quinta-feira, agosto 15, 2019

Só com a venda de distribuidoras, Eletrobrás anuncia lucro de 5,5 bilhões de reais


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Charge do Bruno (Arquivo Google)
Pedro do Coutto
A informação foi do presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior, e a reportagem é de Ramona Ordonez, edição de quarta-feira de O Globo. A matéria ocupou meia página do jornal, compatível com a importância do resultado econômico da empresa estatal, cuja privatização encontra-se na pauta do governo, mas depende de lei autorizativa aprovada pelo Congresso Nacional.
O resultado apresentado pelo presidente da estatal é realmente um lance fantástico, pois as distribuidoras vendidas no final de 2018 forneceram um lucro neste semestre da ordem de 5,5 bilhões de reais. O resultado financeiro quadruplicou em relação a igual período de 2018. A venda das unidades, incluindo a Amazonas Energia, ocorreu em dezembro do ano passado. Portanto o resultado foi extraordinário.
LUCRO LÍQUIDO – A Amazonas Energia e as demais distribuidoras da região Norte e também do Nordeste saíram de um déficit operacional para um lucro líquido das operações numa escala verdadeiramente sensacional.
Wilson Ferreira Júnior, presidente da estatal, ao revelar esses números deixou no ar outro desfecho provavelmente excepcional com o projeto de privatização de toda a Eletrobrás, que espera concluir em 2020. Entretanto, a privatização completa da Eletrobrás depende de lei aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro.
Na minha impressão, o lucro líquido de toda a estatal no país atingirá um nível fantástico. Pois se com a venda de um grupo de distribuidoras, embora de menor porte, mas deficitárias, o lucro foi superior a 5 bilhões de reais, imagina-se a que escala alcançará o resultado no conjunto das grandes empresas produtoras e distribuidoras da Eletrobrás, uma vez que seu elenco é integrado por Furnas, CHESF, Eletronorte e Eletrosul. Vale notar que Furnas recebe e transmite energia produzida pela binacional Itaipu. A linha de Furnas está ligada a Itaipu, no estado do Paraná. A partir desse ponto a carga energética se estende pela maior parte do país.
PRIVATIZAÇÃO – Portanto, se pequenas distribuidoras forneceram a Eletrobrás 5,5 bilhões de reais, não é difícil imaginar o lucro muito acima de tal patamar pelas produtoras e distribuidoras nacionais.
Wilson Ferreira Júnior anunciou esperar que a privatização de todo o sistema estatal será concluída em 2020, através do lançamento de ações na Bovespa, de forma que a participação da União da empresa se torne minoritária. Assim os compradores deverão subscrever a oferta, sem que isso represente qualquer indenização em pecúnia pela venda da Eletrobrás.
Trata-se de uma questão de proporcionalidade, porque se a Amazonas Energia valeu uma parte do lucro de 5,5 bilhões de reais, imaginem os leitores o valor extraordinário que deve ser alcançado com a divulgação do balanço anual da holding que reúne todas as produtoras e transmissoras de energia elétrica no Brasil.
OUTRO ASSUNTO – Reportagem de Fabio Murakawa e Renan Truffi, edição de ontem do Valor focalizou a saida do porta voz da Secretaria de Comunicação da presidência da República. O General Luis Eduardo Rego Barros passará a atuar junto à Secretaria Executiva da pasta, responsável por toda a área de comunicação do Palácio do Planalto.
De fato esse setor é importantíssimo para o governo e deve atuar com base em fatos concretos alcançados ou oferecidos pelo governo à população do país.

Réu por crime de tortura, sargento diz que os ‘interrogatórios’ eram feitos por oficiais

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Antonio Vaneir foi reconhecido mas diz ser “inocente”
Matheus LeitãoG1 Política
O sargento reformado do Exército Antônio Waneir Pinheiro de Lima, que se tornou réu nesta quarta-feira (14), segue a estratégia de negar violações de direitos humanos no período cometidas por militares de baixa patente, como a dele.
O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) decidiu nesta quarta-feira aceitar a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra ele, por crimes cometidos na ditadura (1964-1985).
ACUSAÇÃO TRIPLA – Antônio Waneir é acusado de cometer sequestro, cárcere privado e estupro da ex-militante e historiadora Inês Etienne Romeu em uma prisão clandestina que funcionava em Petrópolis (RJ), durante a ditadura e era conhecida como Casa da Morte. Inês Etienne faleceu em 2015. Agora, o sargento afirma que os “interrogatórios” à época eram sempre realizados por oficiais.
Em entrevista realizada em 2016, perguntei se Antônio Waneir, conhecido como “Camarão”, teve relação com a tortura, violência e repressão durante o regime. O ex-sargento respondeu:
 “Olha, deixa eu dizer pra você, o pessoal que era chamado de cabo, soldado e sargento não participava disso. Isso era interrogatório. Até porque você sabe que o nível das pessoas para serem interrogadas é um nível alto, né? Então, isso é coisa de oficiais. Eram oficiais que participavam disso. […] Então, isso aí eu não tenho a mínima… Só oficiais têm como te responder isso aí”, afirmou, referindo-se aos postos de capitão, major, tenente-coronel e coronel.
TORTURA – Na mesma entrevista, questionei sobre as acusações que pesam sobre ele em relação a ex-historiadora. Na ocasião, Antonio Waneir negou as acusações.
“Dizer pra você se ela sofreu tortura… Eu acredito que ela foi interrogada. Eu não sei se no interrogatório sofreu tortura. Mas que foi interrogada, foi. Todos que chegavam eram interrogados por eles, os oficiais. Agora, se era com tortura não sei te dizer, por­que nós não tínhamos acesso”, afirmou.
Antônio Waneir reconheceu, contudo, Inês Etienne como uma das presas do local, ao ser confrontado por uma foto dela tirada na década de 70.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A tortura a preso político é considerada crime contra a humanidade. Se os militares não tivessem torturado e trucidado presos políticos, a luta armada teria terminado mais cedo. Negar que houve tortura, como faz Bolsonaro, é uma postura ignóbil. Temos de conviver com nossas mazelas, ao invés de negar que tenham acontecido. (C.N.)
Codinomes –  Mesmo décadas depois, o sargento ainda atende quando chamado pelo codinome Camarão que ganhou durante a ditadura por ter a pele avermelhada, mas não aceita o nome de Casa da Morte para o posto em que serviu o Exército.
Antônio Waneir define o centro de tortura e assassinatos do regime em Petrópolis como um “aparelho militar”.

Ação para expulsão de Aécio da legenda do PSDB divide tucanos


Grupo de Dória defende que saída de Aécio seja “símbolo” do “novo PSDB”
Pedro Venceslau
Estadão
Protocolado em julho pelo diretório paulista do PSDB, o pedido de expulsão do deputado Aécio Neves (MG) ainda deve demorar no mínimo três meses para ser julgado. A expectativa na sigla é de que a Executiva se reúna na próxima semana para instalar uma comissão e, só então, deflagrar o processo. Caberá ao presidente do Conselho de Ética, Cesar Colnaghi, a escolha dos integrantes da comissão. O ex-presidenciável tucano virou réu na Justiça Federal em São Paulo, acusado de receber propina de R$ 2 milhões do grupo J&F e tentar obstruir investigação da Lava Jato.
Reservadamente, dirigentes tucanos dizem, porém, que hoje o pedido de expulsão não contaria com apoio majoritário da Executiva e não se encaixaria no código de ética – que prevê expulsão só após condenação. O grupo do governador João Doria prega uma “faxina ética” no PSDB e quer que a saída de Aécio seja o “símbolo” do que chamam de “novo PSDB”.
PREVISÃO DE DESGASTE – O diretório paulista prevê, no curto prazo, desgaste provocado pelo caso Aécio na campanha à reeleição do prefeito Bruno Covas. Além disso, Doria é apontado como um dos pré-candidatos à sucessão do presidente Jair Bolsonaro, em 2022. “A expectativa é de que Aécio possa se afastar durante o processo. A comissão de ética deverá seguir o código de ética.
As penalidades podem chegar até a expulsão. O diretório de São Paulo vai cobrar a celeridade”, disse Marco Vinholi, presidente do PSDB-SP. Aécio não planeja mudar de partido. “A agenda do confronto não interessa ao Brasil e, a meu ver, não interessa também ao PSDB”, disse o ex-senador em evento no fim de semana.

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