Metade das prefeituras paulistas que contrataram o Iter receberam emendas parlamentares de seu aliado Cezinha de Madureira, investigado no STF
Breno Pires, de Brasília 27 Out 2026
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Em novembro de 2023, quando contabilizava quase dois anos como ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça e sua esposa, Janey, lançaram um instituto próprio: o Iter, que oferece cursos livres, programas de treinamento e MBAs em áreas como segurança, gestão pública, advocacia e compliance. São temas na medida para despertar interesse de prefeituras, governos e órgãos públicos - e, assim, o ministro “terrivelmente evangélico” que chegou à corte por indicação de Jair Bolsonaro passou a ter órgãos públicos como clientes.
Em pouco tempo, o Iter se tornou um sucesso, com dezenas de contratos em todo o Brasil. Tempos depois, se tornou assunto quando Mendonça foi sorteado o relator do caso do Banco Master no STF. Logo intersecções entre a entidade educacional privada e o banqueiro Daniel Vorcaro apareceram, por meio do empresário Lucas Kallas, ex-sócio de Vorcaro (leia a reportagem O esgrimista).
São bons assuntos para as aulas de compliance dos cursos do instituto, mas há outros também bastante úteis dentro do próprio Iter: os contratos com prefeituras paulistas. Um levantamento da piauí mostra uma coincidência intrigante: dos 61 municípios paulistas que contrataram os serviços do Iter, trinta foram beneficiados com emendas orçamentárias enviadas especificamente por um mesmo deputado federal: Cezinha de Madureira (PL-SP). Além de ser um dos políticos mais próximos de Mendonça em Brasília, Cezinha tem participação no negócio: ele despendeu 19.353 reais como um “sinal” para a compra futura de 4% do instituto.
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