
Caiado e Zema estão acertando uma chapa competitiva
Bruno Ribeiro e João Pedro Abdo
Folha
Os ex-governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), ambos pré-candidatos à Presidência, encontraram-se nesta terça-feira (26) e discutiram uma aliança já no primeiro turno das eleições.
Ao tratar do encontro nesta quarta-feira (27) em entrevista à rádio Nova Difusora, em São Paulo, Caiado foi questionado sobre o assunto e sobre a disposição de Zema em fazer a aliança sem abandonar a cabeça da chapa. “Nós conversamos, existe esse sentimento. E ele é uma pessoa aberta. Então nós estamos somente avaliando”, respondeu o pré-candidato do PSD.
NA DATA-LIMITE – Já Zema, durante um evento com agentes do mercado financeiro na terça-feira (26), manteve o tema em aberto. “Conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data limite. Porque, na política, é na meia-noite da data limite que as coisas costumam ser definidas, infelizmente”, disse em referência ao dia 15 de agosto, fim do prazo para inscrição de chapas na Justiça Eleitoral para o pleito de 2026.
Zema esteve no escritório de campanha de Caiado, em São Paulo, para a reunião que tratou da aliança no primeiro turno. O ex-governador de Goiás havia dito, em outras ocasiões, que o grupo estaria unido de qualquer forma no segundo turno, quando é esperado que um nome do campo da direita se mantenha na disputa contra Lula, da esquerda.
No entorno dos dois candidatos, contudo, a avaliação é que uma eventual união dos dois, se ocorrer, só será definida perto das convenções e do registro das candidaturas.
HUMILDADE – Em sua entrevista, Caiado disse que era preciso ter humildade para reconhecer que tanto sua pré-campanha quanto a de Zema estão em um patamar abaixo das do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). “No momento em que nós unirmos um pouco nossos esforços, elas [as pré-campanhas] poderão chegar fortes só no segundo turno ou poderão chegar competitivas ainda no primeiro turno”, afirmou.
Já Zema afirmou “se dar bem” com Caiado e, quando questionado se aceitaria ser vice na chapa com o ex-governador de Goiás, brincou: “Não poderia ser ao contrário?”.
O mineiro, que também havia feito visitas e aberto canais de diálogo com Flávio Bolsonaro, virou alvo de ataques de bolsonaristas diante da postura após a revelação da associação do senador com Daniel Vorcaro, do banco Master.
TAPA NA CARA – Zema disse que era “imperdoável, um tapa na cara nos brasileiros de bem” ouvir o senador cobrando dinheiro de Vorcaro. A atitude foi interpretada como uma traição pelos aliados de Flávio, dificultando a busca do ex-governador por palanques entre políticos da direita.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada em maio, após o escândalo, Lula (40%) ampliou de 3 para 9 pontos percentuais a diferença para Flávio (31%) na simulação de primeiro turno. Caiado e Zema marcam, respectivamente, 4% e 3% no levantamento.
Zema repetiu na terça as críticas que tem feito a Flávio após a divulgação dos áudios. “Foi dito para nós, meses atrás, que ele não tinha nenhum envolvimento [Flávio] com o banqueiro bandido [Vorcaro] Quem foi traído? Nós ou eles? Me parece que nós”, disse.
INDIGNAÇÃO – Ele afirmou estar “realmente indignado” e que quem votar em Flávio estaria “entregando a eleição para o Lula, já que a rejeição dele ficou maior do que a do presidente”. O filho do ex-presidente marcou 46% e superou o petista (45%) entre os eleitores que dizem não votar em algum dos candidatos perguntados.
Mesmo assim, o ex-governador mineiro disse que apoiaria Flávio em um segundo turno contra um candidato de esquerda. Segundo Zema, combater esse espectro político é seu “grande objetivo”.
O pré-candidato também voltou a fazer críticas aos programas sociais: “O que tem de marmanjão de 20, 30 anos recebendo Bolsa Família e complementando esse Bolsa Família com bicos eventuais, não tá escrito”, afirma. O tema é recorrente nas falas do ex-governador mineiro e já foi rebatido pelo ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias.
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NOTA DA REDAÇÃO D0 BLOG – Ao que parece, Caiado e Zema tiveram uma crise de bom-senso e estão caindo na realidade. Se os dois não se unirem para criar uma terceira via de verdade, a família Bolsonaro, que só se preocupa com ela e não com o país, vai entregar novamente o governo nas mãos de Lula e do PT, que já provaram que não sabem administrar. (C.N.)