Publicado em 19 de maio de 2026 por Tribuna da Internet
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/f/r/iXCZlmRda70iJFMwpmug/114914445-pa-brasilia-15-05-2026-flavio-bolsonaro-embarque-aeroporto-de-brasilia-senador-flavio-bols.jpg)
Repercussão entre “voláteis” tende a influenciar os votos
Míriam Leitão
O Globo
Qual será o impacto da revelação dos diálogos do senador Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro nas intenções de voto? Questionado, o cientista político e professor do Insper, Carlos Melo, acha importante avaliar este cenário de polarização que divide, em linhas gerais, a população entre 40% de antipetistas e 40% de antibolsonaristas.
Sobram 20% voláteis, os chamados swing voters, que ora pendem para um lado, ora para o outro. Esses 20% não vão integralmente para o antipetismo nem para o antibolsonarismo. Eles oscilam e, em uma eleição apertada, bastaria pouco mais de “10% + 1 voto” para decidir o resultado.
FORA DA BOLHA – “O importante não é quem já está em uma bolha ou na outra. O importante é quem oscila. São eleitores hoje mais inclinados ao antipetismo, muito por causa do desgaste do incumbente, como vem acontecendo no mundo inteiro. Mas esses eleitores podem ser impactados por esses áudios e podem dar maioria para o outro lado. E isso pode fazer diferença”, afirma.
Ele ressalta ainda que, dentro desse grupo antipetista, os bolsonaristas representariam cerca de 15%. Com o desgaste de Flávio Bolsonaro, ele avalia que eleitores de direita, mas não bolsonaristas, podem optar por um candidato “menos complicado”. Nesse contexto, Ronaldo Caiado teria adotado um discurso mais prudente.
“Quando Caiado diz “não podemos perder o sentido do antipetismo”, não está dizendo “não podemos perder o Flávio”. Está dizendo: “vamos continuar juntos para vencer o PT”. Mas, se o Flávio não é o mais forte, quem seria? Ele próprio está se colocando, é claro”, diz.
PROBLEMA PARA LULA – Para Melo, uma eventual substituição de Flávio, desgastado tanto pelo caso envolvendo Daniel Vorcaro como pelo legado do governo do pai, “por alguém sem o cristal trincado” poderia representar um problema para Lula.
O cientista político destaca ainda que, desde o caso do INSS, o governo vinha sendo alvo constante de críticas, enquanto Flávio “navegava em céu de brigadeiro”, sem ataques mais fortes. Agora, o cenário mudou.