de “covardia” a pressão para que seu então ministro da Educação deixasse o cargo. "O Milton, coisa rara de eu falar aqui, eu boto a minha cara no fogo pelo Milton, a minha cara toda no fogo pelo Milton", disse o presidente da República, numa live.

Na manhã de ontem, com a prisão de Milton Ribeiro e dos pastores que intermediavam a liberação de verbas no MEC, o governo entrou em autocombustão. “Desastre” era a palavra mais usada por diferentes aliados do presidente para definir a situação, entre transtornados com as prisões e apavorados com os estragos potenciais sobre a campanha para a reeleição.

Ribeiro saiu do governo dizendo que só acolhera os pastores no ministério por ordem de Bolsonaro. Logo depois das prisões, porém, o presidente já disse a uma rádio que “ele responda pelos atos dele”, acrescentando que, “se tem algum problema, a PF está agindo, está investigando”.

A estratégia de se descolar de Ribeiro pode até fazer algum efeito imediato, mas ninguém que conhece bem as engrenagens de Brasília aposta que durará muito. Basta revisitar a história de como o ministro chegou ao governo.

Pastor presbiteriano, ele foi indicado para o cargo pelo então ministro da Justiça e agora ministro do Supremo, André Mendonça, e pela primeira-dama Michelle Bolsonaro, ambos evangélicos como ele.

Quando surgiu o escândalo envolvendo a formação de um gabinete paralelo de liberação de recursos formado por pastores no MEC, Michelle disse que “Deus sabe de todas as coisas e vai provar que ele é uma pessoa honesta, justa e leal”.

Além disso, no MEC ainda estão figuras-chave ligadas ao Centrão. Alojadas no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, elas dispõem de mais de R$ 64 bilhões para aplicar em programas educacionais e equipamentos como ônibus, escolas e quadras esportivas.

Desde a prisão dos pastores, submergiram o ministro Ciro Nogueira, que até outro dia fustigava Lula nas redes, defendendo a pauta da “família e dos valores”, e Arthur Lira, que surfava na crise dos combustíveis, colocando a diretoria da Petrobras contra a parede.

É evidente que essa crise está apenas começando e não dá para ter ideia ainda de como ela avançará. Pior do que a bomba, porém, é o terreno onde ela explode.

O caso pegou o governo em completa desorientação com a crise dos combustíveis — e o presidente da República, isolado. Bolsonaro há meses só ouve o mesmo círculo de acólitos que riem das suas piadas e insuflam suas teorias conspiratórias. Não quer saber de governar e nem ao menos de buscar soluções para o problema dos combustíveis.

Quer, isso sim, botar a culpa nos outros. Como não sabe arbitrar a disputa entre o time de Lira, que trabalha para tomar a Petrobras de assalto e produzir “sinergias” para seu grupo político, e o de Guedes, agarrado à ilusão de que encaminhará a privatização em poucos meses, ele empurra a responsabilidade da crise para a empresa.

Como não consegue esboçar propostas para combater o aumento da fome, aproveita as ocasiões em que fala em público para atacar as urnas eletrônicas.

Não adianta seus aliados explicarem que a dona Maria e o seu Zé não estão nem aí para a urna eletrônica, e que para o eleitor comum toda essa gritaria já soa como choro de perdedor.

Bolsonaro parece decidido a perder a eleição do seu jeito no lugar de tentar ganhar ouvindo alguns conselhos. Anda paranoico com a possibilidade de impeachment, cassação ou prisão e vê traidores por toda parte. Pode até ter razão, mas são essas as relações políticas que ele construiu e é com elas que ele tem de marchar.

Não deixa de ser uma baita ironia do destino que um escândalo tão danoso quanto o do MEC tenha sido criado em torno de um aliado que ele considerava fiel e por quem colocava a cara no fogo. E é algo que diz muito não sobre o aliado, mas sobre o próprio Bolsonaro.

O presidente da República disputa a reeleição perdido num labirinto de sombras e passa o tempo todo querendo fabricar um golpe para esconder suas próprias fragilidades. Só que, em vez de sair na foto como herói ou um mártir, como pretende, ele parece apenas cada dia mais próximo de perder as eleições.

Se isso acontecer, será inútil dizer que foi derrotado por inimigos externos ou ocultos. A culpa não terá sido de ninguém a não ser ele mesmo. Periga não restar nem mesmo quem queira colocar a cara no fogo em seu nome

O Globo

Milton Ribeiro receberá do governo salário de R$ 26 mil pelos próximos 6 meses




Suspeito de coordenar um "gabinete paralelo" de pastores no Ministério da Educação, o ex-ministro do governo Jair Bolsonaro (PL) Milton Ribeiro, preso na última quarta-feira, 22, receberá da União pelos próximos seis meses o equivalente a cerca de R$ 26 mil. A remuneração foi autorizada no final do mês passado pela Comissão de Ética Pública da Presidência, que considerou haver "conflito de interesses após o exercício de cargo" no Executivo federal.

Ribeiro foi incluído na chamada "quarentena" do serviço público, que autoriza o pagamento de "remuneração compensatória" àqueles que exerceram altos cargos no governo. A justificativa para esse "auxílio desemprego" por seis meses é o fato de figuras públicas de destaque, como ministros, terem tido acesso a informações privilegiadas que podem ser usadas por esses ex-servidores em seus novos cargos na iniciativa privada.

A Comissão de Ética Pública da Presidência define como informação privilegiada "a que diz respeito a assuntos sigilosos ou aquela relevante ao processo de decisão no âmbito do Poder Executivo Federal que tenha repercussão econômica ou financeira e que não seja de amplo conhecimento público". O processo de Milton Ribeiro foi concluído no dia 31 de maio. O nome do ex-ministro consta com a tarja com "com conflito".

Milton Ribeiro havia sido preso por ordem da 15ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, mas foi solto nesta quarta-feira, 23, por ordem do desembargador federal Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O ex-ministro da Educação foi alvo da Operação Acesso Pago, da Polícia Federal (PF), que cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão contra os acusados de instalar o "gabinete paralelo" no MEC.

Estadão / Dinheiro Rural

Malafaia defende Ribeiro, mas elogia Bolsonaro e mantém isolamento do ex-ministro




O pastor Silas Malafaia (dir.), tradicional aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL), saiu em defesa do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, que também é pastor evangélico e foi preso nesta quarta-feira, 22, no âmbito da investigação sobre desvios no MEC.

Contudo, mesmo argumentando a favor do ex-titular da Educação, ele fez questão de ponderar que não há ligação entre a bancada evangélica e Ribeiro, rechaçando vínculo dos aliados religiosos de com o episódio. O caso foi revelado pelo Estadão em março, e expôs a atuação dos pastores Arilton Moura e Gilmar dos Santos, que criaram uma espécie de "gabinete paralelo" no MEC, intermediando a liberação de recursos mediante pagamento de propina. A dupla também foi presa preventivamente, além de outros dois suspeitos.

"Se tem alguém que tem moral para falar do assunto sou. Eu pedi investigação profunda. Eu, junto da bancada evangélica, pedi o afastamento do ministro para se apurar profundamente", disse. "Agora, algumas coisas (são) estranhas nessas prisões."

Malafaia lembrou que, assim que a denúncia de corrupção foi revelada, o ex-ministro disse ter ele mesmo encaminhado uma denúncia sobre "conversas estranhas" na pasta à Controladoria-Geral da União (CGU).

Em março deste ano, em entrevista à Jovem Pan, Ribeiro afirmou: "Quando, em agosto do ano passado, eu recebi uma denúncia anônima a respeito da possibilidade de que eles (Gilmar dos Santos e Arilton Moura) estariam praticando ação não republicana, imediatamente eu procurei a CGU".

Malafaia, que é líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, também afirmou que os prefeitos que seriam beneficiados pelas verbas do MEC deveriam ter sido presos. Porém, na série de reportagens do Estadão sobre o tema, publicada em março, os prefeitos somente denunciaram a cobrança de propina por parte dos pastores, sem indicar que teriam levado adiante as tratativas ilícitas.

O pastor ponderou que Milton Ribeiro, assim como a ex-ministra Damares Alves, não foi indicado ao governo pela bancada evangélica, mas pelo próprio presidente. Como mostrou o Estadão, a Frente Parlamentar Evangélica quer desvincular sua imagem da prisão do ex-ministro e manter o apoio ao governo Jair Bolsonaro.

Na prática, o ex-ministro fica isolado após perder a proteção tanto dos evangélicos quanto do próprio presidente, que ontem afirmou que, "se a PF prendeu, tem um motivo".

Malafaia relembrou escândalos dos governos do PT para justificar a defesa que faz do presidente. "Querer comparar corrupção de governo do PT, a maior da história dessa nação e uma das maiores do mundo, com governo Bolsonaro? Bolsonaro está envolvido em quê? Foi incriminado em quê?", questionou.

Estadão / Dinheiro Rural

Evangélicos se descolam de Milton Ribeiro e seguem na defesa de Bolsonaro




A bancada evangélica quer isolar politicamente a prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro (esq.), da Igreja Presbiteriana, e dos pastores-lobistas Arilton Moura e Gilmar Santos, da Assembleia de Deus Cristo Para Todos. Aliada de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro, a Frente Parlamentar Evangélica admite o desgaste que o escândalo traz para a campanha à reeleição. Seus integrantes se dizem "constrangidos" com o caso protagonizado por evangélicos, mas pretendem manter o apoio a Bolsonaro e ajudar na reação do Palácio do Planalto, temerosos com a repercussão negativa entre os fiéis.

O escândalo do gabinete paralelo operado por pastores sem cargo no Ministério da Educação, revelado pelo Estadão em março, agora ganhou a chancela oficial da Polícia Federal (PF), que citou suspeitas de que os alvos tenham cometido quatro crimes: corrupção passiva, tráfico de influência, prevaricação e advocacia administrativa.

Apesar de ser evangélico, o ministro não era um apadrinhado da bancada. Tampouco os pastores Arilton e Gilmar tinham relações políticas com a frente. O ex-ministro ingressou no governo com articulação do hoje ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, segundo deputados que tiveram outros indicados preteridos. Logo ao perder o cargo, Ribeiro recebeu socorro em público da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, mas não da bancada. "Deus vai provar que ele é uma pessoa honesta", afirmou Michelle.

Para não ver apoiadores da pauta anticorrupção se desgarrando ainda mais entre os conservadores evangélicos, Bolsonaro manteve a programação de participar no sábado da Marcha Para Jesus, em Balneário Camboriú (SC).

O presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), diz que o escândalo não vai afetar a adesão a Bolsonaro no segmento, embora o presidente tenha perdido densidade antes quando foi acusado de interferir na PF pelo ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro.

"Temos que ter maturidade para separar o joio do trigo. Cada um responde pelos seus atos. Politicamente é uma notícia ruim para o governo, tem que medir o desgaste que isso produz. É lógico que era melhor que não houvesse nada, mas, se vier escândalo, o segmento quer que seja punido", disse Sóstenes, membro da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. "Vamos aguardar para ver o que acontece. Todo segmento tem pessoas boas e pessoas ruins. Se houver punição será um bom sinal do governo. Afasta-se, investiga-se e, se tiver problema, vai preso mesmo. Se tiver mais agente de governo envolvido que seja punido, mas duvido que tenha outros links, para mim é caso isolado."

Diante do cenário adverso, o pastor Marco Feliciano (PL-SP) foi um dos primeiros a reconhecer que a prisão do ministro e dos pastores-lobistas causa "profundo constrangimento" na comunidade protestante, em especial nas Assembleias de Deus, ramo do qual ele faz parte. "É um dia muito triste para a igreja evangélica de vertente pentecostal", disse Feliciano.

O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, lembrou que cobrou "investigação total" do caso, em março. Na ocasião, ele disse que os líderes das igrejas não "tomariam lama" por causa de dois religiosos e, apesar de ter preservado o ministro num primeiro momento, passou a pedir a demissão com a revelação de que ela estampara a própria imagem em bíblias, que teriam sido compradas como forma de propina.

Mafalaia e aliados da bancada evangélica agora cobraram mais detalhes das investigações conduzidas pela PF, como quem teria pagado a propina, uma estratégia de defesa do governo. "Se estão presos por suspeita de corrupção, cadê os prefeitos? Corromperam quem?".

Os evangélicos também deram o tom de comparação com escândalos de corrupção em governos do PT, estratégia que o comitê bolsonarista quer emplacar para evitar uma sangria maior. Para eles, não há base para comparação com casos como mensalão e petrolão.

Bolsonaro recua no tom sobre Milton Ribeiro

Depois de falar que "colocaria a cara no fogo" pelo ex-ministro da Educação,presidente Jair Bolsonaro afirma que prisão é sinal de que ele não interfere na PF

"Bolsonaro tem que fazer do limão uma limonada, é só saber comunicar. No meu governo a gente afasta e vai preso, no do PT tentavam dar imunidade, nomear como ministro, como aconteceu com Lula", cita Sóstenes, em referência à tentativa de nomeação dele para a Casa Civil da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, barrada durante a Lava Jato.

O deputado disse que cobrou o afastamento de Ribeiro do MEC, mas afirmou que o presidente queria evitar a demissão e que nenhum deputado da bancada evangélica tinha ciência de detalhes do esquema. "Estava claro para mim que aquele Arilton era um pilantra, antes mesmo de o presidente afastar (Ribeiro). Estávamos pressionando, mas não tínhamos detalhes. Ele (Bolsonaro) naquele princípio de lealdade militar tentou contemporizar e só afastou porque ficou insustentável", disse Sóstenes.

Procurado pelo Estadão, o deputado João Campos (Republicanos-GO), que era aliado dos pastores e foi um dos que abriu portas no governo a eles, inclusive com reuniões no Palácio do Planalto, não quis se manifestar.

Estadão / Dinheiro Rural

Bolsonaro insiste em Braga Netto para vice e abre nova crise no Centrão




Bolsonaro e o General Braga Neto

Por Eduardo Gayer

 Mesmo com o governo acuado pela crise dos combustíveis e, agora, pela prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, o presidente Jair Bolsonaro decidiu abrir uma crise no Centrão e resistir à indicação da ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS) como candidata a vice na chapa da reeleição. A aliados, o chefe do Executivo tem afirmado que vai dobrar a aposta no ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto (PL) como seu escolhido para o posto. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já não esconde nos bastidores sua irritação com a intransigência de Bolsonaro.

O Broadcast Político conversou com dois integrantes da campanha à reeleição e com quatro parlamentares do PL do círculo íntimo de Bolsonaro. Todos confirmam as declarações do presidente sobre sua preferência, mesmo após o mais recente ataque especulativo do Centrão sobre Braga Netto, e relatam insatisfação com a postura do presidente. “Ele é cabeça-dura e não escuta quem entende de política. A gente precisa da Tereza. Às vezes, parece que o PR quer perder a eleição”, disse uma fonte à reportagem nos corredores do Congresso Nacional. “PR”, referência a Presidente da República, é como Bolsonaro é chamado por aliados.

De acordo com o entorno de Bolsonaro, ele sequer chegou a procurar Tereza Cristina até o momento para negociar a vice-presidência, o que teria deixado a ex-ministra com sentimento de desprestígio. A interlocutores, ela afirma que não precisa ser vice; ao contrário, tem uma eleição muito mais fácil no Mato Grosso do Sul, Estado por onde é pré-candidata a senadora. Por outro lado, a deputada federal já chegou a almoçar com Valdemar Costa Neto no dia 15 de junho, como informou a reportagem.

A preferência de Bolsonaro por Braga Netto é antiga e envolve seu temor de sofrer impeachment em um eventual segundo mandato com um nome ungido pelo Centrão, grupo com o qual se aliou para ter governabilidade. O Broadcast Político informou ainda em fevereiro que o grupo fisiológico quer emplacar Tereza Cristina para ampliar a aderência de Bolsonaro no eleitorado feminino, segmento em que tem grande rejeição.

O Centrão, porém, ainda não desistiu de emplacar a ex-ministra e pode sair vitorioso, avaliam parlamentares, que citam a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de voto para o Palácio do Planalto. Em entrevista a um canal no YouTube em 15 de junho, Bolsonaro afirmou que tanto Tereza Cristina quanto Braga Netto são “cotadíssimos” para assumir a vice em sua chapa eleitoral.

Tereza Cristina foi procurada pela reportagem para comentar a resistência de Bolsonaro a seu nome, mas não retornou aos contatos. 

Jornal do Brasil

Após prisão de Ribeiro, Flávio Bolsonaro dá nova versão para demissão de ministro



Numa tentativa de minimizar o impacto da prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro (foto), investigado por corrupção pela Polícia Federal, o Flávio Bolsonaro (PL-RJ) veio a público para tentar mostrar que seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, não tem ligação com o caso.

O senador divulgou uma nova versão para a saída de Ribeiro do governo em março, ocorrida após o Estadão revelar a existência de um gabinete paralelo no Ministério da Educação operado por dois pastores com cobrança de propina a prefeitos interessados em recursos da área. Aliados de Bolsonaro sabem do impacto de ter um ex-ministro preso justamente por suspeita na campanha à reeleição.

Segundo Flávio, Ribeiro foi afastado do cargo por Bolsonaro em março. A versão, no entanto, não combina com o que foi divulgado na época pelo próprio governo. Milton Ribeiro deixou o cargo "a pedido", como registra o Diário Oficial. No mesmo dia, em 28 de março, a primeira-dama Michelle Bolsonaro afiançou a honestidade do ministro. O presidente já havia dito que colocava "a cara no fogo" por Ribeiro.

"Enquanto Bolsonaro afasta o ministro, a PF faz investigação isenta, governos passados como o de Dilma tentava promover o Lula ministro para que não fosse preso por corrupção", declarou Flávio Bolsonaro num vídeo divulgado por sua assessoria.

Na época da demissão chegou a ser divulgada uma da carta de demissão de Ribeiro em que ele prometia voltar ao cargo quando tudo ficasse esclarecido. "Não me despedirei, direi um até breve, pois depois de demonstrada minha inocência estarei de volta", escreveu Ribeiro na primeira versão do texto enviado a Bolsonaro. Na versão final da carta, a frase foi alterada: "Agradeço e despeço-me de todos que me apoiaram nesta empreitada".

A principal preocupação dos aliados do presidente é sustentar que o presidente não compactua com corrupção, pauta que ele costuma repetir em seus discursos como sendo a grande entre sua gestão e a dos petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Seguindo mesmo roteiro de argumentos que vem sendo difundido desde quarta-feira, 22, por líderes evangélicos, Flávio Bolsonaro rechaça qualquer comparação entre o governo atual e as gestões petistas por conta do tema corrupção. O presidente da República insiste em dizer que no seu governo não há corrupção, ao contrário do que ocorria nas administrações petistas.

"Enquanto o presidente Bolsonaro trabalha dia e noite para reduzir preço do combustível, o preço da comida, a oposição tenta usar isso eleitoralmente e colocar o presidente na mesma prateleira do Lula, o que é impossível porque o Lula é o maior ladrão da história do país", disse o senador.

Apesar da tensão que o assunto provocou entre os aliados, Flávio sustenta que o governo não tem preocupação com o caso. "O governo está muito tranquilo. Esperamos que as investigações aconteçam de forma isenta e que o ex-ministro possa prestar os esclarecimentos", disse Flávio Bolsonaro. 

Estadão / Dinheiro Rural

Suspeita e certeza - Editorial




Prisões em apuração de corrupção mostram só parte da ruína do MEC sob Bolsonaro

Pouco depois de a Polícia Federal prender o ex-ministro Milton Ribeiro, da Educação, o presidente Jair Bolsonaro (PL) veio a público encenar desinteresse republicano pelo destino de seu aliado.

"Ele que responda pelos atos dele, eu peço a Deus que não tenha problema nenhum", disse à rádio Itatiaia de Minas Gerais. "Se a PF prendeu, tem um motivo, e o ex-ministro vai se explicar."

Nem pareceu o mesmo Bolsonaro que, em março, usou sua live semanal para afirmar: "Coisa rara de eu falar aqui: eu boto minha cara toda no fogo pelo Milton. Estão fazendo uma covardia contra ele".

À época, pipocavam notícias na imprensa sobre um balcão de negócios montado no Ministério da Educação, com a atuação escandalosa de dois pastores evangélicos sem vínculos formais com a pasta.

O jornal O Estado de S. Paulo revelou a movimentação da dupla, e a Folha publicou um áudio no qual o então ministro explicava que a liberação de verbas priorizava prefeituras que tivessem se acertado com os pastores Gilmar Silva dos Santos e Arilton Moura —também presos nesta quarta (22).

O acerto, segundo alguns gestores, envolvia o pagamento de propina, às vezes em barra de ouro. Ribeiro deu a entender que tudo corria a pedido do presidente.

Como ficou claro pela operação batizada de Acesso Pago, a PF trabalhou nos últimos três meses e se convenceu de que há indícios suficientes para acusar o ex-ministro e os pastores de crimes como tráfico de influência e corrupção.

Decerto que as investigações ainda precisam prosseguir, e resta longo caminho até uma eventual condenação pela Justiça. Entretanto a ruína promovida por Bolsonaro no MEC, uma das pastas mais essenciais da administração pública, pode ser constatada desde já.

O desastre começou pelo aparelhamento ideológico, que sacrificou a continuidade de políticas públicas em nome de caças às bruxas como as tentativas de intervir no conteúdo do Enem, o exame do ensino médio. A isso se somaram nomeações sucessivas de incompetentes, como o próprio Ribeiro.

O ministério ainda deu abrigo à sanha fisiológica —se é que se limita a isso— do centrão, que se apossou do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Daí viriam os recursos prometidos pelos pastores e também para emendas parlamentares de escassa transparência e motivo de suspeitas de superfaturamento.

Se Bolsonaro agora adota um tom distanciado, portanto, não é por um surto repentino de republicanismo, mas pelo receio de que o escândalo seja um desastre para sua campanha eleitoral, evidenciando o quanto há de mentiroso em seu discurso anticorrupção.

Folha de São Paulo

O eficiente emprego de SARP no conflito de Nagorno-Karabakh

 




Por Cap Vinícius Martins do Vale*

O conflito de Nagorno-Karabakh

Durante os meses de outubro e novembro de 2020, a região montanhosa denominada Nagorno-Karabakh, situada no sul do Cáucaso, foi palco de um conflito entre o Azerbaijão e a Armênia, os dois países pelos quais o enclave se estende. As duas ex-repúblicas soviéticas já haviam travado sangrentos conflitos pela soberania da região logo após a dissolução da União Soviética.

A Armênia, após os embates ocorridos na década de noventa, conquistou uma posição vantajosa em relação ao domínio territorial na região, mantendo-a até o recente conflito com o Azerbaijão. Apesar de os dois países exaltarem suas supostas conquistas nos combates, são notórias as vantagens territoriais adquiridas pelo Azerbaijão, além da superioridade militar obtida na disputa.

Um dos principais fatores que contribuiu para a superioridade militar do Azerbaijão nos embates foi o emprego de tecnologia militar avançada, especificamente o emprego de Sistema de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP). As Forças Armadas do Azerbaijão lograram explorar as inúmeras possibilidades no emprego de SARP, principalmente nas funções de reconhecimento e ataque.

O eficiente emprego de SARP por parte do Azerbaijão é, porém, creditado principalmente ao apoio da Turquia a esse país no conflito, já que o material e as táticas empregadas foram aperfeiçoados recentemente durante o envolvimento turco nos conflitos da Líbia e da Síria.

A evolução do emprego de SARP na Turquia

O marco do moderno emprego de SARP em combate foi sua utilização pelos Estados Unidos da América (EUA) em 2001, no contexto da doutrina de Guerra ao Terror. Após essa data, o emprego de SARP em combate evoluiu rapidamente, tendo outros países desenvolvendo seus sistemas próprios.

A Turquia, no início dos anos 2000, verificou a necessidade de empregar SARP em seu próprio território, visando suprimir movimentos armados curdos que lutavam, e ainda lutam, pela secessão de parte do território de maioria curda e pela criação de um país curdo soberano.

Inicialmente, os turcos confiaram no uso de sistemas estrangeiros, principalmente dos EUA e de Israel. Essa opção pelo uso de material estrangeiro passou a apresentar seus óbices quando os EUA, devido a choques diplomáticos com a Turquia, vetou a venda de diversos materiais militares para o país. Além disso, autoridades turcas passaram a acusar Israel de obter dados de inteligência através dos SARP fabricados e vendidos por Israel e operados, em parte, por técnicos israelenses.

Visando superar esses entraves, a cúpula das Forças Armadas turcas decidiu alocar recursos para o desenvolvimento nativo de SARP capazes de atender às suas necessidades. O engenheiro turco Selçuk Bayraktar, que obteve avançados conhecimentos sobre SARP em seus estudos no renomado instituto norte-americano Massachusetts Institute of Technology (MIT), aproveitou essa oportunidade e apresentou às autoridades militares os SARP desenvolvidos pela firma de componentes automotivos de sua família, a Baykar, baseados em seus conhecimentos.

Bayraktar logrou, assim, obter contratos para o desenvolvimento de SARP com as Forças Armadas turcas. A cúpula governamental turca passou a dar alta prioridade aos programas de produção de SARP visando combater o terrorismo curdo, e o relacionamento da firma Baykar com altas autoridades do país se intensificou. Bayraktar, inclusive, casou-se com a filha do presidente turco, Recep Tayyip Erdo?an. Sua firma é responsável pelo desenvolvimento do SARP TB2, espinha dorsal dos SARP turcos, os quais são compostos por diversos tipos de aeronaves.

Com o sucesso no desenvolvimento dos sistemas nativos, a Turquia passou a empregar seus SARP como instrumento de projeção de poder. A utilização de seus sistemas tornou-se notória pela sua eficiência, principalmente nos conflitos da Síria e da Líbia, e pelo baixo custo, em comparação com os SARP desenvolvidos e disponibilizados pelas principais potências militares. O sucesso de seu emprego no conflito de Nagorno-Karabakh, em favor do Azerbaijão, confirmou sua excelência.

O emprego de SARP no conflito de Nagorno-Karabakh

As funções desempenhadas pelos SARP no conflito foram diversas, sendo as de maior destaque as voltadas para o reconhecimento e o ataque.

O Azerbaijão adaptou antigas aeronaves soviéticas para serem controladas remotamente e empregou-as logo no início do conflito. Essas aeronaves sobrevoaram o perímetro batido por fogos antiaéreos armênios com o intuito de ativar suas defesas antiaéreas que, após iniciarem a realização de fogos, foram identificadas e, posteriormente, neutralizadas por SARP de ataque.

Com o enfraquecimento das defesas antiaéreas armênias, o emprego dos SARP foi facilitado na região conflagrada. Inicialmente, eram cumpridas as missões de reconhecimento das linhas de defesa armênias e de alvos compensadores. Após a obtenção dos alvos, eram executadas as missões de ataque a eles, neutralizando materiais de emprego militar de alto valor, tais como blindados, artilharia e sistemas de defesa antiaérea, abrindo brechas nas linhas de defesa e permitindo a infiltração de pequenos destacamentos azerbaijanos.

O emprego de pequenas frações com alta mobilidade e apoio aéreo foi uma das táticas empregadas pelas forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) no Afeganistão. Esse modo de operar tem como vantagem uma manobra logística reduzida e foi assimilado pela Turquia enquanto país-membro da aliança que atuou na invasão do Afeganistão. Empregando, assim, suas forças e contando com os SARP como apoio de fogo aéreo, evidenciou-se a grande influência turca nas ações militares do Azerbaijão.

Foram empregados, além de SARP de origem turca, veículos desenvolvidos por Israel, evidenciando a diversificação dos sistemas de armas do Azerbaijão, enquanto a Armênia contava com quase a totalidade de seus sistemas de armas provenientes da antiga União Soviética ou da Federação Russa. Os SARP israelenses empregados foram principalmente os denominados “Loitering Munition”, SARP que se autodestrói visando neutralizar ou causar danos em seu alvo.

Empregando a capacidade de gerar imagens dos SARP, o governo do Azerbaijão e suas Forças Armadas divulgavam, diariamente, em suas mídias sociais e televisivas, vídeos dos ataques a tropas e a materiais militares armênios. A quantidade e a qualidade do material armênio destruído por SARP, além de seu valor monetário, eram também divulgadas pelas autoridades com o intuito de angariar apoio popular aos combates.

O emprego eficiente dos SARP contribuiu sobremaneira para, além do esforço cinético da manobra, o desenvolvimento de Operações de Informação (Op Info) visando à dissuasão e à mobilização do apoio nacional.

Perspectivas para o emprego de SARP em combate

Diversos analistas militares expuseram as lições aprendidas com o emprego dos SARP no conflito e as tendências no emprego desses sistemas em combates futuros.

Um dos aspectos levantados é a pouca efetividade de sistemas de defesa antiaérea convencionais contra os SARP. A Armênia desdobrou, em grande parte, sistemas de defesa antiaérea antigos, muitos já obsoletos, mas também uma pequena quantidade de equipamentos mais modernos. Nenhum desses sistemas demonstrou efetividade em defender o espaço aéreo contra os SARP durante o conflito. Os sistemas, desenvolvidos para atingir aeronaves convencionais, são de pouca efetividade quando empregados contra SARP.

Uma importante tendência apontada pelos analistas é o emprego de Inteligência Artificial visando ao Comando e Controle dos SARP. Dessa maneira, as aeronaves atuariam de forma autônoma, não havendo necessidade de comunicações satelitais ou por meio de bases com sistemas rádio de Comando e Controle. Esse avanço diminuiria sua vulnerabilidade ao emprego de Guerra Eletrônica (GE).

Os SARP, assim, tornaram-se um meio eficiente e de menor custo para obter poder de fogo aéreo. Ao empregar esses sistemas, países em desenvolvimento podem suprir a falta de uma Força Aérea de alto custo, logrando uma interoperabilidade com forças terrestres e navais que aumentaria sobremaneira sua capacidade de combate.

*Cap Vinícius Martins do Vale -- Vale O autor é oficial de Cavalaria formado pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) no ano de 2007. Realizou o Curso de Operações Psicológicas (Op Psc) no ano de 2014 e cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) no ano de 2017. Obteve o grau de mestre pela EsAO por meio de pesquisa sobre as Operações de Informação empregadas pela Federação Russa na anexação da Crimeia em 2014. Atualmente, o militar serve no 1º Batalhão de Operações Psicológicas e é chefe do Centro de Operações Psicológicas.

DefesaNet

Em destaque

Motta nega irregularidade em voo alvo de investigação da PF e diz que sua bagagem foi inspecionada

  Motta nega irregularidade em voo alvo de investigação da PF e diz que sua bagagem foi inspecionada Por Marcos Hermanson/Folhapress 12/05/2...

Mais visitadas