sexta-feira, junho 24, 2022

Todo chamuscado




Por Merval Pereira (foto)

A falação sem controle do presidente Bolsonaro sobre qualquer assunto acaba levando-o a situações delicadas como esta, envolvendo a prisão do ex-ministro da Educação, o pastor Milton Ribeiro, e de vários pastores acusados de golpes no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Ao ser denunciado o escândalo de distribuição de verbas a prefeituras por meio do tráfico de influência dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, acusados de cobrar propinas para liberação de verbas no MEC, Bolsonaro reagiu com indignação, chegando a afirmar:

—Coloco minha cara no fogo pelo Milton.

Ontem, a internet estava cheia de memes do presidente todo chamuscado pelo escândalo, o que é péssima notícia para Bolsonaro neste início de campanha eleitoral — ele que empenhou a força de seu governo no Congresso para impedir a realização de uma CPI para investigação do Ministério da Educação.

No dia 18 de março deste ano, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, da Assembleia de Deus Ministério Cristo para Todos, tinham influência direta sobre as verbas do MEC, que tem um orçamento de R$ 159 bilhões, um dos maiores da Esplanada dos Ministérios. Com o desenrolar das investigações pela imprensa, ficou demonstrado que os dois pastores atuavam havia dois anos como intermediários de prefeitos que queriam liberar verbas do FNDE.

Os pastores tinham acesso livre ao próprio presidente Bolsonaro, e um áudio vazado na ocasião mostra o ministro Milton Ribeiro dizendo que os prefeitos acompanhados pelos pastores teriam a prioridade na liberação de verbas:

— Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim.

Os dois pastores participaram de 22 agendas na pasta, geralmente acompanhados de dezenas de prefeitos. Muitos municípios cujos representantes participavam das reuniões conseguiram liberação de verbas semanas depois.

Bolsonaro vive dizendo que em seu governo não há corrupção, mas ele não tomou qualquer providência desde o momento em que surgiram as denúncias e só aceitou a saída do ministro depois de muita repercussão na opinião pública. A relação de Bolsonaro com os evangélicos é muito direta — ele agora disputa com Lula a primazia do apoio do grupo religioso —e pode ficar prejudicada com o envolvimento de pastores na denúncia de corrupção no Ministério da Educação.

Bolsonaro, desde que a notícia da prisão do ex-ministro explodiu na imprensa, já não coloca sua cara no fogo. Ao contrário, já disse que Milton Ribeiro tem de responder por seus atos, mas são atos que repercutem diretamente no governo Bolsonaro, e ele nunca mandou apurar nada, nem tomou qualquer atitude contrária ao seu ex-ministro.

A prisão dos acusados de corrupção pela Polícia Federal agrega mais problemas a uma campanha que está marcada pela disputa interna de poder entre os políticos do Centrão e a família de Bolsonaro. A situação econômica do país não leva a uma expectativa positiva, daí as atitudes extremas do governo no trato da Petrobras. Embora, nesse caso, a oposição ao governo tenha a mesma posição, que é tentar controlar os preços da Petrobras, não adianta nada a Bolsonaro alegar que o ex-presidente Lula tem a mesma receita que ele: acabar “com uma canetada” com a política da estatal de equiparação do preço dos combustíveis ao praticado em níveis internacionais, com base no comércio do petróleo.

A mudança da Lei das Estatais para permitir uma interferência maior do acionista majoritário, no caso o governo brasileiro, na gestão da Petrobras tem um efeito colateral que já causou muitos estragos na economia do país: permitir que políticos possam voltar a ter influência na escolha de dirigentes da estatal, o que ocasionou, no governo Lula, o escândalo do petrolão.

Não é por acaso que também nessa questão os líderes das pesquisas eleitorais, Lula e Bolsonaro, pensem da mesma maneira. A utilização política de nossa maior empresa estatal é um pensamento comum aos dois, assim como acabar com o teto de gastos e outros empecilhos legais que impedem um desequilíbrio fiscal mais acentuado. O escândalo atual do MEC, que era controlado por um grupo evangélico, entra na conta de Bolsonaro sem que ele possa reclamar.

Outro dia, queixou-se de estar apanhando “dia sim, outro também” e declarou-se estressado com a situação. Desta vez, embora tenha querido tirar o corpo fora do caso do pastor Milton Ribeiro, o presidente Bolsonaro não tem como desvencilhar-se da crise política que terá de enfrentar dentro da campanha pela reeleição.

O Globo

Hackers russos atacaram 42 países desde início da guerra




Segundo relatório da Microsoft, ataques miraram 128 organizações, e principais alvos foram computadores de governos da Otan e aliados de Kiev. Quase 30% das invasões cibernéticas foram bem-sucedidas.

Desde o início da guerra na Ucrânia, hackers russos lançaram ataques cibernéticos contra 42 países que apoiam os ucranianos, como Estados Unidos, Polônia e as nações bálticas, revelou nesta quarta-feira (22/06) um relatório divulgado pela gigante de tecnologia Microsoft. Ao todo, 128 organizações foram atacadas.

De acordo com a empresa sediada no estado americano de Washington, os hackers tiveram como alvo principalmente computadores governamentais de países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Os Estados Unidos são o país mais afetado pelas tentativas de ataques cibernéticos.

A Microsoft não divulgou a lista completa dos 42 países afetados, mas indicou alguns, como os EUA, Polônia, Estônia, Letônia, Lituânia, Dinamarca, Noruega, Finlândia, Suécia e Turquia.

Segundo o presidente da Microsoft, Brad Smith, as agências de inteligência russas aumentaram as tentativas de invasão de redes e atividades de espionagem contra países aliados da Ucrânia, desde o início da guerra, em 24 de fevereiro.

Ataques bem-sucedidos em quase um terço das tentativas

Metade das organizações visadas pelos hackers russos são agências governamentais. Os ataques também incluem think tanks, ONGs, empresas de serviços de tecnologias de informação, empresas de energia e outros fornecedores importantes de infraestrutura, destaca a Microsoft.

De todas as tentativas de ataque identificadas pela Microsoft desde o início da guerra, 29% foram bem-sucedidas, e em alguns casos os hackers obtiveram informações confidenciais das organizações visadas.

Segundo a empresa criadora do Windows, a estratégia russa no campo cibernético no âmbito da invasão da Ucrânia está sustentada em três pilares: ataques cibernéticos destrutivos contra países vizinhos, invasão de redes e espionagem fora do território ucraniano, e operações digitais para ganhar influência em todo o mundo.

O relatório também indicou que, no início da guerra, a Rússia realizou ataques cibernéticos contra a infraestrutura digital do governo da Ucrânia. Kiev conseguiu, porém, impedir esses ataques graças principalmente a medidas de precaução. Uma semana antes da invasão, a Ucrânia deixou de armazenar seus dados localmente em servidores nos prédios governamentais e optou por salvá-los na nuvem.

Deutsche Welle

Vitimização não servirá a Bolsonaro




Bolsonaro entrou em modo desespero e Lula não indica se entendeu o que vem em 2023

Por William Waack (foto)

Neste momento político da corrida eleitoral os horizontes dos dois líderes se distanciaram bastante. O de Lula já está em 2023. O de Bolsonaro se reduziu aos próximos 101 dias (2 de outubro é a data do primeiro turno).

O presidente se envolveu numa custosa operação política de curtíssimo prazo para o tamanho do objetivo, que é baixar na marra o preço dos combustíveis. Até aqui não conseguiu, nem colocou de pé a ajuda para quem não tem como pagar gás e diesel. Sendo a mesma coisa as políticas de governo e a eleitoral, nenhuma está funcionando.

Tampouco estão ajudando “imponderáveis” para a campanha dele, como a prisão do ex-ministro da Educação, por quem disse que poria a cara no fogo. Ao eleitorado cativo pouco importa, pois populistas como Bolsonaro não dependem de coerência entre palavras e ações. Em situações adversas desse tipo, tornam-se “traídos” – mas é uma “vitimização” que não acrescenta votos.

Visivelmente confortável na liderança das pesquisas, Lula não indica em público se tem noção exata do desastre político – para um chefe de Executivo – que herdaria de Bolsonaro. Pode até parecer “confortável” para um agrupamento político como o PT o recente assalto ensaiado pelo Centrão às instâncias que protegem estatais de interferências políticas, mas a questão é mais abrangente.

Não se trata simplesmente de colocar a Petrobras de joelhos e voltar a lotear as diretorias de estatais, algo que o PT e seus aliados (como o MDB) praticaram com os conhecidos resultados. A volta triunfante do clientelismo vem acompanhada agora de instrumentos inéditos de poder por parte do Legislativo.

Em termos brutais, se o “mensalão” de uns 20 anos atrás foi ferramenta para assegurar maiorias, esse instrumento hoje nem sequer existe. As emendas do relator permitem às lideranças parlamentares administrar seu próprio “mensalão” de forma perfeitamente legal.

Lula está enganado se pensa que se entender com o Centrão é questão de habilidade política. Teria de lidar em 2023 com uma massa relativamente atomizada de parlamentares sem dispor de espaço fiscal ou ferramentas para exercer controle – teria os votos para não ser impichado, mas não as maiorias para implementar qualquer matéria de longo alcance.

E isto tudo é só a política. Estão se adensando os sinais de uma recessão em algumas das principais economias lá fora, com inevitáveis consequências para o Brasil. Vencendo, Lula assume num momento global de contração e não de expansão, como aconteceu em seu primeiro mandato. Se entendeu o que vem em 2023, ainda não foi ao microfone avisar a todos nós a bordo: “brace for impact”. 

O Estado de São Paulo

A putrefação do governo Bolsonaro - Editorial




Escândalo do MEC não é de longe o único indício de podridão num governo que pouco faz no combate à roubalheira e muito se empenha em manietar órgãos de fiscalização e controle

A operação policial que prendeu preventivamente o pastor e ex-ministro da Educação Milton Ribeiro deve ter surpreendido só alguns bolsonaristas que ainda acreditam no discurso do presidente Jair Bolsonaro segundo o qual não existe corrupção em seu governo. Já a maioria dos brasileiros sabe muito bem, e há tempos, que algo não cheira bem na Presidência de Jair Bolsonaro.

O papel de Milton Ribeiro no escândalo do Ministério da Educação, que envolve a ação de pastores evangélicos que atuavam como lobistas, ainda está por ser inteiramente esclarecido. Mas são muitos os indícios de que malfeitos cabeludos foram cometidos no MEC sob as bênçãos de Milton Ribeiro e sob as barbas de Jair Bolsonaro. 

Os pastores lobistas, que não tinham função pública e, conforme revelou o Estadão, pediam propina em troca de acesso de prefeitos a recursos do Ministério, estiveram nada menos que 35 vezes no Palácio do Planalto. Havia uma evidente proximidade. Diante da abundância de evidências, a Justiça autorizou a deflagração de uma operação para investigar indícios de crimes de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência no MEC.

Mas o caso do MEC não é nem de longe o único indício de podridão no governo Bolsonaro. Há pouco tempo, o País ficou estupefato ao tomar conhecimento, na CPI da Pandemia, que o Ministério da Saúde foi envolvido em negócios esquisitos com vacinas e medicamentos. Em outro caso, um ministro do Meio Ambiente foi demitido por suspeita de ligação com um esquema de exportação de madeira ilegal. Mas o estado da arte do cupinzeiro bolsonarista é o orçamento secreto – esquema de distribuição obscura de recursos públicos a aliados para obras e compras eleitoreiras, naturalmente superfaturadas.

Considerando a notória opacidade do governo Bolsonaro, que viola sistematicamente as leis de transparência da administração pública, é muito provável que esses casos sejam apenas alguns entre tantos que ainda não se deram a conhecer. Não fosse o trabalho da imprensa, tão vilipendiada por Bolsonaro, o País não saberia da missa a metade.

Hoje, está claro que só acredita na pureza do governo quem ainda dá crédito às garantias de Bolsonaro. É bom lembrar que, quando estourou o escândalo do MEC, o presidente foi às redes sociais para jurar que o então ministro Milton Ribeiro era inocente. “Eu boto minha cara no fogo pelo Milton. Minha cara toda no fogo pelo Milton”, desafiou Bolsonaro. Ontem, chamuscado pela prisão do ex-ministro, o presidente jogou o pastor na fogueira: “Ele que responda pelos atos dele”.

Fiel a seu estilo pusilânime, e obviamente ciente do prejuízo eleitoral que o escândalo pode lhe causar, Bolsonaro tratou de fugir da responsabilidade: “Eu tenho 23 ministros, mais uma centena de secretários, mais de 20 mil cargos comissionados. Se alguém faz algo de errado, pô, vai botar a culpa em mim?”. Bolsonaro pode até não ter tido participação direta no caso, mas é muito estranho que seu governo tenha determinado sigilo de 100 anos sobre as dezenas de visitas dos pastores lobistas ao Palácio do Planalto.

É esse apego ao segredo que gera um ambiente extremamente propício para a corrupção, pois há certeza da proteção oficial, garantida também pelo aparelhamento dos órgãos de fiscalização e controle. Não é por outro motivo que o Brasil caiu da sexta para a décima posição, entre países da América Latina, no Índice de Combate à Corrupção mensurado pela Americas Society/Council of the Americas em parceria com a empresa Control Risks. Segundo o estudo, recentemente divulgado, “Bolsonaro procurou consolidar o controle sobre os órgãos que investigam supostos casos de corrupção envolvendo seus aliados”.

Desse modo, com Bolsonaro na Presidência, o Estado brasileiro ficou menos independente para prevenir, detectar e punir a corrupção no âmbito federal. Desrespeitar a Lei de Acesso à Informação, encabrestar a Procuradoria-Geral da República e desvirtuar os órgãos de fiscalização e controle, como faz o governo, têm consequências. É preparar o terreno para a roubalheira. 

O Estado de São Paulo

Guerra na Ucrânia ameaça metas climáticas globais




As gigantescas emissões carbônicas dos conflitos armados em geral permanecem ocultas. Cúpula do G7 poderá mudar esse quadro, ao examinar os impactos climáticos da guerra na Ucrânia, movida pelo petróleo e gás da Rússia.

Por Stuart Braun

É sabido que a invasão russa em curso na Ucrânia semeia miséria, morte e destruição. Menos divulgados, porém, são seus impactos de longo alcance sobre o clima. Os bilhões de dólares em armas, jatos, tanques e caminhões que movimentam o conflito avassalador contribuem com emissões carbônicas diretas difíceis de quantificar e que não estão previstas na meta de manter o aquecimento global em 1,5 ºC acima dos níveis pré-industriais.

Contudo, ao desencadear uma crise global de energia, essa guerra também representa uma ameaça indireta às metas do Acordo de Paris. Ela expôs a dependência do mundo do petróleo e gás, a qual também financia a máquina bélica da Rússia. E, em sua ânsia de buscar alternativas, muitas nações ocidentais lançam mão de fontes de energia ainda mais poluentes.

Em vez de acelerar a transição para as fontes renováveis, a União Europeia (UE), por exemplo, planeja substituir parte do gás russo com "gás da liberdade" americano, obtido por fraturamento e alto emissor de CO2. Há temores de uma fixação ainda maior nos combustíveis fósseis, num momento em que países como a Alemanha consideram reabrir suas minas de carvão para fazer frente à crise energética.

Pegada carbônica oculta da atividade militar

A caminho da cúpula do G7, neste domingo (26/06), na Alemanha, os líderes mundiais terão que finalmente se confrontar com o impacto da guerra na Ucrânia sobre o clima, afirma Axel Michaelowa, cofundador da consultoria climática Perspectives Climate Group.

"Agora o G7 está se ocupando dos impactos indiretos, relacionados ao clima, que tornam mais difícil para o grupo alcançar as metas climáticas do Acordo de Paris", comenta. Ele é o principal autor de um relatório publicado durante a conferência do clima de Bonn, encerrada em 16 de junho, no qual se enfatiza a necessidade de melhor documentar e prestar contas das emissões militares e provenientes de conflitos.

O documento mostra que só se conhece em parte o volume de gases-estufa gerados por operações militares em tempos de paz, e que ninguém se responsabiliza por eles, no contexto das metas climáticas das Nações Unidas. "Já que as emissões militares podem chegar e centenas de milhões de toneladas de CO2 por ano", as nações precisam "abordar com mais transparência" os impactos diretos e indiretos da guerra, reivindica Michaelowa.

Uma sugestão é incluir todas as emissões militares num "inventário global" de gases do efeito estufa, a ser finalizado na conferência do clima COP28, de novembro de 2023. Outra é a Convenção-Quadro da ONU sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), que gere as metas climáticas globais, passar a monitorar remotamente a "destruição de alta intensidade", durante as guerras, de reservatórios de carbono como depósitos de combustível, cidades e florestas.

Emissões maciças, dos combates à reconstrução

Embora há décadas militares de todo o mundo alertem que uma crise climática crescente possa ser o principal estopim de um conflito futuro, eles pouco fizeram para examinar seu próprio papel em agravar o aquecimento global com a queima de combustíveis fósseis.

As Forças Armadas da União Europeia, as segundas maiores do mundo, só registram algumas emissões por questões de segurança nacional. As indiretas, geradas pela fabricação de equipamento e armas militares, por exemplo, não são incluídas.

Segundo um relatório de 2021 da ONG Conflict and Environment Observatory (CEOBS), sediada no Reino Unido, as emissões militares do país são pelo menos três vezes superiores aos 11 milhões de toneladas de CO2 registrados em 2018.

Já as emissões anuais das maiores Forças Armadas do mundo, as dos Estados Unidos, se devidamente aferidas, são superiores ao total da Suécia ou da Dinamarca. Tendo emitido cerca de 23,5 milhões de toneladas em 2017, a máquina de guerra americana é considerada a maior consumidora institucional de combustíveis fósseis do planeta.

Segundo uma estimativa, o incêndio de milhares de poços de petróleo na guerra do Golfo Pérsico de 1991 produziram de 2% a 3% das emissões globais. Apesar disso, os governos mostraram pouco interesse em coibir emissões militares de tamanho porte.

Nos últimos tempos, esse quadro começou a mudar: a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) urge seus Estados-membros a alcançarem a neutralidade climática até o ano 2050. Segundo relatório recente do CEOBS, para tal será essencial computar todas as emissões diretas e indiretas, de modo regular e transparente, inclusive as resultantes da reconstrução pós-guerra.

Michaelowa dá um exemplo: as emissões carbônicas necessárias para reconstruir as cidades destruídas na guerra da Síria equivalem à produção anual de gases-estufa da Suíça.

'Reconstruir uma cidade como Aleppo, na Síria, envolverá grande volume de CO2'

Paz através de transparência climática?

A guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia consolidou a conscientização crescente sobre emissões militares. "É a primeira vez que a mídia me pergunta sobre o impacto climático da guerra", comenta Doug Weir, diretor de pesquisa do CEOBS, referindo-se ao modo como o conflito expôs a "insegurança energética" e a dependência de combustíveis fósseis.

Ele acrescenta que os orçamentos militares também costumam se concentrar em garantir suprimentos de combustíveis fósseis, inclusive na Líbia, onde uma década de conflito reduziu dramaticamente a produção de petróleo. Segundo o Greenpeace, entre 2018 e 2021 Itália, Espanha e Alemanha investiram mais de 4 bilhões de euros em missões visando preservar o abastecimento de petróleo e gás natural.

Segundo o pesquisador e especialista em emissões militares Stuart Parkinson, da organização britânica Scientists for Global Responsibility, todo gasto militar está ligado a combustíveis fósseis, inclusive na Ucrânia. Juntamente com a Rússia, antes da guerra o país era responsável por 3,5% do total de 2,1 trilhões de dólares dos gastos militares do mundo. Desde a invasão iniciada em 24 de fevereiro, contudo, Kiev já recebeu 19 bilhões de dólares em ajuda militar só dos EUA.

Parkinson acrescenta que pelo menos oito membros da Otan planejam aumentar seus orçamentos militares devido ao conflito – a Alemanha anunciou um incremento de 100 bilhões de euros –, o que "afetará a pegada carbônica militar total, além das maciças emissões da própria guerra".

Embora a noção de guerra por petróleo não seja nova, a mudança climática acrescenta uma nova dimensão à conexão entre Forças Armadas e combustíveis fósseis. Se a responsabilização compulsória por emissões militares ameaçar a capacidade de um país de alcançar suas metas climáticas, "isso poderá ter um efeito dissuasivo sobre a agressão", acredita Axel Michaelowa.

A lógica é que a ação visando limitar o aquecimento global exigirá uma transição energética total para as fontes renováveis, resultando em menores lucros com a exportação de combustíveis fósseis que possam ser reinvestidos em grandes máquinas bélicas: "Se tivermos um mundo construído sobre energia renovável, descentralizada, haverá menos verbas para quem quer invadir seus vizinhos", conclui o consultor para o clima.

Deutsche Welle

UE concede a Ucrânia e Moldávia status de candidato ao bloco




Líderes da União Europeia aprovaram elevar a Ucrânia e a Moldávia ao patamar de países candidatos. Adesão ao bloco ainda depende da aprovação de reformas e processos de avaliação, e provavelmente levará anos.

Os líderes da União Europeia (UE) decidiram por unanimidade nesta quinta-feira (23/06) tornar a Ucrânia e a Moldávia candidatos oficiais para a adesão ao bloco.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, fez o anúncio após debates entre os líderes dos 27 países-membros da UE.

Zelenski comemora decisão

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, saudou a decisão, chamando-a de "um momento único e histórico" na relação com o bloco. "O futuro da Ucrânia está na UE", ele tuitou.

A presidente moldava, Maia Sandu, tuitou que a decisão foi um "forte sinal de apoio à Moldávia e a nossos cidadãos".

Os 27 países da UE estão em grande medida unidos no apoio à Ucrânia desde a invasão russa, em 24 de fevereiro, e adotaram sanções econômicas sem precedentes contra Moscou. Apenas quatro dias depois que a Rússia iniciou a guerra, a Ucrânia candidatou-se para se tornar membro da UE. 

Os países-membros estavam inicialmente divididos quanto à rapidez com que o bloco deveria aceitar a Ucrânia como um membro, com Holanda, Suécia e Dinamarca entre os mais céticos. 

Mas o pedido da Ucrânia recebeu um impulso na semana passada, quando a Comissão Europeia deu seu aval, com base nas respostas de Kiev a um questionário.

O que os líderes da UE disseram

O chanceler federal alemão, Olaf Scholz, tuitou suas felicitações aos dois países. 

"O Conselho Europeu dá as boas-vindas a dois novos países candidatos à adesão à UE", escreveu Scholz. "Pela boa cooperação na família europeia!"

A primeira-ministra da Estônia, Kaja Kallas, disse à DW que a União Europeia teve uma janela de oportunidade para convencer a Ucrânia e a Moldávia a implementarem as reformas necessárias para a adesão ao bloco.

"Se você perde esta janela de oportunidade por não dar esperança, a Ucrânia e a Moldávia não fazem as reformas de que também precisamos. Livrar-se da corrupção, sendo também um país onde vigora o Estado de direito", disse ela.

"Hoje a UE está enviando uma mensagem de solidariedade ao povo da Ucrânia de que vocês pertencem à família europeia, de que vocês pertencem à UE... E vocês terão o status de candidato", disse o primeiro-ministro irlandês, Micheal Martin, ao chegar à cúpula.

No início da quinta-feira, o Parlamento Europeu votou a favor de conceder à Ucrânia e à Moldávia o status de candidato à UE.

A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, disse que a votação tinha sido "inequívoca". 

"Isso mostrará liderança, determinação e visão no contexto da guerra da Rússia contra a Ucrânia", tuitou.

Macedônia do Norte e Albânia seguem no limbo

Os líderes da UE incluíram nos debates desta quinta-feira uma recomendação da Comissão Europeia para conceder à Moldávia, um país que faz fronteira com a Ucrânia, o status de candidato.

Contudo, os líderes não conseguiram superar um impasse sobre pedidos da Macedônia do Norte e da Albânia para a adesão ao bloco, que estão paralisados.

Os dois países receberam o status de candidatos em 2005 e 2014, respectivamente. O primeiro-ministro da Macedônia do Norte, Dimitar Kovacevski, reagiu à falta de progresso. "O que aconteceu é um sério golpe na credibilidade [da] União Europeia", disse ele em uma entrevista coletiva após a cúpula.

"Por quase 20 anos, os países e os cidadãos dos Bálcãs Ocidentais esperam a oportunidade de se tornarem membros da União Europeia", havia dito Scholz antes da cúpula em Bruxelas. O chanceler federal alemão mencionou que a Macedônia do Norte havia inclusive mudado o seu nome para reforçar sua aspiração de aderir à União Europeia.

Deutsche Welle

Brics: Xi Jinping critica "abuso" de sanções; Putin recrimina Ocidente




China tem a maior economia do bloco dos Brics

Por Guy Faulconbridge 

Londres - O presidente da China, Xi Jinping, criticou hoje (23) o que ele chamou de abuso das sanções internacionais, enquanto o presidente da Rússia, Vladimir Putin, recriminou o Ocidente por fomentar uma crise global, com os dois líderes pedindo maior cooperação dos Brics.

Xi pediu que Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (Brics) assumam a responsabilidade conferida por sua influência econômica e defendam um sistema internacional verdadeiramente multinacional, baseado na Organização das Nações Unidas (ONU).

"Temos que abandonar a mentalidade da Guerra Fria e bloquear o conflito e nos opor a sanções unilaterais --e ao abuso de sanções", disse Xi à cúpula dos Brics por meio de um tradutor.

"Nossa reunião de hoje vem em um momento crucial de escolha para o futuro da humanidade: como mercados emergentes-chave e países em desenvolvimento, os países dos Brics devem estar à altura de nossa responsabilidade", afirmou o líder chinês.

A China tem, de longe, a maior economia do bloco dos Brics, respondendo por mais de 70% do poder econômico coletivo de US$ 27,5 trilhões do grupo.

Putin, por sua vez, pediu o fortalecimento da cooperação dos Brics e alfinetou o Ocidente, que ele acusou de fomentar uma crise.

"Somente com base em uma cooperação honesta e mutuamente benéfica podemos procurar maneiras de sair da situação de crise que se desenvolveu na economia global devido às ações mal consideradas e egoístas de Estados individuais", disse Putin.

Ele acusou o Ocidente de "usar mecanismos financeiros" para "esconder seus próprios erros de política macroeconômica para o mundo inteiro".

Putin tem dito que as relações com a China estão em seu melhor momento e anunciou uma parceria estratégica com o país asiático destinada a combater a influência dos Estados Unidos.

Reuters / Agência Brasil

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China e Rússia criticam Ocidente em cúpula dos Brics

Sanções a Moscou por guerra na Ucrânia foram um dos temas levantados por Xi e Putin em encontro anual de líderes do bloco. Bolsonaro evitou se posicionar sobre o conflito.

A China e a Rússia usaram a reunião de cúpula anual dos Brics, realizada nesta quinta-feira (23/06), para criticar os países do Ocidente e as sanções aplicadas contra Moscou devido à guerra na Ucrânia.

O grupo, que inclui também Brasil, Índia e África do Sul, deveria "assumir a responsabilidade" e trabalhar pela "igualdade e justiça" no mundo, disse o presidente chinês, Xi Jinping, em seu discurso de abertura. Ele apelou para que os países dos Brics se oponham às sanções impostas pelo Ocidente.

Xi já havia feito comentários semelhantes na quarta-feira, no fórum empresarial dos Brics, quando disse que as sanções eram "um bumerangue e uma espada de dois gumes" que afetavam todos os países do globo e advertiu contra a "expansão de alianças militares", como vem ocorrendo com a Otan, que recebeu pedidos da Suécia e da Finlândia para aderirem à aliança.

O presidente russo, Vladimir Putin, por sua vez, culpou "ações impensadas e egoístas de certos países" pela crise econômica global, e disse que "cooperação honesta e mutuamente benéfica" seria a única saída para essa crise.

"Esta situação de crise que se configurou na economia global devido às ações impensadas e egoístas de certos Estados que, usando mecanismos financeiros, essencialmente transferem a culpa por seus próprios erros de política macroeconômica para o mundo inteiro", disse Putin.

O líder russo também afirmou que a autoridade e a influência dos Brics a nível mundial estaria "aumentando constantemente" à medida que os países membros aprofundavam sua cooperação e trabalhavam para "um sistema verdadeiramente multipolar de relações interestaduais".

Na quarta-feira, no fórum empresarial do bloco, Putin havia ressaltado o aumento de parcerias comerciais e da exportação de petróleo russo para países do Brics.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, optou por um discurso mais comedido, no qual defendeu a reforma de organizações internacionais como o Conselho de Segurança da ONU e o Banco Mundial para darem mais peso à representação das "economias emergentes".

Bolsonaro também evitou se posicionar sobre a guerra na Ucrânia, e disse somente que os países deveriam priorizar o "exercício diplomático que produza prosperidade e paz".

Índia e China compram mais petróleo da Rússia

A China, a Índia e a África do Sul se abstiveram de votar em uma resolução das Nações Unidas condenando a invasão russa da Ucrânia. O Brasil votou a favor da resolução, apesar de Bolsonaro ter visitado Putin poucos dias antes da invasão e ter dado declarações dúbias sobre o tema.

A Índia está assumindo uma posição neutra em relação à guerra na Ucrânia e não tem apoiado as sanções. Nova Delhi tradicionalmente tem boas relações com Moscou e compra muitos armamentos russos.

Recentemente, tanto a China com a Índia vêm aumentado significativamente suas importações de petróleo da Rússia. Na Índia, as compras de petróleo russo de março a maio foram seis vezes maiores do que no mesmo período do ano anterior, enquanto as importações da China no mesmo período triplicaram, segundo dados da consultoria de pesquisa Rystad Energy.

Apenas no mês de maio, de acordo com dados do governo chinês, as importações de petróleo bruto da Rússia pela China foram 55% superiores do que há um ano, desbancando a Arábia Saudita como principal fornecedor da China.

Os Brics reúnem mais de 40% da população mundial e cerca de um quarto do PIB (Produto Interno Bruto) global. Os líderes dos cinco países dos Brics reúnem-se uma vez por ano desde 2009. Neste ano, a cúpula foi realizada de forma virtual, devido às rigorosas medidas sanitárias contra a pandemia em vigor na China, que exerce a presidência rotativa do bloco.

Divergências entre os países

Os membros dos Brics não estão alinhados em todas as questões e as relações entre alguns deles são tensas.

Os laços entre a China e a Índia em particular se deterioraram em meio a um impasse militar na região fronteiriça de Ladakh, nos Himalaias, após confrontos mortais entre militares dos dois lados em junho de 2020.

A Índia também faz parte do grupo Quad, composto por Austrália, Japão e EUA, que em maio emitiu uma declaração opondo-se fortemente a quaisquer "ações coercitivas, provocatórias ou unilaterais que procurem mudar o status quo e aumentar as tensões" na região do Indo-Pacífico, tendo como pano de fundo as crescentes ambições políticas da China na região.

Taiwan, uma ilha autogovernada que Pequim reivindica como seu próprio território, é um ponto central desse conflito. Há receio de que Pequim use suas forças armadas para tentar forçar uma reunificação. Taiwan tem um governo independente desde 1949.

Deutsche Welle

O incrível retorno do príncipe que mandou esquartejar o jornalista

 




De Biden a Boris, todo mundo vai visitar a Arábia Saudita, reabilitando Mohammad Bin Salman em nome da crise do petróleo e do pragmatismo. 

Por Vilma Gryzinski

Todo dia cai 1 bilhão de dólares nos cofres da Arábia Saudita. É o petróleo a quase 115 dólares o barril, com demanda em alta e oferta em baixa, que produz a benesse.

O mesmo petróleo produz outro milagre: a reabilitação de Mohammad Bin Salman, o príncipe herdeiro que assumiu o controle total da Arábia Saudita depois que a saúde – e muitas maquinações do filho – tiraram o pai da cabine de comando.

Emmanuel Macron foi visitá-lo em dezembro, Boris Johnson em março e Joe Biden irá agora em julho. Quase tão incrivelmente, MBS – ou “emmbiess”, como é universalmente chamado – desembarcou na Turquia e foi recebido com honras pelo presidente Recep Tayyp Erdogan, como se nada tivesse acontecido.

Os dois países chegaram perto da ruptura depois de um dos mais mal sucedidos assassinatos políticos de todos os tempos, a morte por estrangulamento, seguida pelo esquartejamento do corpo, jamais encontrado, de um oposicionista sem muito destaque, Jamal Khashoggi, operador político e jornalista que, no exílio, passou a colaborar com uma coluna mensal para o Washington Post.

Qualquer mal que Khashoggi pudesse causar à imagem de MBS como colunista não se compara nem remotamente ao estrago feito por sua morte, hedionda nas mãos de uma equipe da inteligência saudita que conseguiu o prodígio de se deixar filmar e gravar pelos órgãos de informação da Turquia.

Assim, o mundo inteiro ficou sabendo que os quinze assassinos trapalhões foram enviados num jatinho, depois que Khashoggi marcou data, em 2 de outubro de 2018, para pegar seu atestado de divórcio no consulado saudita em Istambul. Pretendia se casar novamente e deixou a noiva esperando na porta, do lado de fora. Em vez disso, foi estrangulado e esquartejado por um “especialista” que levou um equipamento do tipo usado por legistas.

Com o crime revelado em detalhes – exceto pelo misterioso desaparecimento do corpo -, o príncipe fez um julgamento armado para enquadrar os executores e eximir o mandante.

Joe Biden caprichou na condenação à barbárie quando era candidato e queria incriminar Donald Trump pela extrema proximidade que cultivou com MBS.

A realpolitik agora bateu à sua porta. O presidente americano não está errado – além, obviamente, como todos os políticos, de ter interesse máximo em controlar os preços enlouquecidos dos combustíveis, um dos mais conhecidos fatores de incineração de carreiras de líderes que dependem do voto popular.

Biden, com todo o peso dos Estados Unidos, vai defender não só os interesses de seu país como, indiretamente, os do resto do mundo, inclusive nós, brasileiros, assolados por preços sufocantes – e que podem subir mais ainda.

Quando a Arábia Saudita, que domina 15% da produção mundial de petróleo, abre mais a torneira, os preços recuam.

Do ponto de vista do pragmatismo e do interesse geopolítico em não desestabilizar o equilíbrio de poder nos países atrelados ao preço internacional do petróleo, faz todo o sentido.

Do ponto de vista moral, obviamente, é discutível.

A Arábia Saudita não só tem o petróleo na mão, como é um país vital para o Oriente Médio expandido. No governo Trump, facilitou a abertura de outros países do Golfo Pérsico para Israel e, se negociações de um acordo com os palestinos evoluíssem, também daria o grande passo.

Na prática, já tem uma aliança tácita com Israel, ditada pelo interesse comum em não fortalecer o grande inimigo, o Irã dos aiatolás xiitas que não só controla a Síria e o Líbano do Hezbollah, em contraposição aos sunitas, como está a um passo de produzir sua bomba nuclear.

Um Irã atômico mudaria todo o mapa geopolítico do Oriente Médio e do mundo.

Mohammad Bin Salman, que tem 36 anos, consolidou seu poder como herdeiro oficial em 2017 e contratou os alguns dos maiores especialistas do mundo em relações públicas para promovê-lo como um modernizador que abriria gradualmente um país dominado pela mais conservadora versão do Islã sunita.

A ouvidos ocidentais, soa até ridículo, mas permitir que mulheres dirijam e não sejam obrigadas a se cobrir inteiramente de negro, incluindo o rosto, em público trazia uma pequena revolução. Jovens sauditas descobriram maravilhados que podiam fazer em seu país o que só viagens ao exterior propiciavam, como shows de música – e sem separação estrita entre os sexos.

MBS também tem planos extremamente ambiciosos de transformar a Arábia Saudita numa atração turística com polos de alta tecnologia – uma guinada tremenda num país que só admite a entrada de estrangeiros com contrato de trabalho ou em peregrinação aos lugares santos da religião muçulmana, Meca e Medina.

A posição de guardiã dessas veneradas cidades, os mais importantes da vida de revelações do profeta Maomé, dá à Arábia Saudita uma importância única no mundo islâmico – sem contar toda a dinheirama do petróleo.

Paralelamente à abertura, MBS mandou prender, em hotéis de luxo, alguns dos maiores milionários do país e venceu a luta de cimitarra no escuro entre os próprios exigentes e mimados príncipes da enorme família real saudita.

Hoje, todo mundo beija sua mão, inclusive, em cenas constrangedoras, os filhos de Jamal Khashoggi, também “recompensados” com mansões e pensões mensais na casa dos cinco dígitos, em dólares.

MBS deve sua reabilitação inteiramente a Vladimir Putin. Ao invadir a Ucrânia, o chefão russo alterou drasticamente o equilíbrio energético mundial.

O que é mais importante: castigar o príncipe saudita por um crime bárbaro e burro ou permitir que a Europa supere gradualmente a “russodependência”, tirando da Rússia seu mais importante instrumento de chantagem?

Quando a Alemanha, que tem na coalizão de governo o Partido Verde, volta a queimar carvão, como está acontecendo agora, a crise é brava.

Os Estados Unidos “têm hoje um objetivo que é o mais importante do que qualquer outra coisa, que é derrotar Putin”, disse ao site Politico o deputado democrata Tom Malinowski.

“Como superpotência, temos que garantir que nossos estados clientes que dependem de nossa segurança continuem do nosso lado nessa disputa crucial e façam sua parte para garantir que Putin fracasse”.

É difícil encontrar uma definição mais realista do que essa dos motivos da reabilitação do príncipe que foi de pária a pop, de novo, bem antes de completar 40 anos.

Revista Veja

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