quinta-feira, agosto 29, 2019

Venda da Embraer à Boeing foi um péssimo negócio, diz especialista da FAB


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Embraer 195 derrotou a Boeing, a Airbus e a Bombardier
Sérgio CruzHora do Povo
“A Embraer vendia mais aviões, até uma determinada categoria, do que a Boeing – e, então, ela começou a incomodar. A Embraer só não matou a Boeing porque essa é uma empresa muito grande e tem muito apoio de seu governo“ – disse o brigadeiro Ércio Braga, ex-presidente do Clube da Aeronáutica e criador do “Movimento de Restituição do Brasil para os Brasileiros”.
Braga afirmou ter muito orgulho de ter sido uma das testemunhas oculares da inauguração da Embraer, em 1969, assinalando que “a empresa de aviação brasileira deixou de ser apenas um sonho dos brasileiros e se transformou numa realidade de sucesso e competência”.
PESSOAL DO ITA – “Se existe uma obra que os engenheiros do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) fizeram e que sintetiza o trabalho desses engenheiros, essa obra chama-se Embraer“, destacou.                                                      
O brigadeiro mostrou sua preocupação com o futuro da empresa, considerando que reportagens como esta “são muito importantes para que os brasileiros possam ter um conhecimento melhor sobre a história desta empresa brasileira de sucesso, que se tornou a maior empresa nacional de tecnologia avançada – e totalmente inserida no mercado internacional”.
A discussão sobre o papel estratégico da Embraer para os planos de desenvolvimento do Brasil se acentuou nos últimos meses, após a decisão, tomada pela direção da empresa, apoiada pelo governo Bolsonaro, de aceitar sua venda para a concorrente americana, a Boeing.
80% e 20% – Pela decisão, a empresa norte-americana ficará com 80% das ações da nova holding, uma joint venture entre as duas, e a Embraer ficará com apenas 20%.
A decisão final coube ao governo, que possui direito de veto, através da posse de uma “ação ordinária de classe especial”, também conhecida como “golden share” (artigo 9º do Estatuto Social da Embraer), quanto a qualquer transferência de controle acionário da empresa.
Com sede em São José dos Campos, no interior de São Paulo, a Embraer é hoje a terceira maior fabricante de jatos do mundo, atrás apenas da Boeing e da Airbus, com um faturamento anual de US$ 6 bilhões, projetando e construindo aviões militares, comerciais, executivos e agrícolas.
O brigadeiro Ércio Braga, engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica, manifestou reservas em relação à venda da empresa brasileira de aeronáutica para a Boeing.
RETROCESSO – Sua avaliação é a mesma do professor de Engenharia Aeronáutica do ITA e Aviador da Força Aérea Brasileira (FAB), Wagner Farias da Rocha, que, em audiência pública, realizada em setembro de 2018, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), denunciou que a venda da Embraer, nas condições já então propostas, poderá fazer “o Brasil retroceder ao estágio tecnológico de 1950” (ver “Venda da Embraer à Boeing faz Brasil retroagir à década de 1950”, diz professor do ITA).
Segundo o brigadeiro, a Embraer se mostrou superior e suplantou todas as concorrentes na comercialização de aeronaves com até 150 lugares:
“A Embraer só não matou a Boeing porque essa é uma empresa muito grande e tem forte apoio de seu governo”, observou Braga.
“Os números mostram que a Embraer superou a Boeing em vendas. A Embraer vendia mais aviões, até uma determinada categoria, do que a Boeing – e, então ela começou a incomodar”, acrescentou o militar. “As concorrentes ficaram muito irritadas com a atuação da Embraer porque esse é um mercado muito competitivo”.
BATENDO RECORDES – Segundo dados disponibilizados pelo professor Wagner Farias da Rocha, em seu depoimento no Supremo, os modelos 190, e depois o 195, fabricados pela Embraer em 1997 e 2010, respectivamente, venderam quase o dobro de todos os concorrentes, expulsando do mercado o 737/600 também o 717 da Boeing, e o 318 da empresa Airbus.
O brigadeiro Ércio Braga frisou que “a Boeing, como uma multinacional, e o governo americano, não aceitam isso”, enfatizando que “eles querem se manter a qualquer custo como hegemônicos nas vendas de aviões”.
“Querem ser eternos. Não largam o poder nunca, de jeito nenhum, para ninguém. Não têm princípios, não interessa religião, não há nada que os faça mudar. Tudo se transforma em instrumento de guerra. Na hora que interessa, eles usam esses instrumentos porque querem ficar na frente”, disse o brigadeiro.
IA MUITO BEM – Braga lembrou ainda que “a Embraer, ao que se propôs, estava indo muito bem. Eu não tenho dúvida que ela deveria continuar como uma empresa brasileira. Essa associação com a Boeing vai encher São José dos Campos de americanos. Eles vão ocupar tudo. Foi assim no mundo inteiro”.
O brigadeiro assinala que “a venda para a Boeing poderá trazer também prejuízos para os projetos militares brasileiros, particularmente na continuidade do KC 390, que é um cargueiro desenvolvido pela empresa brasileira, e que já conta com encomendas por todo o mundo”.
CASO TUCANO – Braga lembrou que um coronel americano disse a ele, anos atrás, quando ainda estava na ativa, que o avião Tucano, aeronave turboélice de ataque leve e de treinamento avançado fabricado pela Embraer, era o melhor avião de todos, nessa categoria. Porém, disse o militar norte-americano, apesar disso, a Força Aérea Americana não compraria o Tucano.
“E não comprou”, declarou o brigadeiro Ércio Braga. “Deu preferência a uma porcaria de avião produzido por uma outra empresa americana”.
Braga confirma a avaliação da superioridade da Embraer na área comercial e acrescenta mais informações sobre o moderno cargueiro desenvolvido no Brasil:
NOVO SUCESSO  – “O KC 390 [da Embraer] é o substituto natural do C-130 [o Hercules, da norte-americana Lockheed], no qual eu voei muito e que conheço bem. O KC 390 é o avião do século XXI. Os americanos vão reconhecer isso? De jeito nenhum. Eles têm C-130 aos milhares pelo mundo à fora e não vão querer perder isso”, afirmou o brigadeiro Ércio Braga.
“O Brasil não deve se sujeitar a isso”, enfatizou o militar. “As compras do governo são fundamentais para projetos como esse. A Aeronáutica comprou 100 Bandeirantes, quando este foi lançado. Nem sei se precisava de tantos, mas foi fundamental. O Brasil investiu na Embraer, através do governo”, lembrou Braga.
“Nenhuma indústria aeronáutica sobrevive sem total apoio do governo”, defendeu o brigadeiro. “Esse governo atual dificilmente faria isso. Não tem coragem de enfrentar o poderio americano”, concluiu.
COMPARAÇÃO – A avaliação do brigadeiro Ércio Braga é confirmada pelos números das vendas da Embraer, comparados aos das concorrentes – inclusive a Boeing.
Como mencionou o engenheiro aeronáutico, aviador da FAB e professor do ITA Wagner Farias da Rocha, a Boeing só vendeu 58 unidades de seu modelo 737/700 e a Airbus só vendeu 56 aviões 319/Nelson.
A aeronave da Embraer que concorria com esses modelos da Boeing e da Airbus vendeu quase o dobro de todos eles juntos. “Isso acontece”, segundo o professor, “porque, comparado com a aeronave da Embraer, esses aviões são ineficientes”.
ENGENHARIA DO ITA – “Nós estamos vencendo na engenharia”, destacou Rocha, em total consonância com o orgulho demonstrado por Ércio Braga, quando o brigadeiro destaca a competência e a superioridade tecnológica da Embraer.
“Não se fala mais em acessar as imensas tecnologias da Boeing. Não é isso o que está em jogo. Nós dominamos a técnica de produção aeronáutica. Isso é o domínio do estado da técnica”, disse Rocha. “Não é mais verdade que só o que vem de fora é melhor. Não é assim, e os números de aviões vendidos comprovam isso”, afirmou o engenheiro. 
Ércio Braga e o professor Farias da Rocha têm a mesma avaliação de que, ao contrário do que diz o memorando divulgado pela Boeing e Embraer, não será apenas a divisão comercial da Embraer a ser absorvida pela Boeing, mas também o setor de Engenharia, que fica em São José dos Campos.
FALSA JOINT VENTURE – Farias da Rocha aponta que a empresa a ser formada é, na verdade, uma falsa joint venture, ao contrário do anunciado, pois transfere os principais ativos da Embraer para a concorrente Boeing. A empresa afirmou que a operação envolvia a aviação comercial, mas, de fato, estão sendo transferidas as unidades de engenharia. Sem a engenharia, o Brasil dificilmente conseguirá manter os projetos e o desenvolvimento de aeronaves. 
“A Embraer que sobrou não conseguirá desenvolver aeronaves, modelos de tipos certificados nem tem engenharia de base para suporte de serviços, modificações e alterar projeto”, disse o professor do ITA.
OUTRA CRÍTICA – O coordenador do Laboratório de Estudos das Indústrias Aeroespaciais e de Defesa da Unicamp, professor Marcos José Barbieri Ferreira, também destacou, em recente entrevista à revista Carta Capital, que “a operação entre Boeing-Embraer, oficialmente denominada como uma parceria estratégica, na realidade resume-se a duas operações que envolvem aquisição de negócios da Embraer pela Boeing”.
A mais importante delas relaciona-se à aquisição dos negócios de aviação comercial da Embraer pela Boeing. Nesta operação, a Boeing adquire 80% do capital e, além disso, assegura para si o integral controle estratégico, operacional e administrativo dos negócios de aviação comercial da Embraer. Ele adverte, também, para as dificuldades que o projeto do KC 390, o melhor transporte militar do mundo – como frisou o brigadeiro Ércio Braga – terá com a venda da Embraer.  
Todo o negócio de aviação comercial da Embraer, que vem respondendo por cerca de 58% das receitas e 90% dos lucros da companhia será cindido e, segundo o professor Barbieri Ferreira, se tornará uma subsidiária sob total controle da Boeing. Assim como o brigadeiro Ércio Braga, Barbieri também considera que, dificilmente, a Embraer poderá manter seu projeto militar do KC 390, sem a área comercial e os executivos da empresa.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Grande matéria enviada pelo auditor Darcy Leite. Sem maiores comentários, o Brasil está sendo criado para permanecer como gigante adormecido. (C.N.)

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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