domingo, maio 24, 2026

O Festival de Irregularidades começou!

 


Identificamos vários contratos de artistas praticamente desconhecidos ganhando cachê de músicos consolidados. Por exemplo, em um ano, Jocélio DDD (acrônimo para Doidinho de Deus) ganhou mais da prefeitura de São Paulo para tocar dentro de igrejas – incluindo a que Nunes frequenta, e onde um pároco já pediu votos para ele – do que Pedro Sampaio ou Iza. Você pode imaginar que o tamanho de público que cada um deles atrairia é bem diferente.


Entre esses artistas que ganharam centenas de milhares de reais da prefeitura, tem gente que vendia salgado no Facebook para complementar as contas do mês, gente que só tinha experiência cantando em festa de casamento, e gente que tem um ouvinte no Spotify (sim, um ouvinte, nem a mãe e o pai da pessoa escutaram).


Também fizemos um pente-fino nas contratações e vimos que elas cresceram quase 200% em setembro de 2024, pouco antes das eleições de 2024, quando Nunes concorreu à reeleição. Nesse balaio também apareceram shows estranhos, sem licitação (que deveria ser obrigatória para artistas que não são aclamados pela mídia) e até doações suspeitas de assessores da Secretaria de Cultura.


Encontramos, ainda, casos de artistas agenciados para até quatro shows no mesmo dia, com pouco tempo para se deslocar de um local ao outro. Um desses casos é do cantor e ex-vereador Netinho de Paula, que recebeu R$ 180 mil da prefeitura por dois shows no mesmo dia em 2024. O primeiro ele cumpriu, segundo moradores do local que ouvimos. Mas, na hora do segundo, o cantor estava a quase 500 quilômetros de distância, na cidade de Votuporanga, em um show privado, conforme o próprio divulgou em seu Instagram. E não há qualquer menção de que ele tenha devolvido o dinheiro.


Por fim, revelamos pagamentos para funkeiro e produtoras investigadas pela PF. A prefeitura destinou R$ 1,2 milhão para 21 shows de artistas e produtoras citados na Operação Narco Fluxo (que investiga lavagem de dinheiro ligado ao tráfico e às apostas ilegais). A apuração mostra contratos firmados com a GR6, produtora ligada a artistas como MC Ryan SP, MC Hariel e MC Livinho, além de indícios de irregularidades em notas fiscais e contratações feitas sem análise jurídica da Secretaria Municipal de Cultura. Em 2024, Rodrigo Oliveira, dono da GR6 apoiou a reeleição de Nunes e comemorou o resultado: “um cara incrível”, disse, sobre o prefeito. Tanto ele quanto a prefeitura negaram irregularidades.


Vale a pena ler tudo, até pela fofoca (tem vários nomes conhecidos no meio). Mas, principalmente, para a gente fiscalizar para onde vai o dinheiro público, para evitar que ele caia no ralo da cultura e que contratos suspeitos sejam valorizados enquanto artistas talentosos penam para se manter na ativa.


Cultura é coisa séria. É um direito humano e é muito injusto que as pessoas sejam privadas de acesso a ela por decisões políticas. Não dá para entender porque a grande imprensa costuma dar tão pouca atenção a esse assunto.


Nós só conseguimos fazer essa investigação por causa da ajuda dos nossos Aliados. São pessoas como você que nos ajudam a manter nossa engrenagem funcionando. De onde vieram essas histórias, têm muito mais coisa para sair. Mas precisamos de você para colocá-las de pé.

Te espero lá!

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