quinta-feira, maio 28, 2026

Flávio perdeu a oportunidade de obter de Trump a suspensão do tarifaço, por Raul Monteiro*

 

Flávio perdeu a oportunidade de obter de Trump a suspensão do tarifaço, por Raul Monteiro*

Por Raul Monteiro*

28/05/2026 às 07:10

Atualizado em 28/05/2026 às 07:33

Foto: Divulgação

Imagem de Flávio perdeu a oportunidade de obter de Trump a suspensão do tarifaço, por Raul Monteiro*

Flávio Bolsonaro e Donald Trump

A família Bolsonaro continua a mesma. De repente, os filhos do ex-presidente aprenderam que, quando a dor de barriga aperta, eles podem apelar a Donald Trump na tentativa de contar com sua intervenção para a solução de problemas que eles mesmo criaram. Com o objetivo de impedir que o pai fosse preso pela conspiração golpista, tanto fizeram que levaram o presidente norte-americano a aplicar um tarifaço contra o Brasil que acabou afetando de forma irremediável vários segmentos econômicos, muitos dos quais quebrados hoje. Agora, o candidato presidencial do clã, Flávio (PL), se joga de corpo e alma no colo de Trump.

A 'visita' ao presidente norte-americano ocorre depois que foram vazadas conversas do senador bolsonarista com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, responsável, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pela maior fraude financeira da história do Brasil, sustentada por uma robusta e inédita teia de proteção que envolveu de políticos e ex-políticos de todos os quadrantes partidários a altas autoridades da República. E o que sai do encontro de ostensiva subalternidade de alguém que pretende dirigir o Brasil, além de fotos posadas, sem a menor naturalidade, com o todo-poderoso presidente norte-americano? 

Nenhuma manifestação de Trump, mas apenas declarações de Flávio, das quais se depreende que o assunto mais importante de que trataram foi o seu pedido para que as organizações criminosas brasileiras sejam classificadas como terroristas, uma manobra, segundo muitos, para oferecer um pretexto para que a polícia norte-americana possa adentrar o território nacional na caça a bandidos, medida que, em si, não representa qualquer novidade em se tratando dos Bolsonaro, mas pode atentar, claramente, contra a soberania nacional, ao criar justificativas para uma eventual interferência estrangeira no país, algo em si altamente perigoso.

Isto quer dizer que, do Salão Oval em que o ex-presidente Bill Clinton e a estagiária Monica Lewinski teriam protagonizado cenas tórridas de paixão, sequer saiu uma decisão ou pelo menos uma promessa de Trump de que suspenderá o tarifaço contra produtos brasileiros, sem dúvida, uma medida que poderia empoderar Flávio como uma liderança que defende e luta pelo Brasil. Mas se nem levar o presidente norte-americano a tomar uma posição em favor do povo brasileiro que ele possa capitalizar politicamente, como candidato à Presidência, Flávio consegue, com qual propósito então ele viajou aos EUA?

Na prática, o senador carioca acabou dando gás aos governistas para espalharem as mais diversas teorias sobre sua viagem, entre as quais a predominante é a de que, além de bajular Trump, ele foi tentar articular um bloqueio às investigações sobre o destino dos cerca de R$ 62 milhões que Vorcaro teria lhe entregue para a produção do filme "Dark Horse", uma peça de propaganda sobre a chegada de Bolsonaro à Presidência da República, recursos que, segundo a própria produtora, não teriam sido recebidos. É por isso que cresce a avaliação de que a ida de Flávio aos EUA foi mais um vexame do que uma vitória política.

*Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

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