sexta-feira, fevereiro 12, 2021

Por unanimidade, STJ aceita denúncia feita pelo MPF e Wilson Witzel vira réu por corrupção e lavagem de dinheiro


Wilson Witzel ficará mais um ano afastado do cargo

Rayssa Motta
Estadão

Por unanimidade, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu aceitar nesta quinta-feira, dia 11, a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o governador afastado do Rio, Wilson Witzel (PSC), na esteira da Operação Tris in Idem. Com o resultado do julgamento, o ex-juiz foi colocado no banco dos réus por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.

Na mesma sessão, os ministros renovaram o afastamento do cargo, que se encerraria no fim deste mês, por mais um ano. Nesse período, Witzel continuará proibido de acessar as dependências do governo do Estado e de se comunicar com funcionários do Executivo e com os outros denunciados. Há ainda uma segunda determinação, do Tribunal Especial Misto que conduz o processo de impeachment, que mantém o governador afastado.

BENEFÍCIO PRÓPRIO – O julgamento na Corte Especial do STJ foi aberto com a sustentação oral da subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, que detalhou novamente a denúncia e as provas colhidas no curso da investigação. “Usaram a pandemia em benefício próprio. Talvez seja a coisa mais terrível nesse momento de calamidade”, criticou.

Na sequência, o advogado do governador afastado, Roberto Podval, voltou a dizer que não há provas das acusações contra Witzel. O defensor afirmou que a denúncia foi subsidiada exclusivamente pela delação premiada do ex-secretário de Saúde, Edmar Santos, cujos anexos não foram integralmente compartilhados com a defesa.

“Eu não posso vir aqui fazer uma defesa do não recebimento de uma denúncia que está baseada em uma delação premiada sem que eu tenha acesso à delação premiada. Isso me parece básico, é uma questão de Justiça, de igualdade entre as partes”, criticou.

“SONHO” –  O advogado afirmou ainda que o governador afastado saiu da magistratura em busca de um ‘sonho’. “Talvez Witzel possa ter confiado na pessoa errada, talvez possa ter escolhido mal seu secretário, talvez possa ter governo mal o Rio de Janeiro, mas bandido ele não é”, disse.

Os ministros acompanharam o voto do relator, Benedito Gonçalves, que considerou que os investigadores reuniram provas suficientes para embasar as acusações e justificar o recebimento da denúncia. “Os elementos, considerados no conjunto, e não isoladamente, constroem um lastro probatório necessário à instauração da ação penal”, observou.

Votam na sessão os ministros Raul Araújo, Paulo Severino, Isabel Gallotti, Marco Aurélio Belizzi, Sérgio Kukina, Joel Paciornik, Francisco Falcão, Nancy Andrighi, Marisa Thereza de Assis Moura, Og Fernandes, Luís Felipe Salomão e Mauro Campbell.

PAGAMENTOS –  No final de agosto, na ocasião da Operação Tris in Idem, a Procuradoria-Geral da República denunciou o governador afastado Wilson Witzel e mais oito pessoas em razão de pagamentos feitos por empresas ligadas a Mário Peixoto, preso na Lava Jato, e à família do ex-prefeito de Volta Redonda, Gothardo Lopes Netto, ao escritório de advocacia da primeira-dama Helena Witzel. A suspeita é a de que a banca tenha sido usada para lavar pelo menos R$ 554 mil em propinas supostamente pagas em troca do direcionamento de contratações.

O sinal de alerta veio quando Witzel revogou a desqualificação da organização social Instituto Unir Saúde, suspeita de irregularidades em contratos firmados com a Secretaria de Saúde fluminense. O despacho do governador afastado, assinado em março do ano passado, derrubou uma resolução administrativa e permitiu que a OS pudesse voltar a contratar com o Poder Público – embora tivesse sido excluída do rol de prestadoras aptas em razão de irregularidades na prestação de serviços em ocasiões anteriores.

DENUNCIADOS –  Wilson Witzel, governado afastado do Rio; Helena Witzel, advogada e esposa do governador afastado; Gothardo Lopes Netto, ex-prefeito de Volta Redonda; Lucas Tristão, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio; João Marcos Borges Mattos, ex-subsecretário de Educação; Mário Peixoto, empresário; Juan Elias Neves de Paula, sócio de Mário Peixoto;
Alessandro Duarte e Cassiano Luiz, apontados como operadores dos pagamentos.

Até o momento, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça decidiu apenas sobre as acusações contra Witzel. O cabimento do recebimento das denúncias contra os demais acusados ainda será analisado.

OPERAÇÃO –  A ‘Tris in Idem’ é um desdobramento da Operação Placebo, que trouxe à tona as suspeitas de irregularidades no governo do Rio em maio do ano passado. Na ocasião, a Polícia Federal fez buscas em endereços do Executivo fluminense e na antiga casa de Witzel para investigar um possível esquema de corrupção envolvendo a instalação de hospitais de campanha para atender pacientes com covid-19.

No curso das investigações, a Procuradoria-Geral da República chegou a pedir exclusividade na condução das apurações de compras e contratações emergenciais firmadas pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio sob argumento de que as provas colhidas ‘claramente colocavam o governador Wilson Witzel no vértice da pirâmide’.

DELAÇÃO – O inquérito ganhou fôlego depois que o ex-secretário estadual de Saúde do Rio, Edmar Santos – preso em uma das operações sobre desvios na Saúde fluminense, a Mercadores do Caos – fechou delação com o Ministério Público Federal. Em seus relatos, citou diferentes integrantes da cúpula do governo fluminense e ainda apontou a existência de contratações em organizações sociais por indicações de parlamentares.

Com o aprofundamento das investigações, a PGR concluiu que as irregularidades não se limitaram aos contratos na área da Saúde. De acordo com a denúncia, havia um esquema de loteamento de contratos e cargos entre três grupos ocultos instalados na máquina pública e coordenados pelo próprio Witzel.

Além da Operação Tris in Idem, Witzel foi denunciado em mais duas investigações do Ministério Público Federal. O andamento das denúncias deve influenciar o processo de impeachment, que pode levar à perda definitiva do mandato.

Bolsonaro exalta militares e define a ditadura como “regime um pouco diferente”


Bolsonaro ignora a tortura, as mortes e os desaparecimentos

Brenda Serra e João Pedro Pitombo
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) exaltou os cinco presidentes militares que o Brasil teve de 1964 a 1985 e classificou a ditadura militar, período marcado por violações à democracia e aos direitos humanos, como um regime “um pouco diferente do que temos hoje”.

As declarações foram dadas nesta quinta-feira, dia 11, em uma cerimônia de entrega de títulos de posse a agricultores de Alcântara, no Maranhão, município que abriga o Centro de Lançamento de Alcântara, base de lançamento de foguetes da Força Aérea Brasileira.

EXALTAÇÃO – Em seu discurso, o presidente destacou o Centro de Lançamento de Alcântara, inaugurado em 1983, como uma das principais obras realizadas no país durante a ditadura militar. “Isso aqui nasceu em 1983 e foi mais uma das grandes obras dos cinco presidentes militares que tivemos no Brasil. Grandes obras ao longo de 21 anos onde vivia um regime de… um pouco diferente do que temos hoje, mas de muita responsabilidade com o futuro do país”, disse.

O regime um pouco diferente citado por Bolsonaro teve uma estrutura dedicada a tortura, mortes e desaparecimento. Os números da repressão são pouco precisos, uma vez que a ditadura nunca reconheceu esses episódios. Auditorias da Justiça Militar receberam 6.016 denúncias de tortura. Estimativas feitas depois apontam para 20 mil casos.

Presos relataram terem sido pendurados em paus de arara, submetidos a choques elétricos, estrangulamento, tentativas de afogamento, golpes com palmatória, socos, pontapés e outras agressões. Em alguns casos, a sessão de tortura levava à morte.

BASE DE ALCÂNTARA – Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) listou 191 mortos e o desaparecimento de 210 pessoas. Outros 33 desaparecidos tiveram seus corpos localizados posteriormente, num total de 434 pessoas. Na fala desta quinta-feira, Bolsonaro destacou a importância do acordo entre Brasil e Estados Unidos para o uso comercial da base de Alcântara, promulgado em fevereiro de 2020 ainda no governo de Donald Trumpo, e disse acreditar que a parceria será mantida com o presidente Joe Biden.

“O povo americano, eles são voltados para o interesse da nação. Muda governo, mas pouca coisa muda. Acredito que todos os acordos que assinamos com o governo Trump serão mantidos no governo Biden”, disse o presidente, em entrevista à imprensa após a cerimônia.

O presidente também disse que o cardo, que vai permitir o uso comercial da base pelos norte-americanos, vai incrementar a economia da região. “Isso aqui é comércio para bilhões e bilhões de dólares. E nós estamos entrando agora nesse seleto grupo que trata de lançamentos [de foguetes]. Tudo que fazemos no Brasil tem um passado, tem um meio e tem um fim.”

REPASSE – O presidente citou o repasse de R$ 13 bilhões do governo federal para a população do Maranhão por meio do auxílio emergencial em 2020. Reafirmou que o governo federal estuda prorrogar o auxílio por mais três ou quatro meses.

Voltou a destacar, porém, o caráter emergencial do benefício. “O nome é emergencial. Não pode ser eterno porque representará um endividamento muito grande para nosso país. E ninguém quer o Brasil quebrado. Tem que acabar com essa história de fecha tudo. Devemos cuidar dos mais idosos agora o resto tem que trabalhar. Caso contrário, o Brasil pode perder crédito e a inflação vem”, afirmou.

Bolsonaro também citou repasses feitos pelo governo federal em 2020 ao Maranhão, de R$ 18 bilhões, valor que inclui as verbas constitucionalmente obrigatórias, ou seja, que o governo tem que repassar para o estado. Destacou que cerca de R$ 1,3 bilhão foi para a saúde, sendo R$ 190 milhões destinados à abertura de leitos de UTI para o tratamento da Covid-19.

RESTRIÇÕES –  Ao contrário de eventos públicos anteriores, não bateu de frente com governadores nem criticou a vacina para a Covid-19. Mas, em entrevista, voltou a criticar a adoção de medidas restritivas. “Tem que acabar com essa história de fecha tudo. Devemos cuidar dos mais idosos. Agora, o resto tem que trabalhar. Caso contrário, o Brasil pode perder crédito e a inflação vem”.

O presidente também aproveitou a visita ao estado para citar o Guaraná Jesus como um dos atrativos turísticos do Maranhão. Em sua última visita ao estado, o presidente havia gerado polêmica ao fazer uma piada homofóbica associada ao refrigerante, que é cor de rosa.

Por fim, Bolsonaro destacou a importância da entrega dos títulos de propriedade para os agricultores de Alcântara e o criticou a ação de entidades de luta pela terra como o MST (Monimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). “Como combatemos a invasão de terra? Concedendo o título de propriedade aqueles que tem a posse [da terra]. Não adianta um plano de reforma agrária e não dar um papel no final”, afirmou.

Juiz rejeita denúncia do MPF contra extremista bolsonarista por injúria a Alexandre de Moraes e sugere acordo


Sara gravou um vídeo chamando Moraes para ‘trocar socos’

Paulo Roberto Netto
Estadão

A Justiça Federal rejeitou nesta semana a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal contra a extremista Sara Giromini, acusada de proferir injúrias e ameaças contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Sara é investigada no ‘inquérito das fake news’ e, após ser alvo de buscas no ano passado, gravou um vídeo chamando Moraes para ‘trocar socos’.

“Se eu pudesse, eu já estava na porta da casa dele convidando ele para trocar soco comigo. Juro por Deus, essa é minha vontade, eu queria trocar soco com esse f… da p…, com esse arrombado. Infelizmente eu não posso, ele mora lá em São Paulo, né? Pois você me aguarde, Alexandre de Moraes, o senhor nunca mais vai ter paz”, ameaçou a extremista.

ALEGAÇÃO – Em decisão publicada nesta segunda-feira, dia 8, o juiz federal Francisco Codevila alega que apesar da honra ser um direito fundamental, não é um ‘bem essencial à vida digna do indivíduo’ e que, uma vez ofendida, poderia ser recomposta com ações como o direito de resposta ou indenização civil, ao invés de uma ação penal.

“É razoável retirar a liberdade de um indivíduo quando este, por sua conduta, atinge a honra de alguém? É evidente que não”, afirmou Codevila. “Tendo em conta as restrições financeiras do Estado e a carência de recursos humanos, as atividades de investigação, acusação e julgamento devem centrar-se nas condutas efetivamente impactantes para a sociedade, descartando-se os conflitos interpessoais passíveis devem ser resolvidos por vias menos onerosas”.

O magistrado então sugere que, em relação à acusação de ameaça, o Ministério Público apresente uma proposta de transação penal. A medida serve como um acordo com o denunciado, que se compromete a cumprir determinações fixadas pela Promotoria e, em troca, tem o processo arquivado.

FAKE NEWS – Sara Giromini é investigada no inquérito das ‘fake news’ e no inquérito dos atos antidemocráticos, ambos em tramitação no Supremo. No final de maio, ela foi alvo de operação da Polícia Federal autorizada por Alexandre de Moraes que mirou financiamento de robôs para difusão de ataques nas redes sociais.

A extremista foi presa preventivamente em junho e, após dez dias de reclusão, foi posta em liberdade mediante cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e obrigação de manter distanciamento mínimo de um quilômetro da sede do Supremo e do Congresso, em Brasília.

Em julho, Sara teve a conta no Twitter retida no País após a rede social atender ordem do ministro Alexandre de Moraes. Ela passou a utilizar uma conta reserva, que também foi derrubada após divulgar dados pessoais da criança de dez anos que foi vítima de abuso sexual no Espírito Santo e que precisou passar por um aborto.

Pressionado por CPI, Pazuello pede que senadores evitem politizar debate da Covid-19


Acuado, Pazuello se vê sozinho, obedecendo porque tem juízo

Julia Lindner
O Globo

Ameaçado de ser investigado pelo Senado por sua atuação durante a pandemia do novo coronavírus, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pediu aos senadores nesta quinta-feira, dia 11, que evitem politizar o debate. Do contrário, afirmou que a situação “vai apertar”.

O desempenho de Pazuello no Senado é considerado decisivo para a instalação ou não da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a apurar a conduta do governo federal durante a pandemia.

“VAI APERTAR” – “Queria fazer o meu alerta: a Alemanha perdeu a guerra duas vezes porque ela abriu a frente russa. Todo mundo avisou que não deveria abrir a frente russa. Duas frentes não tem como manter. Temos uma guerra contra a covid, a guerra é contra a covid. Ela é técnica, de saúde, não é política. Se abrir a segunda a frente, política e técnica, vai apertar. Se entrarmos com uma nova frente nessa guerra, que é a frente política, vamos ficar fixados. Se nós fixarmos a tropa que está em combate vai ser mais difícil ganhar”, afirmou o ministro da Saúde em sessão temática no plenário do Senado.

Ele também afirmou que a abertura de uma “nova frente política” vai dificultar o combate ao novo coronavírus e o resultado será “perder mais gente”. O Brasil registra atualmente quase 235 mil óbitos decorrentes da doença.

VACINAÇÃO – Pazuello voltou a se comprometer com a vacinação de toda a população brasileira “vacinável” (menores de 18 anos, por exemplo, não estão sendo vacinados) até o final do ano. A visão é mais otimista do que a apresentada no plano nacional de imunização, que prevê a campanha até metade de 2022. “Nós vamos vacinar o País em 2021, 50% da população vacinável até junho; 50%, até dezembro. Esse é o nosso desafio e é o que nós estamos buscando e vamos fazer”, disse Pazuello.

No encontro com os senadores, Pazuello admitiu que, antes do colapso em Manaus, o governo acreditava que havia alcançado a estabilização dos casos especialmente na região Norte. Segundo ele, a pasta estava focada na vacinação. Agora, o ministro reconhece que “essa ideia foi quebrada” e os números de mortes no Brasil e no mundo são “inacreditáveis”.

ESABILIDADE – “Nós pensávamos e tínhamos observação técnica, em cima de tudo que vinha acontecendo no Brasil e no mundo, que, no segundo semestre de 2020, nós víamos uma estabilidade clara de queda de contágios e óbitos no nosso País, principalmente na Região Norte. As Regiões Sudeste e Sul, em que começou mais tarde, estavam em uma segunda onda de queda também”, disse.

E acrescentou: “Nós estávamos focados, obviamente, na compra das vacinas para poder fazer o trabalho final, que era vacinar a população e manter a estabilidade de números, a estabilidade, e voltar à normalidade da nossa vida. Essa ideia foi quebrada. Nos últimos 90 dias, houve números inacreditáveis de casos e óbitos mundo afora”.

OXIGÊNIO – Na conversa, Pazuello disse que só teria responsabilidade no colapso do sistema de saúde de Manaus, onde houve falta de oxigênio, se tivesse faltado recursos para a compra, e não abastecimento. Ele afirmou que o governo tem um compromisso para garantir a fabricação de oxigêncio na região e evitar que a situação se repita.

“A estratégia para a Amazônia, agora eu falo de Amazônia, Senador Randolfe (Rodrigues), nós temos que fabricar oxigênio. Nós estamos requisitando todas as fábricas, as usinas geradoras e nós vamos colocar no seu Amapá, vamos colocar em Rondônia, no Acre, no interior do Amazonas já estamos colocando. Não há como nós continuarmos carregando tubos de oxigênio para lá e para cá. Temos que fabricar o oxigênio no local, isso é uma estratégia do Ministério da Saúde e eu vou atender todos os Estados da Amazônia, por requisição, transporte e instalação. Todos”, afirmou.

Destino de Bolsonaro no partido Patriota será decidido nesta próxima sexta-feira

Publicado em 11 de fevereiro de 2021 por Tribuna da Internet

Maioria do partido não é favorável à filiação do presidente

Frasciny Alves
O Tempo

Na próxima sexta-feira (10), a cúpula do Patriota deve se reunir com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para tratar sobre uma possível ida dele para a legenda.

Por mais que o presidente da sigla, Adilson Barroso, tenha dado como certa a filiação do chefe do Palácio do Planalto, nos bastidores tem sido dito que a história não é bem assim e a probabilidade maior é de que Bolsonaro receba um “não”.

CONTRÁRIOS – As negociações encabeçadas por Barroso estavam sendo feitas sem o conhecimento de outros dirigentes da agremiação, que já no ano passado se mostravam contrários à ideia.

De acordo com interlocutores, é unânime a avaliação de que o Patriota vai continuar sendo base fiel do Executivo, mas não é do agrado da maioria dos membros da sigla uma das condições impostas pelo presidente.

CONTROLE – Essa condição imposta é de que Bolsonaro quer ter controle total da legenda a qual vai se filiar, inclusive tendo autonomia nos diretórios do Estados, o que é rechaçado por parte majoritária do Patriota.

O chefe do Planalto está sem partido desde novembro de 2019, quando deixou o PSL por desavenças com o comandante da agremiação, o deputado federal Luciano Bivar, e não conseguiu levar pra frente a criação do Aliança pelo Brasil.

Próximo recurso de Lula a ser julgado visa à anulação de sentença de Moro no triplex

Publicado em 12 de fevereiro de 2021 por Tribuna da Internet

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Charge do Veronezi (Charge Online)

Pedro do Coutto

O recurso principal do ex-presidente Lula ao Supremo na realidade não visa novo habeas corpus, pois este ele já recebeu em face de decisão do ministro Ricardo Lewandowski, referendada pela Segunda Turma. Pelas notícias dos jornais de quinta-feira, o próximo recurso destina-se a arguir a parcialidade do ex-juiz Moro ao julgar a ação que envolve a compra do triplex do Guarujá, quando o apartamento de 80 metros quadrados se tornou um tríplex por gentileza de uma empreiteira, no caso a OAS.

Os advogados do ex-presidente obtiveram decisão favorável da Segunda Turma para que Lula tenha acesso a diálogos entre Moro e procuradores do MPF, nos quais sua defesa identifica prova de parcialidade. 

“PARCIALIDADE” – O habeas corpus que falta é o da anulação do julgamento do então juiz Sérgio Moro, por parcialidade. A liberdade Lula conquistou com a proibição do cumprimento de pena após segunda instância, que já foi concedido pela maioria do Supremo. Tanto é assim que Lula está em liberdade tendo viajado inclusive para o exterior, além de abordar com frequência articulações políticas. Agora mesmo, nesta semana, livre, leve e solto, o ex-presidente lançou a candidatura de Fernando Haddad para a sucessão presidencial em 2022.     

A diferença é que a parcialidade visa anular a sentença, com base no princípio de que se trata de ato anulável e não nulo como define o direito. Desta vez, o advogado Cristiano Zanin Martins não focalizou o objeto real de seu recurso.

Na Folha, a reportagem sobre o recurso de Zanin é de Mônica Bergamo.

VOLTA DE LULA – A essência do episódio inspirou o principal editorial do Globo, ao sustentar que a vitória do STF impulsiona o projeto político de Lula da Silva. Não é o caso, porque mesmo anulada a sentença de Guarujá, Lula ainda tem pela frente a sentença relativa ao sítio de Atibaia, com envolvimento da Odebrecht e também da OAS.

Não tenho dúvida que a operação Lava Jato se encontra em declínio, inclusive o procurador geral Augusto Aras está disposto a praticamente extinguir a força tarefa de Curitiba, como destaca Aguirre Talento no Globo de ontem.

No STF os ministros Gilmar Mendes, Levandowisk e Dias Tofolli endossam a iniciativa de Aras, que a pretexto de condenar o procurador Delton Dalagnol, transfere seu pensamento para, com base no caso unitário, voltar-se contra todos os integrantes da força tarefa.

DISSE O GENERAL – Já que estamos falando de Lula vale a pena ler matéria de Pedro Capetti sobre as declarações do General Villas Bôas, ex-comandante do Exército, dizendo que a nota expedida pelos generais a respeito do julgamento de Lula por Moro, teve endosso do Alto Comando do Exército, em consulta à Marinha ou Aeronáutica.

Penso que o General Villas Bôas, ao falar sobre o assunto, enviou um recado a respeito do pensamento militar contra qualquer tentativa de torpedear a democracia. “

Defendo o respeito a Constituição e ao regime democrático”, finalizou o general.

É comovente o esforço do governo Bolsonaro para transformar o Brasil num pária internacional


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Charge do Nani (nanihumor.com.br)

Carlos Newton

Não é nada fácil governar um país como o Brasil, o quinto maior do mundo, sexto em população e com a nona economia. O próprio presidente Jair Bolsonaro já fez um desabafo, dizendo: “Não consigo governar”. O motivo dessa incompatibilidade é que não é o presidente da República que governa diretamente, quem o faz é seu primeiro escalão.

O problema é que Bolsonaro escolheu o pior ministério da História, com algumas exceções, é claro, e o conjunto da obra do governo está transformando o Brasil num pária internacional ou “pária diplomático”, como prefere o chanceler Ernesto Araújo, que é destaque apadrinhado pelo filósofo Olavo de Carvalho e desfila na Comissão de Frente da irresponsabilidade institucional.

QUATRO EXCEÇÕES – Entre os 22 ministros, somente quatro escapam da mediocridade reinante –  o titular da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, engenheiro de formação militar; a ministra da Agricultura, Teresa Cristina, engenheira agrônoma e produtora rural; o presidente do Banco Central, economista Roberto Campos Neto; e o corregedor-geral da União, Gilberto Waller Júnior, procurador federal .

Aliás, o tão competente no combate à corrupção que a Agência Brasileira de Informação (Abin) já pediu a demissão dele, por considerá-lo um obstáculo às manobras para inocentar o senador Flávio Bolsonaro, denunciado por prevaricação, lavagem de dinheiro e outros crimes, vejam só a que ponto chegamos.

Como diria o estadista Oswaldo Aranha, o atual governo é um deserto de homens e ideias, incluindo o multiministro da Economia, Trabalho, Previdência etc., Paulo Guedes, cujo prazo de validade está mais do que vencido.

CONTROLE MUNDIAL – O pior dessa situação é que o próprio Guedes sabe que o Brasil vai mesmo se transformar num pária internacional, em termos econômicos e diplomáticos, caso não interrompa imediatamente a perseguição à Lava Jato, à Receita Federal, ao Ministério Público, à Polícia Federal e ao Conselho de Controle de a Atividades Financeiras (Coaf).

Organismos internacionais, como o Banco Mundial (Bird), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Organização Mundial do Comércio (OMC) e Transparência Internacional (TI), monitoram atentamente o combate à corrupção, lavagem de dinheiro, improbidade e enriquecimento ilícito em todos os países.

Os Estados Unidos, por exemplo, mantêm quatro instituições monitoradoras de atividades financeiras. O Brasil só tem a Coaf, que chegou a ser blindada pelo governo e o Supremo interveio, através do ministro Alexandre de Moraes.

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P.S.
 – Se o procurador-geral, o diretor da Polícia Federal e o diretor da Abin continuarem obedecendo às ordens de esvaziar a Lava Jato, os organismos internacionais vão reagir duramente, transformando o Brasil no pária diplomático e econômico almejado pelo chanceler olavista Ernesto Araújo. E o presidente Bolsonaro pode dar adeus ao sonho de o Brasil integrar a OCDE, um organismo sério e que não admite esculhambação. (C.N.)   

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