quinta-feira, fevereiro 14, 2019

Dante escreveu a “Divina Comédia” ou usou os antigos textos muçulmanos?


Resultado de imagem para dante alighieri frasesAntonio Rocha
Jamais houve dúvida sobre a autoria do poema clássico “A Divina Comédia”. Mas agora há quem afirme que o grande Dante Alighieri apenas copidescou o famoso texto. O verbo copidescar vem dos antigos gráficos como eu, revisor em priscas eras da máquina de linotipo. “Copy desk” é como chamamos o redator final do texto.
O fato concreto é que a “Divina Comédia” é uma das belezas da Literatura Universal. Mas vez por outra nos surpreendemos e descobrimos verdadeiras preciosidades sobre os textos literários. No caso da “Divina Comédia”, agora há o debate saudável sobre as origens da obra-prima, que teria sido inspirada na literatura muçulmana. Com a palavra, os estudiosos, os especialistas e outros que tais… eu sou apenas um aprendiz.
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“MUNDO ÁRABE – BERÇO DA CIVILIZAÇÃO”
Compilação de Ricardo Roman Blanco
“Simplesmente de pasmar as descobertas sensacionais que a alta pesquisa histórica moderna está realizando no campo das instituições e quanto à autoria das grandes epopeias da humanidade; por exemplo: as instituições do Salteo ou dos Alfaqueques, ambas por nós descobertas e, por incrível que pareça, a autoria da própria “Divina Comédia” atribuída a Dante Alighieri.
Pois bem, saibam todos que a maior epopeia do renascimento não é de Dante Alighieri, como até agora estudávamos e ensinávamos: ela é cópia quase literal dos ensinamentos da escola mística muçulmana-espanhola de Ibn-Massarra, como prova de maneira irrefutável o grande arabista espanhol, professor Assim Palácios, na sua imortal obra intitulada “La Escatologia Muçulmana en la Divina Comedia”, que, por incrível luxo de detalhes, prova extremos tão curiosos como os conhecimentos da gíria siciliana por parte de Dante Alighieri.
Por exemplo: existem na Divina Comédia dois versos que ninguém até hoje soube traduzir. E sabem o que esses versos dizem? Pois pasmem: são dois solenes palavrões utilizados na gíria árabe da Universidade Siciliana de Palermo, onde reinava Frederico II, íntimo amigo e protetor de Dante Alighieri e tão arabizado, apesar de ser cristão caudatário do Papa, que até harém possuía; e que, como diz o velho ditado espanhol: “Lo cortés no quita lo valiente” (cortesia não é sinal de fraqueza).
Nem o famoso intelectual Bartolomeu Mitre, presidente da República Argentina, foi capaz de traduzir os ditos versos na sua versão espanhola da “Divina Comédia”. E o autor de tão hilariante descoberta foi nada mais nada menos que o nosso modesto e despretensioso professor Taufik Kurban, recentemente falecido, nesta mesma metrópole paulistana”.
(trecho do livro “Mundo Árabe Berço da Civilização”, editora Fearab – Brasil – Confederação de Entidades Árabe-Brasileiras, 2006, p. 37 e 38).

Militares agem para evitar demissão de Bebianno e neutralizar filhos de Bolsonaro


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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)
Tânia MonteiroEstadão
Diante da crise instalada no Palácio do Planalto envolvendo o ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, e o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), interlocutores do presidente Jair Bolsonaro, principalmente militares, estão agindo para tentar conter o imenso problema criado no dia em que o governo queria anunciar qual a proposta da reforma da Previdência vai encaminhar ao Congresso.
A temperatura da crise se elevou após a TV Record exibir na noite de quarta-feira, dia 13, uma entrevista com o presidente, a primeira após receber alta do hospital Albert Einstein. À emissora, Bolsonaro praticamente rifou Bebianno ao dizer que ele poderá “voltar às origens” caso fique comprovado seu envolvimento em suspeitas de desvio de recursos eleitorais.
MAGOADO – O ministro, que foi presidente do PSL, disse a interlocutores que está “muito magoado”. Só que Bebianno já avisou que não pede demissão e que só sai demitido pelo presidente. Ninguém duvida também que ele pode deixar o governo atirando.
Preocupados com a ação dos filhos, que em vários momentos têm trazido diferentes crises para o governo e com a proteção que eles têm recebido do pai, os “bombeiros” do Planalto estão agindo para tentar evitar que a saída de Bebianno possa aprofundar a crise e espalhá-la para outros setores.
Mais do que proteger Bebianno, esses interlocutores do presidente estão convencidos de que “é preciso estancar” essa ação dos filhos de Bolsonaro, que estariam prejudicando o País. Lembram que misturar família e governo nunca deu bons resultados e isso, mais uma vez, está sendo provado com seguidos episódios nestes menos de dois meses de nova administração.
MOBILIZAÇÃO – Nesta quinta-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão, e os ministros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno e da Secretaria de Governo, Santos Cruz, estão agindo para conter essa tempestade que tomou conta de Brasília. Eles, no entanto, não são os únicos.
Outros ministros e outras pessoas próximas da Bolsonaro estavam buscando o presidente nesta quinta-feira, dia 14, para tentar lhe mostrar as implicações desses atos, com sérias consequências para o País e a governabilidade. Os desajustes do Executivo imediatamente atravessam a rua levam problemas à já desarrumada e conflituosa base aliada.
PELO TWITTER – Os auxiliares do presidente entendem que não é possível governar com ímpetos pelo Twitter, repetindo até um pouco do comportamento do norte-americano Donald Trump. Advertem que isso tem consequências, normalmente, desastrosas.
A publicação por Carlos Bolsonaro do áudio enviado pelo presidente a Bebianno pelo WhatsApp foi considerada “inadmissível” porque está ligado à violação da segurança das comunicações do presidente da República. Os interlocutores do presidente vão tentar mostrar a ele que existe uma liturgia do cargo e que ela precisa ser respeitada.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Excelente matéria de Tânia Monteiro. Traça um retrato perfeito da situação. Se continuar a reboque dos filhos, Bolsonaro se arrisca a jogar seu prestígio na lata do lixo. Tem de se assumir como presidente e colocar os filhos em seus devidos lugares. Eles se julgam “príncipes-regentes”, mas acontece que o Brasil é uma república. (C.N.)

Relação com os filhos se torna fator de desestabilização do governo Bolsonaro


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Carlos (o filho 01) atua como se fosse “preposto” do presidente
Merval PereiraO Globo
A família Bolsonaro parece gostar de um enfrentamento. Ontem à noite, o presidente avalizou pelo twitter uma afirmação do filho Carlos, que desmentia o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que dissera que mantivera contato com Bolsonaro no hospital. Queria desfazer assim os boatos de que estaria desgastado com o presidente devido a denúncias de uso indevido de verba propagandística durante a eleição. Pelo jeito, talvez não seja mais ministro hoje.
O PSL está debaixo de fogo cruzado devido à suspeita de ter desviado dinheiro da campanha eleitoral utilizando-se de candidatas “laranjas”.
A ACUSAÇÃO – Gustavo Bebianno, que foi presidente do PSL e teve papel de relevo na campanha, está sendo acusado por um grupo de bolsonaristas, entre eles o próprio Carlos, de ter participado dessa tramóia que está sendo investigada pela Justiça.
Já na transição do governo houve uma briga entre os dois, Carlos atribuía a Bebianno o convite a Marcos Carvalho, dono da agência AM4, responsável pela campanha digital do presidente eleito, para participar da equipe.
Carlos considera-se o responsável pela comunicação de Bolsonaro nas mídias sociais, tem até mesmo as senhas do pai, e não admite concorrência. Acusou Marcos Carvalho de querer aparecer como “marqueteiro digital” vencedor, sem ter tido tal importância. 
MACIEL, O EXEMPLO – Certa vez o vice-presidente Marco Maciel ouviu de Heitor Ferreira, ex-secretário particular dos presidentes Geisel e Figueiredo, a definição do posto que ocuparia no governo de Fernando Henrique Cardoso: “Vice-presidente é nada à véspera de tudo”.
Maciel soube equilibrar-se nessa linha quase etérea entre o “nada” e o “tudo”, e hoje é exemplo de comportamento para um vice-presidente, discreto e eficiente. Ontem, o vice-presidente Hamilton Mourão recebeu com um sorriso o presidente Bolsonaro, que voltava a Brasília depois de 16 dias internado no Hospital Albert Einstein em São Paulo.
Sorriso que desfez qualquer desconforto que poderia ter causado uma ironia do presidente, ao telefone: “Quer me matar?”, perguntou a Mourão, que tratou de revelar a “brincadeira” para retirar dela qualquer conotação outra.
ESTADO DE ESPÍRITO – Embora estivesse se referindo ao churrasco de confraternização de sua turma, de que Mourão participara enquanto ele estava no hospital, o presidente Bolsonaro refletia um estado de espírito inoculado pelo vereador Carlos Bolsonaro, o filho 02, que mantém a desconfiança de que existem pessoas interessadas na morte de seu pai.
Antes da posse, ele usou o twitter para dizer que a morte de seu pai interessaria “também aos que estão muito perto” (…) “Principalmente após sua posse”. Na posse, ele fez questão de aboletar-se no Rolls Royce que conduzia seu pai. O 02 acordara com um mau pressentimento e, armado de uma Glock, pediu para ser o guarda-costas do pai.
Mourão é considerado por um grupo de bolsonaristas, que inclui até mesmo o guru Olavo de Carvalho e o estrategista americano Steve Bannon, como um potencial inimigo, um Cavalo de Tróia que tenta se diferenciar de Bolsonaro recebendo líderes do MST ou defendendo a memória do ambientalista Chico Mendes.
DIZIA VINICIUS – “Filhos, melhor não tê-los”, já advertia ironicamente o poeta Vinicius de Moraes, para completar: “Mas sem tê-los, como sabê-lo?”. A relação do presidente com seus filhos é um dos fatores desestabilizadores desse governo que mal se iniciou.
As confusões envolvendo os três filhos políticos de Bolsonaro provocam intrigas dentro do próprio grupo de governo, especialmente os militares. O senador Flávio Bolsonaro, o 01, tenta se desvencilhar do caso de seu ex-assessor Fabricio Queiroz, apanhado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em uma “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão.
O deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro, o 03, flagrado em uma palestra afirmando que para fechar o Supremo Tribunal Federal bastaria chamar “um soldado e um cabo”, considera-se um assessor presidencial especialíssimo, e trabalha para ligar o PSL ao conjunto de partidos de direita pelo mundo, que o estrategista americano Steve Bannon sonha reunir. Já admitiu se candidatar à sucessão do pai caso Bolsonaro acabe mesmo com a reeleição, como prometeu. O 01 nunca recebeu apoio do 02. E o 03 ontem se recusou a falar sobre a crise em que o 02 está metido.

Bispo rebate ofensiva do governo contra a Igreja: “Igual, só vimos na ditadura”


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Governo não pode interferir nos assuntos da Igreja, diz o bispo
Bernardo Mello FrancoO Globo
A Igreja Católica não deve se intimidar com a ofensiva do Planalto contra a sua atuação na Amazônia. O ministro Augusto Heleno fez críticas a um seminário convocado pelo papa Francisco para discutir os problemas da região. Em vez de calar os bispos, aumentou a insatisfação do clero com o governo.
O jornal “O Estado de S. Paulo” revelou que relatórios da Abin descrevem a CNBB como “potencial opositora”. O general Heleno se referiu ao Sínodo da Amazônia como “interferência em assunto interno do Brasil”. Acrescentou que pretende “neutralizar” o evento religioso.
“ARAPONGAS” – O bispo do Marajó, dom Evaristo Spengler, afirma que não cabe ao governo monitorar os debates da Igreja. Ele diz que o clero já suspeitou da presença de arapongas numa assembleia em Marabá. “Isso é um retrocesso que só vimos na ditadura militar”, protesta.
Dom Evaristo esclarece que o papa anunciou o seminário em 2017, muito antes da eleição de Jair Bolsonaro. Ele diz que a Igreja “não é neutra”, o que não significa que tenha partido. “A Igreja está do lado dos mais fracos, dos mais pobres, dos ribeirinhos e dos indígenas”, afirma.
INTERESSES – Para o religioso, o discurso do governo esconde interesses econômicos. “Estão incentivando um modelo predatório de desenvolvimento, que extrai as riquezas da floresta e deixa a população na pobreza”, critica. “Querem construir hidrelétricas, abrir rodovias e permitir o avanço do agronegócio e das mineradoras”.
Desde a campanha, Bolsonaro trata ONGs e ambientalistas como inimigos. Ele acusa as entidades de atentarem contra a soberania nacional e planejarem a “internacionalização” da Amazônia. A pregação tem eco no núcleo militar do governo. “Isso é uma fantasia para justificar a exploração predatória da floresta. Estamos no tempo das fake news”, rebate dom Evaristo.
CHICO MENDES – Na segunda-feira, o ministro do Meio Ambiente aumentou a tensão com a Igreja ao ofender a memória de Chico Mendes, assassinado em 1988. Segundo Ricardo Salles, o líder seringueiro usava a luta ambiental para “se beneficiar”.
A declaração revoltou a ala progressista do clero. “Querem desqualificar quem defende os povos da Amazônia”, afirma o bispo do Marajó.

Vale privilegiou lucros em detrimento da segurança, diz parecer da Procuradoria


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Procurador Saboia redigiu um parecer devastador contra a Vale
Aguirre TalentoO Globo
Em um parecer enviado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o caso de Brumadinho (MG), o Ministério Público Federal aponta que a mineradora Vale “privilegiou a lucratividade em detrimento da segurança de seus trabalhadores e dos habitantes de seu entorno” e alerta para o risco de impunidade dos dirigentes da empresa.
A manifestação é assinada pelo subprocurador-geral da República João Pedro de Saboia Bandeira de Mello Filho e foi enviada na tarde da quarta-feira (13) ao ministro do STJ Nefi Cordeiro. Trata-se do primeiro posicionamento técnico de um integrante da Procuradoria-Geral da República sobre o caso, abordando mais especificamente a soltura dos técnicos da Vale que haviam sido presos.
ENGENHEIROS – Saboia se posiciona favoravelmente à soltura dos dois engenheiros da empresa TÜV SÜD, Andre Jum Yassuda e Makoto Namba – eles já foram soltos no último dia 5 por decisão liminar da Sexta Turma do STJ em um habeas corpus. Falta ainda, porém, a decisão de mérito, por isso foi solicitada a manifestação da PGR.
O subprocurador aponta que não houve comprovação de que a atuação dos engenheiros, que atestaram a segurança da barragem, tenha colaborado para o acidente. “Até agora não há nenhum laudo pericial, ainda que por perícia indireta, dizendo a que se deve atribuir a ruptura da barragem”, escreveu.
Na sua avaliação, o acidente está mais relacionado a uma opção econômica da Vale em detrimento da segurança e, por isso, a investigação não pode punir apenas técnicos e poupar os dirigentes da empresa. Essa opção seria o uso da técnica da construção da barragem “à montante”, cujo risco envolvendo acidente tem potencial muito maior.
SENSO COMUM – “Creio oportuno exprimir meu ponto de vista, ressalvando que sou leigo em engenharia mas não desprovido do senso comum, que leva a supor que não a tragédia em si, mas suas proporções gigantescas, com centenas de mortos e desaparecidos, se deve não a qualquer fraude ou negligência dos técnicos, mas à decisão gerencial de utilizar uma técnica potencialmente perigosa, por motivos econômicos, no que diz respeito à escolha do local de construção”, escreveu.
Prossegue o raciocínio do subprocurador: “Finalmente: se, como também é notório, se o depósito de rejeito estava há anos desativado, porque não se o esvaziou, prevenindo a tragédia? Igualmente por opção econômica, para, quando fosse decidido melhor convir, se reprocessar aqueles rejeitos e extrair mais metal. Outra explicação no momento não encontro para que se mantenha por anos, sem aparente utilidade, aquela situação no mínimo potencialmente perigosa”. Por esses elementos, conclui, a Vale privilegiou os lucros em detrimento da segurança.
IMPUNIDADE – Sob esse raciocínio, Saboia aponta risco de impunidade caso a investigação seja focada nos técnicos que assinaram os laudos. “Mas desde logo presumir que houve falsidade e fraude, é abrir uma larga porta para não se apurar responsabilidade dos dirigentes empresariais que optaram por construir uma barragem “à montante”, que a mantiveram em operação por anos, e, depois de desativá-la, também por anos a mantiveram repleta ou quase”, escreveu.
“Por isso, a matéria deve ser, em todas as instâncias, examinada com atenção redobrada, para não favorecer a impunidade daqueles que podem ser (não afirmo que o sejam, pois se trata de investigação inicial ainda) os maiores, se não os únicos, responsáveis”, afirmou o subprocurador.
O mérito do habeas corpus ainda será julgado na Sexta Turma do STJ, que decidirá se mantém a liberdade dos engenheiros ou se reverte a decisão.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Afinal, o que está faltando para ser pedida a prisão dos dirigentes da Vale envolvidos na tragédia, especialmente o engenheiro Fábio Schvartsman, que preside a empresa e é o principal responsável? Há mais de uma semana o Ministério Público de Minas anunciou estar pronto para pedir a prisão deles. E o que falta?(C.N.)

Ministro Bebianno está por um fio no governo ou é o homem que sabe demais?


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O caso Bebianno parece ter saído da filmografia de Hitchcock
Francisco LealiO Globo
Eleito com ajuda do impulso das redes sociais, onde os comentários, ataques e impropérios prosperaram, o presidente Jair Bolsonaro , livrou-se das bactérias do pulmão, recuperou-se da última cirurgia e desembarcou de volta ao Planalto Central pronto para reassumir as rédeas de sua gestão. O primeiro ato foi verbal: deixar por um fio o emprego daquele que já tinha sido o auxiliar mais próximo, o secretário-geral da Presidência da República, o advogado Gustavo Bebianno .
No que pode vir a ser a primeira demissão do governo Bolsonaro, a situação do ministro, seguindo moldes e costumes do poder, estaria mais para figurar na seção 2 do Diário Oficial – onde publica-se atos de nomeação, mas também exoneração de servidores.
FRITAR OU TORRAR – O linguajar clássico da corte brasiliense usa o verbo “fritar” quando está em curso ação para induzir a demissão de uma autoridade. E o poder dá um jeito de ir minando por dentro a sustentação do alvo.
Na era Bolsonaro, seria mais apropriado falar em “torrar” ou “arder”. A fogueira em que Bebianno foi colocado pode ser indicativo do método bolsonariano de tirar gente do seu governo. A estratégia foi construída nas mesmas redes sociais que inflaram o apoio ao então candidato. O porta-voz foi o mesmo filho, Carlos, que protagonizou as ondas de mensagens mais virulentas.
Para espanto de seguidores que ontem pedindo em sua rede para ele ter calma e não prejudicar o governo do pai presidente, Carlos denunciou a mentira de Bebianno.
ATÉ O ÁUDIO – Não bastasse isso, publicou um áudio com a voz do pai. No final da noite, o próprio presidente declarou em em uma entrevista à TV Record que a frase do ministro era mesmo mentirosa. Bebianno havia declarado ao Globo que tinha conversando três vezes num só dia com o presidente, na ocasião, ainda internado em São Paulo.
Quando o presidente diz que o ministro mente, ao invés de declarar que acredita que o auxiliar tem sua confiança e espera que ele prove a inocência, a porta da rua parece ser a serventia da casa.
Mas há que se considerar que Bebianno estava em todos os momentos decisivos de 2018 ao lado do candidato. Ouviu conversas, sabe como foram tomadas as decisões estratégicas de campanha, das corriqueiras às menos ortodoxas. Ou seja, se ministro que arde sabe demais, o presidente pode ser aconselhado a mantê-lo ali ao alcance da sua vista.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Cá entre nós, esse ministério do Bolsonaro é muito esquisito. Parece que os ministros foram escolhidos a dedo para que o governo não dê certo. É a impressão que me passa. (C.N.)

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