em 16 maio, 2026 8:32
Adibertode Souza
]Rodado na luxuosa Avenida Vieira Souto e tendo como atores principais os canastrões Daniel Vorcaro e o ainda presidenciável Flávio Bolsonaro, o filme “Papo de parça: Meirmão, me dá um dinheiro aí” já está em cartaz nos piores cinemas. A trama se passa no calar da noite para não chamar a atenção dos eleitores e, naturalmente, esconder uma suspeita maracutaia de R$ 61 milhões. A chanchada começa com o aflito pré-candidato a presidente telefonando ao gângster dono do banco Master para cobrar parcelas atrasadas de um obscuro acordo feito entre os dois: “Meirmão, cadê o dinheiro? Se a gente não pagar os parças americanos, eles vão derrubar meu pai do cavalo do Apocalipse”. Do outro lado da linha, calmo como todo bandido do colarinho branco, Vorcaro convida o cúmplice pra jantar uma macarronada num inferninho da Avenida São João. Na escuta, o premiado agente secreto pega a conversa do celular grampeado e divulga na imprensa. Flagrado com as calças na mão, Flávio Bolsonaro (PL) arranca o resto dos cabelos da cabeça. Na prisão domiciliar, o pai do dito cujo entra em pânico: “Pronto, agora a casa caiu de vez”, enquanto o irmão “exilado” do presidenciável resmunga numa rua escura ao lado da Casa Branca: “Diabo, vou voltar a fritar hambúrguer”. Ou seria bolinhos? Antes do the end, a prima-dona Michele sobe nos tamancos, roda a baiana e anuncia o lançamento de uma linha de perfumes para homens. A produção da película adverte que qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. Home vôte!
Cheiro de pizza
Em pleno ano eleitoral, a Câmara Municipal de Aracaju vai instalar uma CPI para investigar denuncias de irregularidades em permissões dadas pela Prefeitura para uso de bens públicos. Tomara que essa nova apuração não termine em pizza tal qual aconteceu com as duas CPI’s instaladas, ano passado, para investigar acusações contra o ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PDT). Depois de meses apurando possíveis erros no financiamento do Natal Iluminado e no uso dos recursos das multas cobradas pela SMTT, as duas CPI’s não deram em nada. À época, o vereador Miltinho Dantas (PDT) disse que a Câmara nem deveria enviar os relatórios das investigações ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas, pois “não acusa, nem indicia ninguém”. Marminino!
A propaganda política do PL está sendo veiculada no pior momento para o partido, pois não se fala em outra coisa que não seja o pedido de dinheiro feito por Flávio Bolsonaro ao mafioso banqueiro Daniel Vorcaro. Entre os intervalos dos noticiários sobre o escândalo financeiro, o ainda presidenciável aparece nas inserções do PL de mãos dadas com os pré-candidatos a senador e a governador de Sergipe, respectivamente, Rodrigo Valadares e Ricardo Marques. Isso é o que se pode chamar de propaganda negativa. Creindeuspai!
Prefeitos requisitados
Apesar de toda fiscalização dos órgãos de controle, é inegável que a máquina pública faz grandes estragos no campo adversário. Os prefeitos, por exemplo, negam a utilização política desse torpedo eleitoral, porém o simples fato de comandarem verbas públicas e contarem com a caneta para contratar empresas, nomear e exonerar servidores ajuda e muito os pré-candidatos apoiam por eles. É justamente pela força política das administrações municipais que os postulantes a cargos eletivos nas eleições deste ano não se cansam de bater às portas dos prefeitos. Arre égua!
A Câmara Federal promoveu, ontem, uma sessão solene para marcar a passagem dos 30 anos do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e homenagear Frei Sérgio Görgen. Em vida, este religioso sempre esteve envolvido com a organização do povo do campo, a justiça social, a reforma agrária e a construção de alternativas populares para o Brasil. O deputado federal João Daniel (PT) participou da sessão especial, que também foi prestigiada por uma delegação de 90 trabalhadores e trabalhadoras de Sergipe. Segundo o parlamentar petista, a sessão na Câmara defendeu as sementes crioulas, a diversidade e um projeto de soberania nacional e alimentar. Ah, bom!
Morde e assopra
Na época da UDN e do PSD, quem era de um lado não dirigia sequer a palavra a alguém de outra facção. Com o passar do tempo, a convivência entre os adversários políticos se tornou respeitosa. Hoje, com a ideologia em desuso, formam-se coligações que mais parecem uma feijoada, tamanha a variedade de pensamentos entre os integrantes do mesmo bloco político. E será neste clima de tapas e beijos, morde e assopra, que o eleitor de Sergipe vai às urnas, em outubro próximo, eleger, além do presidente da República, o governador, dois senadores, oito deputados federais e 24 deputados estaduais. Danôsse!
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