quinta-feira, novembro 05, 2026

Saída de Flávio Bolsonaro é fuga para 49% e exílio para 47%, diz pesquisa

 

Saída de Flávio Bolsonaro é fuga para 49% e exílio para 47%, diz pesquisa

Por Mônica Bergamo/Folhapress

05/11/2026 às 09:39

Foto: Charles Vieira/Arquivo/Divulgação

Imagem de Saída de Flávio Bolsonaro é fuga para 49% e exílio para 47%, diz pesquisa

Flávio Bolsonaro

A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil é interpretada como fuga para evitar a prisão por 49,2% dos eleitores entrevistados em uma pesquisa realizada na semana passada pelo Labop FESPSP (Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo). Outros 47% responderam que o senador e candidato derrotado na eleição presidencial teve de deixar o país por perseguição.

Essa divisão acompanha o voto no segundo turno: 98% dos eleitores de Lula (PT) dizem que Flávio fugiu, enquanto 95% dos que votaram em Flávio apontam como motivo exílio e perseguição. Entre os entrevistados classificados como de esquerda não lulista, 99% veem fuga. Na direita não bolsonarista, 95% adotam a versão de perseguição.

Para o cientista político Jairo Pimentel, coordenador da pesquisa, a análise dos dados mostra que "não há propriamente uma disputa sobre os fatos".

"Há duas leituras do mesmo fato, determinadas pela identidade política", diz. Ele acrescenta que o estudo sugere que o voto passou a "funcionar como uma espécie de filtro para interpretar a realidade".

A pesquisa foi realizada entre 27 e 29 de outubro, dois dias após o segundo turno e quando foi confirmada a informação de que Flávio foi com a família para os Estados Unidos. Foram ouvidos 1.926 eleitores que votaram no segundo turno, por meio de questionário online autoaplicado, divulgado em anúncios no Facebook e no Instagram. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Entre os entrevistados que se declaram independentes politicamente, 47,3% afirmam considerar que houve fuga e 42,8% apontaram perseguição. Outros 9,9% disseram que não têm opinião formada.

Segundo o professor Beto Vasques, coordenador do Labop, a pesquisa reforça o conceito de que estamos "vivenciando a época da ‘pós-mentira’". "O mais relevante para o processo de tomada de decisão já não é o grau de veracidade ou de evidências de um determinado fato, mas a possibilidade desta decisão ratificar o viés de confirmação prévio do indivíduo", diz ele.

A partir de fevereiro, quando termina seu mandato, Flávio enfrentará dois inquéritos criminais sem foro especial.

O primeiro trata do pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, sob a justificativa de financiar o filme "Dark Horse", sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Assim como Vorcaro, o senador é investigado sob suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele negou qualquer irregularidade em relação ao caso e disse que o filme só tem recursos privados.

Outra investigação trata das relações de Flávio com o advogado Willer Tomaz, amigo do candidato derrotado. É apurada suspeita de lavagem de dinheiro.

À Folha, a campanha do senador disse anteriormente que a relação dele com Willer é exclusivamente de amizade.

No domingo (25), após o fim do segundo turno, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que a Polícia Federal cancelasse os passaportes brasileiros do senador e que ele entregasse qualquer passaporte estrangeiro, o que ele não fez.

Não havia ordem de prisão ou medida semelhante contra o senador, e a PF não o monitorava quando ele deixou sua residência em Brasília.

Politica Livre

Em destaque

Novo ‘imposto do pecado’ começa a partir de fevereiro

Imposto do pecado' A Medida Provisória 1.399/2026, publicada pelo governo federal na última quarta-feira, traz as alíquotas e normas com...

Mais visitadas