segunda-feira, maio 25, 2026

Livro sobre Kant surpreende e consegue tornar claras as ideias do filósofo iluminista


Tudo tem um ou um preço ou uma... Immanuel Kant - PensadorHélio Schwartsman
Folha

É difícil dizer se “Kant: a Revolution in Thinking”, de Marcus Willaschek, deve ser classificado como um comentário da obra do filósofo ou como uma biografia. Qualquer que seja o veredicto, Willaschek faz as duas coisas muito bem.

É impressionante como o livro consegue tornar claras as ideias de Kant, uma tarefa em que muitas vezes o próprio filósofo prussiano fracassava. E não porque Willaschek fuja dos pontos mais desafiadores.

TODA A OBRA – “Kant…” cobre praticamente toda a obra, sem nos poupar das passagens mais abstratas e difíceis da “Crítica da Razão Pura”.

É claro que especialistas poderão apontar lacunas, mas o livro resolve bem os problemas de leitores comuns, movidos só pelo “sapere aude!” (ouse saber) e sem pretensão de escrever uma monografia sobre o filósofo de Königsberg.

Mais do que apenas explicar, Willaschek também procura mostrar em que medida o pensamento de Kant, um autor do século 18, mudou a filosofia europeia e por que, em certos temas, como ética, direitos humanos e relações internacionais, conserva relevância até hoje.

ERA METÓDICO – Se o item mais valioso em “Kant…” são as explicações, a parte mais divertida está nos apontamentos biográficos. A passagem dos séculos legou a Kant a imagem de um filósofo impenetrável, sisudo e metódico, que morreu virgem. Metódico ele era.

Willaschek conta como surgiu a lenda segundo a qual a população de Königsberg acertava seus relógios pela hora em que Kant saia para seu passeio. Mas ele também era, contra as expectativas, uma figura sociável, que chegou a ser perseguido pelas mulheres. Também era um bom contador de piadas. O livro reproduz algumas, mas já alerto que o humor do século 18 não envelheceu muito bem.

Willaschek resiste à tentação de endeusar seu objeto de estudo. Ele não se furta a levantar pontos fracos de Kant, que aparecem em declarações antissemitas, racistas e misóginas. Não cai nos anacronismos típicos de nossa época, mas observa que são um problema para quem defendia uma noção radical de igualdade.


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