segunda-feira, maio 27, 2019

Engajamento de Bolsonaro em manifestações acirra a crise com o Congresso

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Na TV Record, Bolsonaro propôs “pacto” com Congresso e Supremo
Camila Mattoso, Gustavo Uribe, Ranier BragonFolha
A exaltação feita pelo presidente Jair Bolsonaro das manifestações de rua deste domingo (26) elevou a crise com o Congresso, onde o governo mantém dificuldades para consolidar uma base e de quem depende para avançar pautas como a reforma da Previdência e o pacote anticrime.
Nesta semana, Bolsonaro também precisa da aprovação pelo Senado da medida provisória que reduz o número de ministérios do governo. Após embates, ela passou na Câmara, mas expira em 3 de junho se não passar pela outra Casa até lá.
PELO TWITTER – Depois de desistir de ir aos atos sob a justificativa de não associar a imagem do governo às passeatas, o presidente passou o dia no Twitter compartilhando vídeos e mandando recados para parlamentares, voltando a associá-los à velha política.
Em um dos vídeos compartilhados, um manifestante defendia a CPI da Lava Toga, cujo propósito é investigar ministros de cortes superiores. O gesto de Bolsonaro foi considerado equivocado pelo chamado núcleo moderado do Palácio do Planalto.
As falas do presidente também irritaram congressistas, alvos dos atos nas ruas, que mais uma vez se sentiram jogados às “feras” –entre eles o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), peça-chave na tramitação da reforma da Previdência.
“PALAVRÃO” – À noite, em entrevista à TV Record, Bolsonaro fez aceno ao Congresso ao pregar diálogo, mas disse que a palavra Centrão (grupo informal com cerca de 200 deputados de partidos como PP, DEM, PRB, MDB e Solidariedade) virou um “palavrão”, que parte considerável dos parlamentares não quer se rotulada ao bloco “clientelista” e os cobrou para que se desvinculem.
Nas palavras de um assessor presidencial, se um dos objetivos das manifestações era pressionar por uma aprovação célere do regime de mudança das aposentadorias, o efeito prático pode ser o oposto: o atraso como uma forma de retaliação.
Maia e aliados do Centrão passaram o domingo em avaliações internas e dizem que o bolsonarismo quer fazer parecer nas redes sociais que os atos foram bem maiores do que a realidade.
USO DE ROBÔS – Em reuniões na tarde deste domingo, Maia usou dados, sem citar fonte, segundo os quais os protestos contra bloqueio de verbas na educação, no dia 15, foram três vezes maiores. Apesar disso, as manifestações pró-governo tiveram oito vezes mais compartilhamento nas redes sociais, sugerindo o uso de robôs.
“Eu achei pequeno e o Rodrigo [Maia] também achou pequeno [o protesto]. Não muda nada. Vamos continuar votando pelo Brasil, desconhecendo que o governo existe”, disse Paulinho da Força (SD-SP), um dos líderes do centrão.
Senadores também se incomodaram com as manifestações de Bolsonaro. “O que ele [o presidente] está fazendo é chamando para o confronto. Isso só acirra os ânimos. É um governo que não tem projeto e não tem proposta”, afirmou o senador Otto Alencar (BA), líder do PSD, a segunda maior bancada.
VELHA POLÍTICA – “Ele ainda participa de um culto e fala que quem foi pra rua é contra a velha política. A manutenção do ministro do Turismo não é a velha politica? Por que ainda não demitiu o ministro do Turismo?”, acrescentou Otto Alencar, em referências ao esquema revelado pela Folha de candidaturas de laranjas do PSL em Minas Gerais, patrocinadas por Marcelo Álvaro Antônio (Turismo).
Durante um culto evangélico que participou pela manhã, Bolsonaro disse ser o único eleito na história do país que “está cumprindo o que prometeu durante a campanha”.
“É uma manifestação […] com respeito às leis e instituições. Mas com um firme propósito de dar um recado àqueles que teimam com velhas práticas não deixar que o povo se liberte”, afirmou.
NO MESMO TOM – Em Brasília, ao chegar do Rio de volta para o Palácio do Alvorada, o presidente manteve o tom.” Pergunte para o povo”, respondeu ao ser questionado se a declaração feita foi uma crítica indireta à Câmara dos Deputados.
Em linha oposta, Bolsonaro ainda usou as redes sociais no final da tarde para se posicionar contra reivindicação pelo fechamento do Congresso Nacional e do STF (Supremo Tribunal Federal).
“Há alguns dias atrás, fui claro ao dizer que quem estivesse pedindo o fechamento do Congresso ou STF hoje estaria na manifestação errada”, escreveu Bolsonaro.
PAUTAS LEGÍTIMAS – Na mensagem, ele ressaltou que a população mostrou que essas pautas não foram preponderantes nas manifestações. “Sua grande maioria foi às ruas com pautas legítimas e democráticas, mas há quem ainda insista em distorcer os fatos”, acrescentou.
O ministro da Justiça, Sergio Moro, um dos personagens mais exaltados por manifestantes neste domingo, publicou em suas redes sociais, no início da noite, texto em que diz que os atos foram uma “festa da democracia”, sem “pautas autoritárias”.
“Povo manifestando-se em apoio ao Pr Bolsonaro, Nova Previdência e ao Pacote anticrime. Sem pautas autoritárias. Povo na rua é democracia. Com povo e Congresso, avançaremos. Gratidão”, escreveu o ministro.
PROVA DE FORÇA – No Congresso, o Centrão demonstrou sua força na última semana, ao colocar em risco a medida provisória da reforma administrativa de Bolsonaro que estabeleceu a redução de 29 para 22 ministérios.
O bloco acabou aprovando a MP na Câmara, mas tirando da pasta de Moro e passando para a da Economia as atribuições do Coaf, órgão que relata transações financeiras suspeitas e é considerado pelo ministro como estratégico no combate à corrupção.
O texto deve ser votado nesta semana no Senado –se não passar até 3 de junho, ele expira, levando à retomada da estrutura do governo vigente na gestão Michel Temer (MDB).
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A inabilidade de Bolsonaro é um espanto. Postar o cartaz da CPI da Toga foi mesmo genial, quer dizer, bestial, como dizem os lusófonos. E o que ele ganhou com essa manifestação, armada pelo Zero Dois? Nada, absolutamente nada. E ainda enfureceu os dois maiores aliados – Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre. Depois, na TV Record, propôs um pacto com o Congresso e o Supremo… (C.N.)

Bolsonaro volta à radicalização

… e contrata próximo capitulo da crise
Manifestações garantem fidelização de eleitorado, mas risco institucional continua no ar
Igor Gielow – Folha de S.Paulo
Ninguém se surpreenderia se as bandeiras das manifestações que tomaram as capitais fossem vermelhas. As pautas substantivas dos que foram às ruas neste domingo são muito parecidas das empunhadas pelos manifestantes de duas semanas atrás. Abaixo a corrupção; fim dos privilégios; combate ao crime; política limpa; justiça igual para todos; resultados na economia. A direita desorganizada brasileira, descontadas as nuances, é a cara da esquerda que vai às ruas.
Em primeiro lugar, ambas são ingênuas. Gritam e jubilam-se coletivamente por um Brasil utópico, onde as coisas funcionem de acordo com a sua vontade, e somente por ela. Ignoram, ou não aceitam, o que é pior, os jogos de pressão, os lobbies, os grupos e as tendências políticas que existem em qualquer sociedade organizada. Olham para o Congresso e só enxergam o que chamam de velha política. Trata-se na verdade de toda e qualquer forma de ação política que não atenda aos seus interesses. Direita e esquerda são iguais nesse aspecto.
A direita que desfilou na Avenida Atlântica e na Avenida Paulista não é carnívora. Ela quer o que todos querem, um país mais justo, menos roubalheira, mais ordem, menos crime, justiça. Bolsonaro foi apenas uma imagem, uma ilusão. Poderia ser Lula. Seria igual em força e teor. Nem mesmo o impulso que movimenta as duas extremidades é diferente. Se a esquerda dá ônibus e sanduíches para seus militantes, a direita dá bandeiras, bandanas e camisetas. O mar de bandeiras brasileiras iguais, fabricadas em série, guarda a imagem e a semelhança das bandeiras e bonés do MST.
Os extremistas de cada lado somem na multidão. Os que gritaram pelo fechamento do Congresso e do Supremo, ou em favor da volta dos militares e da ditadura, foram pingos na multidão, não significaram nada. Como nada significam os extremistas de esquerda que pregam o fim do capitalismo, da sociedade burguesa e de todos os seus asseclas que usam ternas e togas. Tantos estes quanto aqueles querem regimes de força, onde só uns poucos ungidos mandam, desmandam, prendem e arrebentam. Foi assim na história, de um lado e de outro.
O que importa numa manifestação como a deste domingo é que um grupo grande de brasileiros, honestos e sinceros na sua maioria, foi à rua pedir soluções para tirar o Brasil do buraco. Há duas semanas outro grupo de brasileiros honestos e sinceros pedia da mesma forma saídas para a crise. A diferença entre os dois times é marginal. Uns são mais humanistas, outros mais egoístas. Uns querem resultados já, outros poderiam ter resolvido ontem. Todos são brasileiros e querem um Brasil melhor para si, para seus filhos, para todos.

‘Bolsonarismo puro’ se impõe nas ruas, mas não supera atos contra cortes na Educação


Presidente mantém calculada ambiguidade a respeito das marchas, que criticaram Centrão e STF. Primeiro ato após racha de grupos de direita mostra base ainda fiel ao presidente. Nova manifestação pela Educação está marcada para quinta-feira



Protestos pró-Bolsonaro 26 de maio
Apoiadores de Bolsonaro durante ato neste domingo na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro SILVIA IZQUIERDO AP

O núcleo duro dos bolsonaristas exibiu força neste domingo, nas ruas do Brasil, para defender a agenda legislativa de Jair Bolsonaro e pressionar o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), acusados de boicotar o presidente. A atitude do mandatário foi calculadamente ambivalente: o Gabinete não participou e o mandatário se desvinculou dos protestos, mas incentivou a mobilização ao postar vídeos de manifestantes no Twitter e manteve a tensão com os demais Poderes. Depois de sair do culto evangélico que frequenta, Bolsonaro declarou que a “manifestação espontânea” era um recado “para aqueles que, com suas velhas práticas, não deixam que o povo se liberte”.
Dezenas de milhares de pessoas marcharam em 156 cidades dos 26 Estados, segundo a contabilidade do portal G1, duas semanas após a primeira grande manifestação popular contra o ultradireitista, que protestou contra os cortes de verba para o Ministério da Educação. Em 15 de maio, os atos anti-Governo mostraram mais capilaridade, em alguns locais, mais força. Em plena quinta-feira laboral, aconteceram em 222 cidades, refletindo a queda de popularidade do Planalto. Como revelou o EL PAÍS nesta semana, pela primeira vez os brasileiros que opinam que a gestão Bolsonaro é ruim ou péssima (36%) são mais numerosos que os que a consideram boa ou ótima (29%), segundo pesquisa da consultoria Atlas Político.
As manifestações reuniram milhares vestidos com as cores da bandeira, um dos símbolos da direita anti-PT que ganhou as ruas desde 2015, mas não contaram com o apoio dos principais movimentos que fizeram campanha para tirar Dilma Rousseff da presidência, como o MBL (Movimento Brasil Livre) e Vem Pra Rua. O caminho de fustigar diretamente as instituições e flertar com teses antidemocráticas dos “bolsonaristas puros” desagradou inclusive esses coletivos e acabou por forçar um racha na coalizão direitista que elegeu o atual presidente. O mal-estar com a jornada atípica de manifestações apareceu no editorial da Folha de S. Paulo, que advertiu que “protestos a favor de quem detém o poder (…) com frequência objetivam enfraquecer os mecanismos de controle que impedem o chefe circunstancial do Executivo de atuar como se fosse um imperador.”
“Bolsonaro mobilizou um número expressivo de pessoas. O que resta ver é se, a partir disso, ele conseguirá mobilizar mais gente ou se esse é o limite do ‘bolsonarismo puro”, analisou Pablo Ortellado, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP e que pesquisa regularmente a opinião de quem vai às ruas no país desde 2013. No Twitter, outro campo de batalha estratégico do presidente, a guerra de hashtags começou antes do início dos atos e seguia noite adentro com os comparativos e fotos que mostravam, a depender do emissário, a força ou o fracasso dos governistas. “Essa disputa narrativa indica que as manifestações tiveram um tamanho intermediário. Quer dizer, não foram um fiasco, mas também não foram um sucesso absoluto”, acrescenta Ortellado.

Os discursos dos manifestantes

Os protestos foram convocados de maneira difusa nas redes sociais, especialmente por grupos de WhatsApp, uma ferramenta bem dominada pelo bolsonarismo, sem um único lema, e sim com palavras de ordem diversas. Incluindo algumas que, amparadas na reivindicação de se livrar para sempre da velha política, exigem explicitamente o fechamento da Câmara, do Senado e do STF, intérprete final da Constituição. Beth Pinhate, uma funcionária de 65 anos, compareceu a uma manifestação em frente à sede do Congresso, em Brasília, justamente para exigir isso e defender o presidente. “É preciso fechar o Congresso e o Supremo porque são todos vagabundos”, disse. “Fazem tudo mal, nada bem. Se fecharem o Congresso, o país vai para frente.” Eis a receita dessa ex-funcionária para tornar realidade a radical renovação política que o ex-militar prometeu na campanha.


Video insertado

Afonso Benites
✔@afonsobenites
Beth Pinhate, funcionária pública, 65, fala que é a favor do fechamento do Congresso e do STF.
667 personas están hablando de esto

Na Avenida Paulista, em São Paulo, os manifestantes ocuparam seis quarteirões (três deles lotados), com cinco carros de som, e acabaram, em geral, adotando a linha sugerida por Bolsonaro durante a semana: nada de propor explicitamente a eliminação de outros Poderes. “O Supremo precisa existir, mas deve ter regras. Precisa ser justo com todos e não apenas a favor da minoria”, afirmou a professora Nilma de Oliveira, de 50 anos, na Avenida Paulista. “O Supremo está vendido, tem umas laranjas podres lá que acham que, com esse novo Governo, continuarão com o domínio”, acrescentou Daniel Reis, designer gráfico de 41 anos. Apesar dos discursos anti-corrupção, os ouvidos avaliaram como fake news, e não como problema, o escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro em transações de imóveis atípicas e suposta captação ilegal do salário de auxiliares.
Além do clã Bolsonaro, marcam pontos positivos na jornada o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o mais bem avaliado do Governo, que ganhou até um boneco inflável gigante como super-homem, e até o seu colega da Economia, Paulo Guedes. Os manifestantes exigiram nas ruas a aprovação imediata do pacote de leis idealizado por Moro para combater o crime e a corrupção e também que os deputados apoiem a reforma da Previdência, uma lei impopular, amplamente adiada e que é urgente para atrair investimentos e oxigenar a economia. “Eu sou aposentada, mas continuo trabalhando para pagar minha contribuição e ajudar a pagar a aposentadoria dos que hoje são jovens. Não estou aqui por interesse próprio, estou aqui para garantir os direitos das gerações futuras. Por isso, precisamos das reformas do presidente Bolsonaro”, disse Andrea Ferraz, de 62 anos, que atua como gestora de hotelaria, na av. Paulista.
O cerne dos discursos sempre ecoou o mote lançado pelo próprio Bolsonaro, que na semana passada difundiu um texto cujo autor qualificava o Brasil como “ingovernável” e apontava o dedo para as “corporações” que dominam o Congresso, o Judiciário sem nem sequer poupar as Forças Armadas das quais ele fez parte. “Bolsonaro continuará tensionando, estabelecendo uma dinâmica de antagonismo com as velhas elites, mas não a ponto de romper com as instituições democráticas, como o Congresso”, aposta o professor Ortellado.
O fato de Rodrigo Maia, presidente da Câmara, ter se transformado num alvo preferencial das críticas das ruas faz que os parlamentares projetem ainda mais tensão na relação do Congresso com o Planalto, independentemente da aprovação das mudanças da Previdência, que contam com o apoio de Maia. Os atos pró-presidente, que venceu as eleições com folga, não devem amainar as suas crescentes dificuldades para consolidar uma base de apoio estável e, devem, inclusive, dar mais fôlego ao sonho dos caciques partidários de tentar isolar o Planalto e implementar um “parlamentarismo branco”, definindo a agenda do país.
O presidente comentaria mais longamente sua estratégia para o Parlamento em no último ato da operação desta jornada: uma entrevista ao jornalístico dominical da TV Record, a emissora aberta mais próxima do bolsonarismo. “Centrão virou um palavrão. A melhor maneira de mostrar que não tem motivo de satanizar esse nome é ajudar a votar aquilo que interessa para o Brasil. Agindo dessa maneira, haverá reconhecimento por parte da população”, cobrou o presidente.
Com a economia dando sinais de problemas —nesta semana, será divulgada a primeira prévia do PIB do atual Governo—, Bolsonaro terá ainda que lidar com uma máquina estatal sem dinheiro. O presidente decidiu destinar verba para a Educação para tentar amenizar o congelamento dos recursos do orçamento para a área. Mas nem isso nem seu discurso algo mais ameno com os estudantes que protestara em 15 de maio ( ele disse ter “exagerado” ao chamá-los de “idiotas úteis”) devem ser suficiente para desmobilizá-los. Alunos e professores já têm data para ir à ruas de novo, convocados pela UNE (União Nacional dos Estudantes). Será na próxima quinta-feira, dia 30.


Manifestação na av. Paulista, que neste mês também recebe uma exposição ao ar livre com obras dos cartunistas Angeli e Laerte.
Manifestação na av. Paulista, que neste mês também recebe uma exposição ao ar livre com obras dos cartunistas Angeli e Laerte.SEBASTIAO MOREIRA EFE


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'Eu exagerei', diz Bolsonaro sobre ter chamado manifestantes da educação de 'idiotas úteis' Presidente afirmou que os estudantes são 'inocentes úteis' e defendeu Maia, alvo de atos pró-governo deste domingo


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Ex-prefeito que assumiu sem patrimônio, hoje tem quase R$ 1 bilhão bloqueado pela Justiça


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São casos absurdos como esse que dão a exata dimensão da imensidão da corrupção que assola o país. Nelson Trad Filho é um médico formado no Rio de Janeiro, filho de família tradicional de Mato Grosso...


Nota da redação deste Blog - Esse filme já vem acontecendo em Jeremoabo há  bastante tempo, só que a  maioria dos artistas principais em comparação ao acima citado,  são ainda amadores e de segunda ou terceira categoria.


Brasil no beco: Bolsonaro, Centrão e Oposição, por Aldo Fornazieri - GGN A oposição, por sua vez, não apresenta uma estratégia definida para enfrentar este agravamento da crise política e das tensões sociais. No Congresso, a iniciativa está com o centrão e a oposição parece ser sua caudatária.


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A oposição, por sua vez, não apresenta uma estratégia definida para enfrentar este agravamento da crise política e das tensões sociais. No Congresso, a iniciativa está com o centrão e a oposição parece ser sua caudatária.

Mobilizações pró-governo foram contraditórias em essência, mas não podem ser ignoradas

Segunda, 27 de Maio de 2019 - 07:20


por Fernando Duarte
Mobilizações pró-governo foram contraditórias em essência, mas não podem ser ignoradas
Foto: Ailma Teixeira/ Bahia Notícias
O brado retumbante não tocou como esperavam os manifestantes que foram às ruas neste domingo (26). Não que as mobilizações pró-governo tenham sido pequenas. Apenas ficaram aquém da promessa daqueles que tentam encampar, com certo ineditismo, uma bandeira em defesa de um governo. As ruas estavam tomadas, porém não da maneira como a mobilização pretendia - mesmo que neguem que o objetivo não foi alcançado. A pauta difusa e imprecisa acaba limitando o alcance da "manifestação autêntica do povo" - como se outras fossem menos legítimas.

Ainda que o êxito não tenha sido pleno, é certo que a defesa do presidente Jair Bolsonaro, da reforma da Previdência e mesmo do pacote "anti-crime" de Sérgio Moro ganhou repercussão dentro de um movimento fragilizado pela ausência das principais lideranças. Até não faltaram ataques ao Congresso Nacional ou ao Supremo Tribunal Federal (STF), como propuseram alguns manifestantes, tímidos mas existentes. Apenas porque as vozes mais audíveis acabaram por adotar uma postura mais comedida, frente aos possíveis impactos negativos de uma guerra declarada às instituições republicanas.

Bolsonaro e seu entorno mais próximo sabiam do risco em aderir a uma movimentação cujas bandeiras incluíam questionamentos ao Estado democrático de direito. Por isso recuaram de aparecer em público nas diversas cidades que registraram atos. O máximo visto foram os chamados papagaios de pirata, eleitos na onda bolsonarista, que se acham parte de uma revolução, mas são, na verdade, coadjuvantes nesse processo político. Por isso, talvez, tenham sido os mais ardorosos aliados a darem a cara a tapa, algo arriscado em um momento de baixa para o presidente.

Decerto, não dá para ignorar que tenha havido uma mobilização expressiva para tentar blindar o governo da errática condução da articulação política. Assim como também não dá para fingir que existiu um risco grande de romper a linha tênue que ainda tenta manter o Congresso Nacional imbuído a votar projetos como a reforma da Previdência, mesmo que a passos de tartaruga. Os parlamentares, alvos de críticas dos bolsonaristas, parecem estar mais preocupados com a manutenção do tecido político do que Bolsonaro e sua trupe. Talvez aí resida a razão para o recuo do presidente, que chegou a incitar a mobilização, porém acabou deixando "o povo" ir às ruas.

Parte das bandeiras hasteadas pelos atos deste domingo são necessárias, ainda que ajustes sejam importantes. Ame-se ou odeie-se os deputados e senadores, são eles os responsáveis por impedir que Bolsonaro instale a vontade absoluta de um monarca, algo que, tirando alguns gatos pingados, não passa pela cabeça da maioria dos brasileiros. Ver pessoas nas ruas, mesmo que neste caso remeta muito mais ao chavismo venezuelano do que os caras pintadas na Era Collor, não deixa de ser uma bela representação de democracia.

No entanto, saibamos todos que o eventual efeito dessa mobilização deve ser menor do que qualquer ato contra o governo. Não que eventualmente eles sejam maiores ou melhores. Apenas adotam pautas mais palatáveis e fáceis de mobilizar. Especialmente quando um governo recorre a um pedido de defesa das ruas. Se estivesse tão bem quanto prega, não veríamos qualquer um dos lados circular por aí.

Bahia Notícias




Ataque à imprensa no Brasil e nos EUA ocorre de maneira inédita, afirma Paul Farhi


O analista Paul Farhi é crítico de mídia no The Wahington Post
Deu na Folha
Ataques diários à imprensa por meio de pronunciamentos no Twitter é estratégia comum usada pelos presidentes dos Estados Unidos e do Brasil. A acusação de que o jornalismo é injusto, tendencioso, disseminador de notícias falas e antinacionalista é o modo que os chefes de Estado têm usado para desacreditar a imprensa.
Esse é o diagnóstico feito por Paul Farhi, repórter e crítico de mídia do jornal norte-americano Washington Post, que se disse surpreso com as semelhanças entre o quadro político brasileiro e americano. “Sempre pensei no Brasil como um local exótico, diferente na história, no povo e nas tradições, mas estamos na mesma situação”, afirmou.
MODELO TRUMP – Para o jornalista, que esteve no auditório da Folha na terça-feira (dia 21) em palestra para a Redação, é perceptível que Jair Bolsonaro vê em Donald Trump um modelo a ser seguido.
“Acredito que nenhum político goste da imprensa a não ser que ela seja útil para ele, mas nunca vivemos o que estamos passando com o atual presidente. São ataques diários, tentando nos pregar a pecha de antiamericanos, e criando pequenas dificuldades para evitar que estejamos nos lugares certos na hora necessária.”
Flavia Lima, ombudsman da Folha, perguntou como Farhi lida com a cobrança dos leitores pró-Trump, que acham que o jornal tem um viés contra o governo. “Não somos obrigados a balancear uma notícia considerada negativa com outra positiva. Não é assim que funciona. O problema é que as pessoas não entendem a dinâmica do jornalismo”, disse.
NOVA DIREÇÃO – Sobre a situação do Washington Post desde que o jornal foi comprado pelo bilionário Jeff Bezos, Farhi só fez elogios. Ele destacou o prédio novo, o aumento de equipe e a contratação de engenheiros. “Enquanto as redações no mundo todo estão encolhendo, podemos expandir. E sem interferência na área editorial.”
Questionado sobre como ter uma postura profissional adequada ao Twitter, rede social que Farhi definiu como “a grande invenção para demitir jornalistas”, ele recomendou “muita reflexão” antes de apertar a tecla de postar. “O problema é que ali não tem um editor para dizer não faça isso.”
Farhi está no Washington Post desde 1988 e já passou pelas editorias de finanças e política. Foi três vezes ganhador do prêmio National Press Club por sua cobertura e crítica da mídia e também recebeu o prêmio Bart Richards Award em 2018 pelo reconhecimento de reportagens como a que fez sobre o uso de trabalhadores temporários da NPR, rede de rádio pública dos EUA, e também a que relata a relação conflituosa entre a Casa Branca e a imprensa norte-americana.
JESSICA PARKER – Em sua última coluna, o crítico analisou de Sarah Jessica Parker com o National Enquirer no qual a atriz expôs, em seu Instagram, o e-mail do veículo solicitando um pronunciamento sobre uma suposta discussão entre ela e o marido. No post, ela demonstra sua indignação e considera o contato do jornal como assédio.
Farhi argumentou que, embora o National Enquirer seja conhecido por publicar matérias comprometedoras sobre celebridades e chantageá-las de acordo com seus interesses, nesse caso, o objetivo teria sido, de fato, a apuração da informação recebida e que essa é a principal função de repórteres.

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