Charge do Bruno (Arquivo Google)
Pedro do Coutto
A informação foi do presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior, e a reportagem é de Ramona Ordonez, edição de quarta-feira de O Globo. A matéria ocupou meia página do jornal, compatível com a importância do resultado econômico da empresa estatal, cuja privatização encontra-se na pauta do governo, mas depende de lei autorizativa aprovada pelo Congresso Nacional.
O resultado apresentado pelo presidente da estatal é realmente um lance fantástico, pois as distribuidoras vendidas no final de 2018 forneceram um lucro neste semestre da ordem de 5,5 bilhões de reais. O resultado financeiro quadruplicou em relação a igual período de 2018. A venda das unidades, incluindo a Amazonas Energia, ocorreu em dezembro do ano passado. Portanto o resultado foi extraordinário.
LUCRO LÍQUIDO – A Amazonas Energia e as demais distribuidoras da região Norte e também do Nordeste saíram de um déficit operacional para um lucro líquido das operações numa escala verdadeiramente sensacional.
Wilson Ferreira Júnior, presidente da estatal, ao revelar esses números deixou no ar outro desfecho provavelmente excepcional com o projeto de privatização de toda a Eletrobrás, que espera concluir em 2020. Entretanto, a privatização completa da Eletrobrás depende de lei aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro.
Na minha impressão, o lucro líquido de toda a estatal no país atingirá um nível fantástico. Pois se com a venda de um grupo de distribuidoras, embora de menor porte, mas deficitárias, o lucro foi superior a 5 bilhões de reais, imagina-se a que escala alcançará o resultado no conjunto das grandes empresas produtoras e distribuidoras da Eletrobrás, uma vez que seu elenco é integrado por Furnas, CHESF, Eletronorte e Eletrosul. Vale notar que Furnas recebe e transmite energia produzida pela binacional Itaipu. A linha de Furnas está ligada a Itaipu, no estado do Paraná. A partir desse ponto a carga energética se estende pela maior parte do país.
PRIVATIZAÇÃO – Portanto, se pequenas distribuidoras forneceram a Eletrobrás 5,5 bilhões de reais, não é difícil imaginar o lucro muito acima de tal patamar pelas produtoras e distribuidoras nacionais.
Wilson Ferreira Júnior anunciou esperar que a privatização de todo o sistema estatal será concluída em 2020, através do lançamento de ações na Bovespa, de forma que a participação da União da empresa se torne minoritária. Assim os compradores deverão subscrever a oferta, sem que isso represente qualquer indenização em pecúnia pela venda da Eletrobrás.
Trata-se de uma questão de proporcionalidade, porque se a Amazonas Energia valeu uma parte do lucro de 5,5 bilhões de reais, imaginem os leitores o valor extraordinário que deve ser alcançado com a divulgação do balanço anual da holding que reúne todas as produtoras e transmissoras de energia elétrica no Brasil.
OUTRO ASSUNTO – Reportagem de Fabio Murakawa e Renan Truffi, edição de ontem do Valor focalizou a saida do porta voz da Secretaria de Comunicação da presidência da República. O General Luis Eduardo Rego Barros passará a atuar junto à Secretaria Executiva da pasta, responsável por toda a área de comunicação do Palácio do Planalto.
De fato esse setor é importantíssimo para o governo e deve atuar com base em fatos concretos alcançados ou oferecidos pelo governo à população do país.