quarta-feira, maio 27, 2009

A SIMPLES PERCEPÇÃO – É SIMPLES

Laerte Braga





O ministro presidente do Supremo Tribunal Federal fez mais que transformar a corte em STF DANTAS INCORPORATION LITD. Uma empresa do banqueiro Daniel Dantas. Em um ano e um mês do seu mandado como presidente – dois anos – Gilmar recebeu R$ 114 205, 93 em diárias de viagens. Esse valor é quase quatro vezes superior ao que seu antecessor, a ministra Ellen Gracie, recebeu em seus dois anos de mandato, R$ 31 159,90. Diárias, em tese, se prestam a despesas de hospedagem, locomoção e alimentação em viagens nacionais e internacionais.



Vale dizer que Gilmar Mendes recebe a cada mês aproximadamente R$ 8 700,00 em diárias. No período da ministra Ellen Gracie o valor mensal era de apenas R$ 1 300,00. O STF DANTAS INCORPORATION repassou a Gilmar Mendes nos cinco primeiros meses deste ano mais que todo o valor repassado à ministra Ellen Gracie.



Há vários aspectos a serem vistos, ou que podem ser vistos nesse fato. A corrupção, é notória, o ministro presidente do STF foi indicado por ser corrupto e para defender a garantir interesses dos grupos que representa. O banqueiro Daniel Dantas especificamente. O governo FHC. Todo o conjunto de banqueiros, empresários e latifundiários que se apoderou do País na onda neoliberal.



As diárias são mera conseqüência daquilo que Gilmar Mendes de fato tem como tarefa. Da razão de ser de sua indicação, à época questionada por juristas com notório saber e reputação ilibada, caso de Dalmo Dallari, como por políticos ligados a FHC, o falecido senador Antônio Carlos Magalhães, com notório saber na área da corrupção e do “coronelismo”.



Gilmar Mendes me traz à memória Mariel Mariscot. Um policial do antigo estado da Guanabara exibido pela direita como exemplo de combatente contra o crime e que, num dado momento, era apenas um criminoso.



Gilmar nesses anos em que vem exercendo o papel de limpa trilhos da sujeira tucana, da corrupção do esquema FIESP/DASLU, defensor de banqueiros e bancos, foi se cacifando e hoje é dono de uma rede de faculdades, através de um instituto de estudos de direito e latifundiário em sua cidade, Diamantino, no Mato Grosso. E que controla com mão de ferro. Elege prefeito, destitui prefeito, faz contrato da municipalidade com suas empresas. Toda a sorte de trapaças possíveis.



São dois aspectos aí então. O papel que lhe cabe no STF e o que vai amealhando no correr desse “trabalho”.



Mariel Mariscot num dado momento, no mundo crime, capa de revista, pinta de galã, namorando atrizes, cismou que era um dos grandes, ou poderia ser um dos grandes e foi pleitear junto a figuras como Castor de Andrade, capitão Guimarães, etc, donos do jogo do bicho, uma fatia do mercado para si. Queria deixar de ser menino de ouro como era chamado – os homens de ouro da polícia, na versão do antigo apresentador de tevê Flávio Cavalcanti, fascista contumaz – e virar um dos parceiros dos donos, um dos condôminos do “negócio”. Um deles.



Castor, Guimarães, essa turma resolveu o problema Mariel Mariscot dentro do código que presidia seus “negócios”. O policial apareceu morto e pronto. O risco de chantagens – valia-se disso – e de ter mais um a repartir o botim do jogo do bicho foi liquidado com uns tiros.



Gilmar vai ser útil a essa turma da qual é empregado enquanto for útil. É simples assim. Passada essa utilidade vira bagaço, ganha uma aposentadoria, mas milionário e vai para o ostracismo com a patente de “coronel” Gilmar Mendes, dono de Diamantino no Mato Grosso.



A lógica é a mesma. Tanto da que liquidou Mariscot, como da que garante e vai liquidar Gilmar com uma única diferença. No crime legalizado, o de Gilmar – Mariel Mariscot era do organizado – não se mata, ou quando se mata, mata-se bagrinhos que querem virar tubarões –. Para que isso aconteça é necessário que o estrago coloque em risco toda a turma. E Gilmar e figuras como ele têm consciência dos seus limites.



Sabe que acima dele, com toda a presunção e arrogância, existem obstáculos instransponíveis. É uma espécie de capataz. Isso, exatamente isso. O estágio intermediário entre os donos e os empregados somos as vítimas desse processo.



Os R$ 114 205,93 são um adereço nesse esquema todo. Deve ser inclusive, se já não foi, alertado por seus superiores para maneirar um pouco e evitar a exposição na mídia com fatos assim, que podem acabar por complicar o esquema, ou principalmente prejudicar o que lhe cabe como tarefa e aí o problema é dele. Arranjam outro com facilidade.



Que tenha contratado o jornalista Heraldo Pereira da GLOBO para seu instituto/arapuca em Brasília, faz parte do esquema. É uma rede. Há um comando geral, um comando nacional e os tentáculos. Gilmar é um, a GLOBO é outro. Quando a revista VEJA, logo após a prisão de Dantas, inventou a história das gravações no gabinete de Gilmar – nunca apareceram porque não existem – estava cumprindo o seu papel no esquema. Forjando, mentindo para ilaquear a opinião pública e começar o processo de liquidação do delegado Protógenes Queiroz. Funciona como demonstração do que são capazes de fazer. Como qualquer quadrilha.



O PCC elimina os que se lhe opõem dificuldades, ou atravessa os caminhos do grupo. Beira-mar a mesma coisa. Por que o esquema em que Gilmar está dentro, digamos assim, seria diferente? São criminosos. Só que uns amparados e guardados pelas leis que eles fazem e eles julgam.



O que espanta é que ministros como Eros Graus, com notório saber jurídico e um passado de lutas aceite ser solidário com alguém que ele sabe ser bandido. Preservar a instituição? Ora quando Gilmar foi a instituição? É um câncer na instituição. Graus tem votos importantes como no caso da reserva de Raposa do Sol, na Lei de Imprensa, no caso das licitações das bacias sedimentares, no monopólio postal da União, no impedir a cobiça irresponsável dos donos na questão do Banhado do Taim, enfim, por que comprometer tudo isso com uma instituição que na visão de Gilmar é STF DANTAS INCORPORATION LTD?



A soma de todos esses braços ou tentáculos joga com um interesse maior e de suma importância para cada cidadão brasileiro. O controle desse imenso país de dimensões continentais, com um peso político e econômico no mundo cada vez maior. Apostam num projeto José Serra 2010 que vem de fora. Representa a entrega definitiva do Brasil ao capital internacional. Vamos virar um País sem rosto. Mero adereço em todo o conjunto de nações do mundo.



E não é isso, certamente, que queremos. Mas é isso que precisamos perceber e é simples perceber todas essas manobras dessa grande quadrilha. A figura maior no Brasil é FHC. Serra se prepara para assumir o trono e Gilmar é um dos braços desse projeto. Um funcionário qualificado desse esquema.



Há quem diga que isso “é briga de cachorro grande” e assim foge do debate. “Não é comigo”. Ou “tenho meu emprego, minha casa, não quero saber, cuido de mim”. Não percebe que paga a conta e não falo só de conta em espécie, dinheiro, mas paga a conta de um futuro que não vai existir e não somos apenas, cada um de nós, um ser que se esgota em si. Temos extensões, nos prolongamos nos filhos, nos netos, como somos prolongamento dos pais, dos avós.



O que está em jogo é muito mais que a bandalheira das diárias. Essa é conseqüência, não é causa.



Temos o hábito de só tomar conhecimento do problema quando nos atinge diretamente. Somos induzidos a isso pela mídia, que é deles. Acreditamos nas fantasias vendidas pelos meios de comunicação. Nos horrorizamos com as “denúncias” de jornalistas corruptos como Heraldo Pereira. Ou Miriam Leitão.



Aceitamos passivamente, sem discutir, que classifiquem um presidente eleito pelo voto e confirmado pelo voto, Hugo Chávez, como ditador. Claro, contrariam seus interesses e defendem os interesses de seus países. Chávez, Morales, Corrêa, Ortega e muitos outros.



É inacreditável que um deputado que se afirma comunista pretenda ignorar o genocídio que foi a guerra do Paraguai. Brasil, Argentina e Uruguai financiados pela coroa inglesa, em função dos interesses britânicos massacrando um povo. E voltamos as costas às legítimas pretensões do presidente Lugo de rediscutir o tratado de Itaipu montado e orquestrado por duas ditaduras hediondas. A militar no Brasil e a do general Stroessner no Paraguai. Onde Aldo Rebelo é comunista com essa posição?



É simples a percepção que o modelo está falido. Isso não significa que tenhamos que desprezar o processo eleitoral. É um instrumento e Serra é um retrocesso. As diárias pagas a um funcionário do segundo escalão dessa gente, Gilmar Mendes, são detalhes em todo o jogo.



É de cachorro grande sim, mas é preciso enfrentá-los. É mais ou menos como um pit bull partindo para cima de você. Se você tem onde se esconder vai ficar escondido o tempo que o pit bull estiver ali. Caso contrário vai lutar por você e suas extensões, vamos ficar nessa expressão, que são o futuro. Ou vai se deixar estraçalhar.



Vou abrir a janela e olhar minha roseira. E daí? Até quando? Qual o significado da roseira? Estou vivo, estou no mundo dito real? Vai ficar até o dia que Ermírio de Moraes achar que é preciso passar a máquina na roseira e na sua vida para plantar “progresso”. Tem idéia de quantos perderam casas, terras, vidas por conta desse “progresso”? Não dá na GLOBO.



O caso Protógenes encerra uma lição importante. A simples percepção, é simples, que o modelo está falido e os bandidos, os verdadeiros bandidos, ou os maiores bandidos, a maior quadrilha, da qual Gilmar Mendes é parte, não vão hesitar um só minuto em passar por cima da sua, da minha, das nossas roseiras em função do que representam e do que querem.



E o que querem é o horror de Gaza. Os escombros do Afeganistão. As torturas de Guantánamo. O controle dos “negócios”.



Ou será que você acredita que políticos venais como Tasso Jereissati, pilantra lato senso, está preocupado com alguma irregularidade na PETROBRAS quando exige uma CPI? Quer é a PETROBRAX o mais breve possível para embolsar o seu e danem-se os brasileiros.



Não há saída sem constatar que o modelo está falido. Não existe capitalismo a brasileira. Capitalismo é capitalismo e pronto.



Num momento único na América Latina, particularmente na América do Sul, ou nos percebemos e nossa identidade, ou viramos bagaços dos donos.



As diárias de Gilmar servem para pagar ações nesse sentido. A coisa é por aí.



Você acha que um deputado corrupto como Raul Jungman, de um partido de um corrupto como Roberto Freire, está preocupado com “terroristas” no Brasil? Um comerciante libanês indignado com as barbáries de Israel contra seu povo? Por detrás disso está o Aqüífero Guarani, estão águas, estão riquezas de nosso País e de todos nós brasileiros, o projeto de uma base militar dos EUA na região de Foz do Iguaçu que FHC quase conseguiu. Ficou na quase, felizmente.



Por isso que Protógenes vai ser sempre culpado – é para servir de exemplo a outros Quixotes – E que a Coréia do Norte vai ser parte do “eixo do mal”. Já Hiroshima e Nagasaki foram decisões “necessárias” pela paz, pela democracia, pelos direitos humanos.



Se não percebemos essa lógica perversa e simples vamos dançar e sem música, talvez com uma marcha fúnebre.



E um pequeno detalhe. Quixote? Sim, mas nada quixotesco com o sentido que pretendem imputar à expressão. Essa luta não quixotesca, é de sobrevivência.



Refazer o modelo passa entre outras coisas por formação e organização popular e desemboca numa Assembléia Nacional Constituinte onde todos estejamos representados e presentes ao mesmo tempo.

Mísseis cubanos, Chernobil... a História se repetirá?

Por Celso Lungaretti 27/05/2009 às 14:43


Parecem notícias do século passado, mas são de hoje: a Coréia do Norte realiza testes nucleares repudiados pela ONU e vistos com apreensão pela Coréia do Sul e Japão; um vazamento de material radioativo na usina de Angra 2 foi comunicado... 11 dias depois da ocorrência! Teremos entrado num túnel do tempo?


O mês é outubro e o ano, 1962. Em todos os países há pessoas com o ouvido colado nos rádios e lançando olhares angustiados para o céu, à beira do pânico.

Nunca estiveram tão presentes nas mentes e tão opressivas nos corações as imagens dantescas dos genocídios de Hiroshima e Nagasaki. Era concreta a possibilidade de repetição daqueles horrores em escala muito mais ampla.

É que os EUA, ao obterem provas fotográficas da existência de silos de mísseis soviéticos em Cuba, deram um ultimato à URSS, exigindo sua imediata retirada.

A União Soviética, inicialmente, não cedeu. Pelo contrário, ao saber que os norte-americanos haviam iniciado um bloqueio naval e aéreo de cuba, despachou uma frota que o tentaria romper.

Um único disparo e começaria a reação em cadeia! Estava-se a um passo da guerra nuclear entre duas nações que acumulavam poder destrutivo suficiente para exterminar a espécie humana.

Foram 13 dias que apavoraram o mundo, enquanto se desenvolviam tensas negociações entre os governos de John Kennedy e Nikita Kruschev. Nunca os estadunidenses compraram tanto cimento e tijolo como nesse período em que construíram sofregamente abrigos nucleares em suas casas.

A histeria coletiva inspirou um episódio magistral da série de TV Além da Imaginação, sobre vizinhos que, ao confraternizarem numa festa, recebem a notícia de que a guerra atômica pode estar começando.

O único que havia transformado seu porão em abrigo, nele entrincheira-se com a família, negando acesso aos demais, por não haver mantimentos, água e espaço físico para tanta gente.

Quando os outros estão pondo abaixo a porta, empunhando tacos de beisebol e outras armas improvisadas, chega o desmentido: rebate falso. Mas, suas reações primitivas e egoístas durante a emergência revelara a todos como eles realmente eram, sob o verniz da hipocrisia social.

KRUSCHEV OBTÉM CONCESSÕES.
KENNEDY, HOLOFOTES

A crise dos mísseis cubanos terminou com cada lado cedendo um pouco e o mundo suspirando aliviado.

Os EUA concordaram em, posteriormente e sem alarde, retirarem mísseis similares que haviam instalado na Turquia. Comprometeram-se, ainda, a nunca mais realizarem ou estimularem invasões de Cuba, como a que a CIA e exilados cubanos haviam tentado em abril daquele ano na Baía dos Porcos. Eram estes os acontecimentos que haviam motivado os soviéticos a exibirem também o muque.

Kruschev, por sua vez, ordenou o desmantelamento dos silos e a retirada dos mísseis, saindo do episódio com uma vitória real (obtivera as contrapartidas desejadas) e uma derrota propagandística, pois concordou em manter secretas as cláusulas que lhe eram favoráveis.

De quebra, as superpotências decidiram colaborar para que novos sobressaltos fossem evitados, tendo sido instalada uma ligação telefônica direta (o famoso telefone vermelho) entre Kennedy e Kruschev, para que se entendessem antes dos pequenos problemas virarem grandes crises.

Nos EUA e em grandes capitais européias, houve júbilo incontido. Cidadãos festejavam nas praças e parques, lotavam os bares. Casais redescobriram a atração sexual, estranhos iam para a cama depois de trocarem duas palavras [O número de crianças nascidas nove meses depois foi muito superior ao habitual...].

A explosão de vida sucedeu aos augúrios de morte. Emblematicamente, a música até então ignorada de quatro jovens de Liverpool decolaria para a consagração mundial, tornando-se a trilha sonora da maior revolução de costumes que o mundo já vivenciou.

CHERNOBIL: 6,6 MILHÕES
FORAM CONTAMINADOS

Mas, se diminuiu consideravalmente a ameaça de que a guerra fria entre EUA e URSS se tornasse quente e radioativa, nem por isso a energia atômica deixou de provocar pesadelos e paranóias.

Em abril de 1986, um acidente nuclear na usina soviética de Chernobil, na Ucrânia, liberou uma nuvem de radioatividade que atingiria a URSS, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido.

Grandes áreas da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia foram muito contaminadas, expondo 6,6 milhões de pessoas e tornando necessárias a evacuação e reassentamento de aproximadamente 200 mil habitantes.

A ONU computou 56 mortes decorrentes do acidente na primeira década, estimando que outras 4 mil ainda viriam a ocorrer; o Greenpeace retrucou que esses números eram bem inferiores aos reais. A usina foi desativada.

Por que estou evocando dois episódios tão deprimentes? Pelo simples motivo de que isso pode acontecer de novo. Está no noticiário:

* a Coréia do Norte realiza testes nucleares repudiados pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e vistos com apreensão pela Coréia do Sul e Japão;

* um vazamento de material radioativo na usina de Angra 2, ocorrido em 15 de maio último, só foi comunicado à população 11 dias depois, com a garantia de que os seis empregados afetados não correm maiores riscos [Houve tempo para se preparar bem a versão tranquilizadora, mas não me surpreenderei se a história estiver sendo malcontada].

O acidente no reator de Three Mile Island, bem menos grave que o de Chernobil, motivou nos EUA o lançamento da campanha No Nukes, com a participação de músicos famosos como Jackson Browne, Bonnie Raitt e Graham Nash.

Três décadas depois eles continuam protestando, agora contra um projeto de lei que amplia o estímulo a empreendimentos ligados à energia nuclear.

É mais do que tempo de fazermos algo semelhante por aqui. A população de Angra dos Reis e municípios próximos seria a primeira a agradecer.

Email:: naufrago-da-utopia@uol.com.br
URL:: http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/


Fonte: CMI Brasil

Índios podem se tornar donos de Olivença

Eleições em 2 cidades devem ser adiadas

Téo Menezes


O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estuda a possibilidade de adiar a realização da eleição suplementar nos municípios de Araguainha e Novo Horizonte do Norte, prevista para o próximo domingo (31). O risco de adiamento foi discutido ontem pelo presidente do TRE, Evandro Stábile, e outros assessores mas não havia nenhuma decisão até o fechamento dessa edição, por volta das 19h.


O risco de problema técnico foi comunicado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, segundo a assessoria de imprensa do TRE/MT, se deve ao fato de que os programas foram planejados para uso no início dos meses, já que as eleições vêm sendo feitas geralmente no dia 5.


Disputam a eleição em Araguainha (município a 471 km de Cuiabá) os candidatos a prefeito José Ferreira (PPS) e Arnaldo Barreto (PR). O pleito foi determinado depois que o candidato mais votado em outubro, Osmari Azevedo (PR), teve os votos anulados. Isso se deve ao fato que o republicano obteve 62% dos votos na ocasião, mas não conseguiu reverter o indeferimento de sua candidatura. O seu único adversário na ocasião, Antônio Pereira (PMDB), obteve 36% dos votos e não pôde ser empossado.


No caso de Novo Horizonte do Norte (a 663 km da Capital), disputam o cargo de prefeito João Antônio de Oliveira (PMDB) e Waldecir de Sá (PPS), já que o prefeito eleito, Agenor Evangelista da Silva (PPS), teve os votos anulados. Ao todo, 15 município de Mato Grosso tiveram problemas após a eleição. O último a ser cassado foi Júlio César Ladeia (PR), de Tangará da Serra, onde deverá ocorrer nova eleição também.



Fonte: A Gazeta (MT)

Juiz decreta a saída, mas liminar reconduz

Da Redação


Está se repetindo agora, o que o Diário do Nordeste havia mostrado no quadriênio passado. As decisões dos juízes da primeira instância da Justiça Eleitoral que estão afastando prefeitos dos cargos, por crimes eleitorais, imediatamente, por medidas liminares concedidas pelo Tribunal Regional Eleitoral, são suspensas e eles retornam aos cargos, o que está gerando inquietação na população desses municípios. É comum o jornal anunciar o afastamento hoje, e logo em seguida o retorno do prefeito, por ter conseguido uma decisão liminar suspendendo o feito da decisão do juiz eleitoral do município.


A última semana, o condenado com a perda do mandato foi o prefeito de Acaraú, Pedro Fonteles dos Santos. O presidente da Câmara Municipal do município chegou a assumir o cargo de prefeito, mas demorou pouco no cargo. Ontem, o condenado a perda do mandato foi o prefeito de Granja, Esmerino Arruda. No mesmo dia, Romeu Aldigueri, o segundo colocado na disputa municipal foi empossado no cargo.


Só agora, sete meses após o pleito eleitoral (em outubro de 2008), que começam a chegar à conclusão as ações judiciais referentes à disputa municipal. Com as sentenças condenatórias proferidas pelos juízes, fica mais evidente a quantidade de recursos e até mesmo o fato de que não têm efeito prático, as decisões dos magistrados das diversas Zonas eleitorais visto que, pouco tempo depois de afastados, seja pela cassação dos registros de candidaturas ou do próprio diploma, os gestores retomam os cargos.


O Diário do Nordeste vem mostrando, sistematicamente, como os prefeitos dos municípios cearenses, mesmo processados, condenados em primeira instância, ou com os seus afastamentos decretados continuam nos cargos, permanência que, muitas vezes perdura até a eleição seguinte, oportunidade em que aquele gestor, mesmo assim, consegue se candidatar à reeleição ou a outro cargo em disputa naquele pleito.


Permanência


No último fim de semana, o TRE divulgou mais uma lista de nove prefeitos cearenses cassados na primeira instância, em processos das eleições 2008, porém, todos, sem exceção, já retomaram os mandatos e estão respondendo ao processo por, dentre outras denúncias, por abuso de poder econômico e captação ilícita de sufrágios (compra de votos), no exercício dos mandatos.


Já foram cassados este ano, mas continuam nos cargos, os prefeitos: José Edilson da Silva - Icapuí; Alex Sandro Rodrigues Oliveira - Senador Sá; Fernando Neves Pereira da Luz - Jardim; João Dilmar da Silva - Limoeiro do Norte; Maria de Fátima Maciel Bezerra - Orós; Raimundo Nonato Guimarães Maia - Quixeré; Raimundo Gomes Sobrinho - Alcântaras; Francisco das Chagas Magalhães Mesquita - Santa Quitéria; e Pedro Fonteles dos Santos, prefeito de Acaraú.


Período anterior


Em levantamento da mesma monta, este Jornal mostrou, em fevereiro de 2007, que o problema está instalado há muito tempo. Naquela oportunidade, 11 prefeitos cearenses estavam nos seus respectivos cargos amparados por liminares e recursos outros que, na maioria dos casos, nem chegaram a ter os recursos julgados e alguns prefeitos até conseguiram se candidatar na eleição do ano passado.


Mostrou também o Diário que havia até mesmo um certo desconforto entre os juízes eleitorais das comarcas com o pleno do Tribunal Regional Eleitoral, nas eleições do ano passado. Segundo eles, no que pese aos julgamentos de registros de candidatura, as decisões da primeira instância, quase todas haviam sido reformadas, o que gerou uma sensação de descompasso entre as instâncias da Justiça Eleitoral, segundo alguns dos magistrados que mantiveram contatos com a reportagem do Diário do Nordeste, em evento organizado pelo Tribunal para capacitar os magistrados, visando o pleito eleitoral do ano passado, no final de agosto.


Inelegibilidade


A juiza Daniela Lima da Rocha, da 25ªZona desconstituiu o mandato de Esmerino Arruda e do seu vice-prefeito Hélio Fontenele Magalhães, e decretou a inelegibilidade de ambos por um período de três anos. Ela diplomou Romeu Aldigueri e ordenou que a Câmara Municipal o empossasse no cargo de prefeito, o que aconteceu na manhã de ontem.


Aldigueri, em contato com a reportagem do Diário do Nordeste, disse estar encaminhando hoje à Câmara Municipal alguns projetos para anular o que havia sido feito por Esmerino. Ele citou que estava reduzindo o número de secretários do município e garantindo um aumento de 50% para os servidores da Educação que, segundo disse, tem professor ganhando apenas R$ 325 por mês.

Fonte: Diário do Nordeste (CE

Coreia do Norte ameaça romper armistício com o Sul



Governo norte-coreano diz considerar equivalente a uma declaração de guerra a decisão da Coreia do Sul de se juntar à iniciativa liderada pelos EUA contra a proliferação de armas nucleares


Agência Estado


A Coreia do Norte disse que considera equivalente a uma declaração de guerra a decisão da Coreia do Sul de se juntar à iniciativa liderada pelos EUA contra a proliferação de armas nucleares. O regime comunista também declarou que não se vê mais vinculado ao armistício que em 1953 pôs fim à Guerra da Coreia.

A Iniciativa de Segurança contra Proliferação (PSI, na sigla em inglês), mecanismo criado em 2003 por sugestão dos EUA para a interceptação de navios suspeitos de carregar materiais ou armas de destruição em massa, recebeu na terça-feira (26) a adesão plena da Coreia do Sul, em resposta ao teste nuclear e de mísseis balísticos realizado pela Coreia do Norte nos últimos dias. A decisão de Seul é "uma declaração de guerra contra nós", diz um comunicado de uma representação militar norte-coreana em Panmunjom, na fronteira entre os dois países.

"Nossos militares não mais estarão vinculados ao acordo de armistício, já que a atual liderança dos EUA atraiu as marionetes (Coreia do Sul) para o PSI", afirma o comunicado. Como o armistício não é mais obrigatório, "a península coreana voltará ao estado de guerra", acrescenta o informe oficial.

Fonte: Gazeta do Povo

Benefício terá bônus com novo fator

Paulo Muzzolon e Anay Cury
do Agora

A nova fórmula para substituir o fator previdenciário vai beneficiar os segurados que demorarem para pedir a aposentadoria. Nesse caso, o trabalhador poderá aproveitar a regra atual, que aumenta o benefício de quem pede a aposentadoria com mais idade e tempo de contribuição.

Pela proposta, para a substituição do índice, o segurado do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) cuja soma da idade com o tempo de contribuição der 85, para
a mulher, ou 95, para o homem, terá o benefício integral.

Se a soma der, por exemplo, 96 ou 97, para o homem, o benefício não vai aumentar --continuará sendo de 100% do valor a que ele tem direito.

Na regra atual da aposentadoria por tempo de contribuição, o fator previdenciário aumenta quando o segurado contribui por mais tempo ou pede o benefício com uma idade mais avançada. Ou seja, em alguns casos, o segurado pode até conseguir uma aposentadoria maior que 100% do valor do salário de benefício (usado no cálculo dos benefícios previdenciários).

Quem vai ganhar mais
De acordo com o texto em elaboração pelo deputado Pepe Vargas (PT-RS), o segurado poderá ter o fator positivo, ou seja, conseguirá receber mais de 100%, se alcançar as mesmas condições em vigor atualmente. Isso ocorre, por exemplo, com um homem que se aposenta com 64 anos de idade e 40 de contribuição.

No exemplo, sua aposentadoria seria de 119,53%. Assim, se seu salário de benefício --que é a média das 80% maiores contribuições feitas desde julho de 1994-- fosse de R$ 1.000, o segurado passaria a receber R$ 1.195,30.

Quem começou a trabalhar aos 15 anos e quiser se aposentar aos 70 anos poderá dobrar o valor do benefício.

"Se não quiser se aposentar e quiser continuar [trabalhando], e tiver uma idade já mais avançada e um tempo de contribuição mais expressivo, ele [o segurado] passa a ter fator positivo", informou o deputado Pepe Vargas, em entrevista ao Agora.

O projeto inicial que prevê o fim do fator previdenciário, do senador Paulo Paim (PT-RS), já foi aprovado no Senado. Como o governo é contra o fim do fator, o deputado Vargas pretende construir uma substituição ao índice que possa ser aprovada pelo Planalto.

O substitutivo de Vargas, que deverá ser apresentado à Câmara na próxima semana, mantém a contribuição mínima de 30 anos, para a mulher, e 35 anos, para o homem, na concessão do benefício por tempo de contribuição.

Há um pedido de urgência na Câmara para que o projeto seja votado em plenário. Se for aprovado, poderá ser votado com mais rapidez.

Caso contrário, o projeto do deputado ainda deverá ser analisado pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça.
Fonte: Agora

Servidores do INSS podem parar com jornada maior

Luciana Lazarini
do Agora

A partir de 1º de junho, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) vai aumentar a jornada dos funcionários, que terão a carga de trabalho elevada de 30 horas para 40 horas semanais. Quem não aderir à nova jornada terá o salário reduzido.

Já os servidores que trabalharem mais terão o salário atual mantido. O Sinsprev (Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência de SP) quer entrar em greve a partir do dia 16 de junho, em protesto contra a redução de salários. Para o Sinsprev, o corte na remuneração para quem mantiver as 30 horas semanais será de R$ 377,50 a R$ 617,18.

Segundo o Sinsprev, o INSS tem cerca de 8.000 profissionais no Estado. "O governo deixa de reconhecer o legítimo direito adquirido de seis horas diárias da categoria. Em vez de contratar novos funcionários para ampliar o número de agências, redistribui a mão de obra atual", diz a diretora de imprensa do Sinsprev, Roseli Queiroz.

O INSS não comentou as declarações. As mudanças não devem afetar o horário de atendimento. Segundo determinação do INSS, de ontem, os postos terão de atender ao público por dez horas ininterruptas. Em São Paulo, isso já ocorre --as agências atendem das 7h às 17h ou das 9h às 18h.

O posto que não tiver recursos suficientes poderá pedir para funcionar em horário especial, desde que atenda pelo menos seis horas diárias.
Fonte: Agora

Na aula de Obama, História e sabedoria

Elio Gaspari

O companheiro Obama fez mais uma daquelas que deixam as pessoas felizes por vê-lo na presidência dos Estados Unidos. No dia da homenagem aos americanos que morreram nas guerras de seu país, mandou colocar uma coroa de flores no monumento aos negros combatentes da Guerra Civil, uma briga na qual morreram 620 mil soldados.

Parece coisa pouca, até demagogia, mas o gesto indica, mais uma vez, que sua presidência, quando provocada, mexe com as raízes da sociedade americana levando-a a olhar de maneira diferente para si própria. Obama transformou uma provocação de George Bush em aula.

A cerimônia do Memorial Day, durante a qual o presidente dos Estados Unidos sobe a colina do cemitério Nacional de Arlington para colocar flores no túmulo do Soldado Desconhecido, escondia uma manipulação mesquinha da História.

No século XIX a fazenda de Arlington pertencia à mulher do general Robert Lee, comandante das tropas rebeldes do Sul. Depois da Guerra Civil ela foi confiscada e, em 1864, tornou-se um cemitério para receber os despojos dos soldados da União. Enterraram os mortos do Norte na fazenda do comandante das tropas do Sul. Mais: abriram espaço para um enorme assentamento de escravos fugidos e libertos.

Em 1900, quando o andar de cima estava reconciliado e no de baixo roncava a segregação racial, Arlington deu sepultura a todos os mortos da Guerra Civil, sem distinção de causa. Mais tarde o presidente Woodrow Wilson inaugurou no cemitério um monumento aos soldados do Sul e surgiu o costume de a Casa Branca mandar colocar uma coroa de flores ao pé da estátua no dia 3 de junho, aniversário do nascimento de Jefferson Davis, o presidente confederado. Em 1990 George Bush pai encerrou essa prática, mas o filho restabeleceu a homenagem e pisou no acelerador, transferindo-a para o Memorial Day.

O companheiro Obama herdou a provocação, típica do radicalismo de seu antecessor. Houve uma guerra civil e a facção escravocrata capitulou; criou-se uma celebração do reencontro e Bush recriou a homenagem aos sediciosos. Um longo documento assinado de 60 professores pediu ao companheiro que suspendesse a homenagem aos confederados. Na lista vinha James MacPherson, notável historiador da guerra.

Se Obama não mandasse a coroa poderia ser acusado de reabrir feridas centenárias. (Nunca é demais lembrar que, segundo um diretor da Ku Klux Klan, o companheiro não é negro.) Se mandasse, cairia na tipologia racista do “negro de alma branca”. Xeque ao rei.

Sua solução foi maior que o problema. Criou uma nova tradição e mandou flores também para o monumento aos duzentos mil soldados negros que lutaram na Guerra Civil. Ao contrário da celebração dos derrotados, que fica em Arlington, a dos vencedores foi colocada num bairro predominantemente negro de Washington. George Bush conseguiu o que nunca imaginou: homenagear a tropa dos “soldados de cor” no Memorial Day.

Até 1948 os combatentes negros eram enterrados no cemitério de Arlington em dois lotes segregados. Hoje, quem vai a esse comovente pedaço de mundo para visitar o point turístico da sepultura de John Kennedy passa pelo túmulo do general Daniel James, piloto do esquadrão de negros que combateu na Segunda Guerra. Em janeiro, os sobreviventes dessa tropa foram colocados num lugar de honra na posse de Barack Obama.


Elio Gaspari é jornalista.

Fonte: Gazeta do Povo

Xixi no banho é um tiro no pé

Efraim Rodrigues

Há alguns dias, a pergunta de uma repórter pegou-me totalmente desprevenido.

– Qual a sua opinião sobre a campanha do ONG SOS Mata Atlântica para que as pessoas façam xixi no banho e economizem água do vaso sanitário?

Escrevo, aqui, justamente sobre o que passou pela minha cabeça nos poucos segundos disponíveis. De cara me veio o óbvio: crise da água e cidadãos alienados. Cada descarga gasta doze litros de água. O Brasil tem quase 200 milhões de habitantes. Não havia tempo para fazer a conta, mas deve ser muita água. Eu próprio pratico isso, mas quantas pessoas querem fazer xixi justamente durante o banho? Lembrei de um ambientalista que me apontou o jardim quando perguntei onde ficava o banheiro.

– Só se o assunto não for sério – disse-me, mostrando os limites de seu comprometimento ambiental.

O desperdício de água nas residências afronta a ética ambiental, mas não é onde mora o perigo. A agricultura consome 32% da água do mundo e as cidades 6%. Você economiza muito mais água comprando alimentos de época (que não precisam de irrigação) do que fechando a torneira enquanto escova o dente. É ainda melhor se fizer ambos.

Nosso problema com a água não é de falta. É de excesso. A América Latina tem 28% da água doce do planeta e somente 6% da população. Esta bonança nos faz usar a solução primitiva de usar água limpa para diluir cocô. Dados divulgados recentemente pelo Instituto Trata Brasil mostram que lançamos 5,4 bilhões de litros de esgoto por dia em nossos rios: 85% do xixi que o país faz, seja no banho ou no vaso, são lançados in natura.

A campanha da ONG enfoca uma questão válida, mas menor. Trataria com respeito um aluno que dissesse isso em uma sala de aula, mas mesmo ali tentaria conduzir seu entusiasmo para causas mais relevantes.

A SOS Mata Atlântica é uma organização de abrangência e respeito nacionais que está usando seu prestígio para falar de algo pequeno, deixando o importante de lado. Será que além de já termos uma mídia que evita falar mal de seu principal anunciante (o governo), também agora as ONGs não colocarão o dedo na ferida para evitar magoar suas fontes governamentais de recursos?

A única força das ONGs é serem um poder paralelo, eficiente e próximo ao cidadão. Se não cumprirem esse papel, estão fazendo xixi no próprio pé.

Efraim Rodrigues é professor de Recursos Naturais da UEL e consultor de um programa de conservação da FAO/ONU.


Fonte: Gazeta do Povo

O PT na bandeja

Dora Kramer

Menospreza a experiência do PMDB no ramo quem acredita que o partido pretenda, na CPI da Petrobras, criar dificuldades para vender facilidades ao governo ao custo de uma diretoria na empresa.

Os dirigentes peemedebistas tergiversam, mas não mentem quando dizem que em matéria de cargos estão satisfeitos com seus seis ministérios, presidências e diretorias de estatais importantes, mais influência e presença “capilar” na estrutura federal Brasil afora.

Jogador profissional, o PMDB sabe a hora de parar. Consegue com rara precisão detectar a mudança do nome do jogo a fim de alterar a forma de jogar. Seria tosco reivindicar a diretoria de Exploração e Produção justamente quando é criada a CPI, talvez o momento em que a Petrobras esteja mais imune às investidas dos fisiologistas.

Como o PMDB não desperdiça munição com batalha perdida, evidentemente não põe a faca no pescoço do governo para obter a diretoria de “furar poço”. Não porque despreze a iguaria, mas porque sabe da inutilidade do pleito, que, no entanto, tem lá sua serventia.

Serve para o governo fazer pose de altivo negando o que não lhe é pedido, e serve também para atrair as atenções enquanto o partido negocia discretamente o objeto de seu real interesse: a escalação do PT para o papel de mero coadjuvante no maior número possível de estados em 2010.

A mercadoria não apenas é mais valiosa, como muito mais difícil de ser entregue pelo presidente Luiz Inácio da Silva que uma diretoria de estatal, mesmo se tratando da Petrobras. Sobre a empresa, o presidente tem ingerência absoluta. Para trocar um diretor, é só querer. A justificativa se ajeita, como se viu na troca do presidente do Banco do Brasil.

Agora, obrigar um partido a abrir mão de disputar eleições em que estarão em jogo por estado o cargo de governador, duas vagas no Senado, representação nas assembleias legislativas e a bancada federal na Câmara dos Deputados, são outros quinhentos a serem muito bem medidos e pesados.

Entre vários outros motivos porque, se perder a Presidência da República, o PT vai precisar ser forte nos estados e no Congresso. Nesse quadro de necessidades Lula está incluído: quando deixar a Presidência, vai precisar de um partido de peso para fazer política.

Essa história de que “Lula é maior do que o PT” e que pode deixar o partido de lado vale enquanto ele é a figura central da República, com presença garantida no noticiário por força do cargo. Quando deixar de ser, volta a depender da estrutura partidária, ainda que na condição de comandante em chefe com poderes absolutos.

Se o plano é mesmo tentar voltar ao poder em 2014, por mais razão Lula terá de contar com uma legenda influente. Para isso, é essencial a eleição de governadores, senadores, deputados estaduais e federais.

Aniquilado o PT, Lula fica politicamente manco. Daí o dilema: se entrega o patrimônio ao PMDB, fica sem capital de giro para sobreviver na planície. Se não entrega, põe em risco a sobrevivência no Planalto.

O PMDB sabe muito bem como funcionam as coisas, pois vive delas há um bom tempo. Para ser um parceiro profissional valioso de qualquer governo, precisa se manter grande e forte. Principalmente no Congresso.

Não há outro meio de os partidos crescerem e se fortalecerem a não ser disputando eleições. Quem não disputa míngua. O PMDB escolhe não concorrer à Presidência. Prefere conquistar governos, prefeituras, grandes bancadas e, assim, assegurar lugar privilegiado no banco dos caronas federais.

Como supõe que Lula será um cabo eleitoral indispensável em 2010 – tendo ou não candidatura competitiva a presidente –, o PMDB quer o máximo de exclusividade possível sobre ele nas eleições estaduais. Para isso, o PT tem necessariamente de ficar em segundo plano.

Um exemplo: no Rio de Janeiro, Sérgio Cabral vai concorrer à reeleição e insiste em dar ao PT uma vaga para o Senado na coalizão, mas os petistas puxam a corda para o lado oposto e resistem à entrega do palanque de Lula para o PMDB do seu Cabral.

E aí se instala o grande enrosco, pois, a despeito dos sinais trocados, PT e PMDB querem desfrutar do mesmo bom-bocado.

Descompasso

O Brasil acumulou uma série de derrotas em escolhas de representantes para organismos internacionais, sempre sustentando candidaturas de brasileiros. Se não retirar o apoio ao ministro da Cultura do Egito, Farouk Hosny, à diretoria-geral da Unesco, se arrisca a incluir mais um fracasso na coleção, desta vez por ignorar candidaturas de dois brasileiros: o atual diretor adjunto da entidade, Márcio Barbosa, e o senador Cristovam Buarque.

É um caso raro de 100% no erro de cálculo. Algo nunca visto na história do Itamaraty. Com a agravante de que a política externa foi a única área em que o governo Lula inovou em relação aos antecessores e trabalhou com ideias próprias.

Fonte: Gazeta do Povo

A Justiça e o homem da esquina

Por Mauro Santayana

Ao anunciar, ontem, a escolha da juíza de origem porto-riquenha Sonia Sottomayor, para a Suprema Corte, o presidente Obama citou o célebre juiz Oliver Wendell Holmes, com a frase marcante: “The life of the law has not been logic, it has been experience”. O postulado de Holmes é anterior à sua nomeação para a Suprema Corte, que se deu em 1902. Encontra-se no trecho axial de seu livro, The common law, publicado em 1881, quando ele tinha apenas 40 anos, mas já era professor de direito. Holmes completa seu pensamento, dizendo que a lei incorpora a história do desenvolvimento de uma nação durante vários séculos, e ela não pode ser tratada como se contivesse somente os axiomas ou as conclusões de um livro de matemática. Com esse entendimento, é natural que Holmes, durante os 30 anos em que atuou na Suprema Corte, tenha sido conhecido como O Grande Dissidente, em um tribunal de maioria formalista e conservadora.

A indicação da juíza Sottomayor começou a provocar, tão logo anunciada, uma discussão democrática nos Estados Unidos. Porta-vozes conservadores a contestam, alegando que ela é uma “ativista”. Ativistas, no entanto, costumam ser os juízes da Suprema Corte. Exemplo desse ativismo foi a decisão, pela maioria de um voto em favor de Bush contra Gore, na fraudulenta votação na Flórida. Esse voto, contra a História, levou ao desastre econômico e político da grande nação, com a violação dos direitos do homem.

Sem referir-se diretamente à carreira singular da juíza – órfã de pai aos 9 anos, que viveu em uma habitação popular do Bronx, criada pela mãe viúva com grande dificuldade – Obama disse ser importante que um juiz conheça como é o mundo e como o povo comum vive. Enfim, com outras palavras, é importante que o juiz ouça o clamor das ruas e entenda o sofrimento do “sujeito da esquina”. O problema essencial da Justiça é o de sua definição. Há casos em que a lei não serve à Justiça. É conhecida a preocupação do grande teórico da Revolução Francesa, o abade Sieyés, em seu Ensaios sobre os privilégios, quando ele diz que a lei – a lei de então, contra a qual se levantavam os sans-culotte – em lugar de promover a Justiça, condenando os privilégios, era deles cúmplice. A lei era, portanto, injusta, como injustas continuam a ser inúmeras leis.

Desse debate participa Joaquim Falcão, com artigo publicado domingo pela Folha de S.Paulo (Empatias e consequencialismos), sobre o que se passa em nosso STF. Falcão citou Obama que, dias antes de escolher a substituta do juiz Souter, e coerente com o juiz Holmes, ponderou que “a decisão judicial não é apenas uma questão de teorias jurídicas abstratas e de notas de rodapé em manuais de direito. Ela tem a ver com as consequências práticas para o cotidiano do povo”.

Ainda agora estamos diante de uma situação que faz excitar a discussão. O juiz Ali Mazloum denunciou o delegado Protógenes Queiroz à Justiça, pela sua conduta nas investigações da Operação Santiagraha. Excluindo-se o fato de que o mesmo juiz foi objeto de investigações da famosa Operação Anaconda – que levou à cadeia o juiz Rocha Mattos – estamos diante de uma situação em que a sentença (ainda que de primeira instância) está em notório desacordo com a opinião das ruas. O juiz se estribou, conforme o noticiário, em regras e normas da Polícia Federal.

O delegado Protógenes talvez tenha cometido faltas disciplinares, puníveis conforme as regras de sua corporação. Essa é uma questão interna da Polícia Federal. Mas é difícil entender por que a Agência Brasileira de Inteligência não pode colaborar com outros órgãos, como é o caso da Polícia Federal, em investigações de interesse nacional. É de evidente interesse nacional a investigação das operações do banqueiro Daniel Dantas, em que há suspeitas de evasão de divisas, de interceptação ilegal de conversas telefônicas e de suborno de autoridades.

Os cidadãos têm acompanhado com atenção o desenrolar desse processo, com a desconfiança de que tudo o que se faz, faz-se em favor dos poderosos. O sentimento nacional, que pode ser aferido nas manifestações livres da grande praça pública que é a internet, é o de que o Poder Judiciário decide em favor dos opressores, enquanto desdenha os oprimidos. Nunca a percepção de que temos uma Justiça de classe foi tão nítida quanto hoje.

Fonte: JB Online

Derrota na OMC gera críticas entre ministros do Supremo

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Derrota na OMC gera críticas entre ministros do Supremo


Portal Terra


SÃO PAULO - Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmaram na terça-feira que o governo errou ao indicar a ministra Ellen Gracie Northfleet a uma cadeira no órgão de apelação da Organização Mundial do Comércio (OMC). A informação é do jornal O Estado de S. Paulo. Ellen Gracie perdeu a vaga para o mexicano Ricardo Ramirez, ex-conselheiro do ministro da Economia do México.

De acordo com o jornal, alguns ministros consideram que o governo foi o grande perdedor com o fracasso da iniciativa. Eles acreditam que o Planalto tenha investido na campanha em favor de Ellen Gracie com o objetivo de abrir sua vaga na Corte para mais uma indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em seus dois mandatos, Lula já indicou 7 dos atuais 11 ministros do tribunal.

Na terça-feira, a ministra voltou a participar das sessões de julgamento no STF. Membros da cúpula da OMC, com sede em Genebra, garantiram que a decisão de rejeitar a candidatura de Ellen Gracie não foi política e afirmaram que ela nao cumpria um dos requisitos para o posto - o conhecimento de acordos comerciais que são base dos julgamentos.

Fonte: JB Online

Deputados buscam partido para se acomodar

A sucessão estadual ganha novos contornos a cada dia. Além dos encontros regionais iniciados pelo PMDB, que sinalizam uma candidatura própria do partido, existem ainda outras movimentações importantes, o que deixa as discussões do processo eleitoral de 2010 completamente abertas. A movimentação do grupo de deputados governistas para acomodação em outra legenda tem sido o fato mais interessante. E mais interessante ainda é saber que os passos são dados em consonância com o conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Otto Alencar, que pode ser um dos candidatos ao Senado na chapa do governador Jaques Wagner (PT). Liderados pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PSDB), o grupo, contudo, tem encontrado dificuldades para se abrigar num único partido, a ponto de já admitir a criação de uma nova legenda. A movimentação está sintonizada com o Palácio de Ondina, que busca fortalecer a reeleição de Wagner e encontrar um nome alternativo para disputar o Senado na vaga que estaria reservada
para o ministro Geddel Vieira Lima, principal nome do PMDB para disputar o governo do estado e cada vez mais distante da chapa governista. Além de Marcelo Nilo, o grupo conta ainda com os deputados estaduais João Bonfim (sem partido), Pedro Alcântara, Gilberto Brito, Ivo de Assis e Ângelo Coronel (PR), Emério Resedá (PSDB), os federais José Carlos Araújo, Tonha Magalhães e Maurício Trindade, todos do PR. A filiação do grupo de deputados a outro partido tem esbarrado na necessidade do seu controle, justamente para que não haja surpresas mais adiante. Do mesmo modo, a falta de opções também se caracteriza em razão do medo que os atuais dirigentes têm em perder o controle que mantêm sobre as suas legendas. Assim foi em relação à resposta do presidente nacional do PTB, o deputado federal cassado Roberto Jefferson, que negou a entrada do grupo por não concordar em tirar o comando da legenda das mãos do ex-deputado Benito Gama (atual diretor da Sudene) e de Jonival Lucas. (EM)

Fonte: Tribuna da Bahia

Prefeito de Coribe pode perder o mandato

O prefeito de Coribe José Alves Ferreira sofreu a primeira derrota na Justiça Eleitoral. Nino, como é mais conhecido, vinha dizendo “aos quatro cantos” que a audiência jamais seria realizada e que nada aconteceria a ele por ter proteção política, segundo seus adversários. Na prática o que se viu não foi isso. A Justiça realizou a audiência no Forum de Santa Maria da Vitória visando evitar tumulto em Coribe.Nas duas audiências, realizadas nos dias 12 e 13 de maio, presidida pelo Juiz Gustavo Machado e acompanhada pela promotora pública Estela Athanázio , as testemunhas confirmaram que no dia da eleição Coribe amanheceu cobertas de camisas do partido de Nino (PR) ,inclusive com o número 22 , o que configura crime eleitoral. Além disso testemunhas disseram que, para vestir as camisetas, diversas pessoas receberam dinheiro. Alguns teriam recebido 40 reais, outros 50 e teve gente que chegou a receber até 100 reais. Uma das testemunhas , Manoel Rodrigues Neto , afirmou ter visto mais de mil pessoas vestindo a camisa da coligação de Nino e, disse ainda, na audiência, conhecer uma pessoa que mudou o voto por ter recebido uma camisa e 40 reais dado por Nino. Gilvandro Soares disse que foi chamado à Colônia do Formoso e lá viu um monte de dinheiro em cima de uma mesa e que lhe foi oferecido 30 reais para que ele vestisse a camisa do partido de Nino.

Fonte: Tribuna da Bahia

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