
Decisão foi tomada em “comum acordo”, segundo o defensor
Eduardo Gonçalves
O Globo
O advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, deixou a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão foi tomada em “comum acordo”, segundo o defensor.
O movimento ocorre após a Polícia Federal (PF) rejeitar a primeira proposta de delação premiada apresentada por ele. Assim como a PF, a cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR) não ficou satisfeita com o material apresentado, mas deu uma nova chance para que sejam apresentadas provas e relatos sobre o esquema das fraudes bilionárias — o que acabou colocando maior pressão sobre os advogados do banqueiro.
MAIS ELEMENTOS – Os investigadores entendem que o material extraído dos celulares dos investigados, o que inclui o próprio Vorcaro, tem muito mais elementos do que as informações listadas no rascunho de delação até agora. A informação da saída de Juca da equipe de defesa foi revelada pelo blog da Andréia Sadi, do portal g1, e confirmada pelo O Globo.
Na última semana, o banqueiro perdeu algumas regalias que estava tendo na carceragem da Polícia Federal ao ser transferido de uma sala de Estado Maior para uma cela comum na Superintendência da corporação, em Brasília. Isso teria irritado o banqueiro, que passou a se queixar das condições do local para onde fora levado.
Enquanto tentava fechar o acordo, o banqueiro ainda viu os investigadores fecharem o cerco sobre os seus familiares. O pai dele, o empresário Henrique Vorcaro, está preso em uma penitenciária de Minas Gerais desde o dia 14 de maio.
OPERADOR FINANCEIRO – Ele passou a ser investigado como um dos “operadores financeiros” do grupo conhecido como “A Turma” – que seria responsável por articular e financiar atos de intimidação contra desafetos de Vorcaro, segundo a PF. A blindagem aos familiares era um dos pontos do acordo de colaboração que Vorcaro buscava conseguir com a equipe da PGR e PF.
Criminalista conhecido no meio jurídico, Juca já atuou em casos de grande repercussão, como a Operação Lava Jato ao defender o empresário Leo Pinheiro, da OAS; e na ação da trama golpista ao trabalhar para o general Walter Braga Netto.
Próximo de Vorcaro há décadas, o advogado mineiro Sérgio Leonardo continuará fazendo parte da defesa do banqueiro. É ele quem tem feito a maior parte das visitas a Vorcaro na carceragem da PF.