Publicado em 21 de maio de 2026 por Tribuna da Internet

Corte de Roma aprovou a extradição de Zambelli
Pepita Ortega
O Globo
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quarta-feira que o Ministério da Justiça e o Itamaraty adotem medidas para efetivar a extradição da ex-deputada Carla Zambelli, atualmente presa na Itália. A determinação se dá após o ministro ser informado de decisões da Corte de Roma que aprovaram a extradição de Zambelli.
A ordem tem relação com a primeira condenação imposta pelo STF à bolsonarista, no caso da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em tal caso, Zambelli foi sentenciada a dez anos de prisão. Com base em tal condenação, foi feito o primeiro pedido de extradição de Zambelli à Justiça italiana. Em março, foi dada a primeira decisão favorável à solicitação. Ela ainda passou pelo crivo do Ministério da Justiça italiano e da Corte de Cassação italiana, sendo confirmada.
DECISÃO DA CORTE – No último dia 14, a Coordenação-Geral de Extradição e Transferência de Pessoas Condenadas do Ministério da Justiça e Segurança Pública comunicou formalmente a Moraes a decisão da Corte de Roma.
Zambelli foi condenada duas vezes pelo Supremo Tribunal Federal. A primeira sentença, que impôs 10 anos de prisão à ex-parlamentar, foi determinada pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A aliada da ex-parlamentar também foi condenada a cinco anos de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Tal sentença, por sua vez, está ligada ao episódio em que perseguiu um homem em São Paulo, com arma em punho, às vésperas das eleições de 2022.
A deputada bolsonarista, que tem cidadania italiana, deixou o Brasil em maio do ano passado, passando pelos Estados Unidos antes de se mudar para o país europeu. Dois meses depois, ela foi presa e afirmou que queria ser julgada na Itália.
CASSAÇÃO REJEITADA – Em dezembro, a Câmara dos Deputados rejeitou a cassação de Zambelli, em uma tentativa de preservar seu mandato. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, anulou a votação promovida pelos parlamentares, decretando diretamente a cassação em razão da condenação da bolsonarista à prisão.
Enquanto o processo de extradição corria na Itália, a Justiça daquele País decidiu manter a ex-deputada detida na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, por entender que havia risco de fuga. Segundo o governo brasileiro, caso seja extraditada, a ex-parlamentar ficará presa na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.