
Gilmar Mendes dá indireta a Nunes Marques
Sarah Teófilo
O Globo
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes usou a rede social X para publicar uma indireta ao colega de Corte, o ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Gilmar afirmou que espera-se uma postura de “árbitro” do presidente do TSE e ressaltou que quem assegurou uma eleição dentro das regras foi o colegiado da Corte.
“Foi o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral que assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras do jogo democrático. (…) De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe”, escreveu.
SILÊNCIOS E HESITAÇÕES – O ministro ainda afirmou que “na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros”. “Podem abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a suprir, pelas vias próprias, o que poderia ter sido resolvido desde a origem e servir de pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral íntegro e confiável. Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel. A solidez do processo eleitoral, contudo, não pode depender apenas da força do colegiado”, disse.
A postura de Nunes Marques como presidente do TSE foi criticada por colegas das duas Cortes. Entre os episódios citados, está a tentativa de derrubar o canal de WhatsApp “Exército de Lula”, que alcançou mais de 10 milhões de seguidores. O corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva suspendeu preliminarmente a ordem de Nunes Marques e depois o ministro Floriano de Azevedo Marques decidiu que o canal não poderia ser suspenso por decisão administrativa.
QUEIXAS – Também houve queixas por ele não ter tomado um posição diante dos relatos de falta de ônibus em cidades do Nordeste, reduto eleitoral de Lula, o que levou o ministro Cristiano Zanin, do STF, a decidir estender a votação em todo o país por mais duas horas.
A decisão ocorreu quando as urnas em alguns locais já haviam sido lacradas. No fim, apenas 35 mil votos foram registrados após às 17h, mas a ação foi o suficiente para fomentar críticas e teorias de fraude eleitoral por parte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi candidato à Presidência, e seus aliados.