quinta-feira, agosto 15, 2019

Réu por crime de tortura, sargento diz que os ‘interrogatórios’ eram feitos por oficiais

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Antonio Vaneir foi reconhecido mas diz ser “inocente”
Matheus LeitãoG1 Política
O sargento reformado do Exército Antônio Waneir Pinheiro de Lima, que se tornou réu nesta quarta-feira (14), segue a estratégia de negar violações de direitos humanos no período cometidas por militares de baixa patente, como a dele.
O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) decidiu nesta quarta-feira aceitar a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra ele, por crimes cometidos na ditadura (1964-1985).
ACUSAÇÃO TRIPLA – Antônio Waneir é acusado de cometer sequestro, cárcere privado e estupro da ex-militante e historiadora Inês Etienne Romeu em uma prisão clandestina que funcionava em Petrópolis (RJ), durante a ditadura e era conhecida como Casa da Morte. Inês Etienne faleceu em 2015. Agora, o sargento afirma que os “interrogatórios” à época eram sempre realizados por oficiais.
Em entrevista realizada em 2016, perguntei se Antônio Waneir, conhecido como “Camarão”, teve relação com a tortura, violência e repressão durante o regime. O ex-sargento respondeu:
 “Olha, deixa eu dizer pra você, o pessoal que era chamado de cabo, soldado e sargento não participava disso. Isso era interrogatório. Até porque você sabe que o nível das pessoas para serem interrogadas é um nível alto, né? Então, isso é coisa de oficiais. Eram oficiais que participavam disso. […] Então, isso aí eu não tenho a mínima… Só oficiais têm como te responder isso aí”, afirmou, referindo-se aos postos de capitão, major, tenente-coronel e coronel.
TORTURA – Na mesma entrevista, questionei sobre as acusações que pesam sobre ele em relação a ex-historiadora. Na ocasião, Antonio Waneir negou as acusações.
“Dizer pra você se ela sofreu tortura… Eu acredito que ela foi interrogada. Eu não sei se no interrogatório sofreu tortura. Mas que foi interrogada, foi. Todos que chegavam eram interrogados por eles, os oficiais. Agora, se era com tortura não sei te dizer, por­que nós não tínhamos acesso”, afirmou.
Antônio Waneir reconheceu, contudo, Inês Etienne como uma das presas do local, ao ser confrontado por uma foto dela tirada na década de 70.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A tortura a preso político é considerada crime contra a humanidade. Se os militares não tivessem torturado e trucidado presos políticos, a luta armada teria terminado mais cedo. Negar que houve tortura, como faz Bolsonaro, é uma postura ignóbil. Temos de conviver com nossas mazelas, ao invés de negar que tenham acontecido. (C.N.)
Codinomes –  Mesmo décadas depois, o sargento ainda atende quando chamado pelo codinome Camarão que ganhou durante a ditadura por ter a pele avermelhada, mas não aceita o nome de Casa da Morte para o posto em que serviu o Exército.
Antônio Waneir define o centro de tortura e assassinatos do regime em Petrópolis como um “aparelho militar”.

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