quinta-feira, maio 21, 2026

Se a canoa não virar sozinha, não falta gente para dar um empurrãozinho

 

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Arte: Marcelo Chello

As relações de Flavitcho Bolsonaro com Daniel Vorcaro abalaram a República bolsonarista. Ronaldo Caiado, que estava na linha do “vamos ver, deixa o menino se explicar”, agora chutou o pau da barraca. A Michelle se limita a dizer “tem que perguntar pro Flávio”. O Zema, que foi o primeiro a dizer que era imperdoável, segue sem perdoar. Já tem gente falando em Cleitinho para presidente. Aliás, até o Aécio Neves quer pegar a onda e se lançar candidato (sim, ressuscitou de novo).

Enquanto isso, o marqueteiro amigo abandona Flavitcho (mas ele já escolheu um novo). Haja marketing, BRASEW.

A treta é a seguinte. Tem uns três mineiros aí nesse lead querendo pegar o Flavitcho. O Zema é o ex-governador e todos já conhecem. O outro é o Aécio, que é ex-tudo e todos já conhecem. E o terceiro é o Cleitinho, do Republicanos, é um senador bolsonarista e pré-candidato ao governo do Estado. O Metrópoles afirma que o partido já está pensando em lançar o senador candidato a presidente.

Mas se Minas não conseguir derrubar Flavitcho, Goiás agora se candidatou também. Ronaldo Caiado hoje partiu para as cabeças.

“A pessoa que está contaminada não tem estatura para sentar na cadeira da Presidência da República. O Vorcaro estava contaminando todos os Poderes, e nós estamos vivendo nessa desordem institucional.”

Nem o marqueteiro amigo resistiu. Marcelão, como era conhecido, caiu fora. Ele é ex-policial e tem uma agência de publicidade que ganhou vários contratos públicos na era Bolsonaro, mas também conquistou contas como a dos Correios e a do governo de Minas Gerais (olha Minas aí, gente). Marcelão é amigo pessoal de Flavitcho, mas também apareceu como um dos publicitários que ajudou Vorcaro a construir a rede de influencers para criticar o Banco Central (lembram dessa treta?). Mas Flavitcho já arrumou um novo marqueteiro: Eduardo Fischer. Para quem não é do mundo publicitário, Fischer é quem fez as campanhas da Brahma quando os jogadores ficavam fazendo o número 1 na época da Copa. Naquela época em que o Brasil ainda ganhava Copa.

Falando em ganhar Copa, o Aécio parece que quer se lançar candidato pelo PSDB (sim, darling, o partido ainda existe). Os parça dele estão dizendo que ele tem que aproveitar a onda de rejeição contra Flavitcho. O Roberto Freire disse para a Folha que não podem deixar o lulopetismo tomar conta. Só quero lembrar que o Brasil perdeu de 7x1, no Mineirão, na última vez que Aécio foi candidato a presidente. #informei

E a Michelle?

A Michelle reapareceu ontem, plena, e quando perguntada sobre os áudios do Flavitcho com Vorcaro, apenas sorriu e disse “tem que perguntar para o Flávio”. O Janones disse na semana passada que o dinheiro do Vorcaro vai aparecer em algum momento na conta de Michelle. Mas até agora nada.

A análise geral da galera é que, com chances ou sem chances, Flavitcho vai seguir candidato porque os Bolsonaro preferem que Lula ganhe a que algum outro candidato da direita ganhe. Porque daí vão fazer oposição como? Afinal, o modus operandi do bolsonarismo é rede social, e rede social só engaja na base do ódio.

Mais uma investigação

E a Polícia Federal está apurando uma emendinha (aquelas de dinheiro público) que Flavitcho enviou para uma ONG que tem suspeita de estar ligada aos irmãos Brazão, condenados pelo assassinato da vereadora Marielle e de seu motorista Anderson. Ahã, até isso está aparecendo agora. A desconfiança é que o repasse pode ter feito parte de um esquema de desvio de verbas públicas.

E o Ciro Nogueira?

O Ciro Nogueira outro dia estava envolvido em denúncias do tigrinho, depois veio denúncia de possíveis esquemas com Vorcaro e agora a Polícia Federal está investigando um pagamento de 14 milhões de reais feito por um fundo ligado a Ricardo Magro (aquele empresário do ramo dos combustíveis que é considerado o maior sonegador do Brasil). Na semana passada, a Justiça autorizou uma operação que foi atrás do ex-governador do Rio, Cláudio Castro, e autorizou a prisão de Magro. O empresário está hoje foragido nos Estados Unidos. A reportagem é do Estadão e Ciro explicou para o jornal que teve sim o pagamento, mas que foi relativo à venda de um terreno para a construção de uma distribuidora de combustíveis.

Mas a revista piauí publicou agora há pouco que o dinheiro caiu na conta da empresa do senador 55 dias depois de uma “emenda Refit”. O senador propôs uma alteração no projeto de lei do devedor contumaz que poderia dificultar o enquadramento de empresas do setor de combustíveis — ou seja, que poderia beneficiar Ricardo Magro.

Para os perdidos: existem dois tipos de emendas. As emendas de dinheiro, em que os parlamentares pegam parte do Orçamento Público para enviar a seus estados (e muitas vezes desviam a função e por isso caem em investigações de corrupção, lavagem e esquemas). E existem as emendas que são para acrescentar algum ponto em um projeto de lei ou medida provisória. A notícia do Flavitcho com os Brazão era sobre emendas de dinheiro. Essa notícia do Ciro com Magro é sobre emendas de texto.

Botaram o Lobo no galinheiro

E eis que o Senado, que não aprovou Messias para o Supremo, aprovou o Lobo para a Comissão de Valores Mobiliários. Otto Lobo será o novo presidente do xerife do mercado financeiro. Apesar de Alcolumbre negar, todo mundo dizia que Lobo era seu candidato preferido ao cargo. Para quem não lembra, foi Lula quem indicou o Lobo, apesar de pesar sobre ele uma nuvem de dúvidas por conta de umas decisões que ele andou dando na CVM que beneficiaram quem? O Banco Master.

Decretos

Lula anda numa agenda intensa para tentar agradar todos os tipos de eleitores. Hoje foi a vez de assinar dois decretos para que as big techs comecem a derrubar conteúdos de violência contra as mulheres. Para isso, botou no circuito a Agência Nacional de Proteção de Dados, que vai fiscalizar as empresas.

E essa boiada?

A bancada ruralista, sem ninguém perceber, fez uma manobra hoje na Câmara e conseguiu aprovar um projeto que reduz em 40% a Floresta Nacional do Jamanxim, na Amazônia. Foi esquema de tramitação a jato. Por sorte, ou azar, o projeto agora vai para o Senado.

E a gente que lute, BRASEW.

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