quarta-feira, março 10, 2021

O GOLPE PROCESSUAL-PENAL E A DECISÃO FACHIN

 

A CF DE 1988 no art. 173, § 1º, diz que “A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista (grifo) e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: ...II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários (grifo).

 

Em razão da norma constitucional aplicável as sociedades de economia mista, ainda na égide na Carta Federal de 1967 com a EC 01/69, o STF entendeu no enunciado da Súmula 517 que “As sociedades de economia mista só têm foro na Justiça Federal, quando a União intervém como assistente ou opoente, contudo, vigente a Carta de 1988 e em razão do que dispõe o art. 173, § 1º, II, a Corte elaborou nova Súmula, a de nº. 556, com o seguinte verbete:  "É competente a Justiça Comum para julgar as causas em que é parte sociedade de economia mista."

 

O enunciado da Súmula 556 ao tratar da competência da Justiça Comum para julgar demandas que dizem respeito as sociedades de economia mista não fez distinção entre a jurisdição cível ou penal, fixando-se o entendimento de que nas demandas penais a competência para julgar também seria da Justiça Estadual, conforme a fixação do foro, uma vez que a mesma CF no seu art. 109 ao tratar da competência dos juízes federais não incluiu na competência da justiça ordinária federal para conhecer, processar e julgar  demandas que digam respeito as sociedades de economia mista, já que no dispositivo citado encontramos:

“Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: IV – os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral;”.

 

Como se depreende da leitura da norma primária, o legislador constitucional não previu quanto a competência da justiça federal para julgar demandas das sociedades de economia mista quando majoritária a União. No vão da Súmula 566 do STF se seguiu a Súmula 42 do STJ.

 

Embora fosse pacífica a interpretação do art. 109 da CF de que não houve contemplação da JF para apreciar feitos de qualquer natureza sobre as empresas de sociedade mista em que a União fosse majoritária, tramitava há anos na 1ª Turma do STF o AgR. RE 614.115 onde se discutia se a competência para julgar apreciação de crime perpetrado contra o interesse da Sociedade de Economia Mista Companhia Docas do Pará seria da Justiça estadual ou Federal.

O julgamento do agravo regimental estava com julgamento suspenso por pedido de vista da Minª. Carmen Lúcia.

Na tramitação do recurso, o Min. Dias Toffoli, por decisão monocrática, havia assinalado a competência da justiça federal para julgar o processo. Com o placar apresentando 2 votos a favor (Toffoli e Rosa Weber) e 2 votos contrários (Luiz Fux e Marco Aurélio), depois de 02 anos a Ministra retornou os autos acompanhando o Relator e deu maioria para fixar a competência da JF para julgar processos crimes contra sociedade de economia mista onde a União fosse majoritária, decisão de 2014, constituindo-se tal interpretação extensiva, com ativismo, posto que a competência somente poderia ser atribuída a JF por meio de EC ou até em sede de LC por intermédio do Congresso Nacional. Em verdade, a decisão tinha finalidade específica e para o bom entendedor meia palavra basta.  

 No Boletim do STF de 2014 encontramos:

“Compete à justiça federal processar e julgar ação penal referente a crime cometido contra sociedade de economia mista, quando demonstrado o interesse jurídico da União. Esse o entendimento da 1ª Turma, que, em conclusão de julgamento e por maioria, desproveu agravo regimental para acolher recurso extraordinário no qual se discutia a justiça competente para apreciar causa em que figurava como parte a sociedade de economia mista Companhia Docas do Pará — v. Informativo 661. A Turma consignou que a mencionada companhia, cuja maior parcela de seu capital seria composta por verba pública federal, teria por ofício administrar e explorar as instalações portuárias do Estado do Pará, atividades exclusivamente atribuídas à União, conforme o disposto no art. 21, XII, f, da CF. Asseverou que, em princípio, os crimes praticados contra sociedade de economia mista, em geral, não se submeteriam à competência da justiça federal. (…) RE 614115 AgR/PA, rel. Min. Dias Toffoli, 16.9.2014. (RE-614115).”

O STF deu o mote para a 13ª Vara Federal de Curitiba criar a mais sofisticada Gang em solo brasileiro formada por Moro e os Procuradores Federais na chamada Operação Lava Jato e seus desdobramentos levando o País a quebra, ao desemprego, a desnacionalização das atividades produtivas estatais e as reiteradas violações dos direitos e garantias constitucionais do cidadão, até colocar o ex-Presidente Lula na prisão, o seu maior troféu e da Casa Grande, a desmotivar qualquer iniciativa de qualquer do povo que viesse tentar voo mais altos. Nada foi por acaso.

Vindo o STF por sua 1ª Turma a dar tal interpretação, tendo a Petrobrás sede na cidade do Rio de Janeiro, as ações penais que dissessem respeito a Estatal deveriam ser processadas na JF no Rio de Janeiro e não na República Judiciária de Curitiba. Isso é apenas uma breve observação.

Depois de escândalos processuais, condenações esdruxulas e repercussão negativa na imprensa internacional com as condenações sem prova pela República Judiciária de Curitiba, especialmente do ex-presidente Lula, o Min. Fachin, manifesto lavajista, em decisão recente de ontem, 08.03.2021, em sede dos Embargos de Declaração no HC de nº. 193.726-PR, monocraticamente, antevendo a declaração da suspeição de Moro pela 2ª Turma do STF, declarou a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para processar o ex-presidente Lula e determinou a remessa dos autos do Sítio de Atibaia, do triplex do Guarujá e do terreno do Instituto Lula para as Varas Federais do DF e de quebra, na parte final de sua decisão, declarou prejudicado as pretensões deduzidas pela defesa de Lula nos HCs 164.439, 165.973. 190.943, 192.045, 193.433, 198.041, 178.596, 184.496, 174.988, 180.985 e nas Reclamações 43.806, 45.948, 43.969 e 45.325.  

O que pretendeu o Min. Fachin? Passar a mão na cabeça de Moro e dos Procuradores de Curitiba, aproveitar todos os atos processuais praticados por Moro nas ações penais do ex-presidente Lula, pois, qualquer juiz federal que viesse a receber tais ações poderia aproveitar os atos processuais instrutórios e proferir novas sentenças condenatórias, embora, em razão da idade, Lula tendo mais de 70 anos, o prazo prescricional é contado pela metade e talvez as ações penais venham ser extintas.

A declaração de incompetência da 13ª vara Federal de Curitiba por decisão monocrática do Min. Fachin em sede dos Embargos de Declaração em HC, não tem o condão de impedir o julgamento do pedido de suspeição do ex-juiz Moro que tramita pela 2ª Turma do STF, cujo julgamento foi pautado para o dia de hoje pelo Min. Presidente da Turma, Min. Gilmar Mendes (acontece agora), desde que na decisão de Fachin, os atos processuais de Moro nas ações penais serão aproveitados, enquanto se acolhido o pedido de suspeição, todos os atos processuais das ações penais estarão contaminados com a consequente nulidade deles.

Ainda no dia de hoje, antes de ser iniciado o julgamento do HC 164.493 onde a defesa de Lula arguiu a suspeição do ex-juiz Moro, o Min. Fachin tentou impedir o julgamento do pedido de suspeição recorrendo até ao Presidente do STF, Ministro Fux, sem êxito. Pretendeu o Min. que o HC fosse levado ao Plenário da Corte. A 2ª Turma por 4 x 1 votos, vencido o Min. Fachin, entendeu de prosseguir com o julgamento, votando no sentido os Ministros Gilmar, Nunes Marques, Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski.  

Agora, as 16:35 de 09.03.2021, prossegue o julgamento do pedido de suspeição do ex-juiz Moro sob a relatoria do Min. Fachin, sendo iniciado o julgamento do mérito do HC 164.493. Mais uma vez o Min. Fachin tentou adiar o julgamento, posição defendida também pelo Procurador da República na Turma, embora sem fundamentar, embora o Min. Gilmar sustente a continuidade do julgamento, assim como o Ministro Nunes Marques, a Ministra Cármen Lúcia e o Ministro Ricardo Lewandowski.  

A Operação Spoofing revelou para o Brasil e o Mundo o face cruel do sistema judiciário nacional e o risco de se admitir “Estados paralelos”, como aconteceu na Operação Lava Jato.

Aguardando o resultado do pedido de suspeição do ex-juiz Moro, agora, sabidamente, o cérebro da Gang de Curitiba, tecerei comentários posteriores, sem me esquecer de valorizar a figura do Advogado no Estado de Direito, na figura do Dr. Zanin e sua equipe que incansavelmente vem se dedicando a defesa do ex-presidente Lula.    

PAF, 09.03.2021.

Antonio Fernando Dantas Montalvão.

montalvao@montalvao.adv.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    

 

Em voto contra Moro, Lewandowski compara Lula a animal levado a matadouro.

 

                                                             Foto Divulgação- Facebook

Na sessão de ontem (10.03) contra Moro , Lewandowski compara Lula a animal levado a matadouro.

"Nem animais para o matadouro se leva da forma como foi levado um ex-presidente da República" Ricardo Lewandowski, ministro do STF",

Agora pergunto a vocês: o que dizer desses sofredores, que se deslocam de Jeremoabo para tratamento fora de domicilio  em Salvador para combater um câncer, cujo martírio já tem início ainda no horário da partida meia noite, que mesmo a consulta ou revisão sendo na terça-feira, tem que sair no domingo.

Mas não termina por aí, a viagem é feita através de um ônibus, velho, sem segurança, as portas amarradas com cordas ou arame, quebrando por várias vezes no meio do caminho, e, ainda para completar a perversidade, esses pacientes são obrigados a empurrar o ônibus, com aconteceu semana passada, ao tentar subir uma ladeira empurrando o tal veículo, sucateado.


Outro exemplo do governo que "gosta do povo".

Na sessão da Câmara de ontem (10.03), um vereador da oposição denunciou que no Hospital de Jeremoabo um senhor encontra-se internado com o " dedão do pé" necrosando, único médico que estava de plantão atendia pacientes normais e com COVID-19, atendeu esse paciente, indicando medicamento para ser usado de imediato; até aí tudo normal; porém, no hospital não existe medicamento, mandaram o paciente comprar nas farmácias da cidade o tal medicamento.

A pergunta é: como esse paciente internado irá sair do hospital para se deslocar até a cidade  em busca de medicamentos?

E se o paciente não dispor de  dinheiro?

Enquanto isso, o vereador Neguinho de Lié, bradou por várias vezes na sessão perguntando: " cadê o dinheiro do Covid-19"?

O que causa espécie e indignação, são os vereadores há mais de um ano, continuar perguntando pelo dinheiro do COVID-19, ninguém responde, e fica por isso mesmo.

Será que na Câmara de Vereadores de Jeremoabo não existe um computador, para esses mesmos vereadores ingressarem com uma REPRESENTAÇÃO PARA O MPF EM PAULO AFONSO?

 

Em Jeremoabo estão escutando o galo cantar sem saber onde.

 Alguns vereadores de Jeremoabo desconhecem que prefeito não pode descumprir decreto estadual.

Mais uma vez vou repetir,   prefeitos, podem apenas adotar medidas mais restritivas, mas não menos. Ou seja, precisa e deve cumprir o decreto do governador". 

Caso o município descumpra, está sujeito a responder criminalmente pelo ato, isso porque as posições tomadas pelo Governo do Estado têm por objetivo diminuir o ritmo de crescimento da disseminação do novo coronavírus entre os baianos . Ou seja, salvar vidas. "Há base técnica e científica para que mantenhamos o isolamento e o distanciamento social". 

Para regular a situação extraordinária em relação ao surto de efeitos mundiais do coronavírus, foi editada a Lei 13.979/20, que tem como objetivo a proteção da coletividade e dispõe sobre as medidas que podem ser adotadas pelo poder público, diante da situação de emergência na saúde pública".

O prefeito não tem poder nem competência para PERIGO PARA A VIDA OU SAÚDE DE OUTREM,   "menosprezar os riscos da doença e desestimular a adoção de medidas preventivas de distanciamento social, preconizadas pela OMS e por autoridades sanitárias brasileiras, o presidente “expõe a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente".

o que é crime previsto no artigo 257 do Código Penal.

INFRAÇÃO DE MEDIDA SANITÁRIA PREVENTIVA

O artigo 268 do Código Penal tem como objetivo “punir transgressões cujo efeito especificamente seja frustrar a contenção de doença contagiosa, quando haja determinação do poder público nesse sentido”.


Nota da redação deste Blog - Copiado do Site Bob Charles


"Grande discussão

Sobre a inclusão das academias na lista de atividades essenciais em Paulo Afonso, como propõe por meio de Projeto o vereador Marconi Daniel (PODEMOS), muita gente acha que a grande discussão do momento na Câmara Municipal de Paulo Afonso deveria ser como preservar vidas, a economia se recupera, vidas perdidas, jamais!"

Lula na disputa em 2022 fará Neto ter situação 'difícil' no embate com Wagner, diz cientista

por Mauricio Leiro

Lula na disputa em 2022 fará Neto ter situação 'difícil' no embate com Wagner, diz cientista
Foto: Montagem / Bahia Notícias

Com a possível "volta ao jogo" do ex-presidente Lula na disputa eleitoral em 2022 (veja aqui), após a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin (relembre aqui), a eleição estadual na Bahia deverá um panorama mais difícil para o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). "Lula tem um recall na Bahia. Foi o principal responsável pela eleição de Wagner em 2006", disse o cientista político Cláudio André de Souza. 

 

"É interessante perceber que a Bahia é um território de oposição a Bolsonaro e identificado ao lulismo. A entrada de Lula consolida uma estratégia de que o PT vai precisar abrir mão de uma série de palanques, mas nos estados ele vai preservar as forças, como a Bahia, o Piauí, o Ceará e o Rio Grande do Norte. Claro que essa condição impacta na perspectiva de como vai ficar o PP e o PSD na Bahia. A aliança na Bahia é bem sucedida. A possível candidatura de Lula vai provocar uma maior viabilização de uma candidatura de Jaques Wagner. Isso coloca ACM Neto em uma condição difícil", explicou ao Bahia Notícias.

 

O especialista aponta que Neto vem se movimentando para criar uma via contra Bolsonaro. "A tentativa que vamos perceber para Neto é de não se radicalizar, dentro de um discurso muito forte antipetista, mas vai precisar demarcar um espaço, para antecipar a viabilização da direita e centro direita. É muito difícil que ele embarque no Bolsonarismo. Ele vai tentar o caminho do meio", disse.

 

Cláudio entende que o fortalecimento da via de centro esquerda com Lula não vai necessariamente buscar enfraquecer o bolsonarismo. O cientista acredita que Neto irá apresentar um diálogo com a base do presidente Bolsonaro "para ser uma alternativa".

 

"Diferente de outros estados, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, na Bahia, o bolsonarismo não é expressivo. Mesmo que Neto carregue toda a força é insuficiente. Ele deve apostar em uma visão mais moderada. Claro que, hoje em dia, ele pode modelar discursos diferentes para públicos diferentes", comentou.

Bahia Notícias

AL-BA tenta baixar poeira para evitar mais tensão com MP-BA no caso dos Redas

por Mauricio Leiro

AL-BA tenta baixar poeira para evitar mais tensão com MP-BA no caso dos Redas
Foto: Divulgação

O pedido do Ministério Público da Bahia (MP-BA) ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) para ter acesso a lista dos funcionários contratados através do Regime Especial de Direito Administrativo (Reda) da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) deve ser colocado na geladeira, ao menos até uma decisão do judiciário. O tema voltou ao holofote nesta terça-feira (9) (reveja aqui).

 

Líderes ouvidos pelo Bahia Notícias indicam que a ideia é usar panos quentes para evitar atrito com o órgão do judiciário. Um deles comentou que nas contas da AL-BA não "existe segredo", já que o Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) avalia as despesas.

 

O incômodo ficaria por conta de um pedido por parte da Assembleia da lista de contratações dos funcionários do Ministério Público. Outro líder pontuou que "80% dos redas são do pessoal da estrutura" e que o custo da contratação de uma empresa terceirizada é muito maior. 

 

A Assembleia aguarda uma decisão do Tribunal de Justiça para decidir sobre a legalidade das contratações. Caso a Corte decida de forma contrária à AL-BA, um concurso público poderá ser feito para a contratação, o que para um dos líderes teria outro custo nas contas do legislativo estadual. 

 

Em 2019 foi dado um prazo de 180 dias para a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) enviar uma cópia de todos os contratos celebrados com servidores temporários pelo Regime Especial de Direito Administrativo (Reda) em 2015 (veja aqui), e a demanda chegou ao judiciário. 

 

O número dos “‘redas” da Casa foi apontado com gravidade por relatório do Ministério Público de Contas (MPC) que analisou as contas de 2017 do Legislativo baiano. 

 

HISTÓRIA ANTIGA

Em 2013, o Ministério Público teria afirmado que a contratação de 620 servidores temporários não atenderia a requisitos constitucionais, como “previsão legal da contratação, tempo, necessidade de excepcional interesse público”. 

 

Em 2014, a Assembleia assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em que se comprometeu a realizar concurso público visando reduzir o número de servidores contratados via Reda. À época, a AL-BA concordou em não contratar novos temporários sob pena de multa diária. 

 

No entanto, em 2015, motivado pelo aumento do número de temporários, o Tribunal de Contas solicitou informações sobre o número de "redas" e os seus contratos. O pedido foi frustrado. Quatro anos depois, a Casa ainda não respondeu a solicitação feita pela Corte que continuou a aprovar as contas do Legislativo. 

 

Em 2017, uma nova auditoria apontou que houve um desembolso de R$ 59,34 milhões resultante da contratação de pessoal sob o regime especial, o que representaria um aumento de 105,05% em relação ao exercício de 2016. A lista nominal dos contratados, entretanto, não foi informada. 

 

O aumento de "redas" em parte deve-se a imbróglio com aprovados em concurso público de 2014. Ao não chamar os 796 aprovados no certame que foram à Justiça, a AL-BA ficou impedida de realizar novo concurso público e partiu, mais uma vez, para a contratação de redas.

Bahia Notícias

Nunes Marques adia ao julgamento e o Plenário vai acabar decidindo o futuro político do ex-criminoso Lula


Kassio Nunes impõe derrota à Lava Jato do Rio em sua estreia no STF

Marques adiou o julgamento ansiado por Gilmar e Lewandowski

André de Souza e Carolina Brígido
O Globo

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta terça-feira o julgamento do pedido de suspeição do ex-juiz Sergio Moro feito pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no caso do tríplex do Guarujá. Em seguida, Kassio Nunes Marques pediu vista, mas o julgamento prosseguiu. Ele ressaltou que seus colegas tiveram muitos meses para pensar o tema, enquanto ele, que tomou posse no STF em novembro passado, ainda não teve tempo suficiente para analisar o assunto. Ainda assim, o ministro Ricardo Lewandowski decidiu apresentar seu voto.

Edson Fachin e Cármen Lúcia já haviam decidido rejeitar o pedido da defesa do ex-presidente, antes de Gilmar pedir vista do processo e suspender o julgamento, em 2018. Os ministros, porém, ainda podem mudar o voto.

ANULAÇÃO – Na segunda-feira, o relator da Lava-Jato, Edson Fachin, anulou todas as decisões tomadas pela 13ª Vara Federal de Curitiba, a partir do recebimento da denúncia, em quatro processos contra Lula. E por consequência, declarou a “perda de objeto” de 14 processos que tramitam no STF questionando se o ex-juiz Sergio Moro foi parcial na condução das ações contra o ex-presidente.

Mesmo assim, Gilmar Mendes colocou na pauta de hoje o julgamento do recurso que questiona a parcialidade de Moro no caso do tríplex. Por quatro votos a um, a Segunda Turma decidiu retomar o julgamento. Somente Fachin foi contra.

Assista a sessão ao vivo:

FALA GILMAR – Em seu voto, Gilmar Mendes voltou a criticar a Lava-Jato do Paraná e do Rio de Janeiro. Segundo ele, trata-se do maior escândalo judicial da história brasileira. Gilmar defendeu mudanças na estrutura da Justiça Federal. Ele lembrou o processo que está no STF questionando a criação do juiz de garantias, que dividiria as atribuições concentradas atualmente em apenas um juiz. A medida foi aprovada pelo Congresso, mas suspensa pelo ministro Luiz Fux, do STF, que ainda não levou o caso para análise do plenário da Corte.

“De fato a Justiça Federal tem que ser toda reformulada. E por isso talvez a oportunidade de votarmos o juiz de garantias. Talvez seja a salvação da Justiça Federal, que está vivendo uma imensa crise a partir desse fenômeno de Curitiba” — disse Gilmar.

TODOS FALHARAM? – Gilmar ainda afirmou que houve falhas em conter abusos de Moro: “Infelizmente os órgãos de controle da magistratura nacional falharam em conter os primeiros arroubos de abusos do magistrado”.

O ministro também criticou algumas decisões de Moro em que, segundo ele, houve excesso. Citou, por exemplo, a ampliação do uso de prisões preventivas, que serviriam como uma antecipação da pena. Também criticou as prorrogações sucessivas de interceptações telefônicas e grampo em escritório de advocacia.

Segundo Gilmar, Moro tinha um projeto de poder. “A opção por provocar e não esperar ser provocado garantia que o juiz estava na dianteira de uma narrativa que culminaria na consagração de um verdadeiro projeto de poder que passava pela deslegitimação política do Partido dos Trabalhadores, e em especial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a fim de afastá-lo do jogo eleitoral” — afirmou Gilmar.

PARCIALIDADE – Gilmar criticou o Pacote Anticrime de Moro e também apontou uma combinação prévia entre o juiz e o MPF, responsável pela acusação, para mostrar que Moro foi parcial contra Lula.

“A absoluta contaminação da sentença proferida pelo magistrado resta cristalina quando examinado o histórico de cooperação espúria entre o juiz e o órgão da acusação. Em fevereiro de 2016, quando o reclamante ainda estava sendo investigado, o ex-juiz Sergio Moro chegou a indagar ao procurador Deltan Dallagnol se já havia uma denúncia sólida ou suficiente. O procurador responde apresentando um verdadeiro resumo das razões acusatórias do Ministério Público, de modo a antecipar a apreciação do magistrado” — afirmou Gilmar.

Em um trecho do voto, Mendes afirmou que a interceptação telefônica de escritório de advocacia era típica de regime autoritário. Ao fundo, ouviu-se a voz da ministra Cármen Lúcia concordando: “Gravíssimo!.

MUDAR O VOTO – Vale lembrar que a ministra já votou neste processo, a favor de Moro. Para ela, o ex-juiz não foi parcial na condução dos processos contra Lula. Como o julgamento ainda está em andamento, qualquer um dos ministros pode alterar sua posição.

Gilmar Mendes votou pela anulação do processo do triplex desde o início. Ele esclareceu que a investigação pode ser iniciada novamente “com julgador efetivamente imparcial”.

O ministro Nunes Marques foi favorável a continuar o julgamento. Ele destacou que a decisão de Fachin anulando as condenações de Lula e finalizando a análise da suspeição de Moro não é uma decisão definitiva. Também lembrou que a análise da suspeição é importante para guiar os trabalhos da Justiça Federal do DF, que ficará responsável pelos processos de Lula que estavam em Curitiba, caso o Plenário confirme a decisão de Fachin. Mas fez o pedido de vista, adiando o final do julgamento da suspeição de Moro.

“Se eventualmente não for declarada a suspeição, aquele novo juízo [a Justiça Federal do DF] poderá inclusive proceder a um aproveitamento de todas as provas colhidas. Se, de forma contrária, esta Turma decidir pela suspeição do ex-juiz Sergio Moro, o novo juízo já procederá em nova instrução, já sabedor que não poderá proceder no aproveitamento das provas. Eu não vejo óbice nenhum para que prossigamos no julgamento — disse Nunes Marques.

No início da sessão, o subprocurador-geral da República Juliano Carvalho, em nome do Ministério Público Federal (MPF), pediu a suspensão do julgamento, dando tempo para a Procuradoria-Geral da República analisar melhor a questão.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Gilmar Mendes e Ricardo Leewandowski se comportaram como se fosse advogados de Lula e demonstraram verdadeiro ódio por Sérgio Moro. Dizem que a inveja mata, mas não é verdade, pois, se isso acontecesse, Mendes e Lewandowski já estariam na terra dos pés juntos, como se dizia antigamente. E o neoministro Nunes Marques fez o dever de casa direitinho, ao interromper o julgamento, até porque o presidente Jair Bolsonaro ainda não se decidiu a respeito da possibilidade de inocentar Lula e enfrentá-lo nas urnas. E como diz o general-ministro Pazuello, nesse governo quando um manda o outro obedece. (C.N.)  

General diz que Bolsonaro está “deslumbrado” e que deveria “baixar a bola” e entender qual a sua missão

Publicado em 9 de março de 2021 por Tribuna da Internet

Para Chagas, Bolsonaro é um trapalhão que não cumpre o que promete

Idiana Tomazelli
Estadão

Candidato bolsonarista ao governo do Distrito Federal pelo PRP em 2018, o general da reserva Paulo Chagas foi apoiador de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro, mas hoje considera o ex-aliado um deslumbrado com o poder. “O caminho correto seria o presidente baixar a bola e entender qual é a missão dele”, disse o militar em entrevista ao Estadão/Broadcast.

Para Chagas, ministros deveriam conversar com Bolsonaro na busca de arrefecer os ânimos a fim de evitar um eventual impeachment. Segundo ele, se ficar “cada um caladinho, cuidando do seu quadradinho”, o governo será paralisado.

NEGACIONISMO – O general diz ainda que o “negacionismo” do governo em relação à pandemia agravou a situação e que é preciso “uma dose de humildade muito grande” para reconhecer o erro. “É um absurdo que o presidente venha ‘mimimizar’ um problema como esse”, disse.

Em postagem no Twitter, no fim de semana, Chagas rebate quem o critica por se voltar contra o presidente e relata ter perdido seguidores por isso. “Há quem diga que não devo criticar o presidente Bolsonaro porque não temos outro capaz de liderar a direita. Ora, se entre 200 milhões de brasileiros só encontramos um narcisista deslumbrado, trapalhão e que não cumpre o q promete para nos liderar, é porque a direita não está preparada para mudar o Brasil!”, postou ele no sábado.

 

Na entrevista, ele vai além e diz sempre ter sido contra uma espécie de glorificação da figura do presidente, pois ele “não é milagreiro”, e afirmou que o uso da palavra “mito” para defini-lo pode carregar outro significado. “Mito pode também ser chamado de mentira, de ilusão.”

O senhor apoiou o presidente Jair Bolsonaro, foi o candidato dele ao governo do Distrito Federal. Mas desde o primeiro ano do governo adotou uma postura mais crítica. O que mudou?
O que mudou foi o próprio presidente. Ou não mudou. Durante a campanha eu defendi a pessoa, até a maneira de ele ser, se comportar, as atitudes mais intempestivas. Dizia que fazia parte da imagem dele, mas como deputado. Quando for presidente vai mudar, tudo que falar vai repercutir, as coisas têm que tomar o rumo da harmonia, da União, não da divisão. Mas ninguém na volta dele conseguiu convencer. Ele assumiu, e alguém soprou no ouvido dele que não precisava mudar. Se eu estivesse fazendo parte do governo, eu diria isso para ele, mas nunca fiz parte nem nunca pedi para fazer. À medida que as coisas foram perdendo o rumo, e a própria personalidade do presidente foi tomando conta dele, aí começou a crítica. Se você começa de uma forma mais sutil e não surte efeito, vai aumentando até chegar uma hora em que você perde a censura. Acho que é a fase em que estou entrando agora (risos).

O senhor escreveu no último sábado que Bolsonaro é um “narcisista deslumbrado” e um “trapalhão que não cumpre o que promete”. O que credencia o presidente a esses títulos?
Deslumbrado com o poder, não tenho dúvida de que ele está, em que pese não ser só ele. Vemos os ministros da Suprema Corte também exacerbando o poder que têm, e o próprio Congresso. Os poderes estão se imbricando, um engole um pedacinho do outro. Está faltando harmonização. Mas quando falo do narcisista deslumbrado é porque ele, tanto quanto outros, está deslumbrado com o poder que tem, com a popularidade que tem e nunca teve. É um deslumbramento que faz com que ele se comporte pensando que é mais do que é na verdade. Veja esse negócio da rachadinha (investigação que tem como um dos alvos o senador Flavio Bolsonaro, filho do presidente). Fica bem claro que está querendo esconder. O que falta é humildade. O ser humano é falho, se tivesse desde o início falado desse negócio e deixado que a Justiça tomasse conta. Não, fica tentando negar uma coisa que é evidente. É só uma questão de tempo para provar, e ele colocando obstáculos na comprovação disso vai prejudicá-lo muito mais. Tudo que ele falou vai por água abaixo quando a polícia chegar à conclusão.

O caso da rachadinha teve um revés no STJ recentemente. O senhor acha que mesmo assim, quem eventualmente for culpado ou não, isso virá à tona?
Mais cedo ou mais tarde. O empenho é que seja mais tarde, mas não tenho dúvida que isso vai aparecer. Mesmo sendo o mais bolsonarista dos bolsonaristas, você não pode admitir um crime para beneficiar quem quer que seja. É imoral.

O senhor falou que há uma exacerbação não só do presidente, mas também do outro lado da Praça dos Três Poderes. De quem deveria ser o primeiro passo no sentido de acalmar os ânimos?
Olha, agora vai ser difícil. Quem tem que dar uma palavra nisso é o próprio povo, começar pressionando o Congresso a tomar uma atitude na direção correta. Em princípio, para mim, (em relação a) os ministros da Suprema Corte.  Se colocar para funcionar aquela CPI da Lava Toga, naturalmente cada um vai subir para o seu galho. Quem tem que fazer isso é o Senado. E quem tem que pressionar para isso? O povo. Ah, mas aí a Suprema Corte também põe pressão no Senado…  Se tiver que botar meia dúzia, uma dúzia ou metade do Senado na cadeia, põe. Mas o caminho é esse. Eu fui incluído nesse inquérito do fim do mundo, do Alexandre de Moraes e do (Dias) Toffoli (Chagas é um dos investigados no inquérito das fake news). Numa postagem, eu falei, no sentido de um conselho, que se não tivesse uma revisão da maneira de proceder, eles iam acabar tendo que ser chamados a um tribunal de exceção. Um tribunal de exceção é um tribunal ad hoc (para o ato), que é o Senado. É o tribunal constitucional para julgar esse caso.

Em relação à exacerbação no Executivo, chegou-se a falar de impeachment. Seria o momento?
Se para cada problema a gente ficar com esse negócio de impeachment, o Brasil não sai do lugar. Já tivemos dois impeachments em curto espaço de tempo. Temos de serenar, amadurecer. O caminho correto seria o presidente baixar a bola e entender qual é a missão dele. Alguém que tivesse influência real sobre ele chegar e dizer: “Olha, a partir de agora, tem que fazer assim”. (Bolsonaro) Tem uma compulsão a dizer impropérios. Fica sempre instigando, não para nunca a briga. Alguém tem que ter humildade para parar essa briga. Não vejo o impeachment como uma boa solução, porque vamos ter que parar o Brasil. Mas, dependendo do rumo que as coisas tomarem, é uma solução também. Não vejo como a melhor.

Quem poderia ser a pessoa para dizer ao presidente que o caminho correto é baixar a bola?
Dentro do Palácio, tem duas assessorias: uma racional e outra fanática e irracional. O chamado “gabinete do ódio” ele não pode ouvir, vão dizer “fecha tudo”. Há a ilusão de que os militares vão apoiar um golpe, é uma ilusão. O presidente inclusive procura passar essa imagem, de que os militares estão do lado dele. Sim, estão do lado dele tanto quanto estiveram do lado da Dilma (Rousseff), do Lula e de todos os presidentes. A outra, que é a assessoria racional, são os ministros competentes que ele tem. (O que deveria ser feito é) Reúne os ministérios e fala com o presidente. Ora, (se ficar) cada um caladinho, cuidando do seu quadradinho, vai chegar uma hora em que o governo vai parar porque vai acontecer esse impeachment, que é a pior coisa que pode acontecer, mas pode acontecer. Para segurar, (tem que) dizer “vamos abaixar a bola, vamos contornar, reunir, conversar”. Tem que ter pessoas de bom senso, e vejo dentro do governo ministros de altíssimo nível. Eu tiro desse time de craques o nosso ministro das Relações Exteriores. É um sujeito desequilibrado.

Qual é sua avaliação sobre o desempenho do governo na gestão da crise do novo coronavírus, inclusive na compra de vacinas?
O erro começou logo no começo, o presidente não quis assumir a coordenação nacional da crise, traçar um plano e seguir esse planejamento. O presidente negou, (adotou) o negacionismo, “é uma gripezinha”, deixou passar, as coisas foram se agravando. Os prefeitos e governadores foram sendo cobrados, vendo as pessoas ficarem doentes, morrendo. Cada um tomou um rumo. Agora, a gente vê uma tentativa para assumir o controle, mas a impressão que tenho é que é tarde. Ele precisa de uma dose de humildade muito grande para admitir que se equivocou, que deveria ter feito e não fez. Estamos vendo hoje de que fato era grave, jamais foi uma gripezinha. Eu acho o fim da picada, no século XXI, a gente ainda achar que existem pessoas que são enviadas de Deus e são tratadas como mito. Mito pode também ser chamado de mentira, de ilusão. Desde o início me manifestei contra, o presidente não devia estimular isso, porque é um presidente, não um milagreiro.

O senhor acha que vacinação contra covid-19 precisa ser obrigatória?
O que tem que ser feito é uma campanha, como eu vi na Globo, “vacina sim”. As pessoas têm que entender que, se você está vacinado, não está transmitindo o vírus para ninguém. Agora, não pode ser obrigado. Eu julgo que todos deveriam se vacinar, mas não pode obrigar. O governo tem que estimular as pessoas, mostrar por que todos devem se vacinar.

No dia em que o País bateu recorde no número de óbitos, o presidente criticou as medidas restritivas e disse “chega de frescura, de mimimi”. O que o senhor acha dessa declaração?
Acho um absurdo. Um absurdo que o presidente venha ‘mimimizar’ um problema como esse, que está mais do que caracterizado no mundo inteiro que é gravíssimo. Ele chega e diz que não é nada, “é mimimi, vamos acabar com a frescura”. Não é esse o papel dele, ele não tem que ter posição radical. Tem que ter uma posição conciliadora, uma posição científica, ouvir as pessoas que sabem, cientistas, médicos. Esse é um problema de saúde, não é um problema político, nem um problema econômico.

A questão que o presidente coloca, de ter que conciliar saúde com economia, é um falso dilema?
Não é um falso dilema. É isso mesmo tem que acontecer. Mas primeiro tem que resolver o problema da saúde. Estruturar o País para a pior hipótese. Para isso tem os médicos, os cientistas, os infectologistas, pessoas que entendem disso. Logicamente tem que ter um momento de “lockdown”. E em todos os momentos (precisamos da) comunicação social para que todos saibam o perigo que estão correndo. (É preciso) Haver uma palavra só sobre isso, e não várias. Depois que a parte da saúde estiver sendo controlada, vai abrindo a parte da economia.

O presidente é muito crítico a essas medidas restritivas.
É uma crítica que ele tira intuitivamente não sei de onde. Não podemos ser governados por intuição, temos que ser governados racionalmente.

O ministro Eduardo Pazuello está sendo investigado por causa da crise do oxigênio em Manaus. O senhor acredita que ele foi omisso?
Não acredito que ele tenha sido omisso nesse caso. Acho que ele disse “olha, mandei o dinheiro para lá, eles têm o planejamento, se a imprensa está dizendo que vai faltar é lógico que o povo de lá está sabendo disso, ainda tem uma recomendação da Suprema Corte de que nós não temos que interferir no que eles estão fazendo, então vamos ficar esperando”. Ele apostou no bom senso, na inteligência, na responsabilidade do governador. E no final não houve, e deu no que deu. Mas não chamo de omissão.

O próprio STF esclareceu que a decisão não foi no sentido de o governo federal não poder agir, mas de dar autonomia para que Estados e municípios pudessem agir sem o governo federal. Nesse sentido, o ministro Pazuello poderia ter agido mais cedo?
Sim, poderia. Ele tinha todos os dados para agir mais cedo. Mas aí entra uma decisão: vou agir mais cedo ou vou deixar por conta deles? Já tinha um responsável. Agora, no momento em que houve o problema, se criou a crise, o governo federal agiu, o Ministério da Saúde colocou a FAB para levar oxigênio.

Há desconforto dos militares com a permanência do general Eduardo Pazuello como ministro estando na ativa?
Há sim. Ainda mais o Pazuello, que está no final da carreira, já atingiu o último posto. Era natural que ele, ao ser ministro, que é muito mais do que general de divisão, passasse para a reserva, como fez o Ramos (Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria de Governo). É um desconforto porque isso está ligado àquela tentativa do presidente de associar Forças Armadas ao governo dele, como se ele tivesse apoiado institucionalmente. As Forças Armadas, como instituição, fazem o que está na Constituição.

A tentativa do presidente de atrelar seu governo às Forças Armadas traz desgaste?
Sim, para a imagem das Forças Armadas perante a sociedade. Se der certo, vira herói, se der errado, vira bandido. Nós não temos nada a ver com isso.  Mas até você explicar que jacaré não é cobra, quanto tempo demora?

O senhor escreveu em novembro que o governo tem pouco tempo para recuperar o espaço perdido com “chorumelas e filhotismos”. O senador Flavio Bolsonaro acaba de adquirir uma mansão de R$ 6 milhões, com um empréstimo em condições mais favoráveis que as de mercado. Esse episódio é exemplo disso que o senhor comentou?
Isso é um tiro no pé, uma bobagem sem tamanho. Ele podia comprar essa mansão depois. No meio dessa poeira, desse fogaréu, ele vai lá e compra uma mansão que a gente vai, faz a conta e não cabe no orçamento dele. É lógico que, se ele pagou, tinha dinheiro para pagar. Agora, vai ter que provar que não teve nenhuma falcatrua. Tomara que prove, né?

O senhor também criticou o que classificou de “populismos raivosos e demagógicos”. Qual seria um exemplo?
Você está vendo exemplo todos os dias. O presidente vive disso, ele continua sendo deputado. Como deputado, era cheio de impropérios, tinha um milhão e meio de pessoas no Rio de Janeiro que queriam ouvir isso dele. Essas pessoas continuam aplaudindo, mais outros tantos desses 57 milhões que votaram nele. No meu entendimento, esse número já diminuiu. Já diminuiu pelo menos o de um, porque eu não voto mais.

O senhor incluiria a questão do preço diesel nesse populismo demagógico?
Sim. Ele intempestivamente está dizendo coisas que como presidente não poderia dizer, porque tem repercussão nacional e internacional. No momento em que ele disse que era contra (o aumento), que ia intervir na Petrobras, as ações começaram a cair. Tem que saber o que dizer, tem que saber quando não dizer, e ele não sabe. Mas isso aí agrada muita gente, né? Ele só não sabe que não agrada aos 57 (milhões), é bem menos. Ele se prejudica.

Até que ponto o apoio de Bolsonaro à agenda liberal não foi só uma fantasia?
O apoio dele não foi uma fantasia. Ele apoiou aquilo que ele estava entendendo que era. Ele nunca soube direito o que era liberalismo. Está aprendendo agora, aos poucos, e aprende só o que ele quer, porque está mais preocupado com a reeleição, e no liberalismo não tem populismo.

Em 2022, o senhor disse que seu voto Bolsonaro não terá. Da mesma maneira, o apoio de outros integrantes das Forças Armadas definhou?
Politicamente, eleitoralmente, o presidente se desgastou e perdeu a confiança de muita gente, incluindo militares. Tenho sido criticado por companheiros, acham que não devo criticar o presidente porque só temos ele. Mas não é possível que, em 200 milhões de brasileiros, só tem um que seja capaz de liderar e representar a direita liberal e conservadora, ainda mais um que está provado que não sabe bem o que é liberalismo, o que é conservadorismo. Se fizer pesquisa nos posicionamentos do deputado Jair Bolsonaro, tem um lado mais socialista na economia do que liberal. Ele é ideologicamente de direita, contra a esquerda, mas na área da economia é estatizante.

O presidente disse recentemente que, se tudo dependesse dele, o País não viveria sob o regime que vive hoje e que, apesar de tudo, ele representa a democracia no Brasil. O senhor vê risco de uma guinada antidemocrática?
Não. Qualquer guinada antidemocrática precisa de Força Armada, e as Forças Armadas não vão apoiar nenhuma aventura não democrática. Para que haja uma intervenção, vai ser no sentido como disse o general (Eduardo) Villas Bôas algumas vezes, o (vice-presidente Hamilton) Mourão falou, de um processo de anomia. Uma circunstância em que você não sabe mais quem está mandando, uma “degringolação” total da lei e da ordem, da harmonia dentro do País. Então alguém tem que botar ordem. Quem? Quem tem a força. Mas isso não vai mudar o regime, é um freio de arrumação.

O Brasil se aproxima dessa necessidade de um freio de arrumação?
Não. Começamos nossa conversa falando que vivemos um momento em que os limites não estão sendo respeitados pelos próprios poderes. Vemos que o STF está saindo dos limites dele. A exacerbação disso vai dar no entrechoque dos poderes, e está escrito na Constituição que eles têm que ser independentes e harmônicos. No momento que um mete a mão (no outro), estamos caminhando para um processo desse tipo, mas eu não acredito que o bom senso não prevaleça. Tudo tem limite, então de repente vamos parar, pensar. Eu não acredito que falte inteligência para as pessoas. Pode faltar honestidade, mas não inteligência.

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