segunda-feira, fevereiro 25, 2019

‘Sem aventuras’, diz Mourão antecipando a posição brasileira contra intervenção na Venezuela


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Mourão defende uma posição mais equilibrada para a diplomacia
Gerson CamarottiG1 Brasília
Assim que chegou à Colômbia, na noite deste domingo (24), o vice-presidente Hamilton Mourão disse ao blog que a posição brasileira na reunião dos países que integram o Grupo de Lima será a de manter a linha de não intervenção na Venezuela. O encontro acontece nesta segunda-feira (25) em Bogotá.
O Brasil vai defender entre os países do grupo uma pressão diplomática para o isolamento internacional do regime Maduro. De forma reservada, militares brasileiros têm reforçado que uma intervenção militar na Venezuela pode criar uma instabilidade na região. Há preocupação com a situação da fronteira no estado de Roraima.
NÃO-INTERDIÇÃO – “Vamos manter a linha de não-intervenção, acreditando na pressão diplomática e econômica para buscar uma solução. Sem aventuras”, disse Mourão ao Blog.
A posição brasileira será um contraponto de um eventual movimento dos Estados Unidos em defesa de intervenção na Venezuela. Ao Brasil não interessa um conflito armado num país vizinho. Questionado sobre a sinalização dos EUA em defesa da intervenção, Mourão reconheceu o movimento americano neste sentido. “Julgo que [os Estados Unidos] desejam isso”, disse o vice-presidente.
O Itamaraty também acompanha a posição do vice-presidente Hamilton Mourão. “Seguimos na linha de condenação do regime de Maduro, da indignação pela violência que exerce contra a própria população, mas sempre pela saída política por meio da pressão diplomática. Seguimos contra intervenção militar. Mas advogamos pressão crescente da comunidade internacional pelo fim da opressão e pelo regresso da democracia na Venezuela”, disse ao blog um diplomata brasileiro que está acompanhando em Bogotá a reunião do Grupo de Lima.
CONDENAÇÃO – Neste domingo (24), o governo brasileiro condenou, por meio de nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, “os atos de violência perpetrados pelo regime ilegítimo do ditador Nicolás Maduro”.
A nota do Itamaraty chamou o governo de Maduro de “criminoso” e apelou à comunidade internacional para “somarem-se ao esforço de libertação da Venezuela”.
O blog apurou que a estratégia entre militares brasileiros é de diminuir a tensão na região de fronteira entre Roraima e Venezuela. No fim de semana, houve confronto entre venezuelanos que vivem no Brasil e militares venezuelanos. Bombas de gás chegaram atingir o território brasileiro.
FRONTEIRA FECHADA – A Venezuela fechou a fronteira com o Brasil na quinta-feira (21), para impedir a entrada de ajuda humanitária. No sábado (23), dois caminhões com alimentos e medicamentos chegaram à linha que divide os dois países, mas não puderam ultrapassara a barreira de militares venezuelanos que barra a entrada e saída de pessoas e veículos da Venezuela.
Os embates começaram após essa tentativa frustrada de entregar ajuda a venezuelanos. Na tarde de sábado, dezenas de venezuelanos começaram a atirar pedras contra os militares a partir do território brasileiro. As forças de segurança revidaram.
No domingo (24), os confrontos se repetiram, o governo brasileiro decidiu montar uma barreira com homens da Força Nacional, e anunciou um acordo para evitar novos embates.
MORTOS E FERIDOS – Desde a última sexta-feira (22), conflitos em localidades venezuelanas perto da fronteira com o Brasil deixaram cerca de 25 mortos e 84 feridos, segundo Emilio González, prefeito da municipalidade de Gran Sabana.
A reunião em Bogotá acontece dois dias depois da tentativa de envio de ajuda humanitária à Venezuela pelas fronteiras do Brasil e da Colômbia, onde também houve confrontos no sábado, que deixaram dezenas de feridos.
A alta comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, condenou o uso de “força excessiva” por parte do regime de Nicolás Maduro. O Grupo de Lima é formado por 14 países das Américas. Destes, apenas o México não reconhece o opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. Guaidó participará do encontro de cúpula, que também terá a presença do vice-presidente dos EUA, Mike Pence.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Com Mourão, o Brasil vai no caminho certo. Se deixarem o chanceler Ernesto Araújo à solta, ele começa logo a cantar “Deus Salva a América” e transforma o Brasil num imenso Porto Rico. (C.N.) 

Em meio à crise dos laranjas, o líder do PSL propõe extinção do Fundo Eleitoral


Major Olímpio apresentou um projeto de real interesse público
Daniel CarvalhoFolha
Na semana em que um ministro foi demitido e outro está ameaçado de ter o mesmo fim por causa de um esquema de candidaturas de laranjas do PSL, o líder do partido no Senado, Major Olímpio (SP), apresentou um projeto de lei que propõe a extinção do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.
O Fundo Eleitoral, como é mais conhecido, foi usado para abastecer as candidaturas sob suspeita. Atualmente, as campanhas políticas são financiadas por recursos deste fundo, do Fundo Partidário e de doações de pessoas físicas.
SEM OBRAS – Ao justificar a proposta, Olímpio argumenta que o Fundo, criado em 2017, retira recursos que seriam destinados a emendas parlamentares, dinheiro usado por deputados e senadores para fazer obras em seus redutos eleitorais.
“Ora, não nos parece razoável nem moral que as verbas que seriam objetos de emendas parlamentares que iriam ter como destinação a educação, segurança pública e a saúde brasileira sejam utilizadas para o financiamento de campanhas eleitorais”, afirmou no projeto.
“Desde a época que foi aprovado este fundo, eu, já nos debates, me posicionei contrário, votei contrário ao fundo. Resolvi materializar no projeto. Não consultei a direção nacional do partido nem as pessoas do partido. É um iniciativa minha”, disse o senador à Folha.
MOMENTO PROPÍCIO – No entanto, Olímpio admite que “o momento está propício” para discutir o tema. “Nos casos que estão aí manifestos em inúmeros partidos, está cada vez mais clara a falta de critérios na própria lei e ainda a imoralidade de usar recurso público, no caso, R$ 1,750 bilhão [total de recursos do fundo]. A lei é absolutamente aberta, a distribuição é feita ao bel prazer do dirigente partidário”, afirmou Olímpio, que também é presidente do PSL em São Paulo.
Na segunda-feira (18), o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, caiu após uma crise instalada no Palácio do Planalto com a revelação pela Folha da existência de um esquema de candidaturas de laranjas do PSL para desviar verba pública eleitoral.
DISCURSO DE ÉTICA – O partido foi presidido por ele durante as eleições de 2018, em campanha presidencial de Jair Bolsonaro marcada por um discurso de ética e de combate à corrupção.
Além disso, integrantes do governo dizem acreditar na queda do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Reportagem da Folha revelou, em 4 de fevereiro, que o ministro do Turismo, deputado federal mais votado em Minas Gerais, patrocinou um esquema de quatro candidaturas de laranjas, todas abastecidas com verba pública do PSL, partido de Bolsonaro.
Nesta quinta-feira (21), o ministro do Turismo recorreu ao foro especial e pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) que a investigação sobre candidatas-laranjas do PSL aberta em Minas Gerais passe a tramitar perante a corte. O ministro é alvo direto da apuração da Promotoria mineira.
BRECHAS NA LEI – O senador Olímpio disse que a legislação atual tem brechas que permitem que os recursos eleitorais abasteçam candidaturas de laranjas.
“Você pode falar ‘é logico que era uma candidatura [de] laranja’. O recurso teve a destinação, foi utilizado, mas, na verdade, estava ali um guarda-chuva para a campanha dos marmanjos.”
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Um projeto importantíssimo, que merece aplausos. Infelizmente, jamais será aprovado. Os políticos brasileiros não têm interesse em moralizar as eleições. (C.N.)

Maria Lúcia Fattorelli denuncia a falta de uma auditoria da crescente dívida pública


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Maria Lucia Fattorelli defende com vigor os interesses nacionais
Deu na DS Curitiba
O Sindifisco (Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil), através da Delegacia Sindical de Curitiba, entrevistou Maria Lucia Fattorelli, auditora fiscal aposentada da Receita Federal e Coordenadora Nacional da Auditoria Cidadã da Dívida. No Equador, ela integrou a Comissão de Auditoria Integral da Dívida Pública em 2007-2008, que reduziu em 70% o montante total. Participou ativamente nos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a dívida realizada no Brasil. Em vídeo divulgado na internet e no site da DS, ela já havia esclarecido alguns pontos sobre o falso déficit da Previdência. Na matéria de hoje, aprofunda-se o assunto para um entendimento mais completo do tema. Confira a primeira parte da entrevista:
O que o artigo 194 da Constituição Federal estabelece?O artigo 194 da Constituição é claro ao estabelecer a Seguridade Social como um sistema integrado composto pelas áreas da Saúde, Previdência e Assistência Social, ao passo que o artigo 195 trata do financiamento da Seguridade Social por toda a sociedade.
Sobre o financiamento da Seguridade Social, como é realizado esse sistema de arrecadações?Ao mesmo tempo em que os constituintes criaram esse importante tripé do Artigo 194, estabeleceram também as fontes de receitas que são pagas por todos os setores, ou seja: As empresas contribuem sobre o lucro (CSLL) e pagam a parte patronal da contribuição sobre a folha de salários (INSS); Os trabalhadores contribuem sobre seus salários (INSS); E por fim, toda a sociedade por meio da contribuição embutida em tudo o que adquire (COFINS). Além dessas fontes, há contribuições sobre importação de bens e serviços, receitas provenientes de concursos e prognósticos, PIS, PASEP, entre outras. O artigo 195 também prevê a utilização de “recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios”, ou seja, recursos do orçamento fiscal também podem financiar a Seguridade Social, dada a sua importância para a sociedade.
Ainda que existam tantas fontes de financiamento, como é que o governo consegue apresentar um déficit da Previdência?O desmembramento entre Previdência e Seguridade Social afronta a Constituição, que em momento algum diz que seu financiamento seria arcado somente pelas contribuições ao INSS, mas diz que existe a autorização para utilização dos recursos dos orçamentos fiscais para financiar o sistema. O governo não apresenta o orçamento dela como deveria, o propagandeado “déficit da Previdência” é uma farsa. Ele compara apenas a arrecadação da contribuição ao INSS paga por empregados e empregadores com a totalidade dos gastos com a Previdência, fazendo-se um desmembramento que não tem amparo na Constituição e sequer possui lógica defensável, pois são os trabalhadores os maiores contribuintes da COFINS.
Então, não existiria déficit real?A Seguridade Social tem sido altamente superavitária nos últimos anos, em dezenas de bilhões de reais, conforme dados oficiais segregados pela Associação Nacional dos Fiscais da Previdência, que computa somente a arrecadação das contribuições sociais. A sobra de recursos foi de R$72,7 bilhões em 2005; R$ 53,9 bilhões em 2010; R$ 76,1 bilhões em 2011; R$ 82,8 bilhões em 2012; R$ 76,4 bilhões em 2013; R$ 55,7 bilhões em 2014, e R$11,7 bilhões em 2015.
E mais recentemente?Em 2016 e 2017, devido às excessivas desonerações fiscais e também devido aos impactos da política monetária praticada pelo Banco Central que provocou a crise atual e levou milhões de pessoas ao desemprego, o volume das contribuições sociais não cobriu todas as despesas da Seguridade Social, porém, ainda assim não há que se falar em déficit, devido à autorização constitucional inserida no art. 195, que possibilita a utilização de recursos do orçamento fiscal para financiar a Seguridade Social, devido à sua importância para a sociedade.
E a dívida pública, qual a relação com a Previdência?O reiterado superávit da Seguridade Social deveria estar fomentando debates sobre a melhoria da Previdência, da Assistência e da Saúde dos brasileiros e brasileiras. Isso não ocorre devido à prioridade na destinação de recursos para o pagamento da chamada dívida pública, que vem absorvendo cerca de metade do orçamento federal anualmente, e que nunca foi auditada, como manda a Constituição.
O que define a PEC 293/04, que tramita no Congresso Nacional?Ela vai aumentar o déficit da Previdência, porque transforma importantes contribuições sociais (Cofins e Pis) em imposto, portanto, modifica a natureza desses tributos, que destinam parte para a Previdência. Enquanto a arrecadação das contribuições sociais possui destinação vinculada à sua finalidade ligada à Seguridade Social, os impostos se destinam a um caixa único, e não podem ter destinação específica. Caso aprovada, essa PEC provocará um verdadeiro rombo no orçamento da Seguridade Social, que não mais contará com as receitas das contribuições extintas e transformadas em imposto. Recursos existem, e de sobra, mas a ameaça, diante da ganância financista, é grande e exige mobilização social para denunciar e barrar esses ataques aos direitos sociais.
Quais seriam as soluções para aumentar a arrecadação da Previdência?Em primeiro lugar, a geração de emprego digno e o aumento salarial da população brasileira, que é muito mal remunerada. Temos atualmente, cerca de 15 milhões de pessoas desempregadas e mais de 60 milhões de pessoas na informalidade, ou seja, cerca de 75 milhões de trabalhadores e trabalhadoras não está contribuindo para o INSS. Para modificar isso, é necessário mudar radicalmente o modelo econômico aplicado no Brasil.
E o superávit primário?Desde a década de 90, produzimos mais de R$1 trilhão de “Superávit Primário” e no mesmo período a dívida interna federal saltou de R$ 89 bilhões para R$ 4 trilhões, comprovando que a dívida cresceu por causa dos seus próprios mecanismos e não devido aos gastos sociais. Apesar disso, a legislação que faz parte do Sistema da Dívida coloca como prioridade absoluta o pagamento de juros e amortizações da chamada dívida pública, que nunca foi auditada, como manda a Constituição.
É uma espécie de sangria?Instrumentos legais como a “Lei de Responsabilidade Fiscal” e mais recentemente a Emenda Constitucional 95/2016, drenam recursos para os gastos financeiros e impedem que grande parte dos recursos do país sejam utilizados para investimentos sociais. Os grandes bancos exercem uma chantagem diária, elevando os juros exigidos para adquirir novos títulos ofertados pelo governo, além de exigir a manutenção da liberdade de movimentação de capitais, benesses tributárias e contrarreformas. É preciso romper esse círculo vicioso, a começar por uma auditoria com participação social, para que a política econômica possa ser alterada.
AMANHÃ:A falsa propaganda sobre o suposto rombo da Previdência Social no Brasil

Não é só em Jeremoabo que os "çábios" acuados tentam denegrir BLOGs

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Estou reproduzindo esse vídeo para mostrar aos leitores que os "çábios" oportunistas e puxa-sacos quando estão acuados diante da divulgação da verdade tentam sem nenhuma moral para isso denegrir a imagem da imprensa, no caso de Jeremoabo falam até em processar.
Quem tem que ser processado são os corruptos, os ladrões do erário público, quem se beneficia do nepotismo,e outros  "ismos" 

Odebrecht faz ofensiva jurídica para não perder controle de provas de delação


por José Marques | Folhapress
Odebrecht faz ofensiva jurídica para não perder controle de provas de delação
Foto: Divulgação
Dois anos após fechar o que ficou conhecido como "delação do fim do mundo", a Odebrecht tenta evitar que os episódios relatados se voltem contra a empresa ou seus executivos. Para isso, a empreiteira tem bancado uma ofensiva jurídica no STF (Supremo Tribunal Federal) com o objetivo de receber de volta as provas das colaborações que foram enviadas por ministros a órgãos investigativos que não se comprometeram formalmente a obedecer aos termos dos acordos.

Quando não consegue, tenta fazer com que ao menos esses órgãos obedeçam aos limites estabelecidos na delação (criminal) e leniência (civil) --principalmente, que não processem a Odebrecht.Os principais alvos são Ministérios Públicos dos estados, que têm solicitado ao Supremo provas para embasar seus inquéritos civis.

Ao lado da empresa está o Ministério Público Federal, responsável por firmar os acordos e temeroso de que eventuais ações contra a Odebrecht travem futuras delações em outros casos. Como a Folha revelou ano passado, esses pedidos de compartilhamento provocaram atritos, em São Paulo, entre procuradores do Ministério Público Federal e promotores do Ministério Público do Estado.

Nessa época a Odebrecht passou a atuar de forma mais incisiva nos autos, por meio do advogado Rodrigo Mudrovitsch, sobretudo porque o ministro Gilmar Mendes autorizou o envio de documentos de alguns casos à Promotoria de Patrimônio Público paulista.

No último mês, a Segunda Turma do STF decidiu a respeito de um desses casos, no inquérito que envolve o senador José Serra (PSDB-SP). Em 2017, Gilmar havia autorizado que documentos do caso fossem compartilhados com o Ministério Público de São Paulo.

Atualmente, a Promotoria paulista tem um inquérito civil que apura irregularidades em licitações no trecho sul do Rodoanel, obra viária que circunda São Paulo, e investiga eventual enriquecimento ilícito de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, apontado como operador do PSDB.

No termo de abertura do inquérito civil, também são citados Serra e o ex-senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). No ano passado, o promotor Ricardo Castro pediu ao STF complementação atualizada desses documentos --e então a Odebrecht contestou nos autos. Disse que a decisão anterior de Gilmar "afronta diretamente as disposições previstas no Acordo de Leniência pela Peticionante com o MPF".

"A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de São Paulo não realizou, até o momento, adesão ao Acordo de Leniência, de forma que as informações resultantes do processo de colaboração realizado pela peticionante [Odebrecht] e os seus colaboradores individuais não podem, de forma alguma, ser compartilhadas com aquela Promotoria do Ministério Público em São Paulo dessa forma", argumentou a defesa da empreiteira.

O caso foi levado ao julgamento da Segunda Turma e ficou decidido, no último dia 12, que "a utilização das provas compartilhadas, nos termos da decisão anteriormente proferida, pressupõe a observância aos limites estabelecidos no acordo de leniência em relação ao requerente e aos demais aderentes".

Esses limites apontados na decisão, no entanto, não são tão claros para o promotor que toca o caso. "A Odebrecht invoca esses acordos, mas em nenhum momento eles exibem esses documentos para a gente saber o que eles são e quais são as cláusulas que contêm nesse acordo específico", afirma Ricardo Castro.

"A decisão não altera em absolutamente nada [o inquérito]. A respeito de eventual limitação em relação ao uso da prova, como a Odebrecht quer fazer, isso tem que ser analisado de acordo com o que for trazido, mas não impede em absolutamente nada o fornecimento dessa prova", diz ele.

Castro afirma que seu inquérito foi aberto com base em reportagens jornalísticas --a respeito dos fatos citados na delação-- e que, apesar de ter solicitado o material da Odebrecht, não depende dele para tocar as apurações. Diz que tem produzido outras provas de forma independente.

Outros promotores preferiram não arriscar. Antes do inquérito de Serra, a Segunda Turma do STF já tinha tomado decisão similar em caso que envolve o atual vice-governador de São Paulo, o ex-deputado Rodrigo Garcia (DEM): de compartilhar as provas respeitando os limites do acordo.

Mas em vez de utilizá-las, a Promotoria preferiu fazer um acordo paralelo com a Odebrecht, em setembro. Nele, a empreiteira se comprometeu a devolver em um ano o dinheiro que afirma ter usado para pagar caixa dois a Garcia, R$ 200 mil corrigidos, na campanha de 2010.

O trato aguarda aval do Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo. Segundo o promotor que cuida do caso, Silvio Marques, mesmo se ele tivesse usado as provas dentro dos limites da delação, haveria o risco de algum tribunal anular eventual processo decorrente do inquérito.

Em outro caso, que envolve o consórcio que realizou a reforma do Maracanã, a Odebrecht pressionou nos autos o Ministério Público do Rio de Janeiro a comprovar que havia aderido ao acordo de leniência --o que a Promotoria fluminense afirmava já ter feito.

"O D. MPRJ não demonstrou, no caso concreto, a sua adesão ao Acordo de Leniência", reclamava a empreiteira ao ministro Edson Fachin, antes de obter a confirmação. Procurada, a Odebrecht afirma em nota que "tem colaborado de forma eficaz com as autoridades em busca do pleno esclarecimento dos fatos narrados pela empresa e seus ex-executivos".

"A Odebrecht já usa as mais recomendadas normas de conformidade em seus processos internos e segue comprometida com uma atuação ética, íntegra e transparente."

O senador José Serra diz que "até o momento, nem ele nem sua defesa têm conhecimento do inquérito civil mencionado pela reportagem da Folha". Ele disse que jamais recebeu vantagem indevida e suas contas de campanha ficaram a cargo do partido.

Aloysio Nunes afirma que, no STF, o inquérito que o investigava foi arquivado após quase dois anos de investigação por falta de prova. "Será que esses promotores não acham nada de útil para fazer, em vez de perder tempo chovendo no molhado?", questionou, em nota. bRodrigo Garcia não se manifestou sobre o inquérito, mas informa que no Supremo a apuração foi arquivada.
Bahia Notícias

Policiais civis e federais protestam contra mudanças propostas na reforma da Previdência

Segunda, 25 de Fevereiro de 2019 - 07:00


Policiais civis e federais protestam contra mudanças propostas na reforma da Previdência
Foto: Divulgação
Entidades que representam policiais civis e federais vão procurar o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para falar sobre a reforma da Previdência, de acordo com a coluna Painel, do jornal Folha de Paulo.

O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, Edvandir Felix de Paiva, na quarta-feira (20), antecipou ao diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, a insatisfação da categoria. 
Bahia Notícias

“A aposentadoria é a única coisa palpável que o policial tem. O resto é dificuldade no orçamento, no trabalho, e morte”, afirmou.

Ainda na semana passada, Paiva levou recado semelhante à Casa Civil.

Novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre oculta imóveis em série

Segunda, 25 de Fevereiro de 2019 - 08:40

 

Novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre oculta imóveis em série 
Foto: Pedro França/Agência Senado
Novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), ocultou da Justiça Eleitoral a posse de imóveis durante quase toda a sua carreira política, segundo o jornal Folha de São Paulo.

De acordo com a publicação, o democrata é membro de uma família com patrimônio elevado no Amapá, possuidora de mais de uma centena de imóveis, postos de gasolina, empresas e retransmissoras de TV, entre outros. 

No entanto, desde 2002, Davi vem informando aos seus eleitores ter poucos bens, às vezes nenhum. Em 2002, 2010 e 2012, por exemplo, declarou não ter nem um centavo de patrimônio.

A assessoria do senador enviou uma resposta genérica, afirmando apenas que “os bens mencionados na matéria foram declarados aos órgãos competentes”.
Bahia Notícias

Reforma da Previdência dificulta o ingresso de jovens no mercado de trabalho


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Charge reproduzida do Arquivo Google
Pedro do Coutto
Na edição de ontem da Folha de São Paulo, reportagem de Anais Fernandes e Flávia Lima, descobriu e destacou a existência de um ponto contraditório no projeto do governo. Trata-se de um dispositivo que propõe a desoneração das empresas empregadoras se mantiverem em seus quadros aposentados do INSS que permanecem trabalhando.
A questão é mais ampla ainda e vai além da manutenção dos atuais aposentados nas empresas. Inclui também a perspectiva de desoneração se os empregadores admitirem aposentados regidos pela CLT.
MEDIDA ERRADA – A questão é controversa sob o ângulo econômico social.  Pois a taxa de desemprego oscila em torno de 12% no universo de 100 milhões de homens e mulheres que compõem a mão de obra ativa brasileira. A população do país cresce concretamente à taxa de 1% ao ano. Isso porque o índice de natalidade é de 1,7%, mas considerando-se a taxa de mortalidade de 0,7% vamos perceber um crescimento em números absolutos de 2 milhões de pessoas por ano em nosso país.
Como a população ativa é a metade do número total de habitantes chega-se facilmente a conclusão que o mercado de trabalho precisa a cada 12 meses empregar 1 milhão de pessoas. Isso para empatar com a pressão demográfica.
Vista a questão sob outro ângulo, devemos considerar que o mercado de trabalho teria que possuir elasticidade e abrangência para ir além de 1 milhão de novas vagas, e de fato precisaria de outros tantos trabalhadores para reduzir o déficit atual do desemprego.
NOS DOIS LADOS – Quer dizer: de um lado impedir que o déficit de empregos aumente. De outro, uma ação firme e convergente para diminuí-lo. Ambos são indicativos da dificuldade que a economia brasileira tem de vencer para assegurar a retomada do processo de desenvolvimento, único caminho viável e também verdadeiro no sentido de ampliar a renda per capita, livrando-a  do nível atual de sufoco por que passam os desempregados.
Mas é indispensável considerar que tão importante quanto a legião de desempregados projeta-se a legião dos não empregados. Estes não perderam o emprego, porque nem conseguiram ainda obtê-lo. As estatísticas do IBGE medem a taxa de desemprego, porém não registram o peso do não emprego na economia e na sociedade brasileira.
PORTA ABERTA –  Com o incentivo da desoneração do recolhimento do FGTS, as empresas tem aberta diante de si uma perspectiva de reduzir seus encargos obrigatórios.
O caso é o seguinte: contratar aposentados é positivo para esses trabalhadores e às empresas, devido à experiência deles. Mas não contratar jovens é péssimo para o desenvolvimento social do Brasil.

Ao atacar a mídia, Bolsonaro presta um serviço ao país, mas está atacando errado


Charge reproduzida do Arquivo Google
Carlos Newton
Todos sabem que a vida é muito mais criativa do que a ficção. A qualquer momento poderemos nos surpreender com um fato verdadeiro que jamais imaginaríamos que aconteceria. Por exemplo: quem havia de supor que o Brasil teria um presidente capaz de enfrentar a grande mídia, como está acontecendo agora com Jair Bolsonaro? O mais curioso ainda é a contradição. O presidente ataca a grande mídia (Globo, Folha, Estadão e Veja) por se sentir perseguido. Mas acontece que só está sendo alvejado incessantemente porque tomou a iniciativa de denunciar essa perseguição, que na verdade existiu, mas acabaria assim que ele ganhasse a eleição. Depois disso, a grande imprensa se amoldaria e encaixaria no novo governo, sem a menor desinibição.
A BRIGA CONTINUA – Bolsonaro é turrão e não mudou de atitude, vive atacando a mídia e afagando a TV Record e o SBT, que nem podem ser considerados como órgãos de imprensa, pois seu investimento em jornalismo é mínimo, apenas para cumprir a legislação. E a briga continua, cada vez mais surrealista.
O mais paradoxal é que o governo e a mídia são aliados no assunto do momento – a reforma da Previdência. A maior organização jornalística do país, considerada inimiga de Bolsonaro, é a que mais defende a reforma, chega a se constrangedor o apoio do grupo Globo.
REFORMA “TABAJARA” – A mídia se comporta como se estivesse em curso uma reforma “Tabajara”, tipo “seus problemas acabaram”, e não dá uma só palavra sobre a dívida pública que está inviabilizando o país.
A cada dia, os brasileiros pagam um pedágio de quase R$ 3 bilhões, No final do ano, são quase R$ 1,1 trilhão, que continuaremos pagando mesmo que a reforma “Tabajara” seja aprovada e mande para o espaço as conquistas sociais dos brasileiros, porque uma coisa é eliminar privilégios e outra coisa muito diferente é cortar benefício de quem está em situação miserável, que Deus jamais perdoe essa torpeza.
DÍVIDA SAGRADA – Não se pode discutir a dívida pública porque é um tabu, assunto do máximo interesse dos banqueiros, que obtêm no Brasil os maiores lucros do mundo exatamente quando país vive a pior recessão de sua História. Tem algo errado nessa equação, e ninguém se interessa?
A mídia está amordaçada, mas o governo, não. Bolsonaro deveria esculhambar a mídia pela proteção que dá aos banqueiros, no entanto ele nem entende o que está acontecendo, acha que é “perseguido político” igual ao Lula…
O maior erro de Bolsonaro foi dar a chave do cofre a um banqueiro. Nós votamos nele para passar o país a limpo e defender o interesse público, mas ele nos está traindo e se tornou um defensor dos interesses das instituições financeiras.
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P.S. – Bolsonaro pode brigar com a mídia à vontade. Não precisa investir um tostão em propaganda oficial, nem mesmo nos amestrados da Record e do SBT. Mesmo assim a mídia vai sobreviver, porque os banqueiros sempre estarão prontos para ajudá-la, na base de uma mão lava a outra. Vamos ficar por aqui, mas depois a gente volta ao assunto, porque há um novo golpe dos banqueiros em curso no Senado, acredite se quiser. Eles são insaciáveis. (C.N.)

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