quinta-feira, junho 23, 2022

TSE mantém inelegibilidade de Valmir de Francisquinho e Talysson

 em 23 jun, 2022 13:14

TSE mantém inelegibilidade de Valmir de Francisquinho e Talysson (Foto: Portal Infonet/ reprodução/ redes sociais)

Com o placar de 4×3, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decretou nesta quinta-feira, 23, a inelegibilidade por oito anos do ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho (PL), e do seu filho, o deputado estadual Talysson de Valmir (PL).

O ministro Sérgio Banhos foi o relator da ação. No dia 2 de junho, um pedido de vista do ministro Carlos Horbach interrompeu o julgamento, que foi retomado na manhã desta quinta na sede do TSE, em Brasília. Com a decisão do TSE, Valmir de Francisquinho, que é pré-candidato ao Governo de Sergipe, não poderá disputar as eleições deste ano.

Além da inelegibilidade de Valmir, Talysson foi condenado também a perda do mandato de deputado estadual. No entendimento da maioria dos magistrados da Corte, houve abuso do poder político e econômico nas eleições de 2018 por parte do pai de Taysson – o Valmir de Francisquinho -, que acabou beneficiando o filho.

O voto de minerva coube ao ministro Edson Fachin, presidente do TSE, que desempatou a votação ao seguir o voto do relator Sérgio Banhos. Acompanharam também o voto do relator os ministros Nunes Marques e Mauro Campbell. Foram votos vencidos os ministros Alexandre de Morais,  Carlos Horbach e Benedito Gonçalves.

Os políticos recorreram ao TSE para tentar reverter a decisão do TRE-SE que condenou Talysson a perda do mandato e estabeleceu a inelegibilidade de oito anos aos dois. Conforme a decisão do Regional, o ex-prefeito teria participado em “excesso” da campanha do filho, então candidato à Assembleia Legislativa do estado.

Portal Infonet não conseguiu localizar a defesa de Valmir de Francisquinho e do seu filho Talysson. O Portal Infonet continua à disposição através do e-mail jornalismo@infonet.com.br.

por João Paulo Schneider 

        Nota da redação deste Blog - Resta-nos aguardar que a justiça seja feita também  em Jeremoabo pelo suposto caso de Abuso do poder econômico e abuso politico praticado nas eleições municipais de 2020.

Bolsonaro está ‘totalmente perdido’, diz representante dos caminhoneiros

 




São Paulo, 22 - O presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão, disse nesta quarta-feira, 22, que o presidente da República, Jair Bolsonaro, está "totalmente perdido" e defendeu ações de enfrentamento ao aumento do óleo diesel.

"O presidente alterou o gatilho (para aumento do frete pela variação do óleo diesel) de 10% para 5%. Tivemos um aumento de 14,26% na semana passada, sangrando a categoria e o povo brasileiro. Não tem nem fiscalização e muito menos transparência do governo e da própria Petrobras sobre possível desabastecimento de óleo diesel no País", criticou Chorão.

E acrescentou: "Presidente tenha coragem e responsabilidade. Se precisar de caneta BIC, eu compro para o senhor.

Chorão voltou a criticar também a possibilidade da criação de um voucher para caminhoneiros, citada nesta semana pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Segundo ele, a proposta dos parlamentares prevê pagamento de R$ 400 aos transportadores.

"Caminhoneiro não precisa de esmola, precisa de dignidade", disse Chorão.

Em vídeo divulgado no período da tarde desta quarta-feira, Chorão pede que o governo escolha um novo presidente para a Petrobras, disposto a modificar a política de preços para combustíveis da estatal.

Estadão / Dinheiro Rural

Prisão de Milton Ribeiro: 'tem muito mais coisa errada', diz Weintraub

 





Weintraub acusa Milton Ribeiro de permitir esquemas de corrupção no Ministério da Educação

Weintraub disse ter sido retirado do cargo para não atrapalhar esquemas de corrupção no MEC

O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub disparou contra Milton Ribeiro, seu sucessor na pasta e que foi preso nesta quarta-feira (22/6), acusado por se envolver em um esquema de corrupção no governo Jair Bolsonaro. Em seu canal no Youtube, ele deu a entender, por meio de metáforas, que novos escândalos devem ser descobertos no Ministério da Educação (MEC). 

“Ele pode ser inocente? Até pode. Mas tem aquele ditado: 'Rabo de porco, orelha de porco, rabo de porco e focinho de porco... Se ele não é porco, é feijoada'. Pode apostar, tem muita coisa errada”, afirmou Weintraub.

Segundo ele, quem levou Ribeiro para o governo foi o ex-presidente Michel Temer e o atual ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, ex-advogado-geral da União.

'Atrapalhando a festa'

Weintraub também disparou contra ONGs que tinham parcerias com o governo.
 
“Me tiraram de lá porque eu estava atrapalhando a festa, pois era o peso da máquina para liberar as consultorias.... Tem um monte de ONGs com aquelas madames com unhas pintadas no shopping, todas dondocas. A ONG dela é de pilantra, responsável pelo fracasso do ensino do Brasil há 20 anos. Estamos falando de R$ 20 bilhões, R$ 30 bilhões ou 40 bilhões”.
  
Em março de 2020, ele acusou, nas redes sociais, a presidente da ONG Todos pela Educação, Priscila Cruz, de tramar sua saída do governo.
  
“O pequeno Abraham Weintraub atrapalhou essa bacanal, essa suruba. E trocaram por quem? Por alguém que não ia atrapalhar”, disparou.  

Saída em 2020 

Weintraub anunciou sua saída do Ministério da Educação em junho de 2020 após receber convite para ocupar cargo na direção do Banco Mundial. Ele causou polêmica ao defender a prisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em meio às investigações de que o presidente Jair Bolsonaro (PL) teria tentado interferir no trabalho da Polícia Federal, 

Na transmissão pelas redes, o ex-ministro também falou explicitamente a respeito da índole de Milton Ribeiro: “foi o primeiro a ser indicado (para me substituir). Fui conversar com ele umas duas vezes. Ele, com aquele bigodinho... Eu não confiaria em nada, zero, os trejeitos, a forma dele falar... Quando você vê, pensa: 'isso não é boa coisa'. Não confio”,.

“Esse aí não me enganou na primeira vez que eu o vi na comissão de ética da presidência da República. É importante ser dito”, completou.

Entenda o caso

O ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, foi preso preventivamente nesta quarta-feira (22/6), em Santos, litoral paulista. O mandado é resultado da operação “Acesso Pago” da Polícia Federal e cita crimes de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência. A operação mira também grupo de pastores. Ao menos um dos pastores, Gilmar Santos, também foi preso.

De acordo com a Polícia Federal, a investigação teve início após autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), em razão do foro privilegiado de um dos investigados.

"O crime de tráfico de influência tem pena prevista de 2 a 5 anos de reclusão. São investigados também fatos tipificados como crime de corrupção passiva (2 a 12 anos de reclusão), prevaricação (3 meses a 1 ano de detenção) e advocacia administrativa (1 a 3 meses)", explicou a PF em nota. 

A prisão ocorre depois da divulgação, em março deste ano, pelo jornal Estado de S. Paulo, de áudios de Milton Ribeiro em que ele falava sobre o favorecimento de municípios que negociavam verbas com pastores, que não tinham cargos no governo. Dias depois, a Folha de S.Paulo divulgou um áudio em que Ribeiro falava que o pedido vinha diretamente do presidente Jair Bolsonaro (PL). Na época, ele negou, em nota, que Bolsonaro tivesse feito esse pedido. Dias depois, ele pediu demissão da pasta.

Estado de Minas

Senado aprova convite para ouvir Moraes e Barroso sobre ativismo judicial




O Senado aprovou nesta terça-feira, 21, a realização de uma audiência pública para debater a prática de ativismo judicial e o princípio da separação dos poderes da República. O requerimento, apresentado pelo senador Eduardo Girão (Podemos-CE), funciona como um recado para o Supremo Tribunal Federal (STF), alvo de críticas por condenações a parlamentares. Os ministros Alexandre de Moraes (dir,) e Luís Roberto Barroso (esq.) e os ex-ministros Marco Aurélio Mello e Francisco Rezek foram convidados.

A oitiva ocorrerá no âmbito da Comissão de Fiscalização e Controle (CTFC), presidida pelo senador Reguffe (Podemos-DF), e a presença dos magistrados não será obrigatória. Também foram chamados advogados, juristas e o ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Como revelou o Estadão, integrantes de partidos do Centrão alegaram ativismo judicial na Corte para justificar a preparação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permitisse ao Congresso reverter decisões não unânimes do Supremo. O STF virou alvo de aliados do governo após expedir condenações a bolsonaristas, como o deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ).

Os magistrados convidados para a audiência, Moraes e Barroso, são dois dos alvos preferenciais do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao criticar a Corte.

Autor do pedido, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) argumentou que o Judiciário precisa se explicar sobre uma suposta "invasão de competências" contra os outros Poderes. "Sabemos que os ministros só vão comparecer se quiserem, é um convite, mas estamos dando a oportunidade para que eles tenham a humildade e a elegância de virem ao Senado", afirmou.

A discussão envolvendo ativismo judicial e a PEC do Centrão têm provocado um duelo de forças entre o Congresso e o Judiciário. Por um lado, o presidente do STF, ministro Luiz Fux, se reuniu com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e manifestou preocupação com a proposta. Por outro, políticos do Centrão ameaçam resgatar medidas que mexem no funcionamento da Corte, como a que prevê mandato para os ministros, caso o tribunal atue para barrar o andamento da PEC.

A deputada Bia Kicis (PL-DF), por exemplo, apresentou projeto de lei que amplia a possibilidade de recursos contra decisões monocráticas, permitindo a concessão de habeas corpus a tais decisões. A mudança beneficiaria parlamentares investigados pelo Supremo, como Daniel Silveira.

Estadão / Dinheiro Rural

Israel à deriva - Editorial




De volta ao impasse político, país parlamentarista terá a 5ª eleição em 3 anos

O fantasma da instabilidade voltou a assombrar a política de Israel. No poder desde junho de 2021, a improvável coalizão que encerrou o poderio de 12 anos do ex-premiê Binyamin Netanyahu anunciou, na segunda (20), a intenção de dissolver o Parlamento, levando o país ao mesmo impasse do qual, a duras penas, conseguira sair há um ano.

A decisão, que deve ser concretizada até o fim deste mês, fará com que os israelenses revisitem um roteiro bem conhecido nos últimos tempos —eleições, e nada menos que a quinta em três anos.

Formada por oito partidos e agora no fim, a aliança uniu oponentes de um vasto arco ideológico, da ultraesquerda à direita nacionalista, passando pelo centro. Incluiu ainda a primeira legenda árabe independente a integrar o governo.

Se apenas fruto da diversidade social ou sintoma da disfuncionalidade política do país, o fato é que a heterogeneidade do arranjo acabou se tornando sua ruína.

Verdade que, em sua curta existência, a coalizão logrou tirar o país do estado de paralisia em que se encontrava, ao ser capaz, por exemplo, de aprovar um novo Orçamento —o primeiro em mais de três anos— e de preencher cargos administrativos vazios há muito.

Sua fragilidade era evidente, porém, com diferenças irreconciliáveis entre seus membros em temas como a questão palestina, a relação entre religião e Estado e os direitos da minoria árabe em Israel.

O governo vinha claudicando desde abril, quando a maioria que detinha no Parlamento desfez-se após a defecção de membros da direita nacionalista.

No começo do mês veio o tiro de misericórdia. Membros árabes da coalizão se recusaram a votar projeto que renovava a proteção legal dada a colonos judeus na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967. Diante do impasse, o premiê Naftali Bennett e o chanceler Yair Lapid optaram por chamar novas eleições, provavelmente em outubro.

Nesse cenário incerto, aventa-se até a possibilidade da volta de Netanyahu ao poder, mas seus problemas na Justiça tendem a afastar possíveis aliados.

Seja qual for o desenrolar, a volatilidade da política israelense é exemplo eloquente dos obstáculos à governabilidade que, em anos recentes, têm atingido também outros países parlamentaristas —e demonstra, mais uma vez, que a superioridade teórica desse regime na solução de crises nem sempre se verifica na prática.

Folha de São Paulo

Avanços a preservar - Editorial




No programa econômico de Lula, versões maniqueístas se chocam com a realidade

Como vai demonstrando a elaboração do programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva, está em desacordo com os fatos a versão petista segundo a qual a economia do país e suas normas pioraram continuamente desde o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.

Se é fato que o desempenho brasileiro tem sido decepcionante, além de duramente prejudicado pelos impactos da pandemia, da guerra e das medidas eleitoreiras de Jair Bolsonaro (PL), há avanços a serem reconhecidos e preservados.

Recorde-se que, quando Dilma foi tirada do Planalto, o PIB brasileiro marcava contração de assustadores 7,9% em 24 meses —o que deveria servir como referência para comparações. Foi essa catástrofe de raras proporções que impôs providências difíceis e adiadas por anos, mas necessárias.

Tome-se a reforma trabalhista, agora tratada em tom mais ameno, sem defesa da revogação, na nova edição do programa de Lula. A possibilidade de contratações mais flexíveis, o freio à proliferação de processos judiciais e o fim do imposto sindical foram passos na direção correta, que nenhum governo reverterá sem custo elevado.

É notável, ademais, que o PT indique a preservação da outrora renegada autonomia do Banco Central, não mencionada no documento. A recente escalada da inflação, fenômeno global aqui agravado por erros do governo, poderia servir de argumento desonesto contra esse aperfeiçoamento institucional.

O texto petista parece propositalmente vago ao falar da reforma da Previdência, que logrou conter o maior fator de desequilíbrio do Orçamento federal. Não se expõe ali a intenção de modificar nenhum aspecto fundamental do redesenho do sistema de aposentadorias.

Existem outros progressos importantes do período a serem assimilados, como o marco legal do saneamento, as privatizações e a Lei das Estatais —ora sob ataque oportunista do centrão fisiológico em razão dos preços da Petrobras.

Quanto ao teto para os gastos federais, alvo de tantas contestações inflamadas, trata-se tão somente de uma medida emergencial e temporária para reequilibrar minimamente, e de forma gradual, as depauperadas finanças públicas.

Não há como eliminá-lo sem apresentar alguma alternativa crível de ajuste fiscal, ou o governo terá de pagar juros cada vez mais altos para buscar no mercado o dinheiro para suas atividades básicas.

Vive-se, sem dúvida, um momento dificílimo, de aumento da carestia e da pobreza —o que, aliás, favorece a candidatura oposicionista de Lula. A identificação correta das causas e seu enfrentamento demandarão o abandono progressivo de teses simplistas e maniqueístas da propaganda partidária.

Folha de São Paulo

Vamos chamar a bruxa da Petrobras




Efeito da demagogia no preço será mínimo, mas Bolsonaro quer botar a culpa em alguém

Por Vinicius Torres Freire

Jair Bolsonaro quer queimar na fogueira a bruxa da Petrobras. Ainda que não consiga baixar o preço da gasolina e do diesel em alguns centavos, o que está mesmo difícil, tenta açular a horda contra um inimigo do povo, uma personagem do Ibsen do lixão dos desclassificados.

Parece se divertir com isso também, como um moleque arruaceiro surtado que desabafa seu ódio rindo com a destruição que causa: com a CPI, a Petrobras iria perder mais R$ 30 bilhões, como disse no final de semana.

A CPI talvez não venha, mas serviu como ameaça facinorosa, que acabou por derrubar o presidente da petroleira, mas não apenas. O poderoso centrão, presidente da Câmara e chefe da família que sustenta Bolsonaro e faz as vezes de governo, Arthur Lira (PP-AL) ameaçou pegar a família dos diretores da Petrobras e fuçar a vida deles por meio da Comissão Parlamentar de Inquérito. É um aviso a quem se meter a besta.

Da parte do poderoso centrão, dos partidos mais lambuzados no petrolão e no mensalão, é também um movimento de guerrilha, para derrubar a lei das estatais. Assim ficaria mais fácil nomear alguém para uma "diretoria que fura poço", na frase imortal de Severino Cavalcanti. Cavalcanti foi o primeiro grito de guerra e Carnaval do centrão, eleito presidente da Câmara em 2005, caído por corrupção em lanchonete. Parecia escárnio, mas era aviso. Lira é a metamorfose sinistra de Cavalcanti.

Em lugar mais sério, Lira teria problemas com sua ameaça. Se sabia de rolo na Petrobras e não fez nada até agora, prevaricou. Se não sabe de nada, comete algum tipo de ameaça ou de constrangimento ilegal. Cadê a CPI da Codevasf ou do FNDE, das suspeitas de superfaturamento de negócio com emenda parlamentar?

Quanto à maçaroca de medidas incompetentes e estelionatárias, pouco devem render até em termos demagógicos. Se o lucro inteiro da Petrobras fosse para o vinagre, para subsídio, o preço do litro da gasolina e do diesel não baixaria mais de R$ 1 e recomeçaria a ruína da empresa. Tributar a exportação de petróleo bruto é idiotice mesmo para a malandragem (a Petrobras perde dinheiro e se faz o quê com petróleo bruto? Fogueira?).

Vale-gás e auxílio-caminhoneiro até que ajudam alguma gente, mas são políticas sociais ruins. Estourar de novo o teto de gastos para dar subsídio direto vai render centavos no preço e causar dano colateral imediato e mais inflação e/ou juros.

Em suma, trata-se de um bando de trogloditas que lida com uma máquina complicada. Em tempos mais calmos, os brucutus cheiram e arranham a máquina. Na fúria, arrebentam tudo a bordoada, para ver se de lá sai uma banana, um ovo de ouro, dinheiro ou votos.

Quanto a Bolsonaro, claro, sempre foi isso. Além de tentar disfarçar sua laborfobia, ignorância e covardia (a culpa é sempre de outrem), exprime seu ressentimento do fracassado por meio de variações do desejo de matar: destrua-se o sistema, linchem os governadores na epidemia, o STF em qualquer situação, os quilombolas, o fiscal ambiental, os índios, os gays, a esquerdalha etc.

Tudo isso é muito velho, sabido por qualquer pessoa adulta e sã. A observação reiterada serve para lembrar o papel dos colaboracionistas mais disfarçados, os que chamavam o Brasil de "um país normal", os que diziam "fora ruídos, vejo avanços" e os omissos em geral, das elites em particular.

Mais do que isso, serve para lembrar a essa gente: Bolsonaro não tem limite. Vai destruir o que estiver no caminho do seu projeto de tirano e de livrar a família da cadeia. Vai quebrar o país, se juntar a qualquer tipo miliciano ou centrão. Se puder, vai pegar você, a sua empresa e o seu dinheiro.

Folha de São Paulo

O consequencialismo dos conservadores




Seria equivocado achar que esse grupo de apoiadores desconhece quem são Jair Bolsonaro e Donald Trump

Por Nicolau da Rocha Cavalcanti* (foto)

Jair Bolsonaro não é liberal, tampouco conservador. Mas o fato é que parcela considerável dos que se definem como conservadores no Brasil continua apoiando o presidente Bolsonaro. Diante de tal fenômeno, há quem classifique esses apoiadores como ingênuos ou mal informados. Eles estariam sendo enganados pelo bolsonarismo – e seria urgente expor essa manipulação, para que essas pessoas e grupos, descobrindo quem é Jair Bolsonaro, deixem de apoiar aquele que, na realidade, é contrário a suas ideias e ideais.

Mesmo que haja diferenças expressivas entre o que ocorre aqui e nos Estados Unidos, fenômeno parecido é visto há alguns anos em relação a Donald Trump. Muitos membros do Partido Republicano têm dado consistente apoio a uma pessoa cuja história de vida é manifestamente contrária aos históricos princípios cívicos do Grand Old Party.

Em tese, grupos conservadores prezam o regime democrático. Querem votar, escolher seus representantes. Parte importante do seu discurso contemporâneo está centrada na ideia de que eles merecem ser ouvidos, de que sua opinião precisa ser levada em conta no debate público. Por que, então, parcela considerável desses grupos continua apoiando uma pessoa que aberta e deliberadamente agride e desmerece o processo eleitoral? Qual é o cálculo a fundamentar essa opção?

Em tese, grupos conservadores prezam a independência da Justiça. Os pensadores clássicos, reverenciados por esses grupos, defendem que, para haver um ambiente de liberdade, é preciso ter um Judiciário não subordinado ao Executivo, capaz de aplicar a lei. Por que, então, esses grupos apoiam uma pessoa que aberta e deliberadamente agride e desmerece o Poder Judiciário? Qual é o cálculo por trás dessa escolha?

Em tese, grupos conservadores prezam a eficiência do poder público. No entanto, Jair Bolsonaro não tem nenhuma pretensão a esse respeito. Todos tiveram acesso à reunião de 22 de abril de 2020. Todos viram a resposta do presidente da República à pandemia. Todos veem o comportamento de Jair Bolsonaro diante da atual crise social e econômica. Nada do que se observa no Palácio do Planalto desde 2019 aproxima-se minimamente do que os pensadores clássicos propõem como virtudes necessárias de um governante. Mesmo assim, grupos conservadores continuam apoiando

Jair Bolsonaro. Não querem sequer escutar sobre outra opção nas eleições presidenciais deste ano. Qual é o cálculo que embasa essa atitude?

A política sempre contém alguma dose de manipulação, especialmente em fileiras populistas. O discurso não apenas anda longe dos fatos, como é usado para esconder a própria realidade. Mas seria equivocado achar que os apoiadores conservadores, especialmente as lideranças desses grupos, desconhecem quem são Bolsonaro e Trump, como se estivessem obnubilados por mensagens de Whatsapp ou pela timeline do Facebook. Eles sabem exatamente quem são os dois políticos.

Os conservadores, especialmente suas lideranças, têm acesso à informação. Leem livros e jornais. Falam mais de uma língua. Muitos leem jornais estrangeiros. Têm um nível cultural muito acima da média. Mesmo assim, essas pessoas continuam apoiando Jair Bolsonaro. O que o presidente da República lhes entrega para que se disponham a interpretar favoravelmente seus gestos, matizar suas incompetências e minimizar suas grosserias? Não é fácil para essa turma apoiar Jair Bolsonaro. Afinal, são pessoas que cultivam um senso moral elevado: ensinam suas filhas a não falarem palavrão, pregam que o casamento é para a vida toda, abominam qualquer corrupção, tanto na esfera pública como na privada. No entanto, apesar de tudo isso, querem Jair Bolsonaro na Presidência da República em 2023. Por quê?

Porque esses grupos são, a seu modo, consequencialistas na vida política. Avaliam que, apesar de todas as mazelas de Jair Bolsonaro, ele é quem menos apoiará as causas contra as quais esses grupos decidiram dedicar suas energias na esfera pública: a descriminalização do aborto, a descriminalização das drogas, a “ideologia de gênero” e a regulação da atividade econômica. Não importa se tem ônibus escolar superfaturado, se as privatizações não saíram ou se a gestão do Orçamento foi dada ao Centrão. Se Jair Bolsonaro não apoiou a agenda LGBT, então é o melhor governo dos últimos 30 anos.

Os grupos conservadores não alimentam muitas expectativas. Sabem que Jair Bolsonaro não é comprometido, na esfera pessoal e na política, com uma concepção abrangente de bem comum: é simples interesse eleitoral. São cientes, portanto, de que não conseguirão muitas coisas do governo. Em três anos e meio, ganharam um ministro do Supremo e apoio ao projeto de lei autorizando o homeschooling (instrumento para a transmissão intergeracional da sua visão de mundo). Mas estão felicíssimos. Nunca houve um governante que lhes tenha tratado dessa forma. E não irão abandoná-lo até que alguém lhes assegure, ao menos, algo similar. É a realpolitik de uma turma que, cansada de assistir passivamente à cena pública, almeja ter mais voz e mais poder.

*Advogado e jornalista

O Estado de São Paulo

O populismo e a banda podre




Disputa pelos votos dos PMS faz com que França e Tarcísio sejam contrários às câmeras corporais

Por Marcelo Godoy (foto)

Por que dois candidatos ao governo de São Paulo – Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Márcio França (PSB) – atacam o programa de câmeras corporais da PM? Explicações simples, como a de que Tarcísio repete o padrão de negacionismo de seu mentor, o presidente Jair Bolsonaro, são insuficientes para entender a posição do candidato. Assim como acreditar que França, por querer separar as polícias estaduais em vez de integrá-las – política que nasceu com Mário Covas –, seja só mais um palpiteiro desinformado, desses que provocam desastres quando empalmam o poder.

O programa da PM tornou a polícia mais transparente, eficiente e moderna. Seja preto, branco, rico ou pobre, quem se relaciona com ela é filmado. Acabam o desacato, a cervejinha, a carteirada, o jeitinho que arredonda a vida para uns e desce o látego em outros. É a igualdade de todos perante a lei.

O PM honesto – a maioria da corporação – acrescenta à sua palavra a imagem de seus atos, desaconselhando falsas denúncias de interessados em conturbar a prova e manchar a instituição para ficar impune. Combate-se a viatura fazendo acerto ou execuções, como a do dentista negro Flávio Santana. E não será preciso esperar 40 anos pela confissão ao Estadão do coronel Erasmo Dias para saber a verdade sobre o caso Rota 66.

Com as câmeras, só um PM morreu em tiroteio em 2021, recorde em 31 anos. É que policiais passaram a respeitar procedimentos operacionais, impedindo a reação de bandidos. O equipamento salvou vidas de PMS.

Os batalhões que o adotaram reduziram em 87% as mortes de suspeitos, quase o dobro de unidades sem câmeras. Reações a abordagens caíram 32%, flagrantes cresceram 41% e apreensões de armas aumentaram 12,9%.

Ontem foi lançado o manifesto Câmeras Sim, na Universidade Zumbi dos Palmares. Disse o reitor José Vicente: “Essa ferramenta permite ao cidadão ter garantidas a integridade e a segurança. É experiência virtuosa”. Segundo a coronel Daniela Poletti, a prova judicial fica melhor. “A tecnologia mostra a importância do serviço da PM.”

Então por que França e Tarcísio são contra o programa? A resposta é o voto policial. A corporação dispõe de pesquisa com seus homens que mostra que o equipamento, apesar das vantagens, é impopular na tropa, que ainda vê nele um invasivo controle do comando sobre seu trabalho. E os policiais e suas famílias somam mais de 500 mil votos, essenciais às ambições da bancada da bala. É o populismo na Segurança que está por trás da repulsa às câmeras. Ao ceder aos humores da tropa, esse jeito de se fazer política ameaça tornar a PM ingovernável. A banda podre da sociedade agradece.

O Estado de São Paulo

Audiências sobre ataque ao Capitólio dos EUA serão pausadas em meio à enxurrada de novas evidências




O comitê do Congresso que investiga o ataque do ano passado ao Capitólio dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (22) que fará uma pausa em suas audiências, depois de receber uma grande quantidade de material em vídeo sobre Donald Trump e sua família de um documentarista.

O presidente do comitê, Bennie Thompson, disse a repórteres que a audiência desta quinta-feira, sobre as supostas tentativas de Trump de corromper o Departamento de Justiça, será a última até que seja retomada no "final de julho".

"O cronograma das audiências é e continua sendo determinado pela investigação. O comitê seleto continua recebendo novas provas relevantes que achamos que serão muito importantes para a investigação", declarou um assessor do painel.

As novas evidências incluem documentos do Arquivo Nacional e várias novas pistas que chegaram via uma linha de denúncia desde que as audiências televisionadas começaram em junho.

O material mais valioso seria uma compilação de horas de gravações em vídeo do documentarista Alex Holder, que teve amplo acesso a Trump e seu círculo íntimo, incluindo os filhos e o vice-presidente Mike Pence, a partir de setembro de 2020 e antes e durante os eventos de 6 de janeiro.

Quando os legisladores retornarem de um recesso de duas semanas na segunda semana de julho, eles devem dedicar as audiências restantes à questão da radicalização dos extremistas que invadiram o Capitólio, bem como à cultura da violência política na extrema direita.

Em um sinal da tensão política em torno das audiências, o The New York Times relatou um aumento nas ameaças violentas contra o painel de nove membros.

Alguns que foram assediados incluem Adam Kinzinger, um dos dois republicanos do comitê, cuja esposa recebeu uma ameaça de morte contra ela e sua filha de cinco meses.

Liz Cheney, vice-presidente do painel, teve que suspender grandes eventos públicos em parte devido a preocupações relacionadas à sua segurança.

Esses desdobramentos ocorrem depois que autoridades do Arizona e da Geórgia testemunharam na terça-feira na quarta audiência pública, onde descreveram os esforços de Trump para se agarrar ao poder, o que envolveu intimidação de autoridades locais e funcionários eleitorais. Além disso, eles acusaram o ex-presidente de difamação e de publicar seus dados pessoais.

NYT / Estado de Minas

A França se tornou ingovernável?




A extrema-direita e extrema-esquerda se deram bem nas eleições, até onde se pode dizer que alguém se deu bem numa eleição com 54 por cento de abstenção. 

Por Theodore Dalrymple (foto), City Journal

As eleições parlamentares francesas deixaram o presidente Emmanuel Macron não apenas sem o apoio da maioria, mas também com um Parlamento dividido em tantos grupos que alguns analistas dizem que o país se tornou “ingovernável”, com aconteceu sob a Quarta República até Charles de Gaulle estabelecer a Quinta.

“Ingovernável” é uma palavra forte. As eleições foram realizadas com tranquilidade, ainda que essa tranquilidade fosse sinal de apatia. Nem a administração de um país se importa com seu governo. A Bélgica passou 500 dias sem um governo federal e nada mudou por lá. A vida segue enquanto os políticos negociam.

No primeiro turno das eleições, o partido do presidente, que acabou por conquistar muitos lugares no Parlamento, mas não a maioria, conseguiu amealhar incríveis 12 por cento dos votos (52 por cento dos eleitores se abstiveram). Desses 12 por cento, boa parte votou contra os outros partidos, e não em apoio a Macron e seu partido. Não é uma base popular que confere legitimidade a um governo de reformas amplas, entre elas a reforma do sistema previdenciário, que o presidente considerada necessárias.

Macron teria maioria parlamentar se tivesse formado uma coalizão com o tradicional partido de centro-direita Les Républicains, uma vez que, exceto por ambições pessoais, não há muitas questões a separá-los. Mas na política a ambição é um fator importante. Lembro-me de Ernest Bevin, importante membro do governo trabalhista na Grã-Bretanha do pós-guerra, respondendo a alguém que lhe disse que Aneurin Bevan, outro membro importante do mesmo governo, era seu pior inimigo. “Enquanto eu estiver vivo, não é”. Aí está – a política em resumo.

A extrema-direita e extrema-esquerda se deram bem nas eleições, até onde se pode dizer que alguém se deu bem numa eleição com 54 por cento de abstenção. Na França, os extremos estão separados por suas ideias quanto à imigração e identidade nacional, mas em questões econômicas não estão tão distantes assim. Ambos são extremamente estatistas.

A coalizão de esquerda, liderada por Jean-Luc Mélenchon e agora a segunda maior força no Parlamento, foi formada por vários grupos díspares que começaram a brigar assim que os votos foram apurados. Mélenchon é um demagogo que às vezes (dependendo da plateia) usa roupas chiques de proletário, daquele tipo que o proletário de verdade nunca usa, da mesma forma que os líderes comunistas faziam.

A extrema-esquerda atraiu sobretudo os mais jovens, que são ao mesmo tempo ansiosos e deprimidos, o que não surpreende, levando em conta as dificuldades reais enfrentadas pelos mais jovens. Os jovens eleitores eram provavelmente os mais bem educados entre todos, o que confirma algo que já se sabe: educação não é o mesmo que sabedoria política.

A política econômica de Mélenchon é conter a inflação controlando os preços, aumentando o salário mínimo e as aposentadorias, diminuindo as horas trabalhadas e reduzindo a idade mínima de aposentadoria para 60 anos. Ao mesmo tempo, ele pretende aumentar os gastos do governo em mais de 250 bilhões de dólares – a serem pagos com impostos cobrados dos mais ricos, uma medida sempre popular entre os que enfrentam dificuldades econômicas. Chavista declarado, Mélenchon não tem vergonha de dizer que a França de hoje é um inferno.

A verdade, contudo, é que essa receita econômica não tem nada a ver com as circunstâncias difíceis atuais, causadas pela irresponsabilidade pretérita: Mélenchon proporia essas medidas independentemente das condições do país. É uma receita que sempre atrai eleitores, por mais que já tenha levado países ao desastre repetidas vezes. Mas dessa vez será diferente, acredita ele.

Gazeta do Povo (PR)

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