quarta-feira, maio 27, 2026

Governantes prostituem o Brasil, um país que doa as terras raras e outras riquezas


Charge mostra Luiz Inácio como cão submisso oferecendo “terras raras do Brasil” a Trump, caricaturado como criança mimada, que exige: “Eu querou seus riqueizas”.

Charge do Artie (Arquivo Google)

Ronaldo Lemos
Folha

Nosso país dá aulas para o mundo sobre como abrir mão do desenvolvimento. O caso dos minerais críticos é um exemplo. Em 1940, chegou ao Brasil o russo Boris Davidovitch. Seu objetivo era explorar monazita nas areias de Guarapari (ES). Em um ano ele dominaria completamente esse mercado de forma predatória, deixando um rastro de destruição.

Davidovitch destruiu cerca de 70 km de praias, incluindo restingas. Montou uma operação de evasão fiscal em que vendia para si mesmo, jogando o preço e os impostos para valores irrisórios. Foi acusado de subornar juízes e desembargadores, de usar trabalho escravo e de continuar exportando clandestinamente mesmo quando suas atividades foram proibidas.

US$ 227 BILHÕES – Em 1954 o prefeito de Guarapari lhe deu uma bofetada na cara. Seu sucessor declarou: “Nasci e me criei aqui. Nunca vi esse homem fazer qualquer coisa em benefício dessa terra”. Em 1956, foi aberta uma CPI onde ele foi intimado a depor.

Tudo isso não serviu para nada. A predação ao Brasil lhe rendeu US$ 227 bilhões. Ele morreu bilionário em Paris em 1960. Após sua morte, seus funcionários enterraram o maquinário da empresa na areia e queimaram todos os documentos.

O que sobrou de monazita extraída em Guarapari foi levado para o bairro do Brooklin em São Paulo, processado pela Orquima e, depois de 1966, pela estatal Nuclemon. Depois da vergonha da monazita, o Brasil finalmente conseguiu dominar boa parte da cadeia de separação das terras raras. Era uma capacidade estratégica rara no mundo naquele momento. Essa capacidade foi desmantelada a partir de 1990 e o que sobrou para o país foram 11 toneladas de resíduo radioativo, apelidado de “Torta 2”. Essa “torta” foi enviada para Caldas (MG). E lá se encontra até hoje.

TERRAS RARAS – A monazita é uma das principais fontes de terras raras do planeta, incluindo o elemento radioativo tório, usado para fazer urânio-233. O problema é que ao ser exportada de forma bruta, seu valor é de banana: menos de US$ 10 por quilo. Com um mínimo de processamento, que o país não consegue mais fazer, o valor aumenta dez vezes: US$ 100 o quilo. Na sua forma final (óxido de térbio) o valor aumenta para US$ 1.000 o quilo.

Analisar a história da exploração da monazita no Brasil revela o tamanho do descaso do país com o desenvolvimento. A monazita brasileira é hoje cobiçada no mundo todo por causa das terras raras. Só que, como toda a capacidade de processamento local foi perdida, o valor agregado é todo gerado no exterior.

TUDO DE NOVO – E o mais irônico: após décadas sem vender monazita bruta por conta da vergonha do passado, o Brasil voltar a exportar monazita bruta nesse ano a partir do Rio de Janeiro, repetindo mais uma vez a história.

O país fica com os buracos, e quem a compra e processa fica com os bilhões de valor agregado. Tudo isso poderia não ser assim. O país teve vozes na história que buscaram refundar nossa política mineral, como o almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, o próprio Juscelino Kubitschek ou o professor Diógenes Moura Breda, da Universidade Federal de Uberlândia.

Seus artigos recentes demolem a lei sobre terras raras em tramitação no Congresso Nacional, que ele chama de “erro estratégico”. Seus escritos merecem atenção.

Nota da Redação Deste Blog -  

EDITORIAL: Os Falsos Brasileiros e o Crime de Lesa-Pátria na Entrega de Nossas Riquezas a Preço Vil


Por José Montalvão

Analisar a história econômica e mineral do Brasil é deparar-se com um ciclo eterno de entreguismo e descaso com o desenvolvimento nacional. Se não fosse profundamente trágico, seria cômico. O país parece condenado a repetir os erros do passado de forma nociva, criminosa, premeditada e consciente, agindo contra os próprios interesses em favor de grandes conglomerados estrangeiros e de elites políticas que usam o patrimônio do povo como balcão de negócios.

Exemplos flagrantes dessa conduta lesa-pátria encontram-se nas gestões de governantes como o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o ex-governo de Minas Gerais, sob Romeu Zema. Ambos se alinham à nefasta política de entregar, a preço vil, as riquezas minerais nobres, críticas e raras do subsolo brasileiro a interesses internacionais. O ápice da desfaçatez é que esses mesmos personagens hoje se arrogam o direito de pleitear a Presidência da República, visando consolidar esse modelo de subserviência, enriquecendo-se ainda mais e legando aos seus familiares os produtos dessa predação institucionalizada.

A Lição que o Passado Deu e o Brasil Não Aprendeu

O recente artigo de Ronaldo Lemos, publicado na Folha e reproduzido pela Tribuna da Internet, resgata uma memória histórica que serve de espelho para o que acontece hoje. O texto relembra a trajetória do russo Boris Davidovitch, que desembarcou no Brasil em 1940 para explorar a monazita nas areias de Guarapari (ES). Em pouco tempo, dominou o mercado de forma predatória, destruiu cerca de 70 km de praias e restingas, montou esquemas de evasão fiscal vendendo o minério para si mesmo a preços irrisórios, usou trabalho escravo e subornou o Judiciário.

Mesmo após CPIs e denúncias de que nunca trouxe um único benefício para a região, a predação rendeu-lhe uma fortuna estimada em US$ 227 bilhões, falecendo bilionário em Paris em 1960. O rastro deixado no país? Documentos queimados, maquinário enterrado na areia e, anos mais tarde, o desmantelamento da capacidade estatal de refino que havia sido conquistada a duras penas, restando ao Brasil apenas 11 toneladas de resíduo radioativo — a chamada “Torta 2”, guardada em Caldas (MG).

A "Lógica de Banana": Exportar Matéria-Prima e Importar Tecnologia

A monazita é uma das principais fontes de terras raras do planeta — minerais críticos essenciais para a tecnologia global de vanguarda, chips, transição energética e armamentos. O crime contra a economia nacional reside na falta de capacidade ou de vontade política para processar esses elementos em solo pátrio:

  • Preço de Banana: Ao ser exportada de forma bruta, a monazita vale menos de US$ 10 o quilo.

  • Valor Agregado Perdido: Com um refino mínimo, o valor salta para US$ 100. Em sua forma final (como o óxido de térbio), o preço atinge astronômicos US$ 1.000 o quilo.

Como os governantes locais preferem o ganho rápido e a subserviência, o Brasil perdeu sua capacidade de processamento. O resultado é o pior dos cenários: o país fica com o buraco, com o impacto ambiental e com o lixo radioativo, enquanto as potências estrangeiras ficam com os bilhões de dólares do valor agregado tecnológico.

E o mais irônico e vergonhoso: após décadas de interrupção por conta desse passado humilhante, o Brasil voltou a exportar monazita bruta neste ano de 2026 a partir do Rio de Janeiro, repetindo exatamente a mesma história de exploração colonial.

Conclusão: O Voto contra os Predadores da Pátria

O Brasil teve vozes altivas na história que tentaram desenhar uma política mineral soberana, como o Almirante Álvaro Alberto, o presidente Juscelino Kubitschek e o professor Diógenes Moura Breda. No entanto, a linha que prevalece nas pranchetas de figuras como Zema e Caiado é a da privatização predatória e do entreguismo disfarçado de modernidade jurídica.

Quem prostitui as riquezas do Brasil não tem legitimidade para governar o seu povo. O eleitor precisa acordar para o valor estratégico do nosso subsolo. Permitir que entregadores de terras raras cheguem ao Palácio do Planalto é assinar o atestado de subdesenvolvimento definitivo do país. O Brasil é dos brasileiros, e nossas riquezas devem servir para financiar a saúde, a educação e o futuro dos nossos filhos, e não para sustentar o luxo de corporações estrangeiras e oligarquias políticas.

Blog de Dede Montalvão: Defendendo a soberania nacional, o patrimônio do povo e a verdade contra o entreguismo político.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025


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