sexta-feira, novembro 06, 2026

Flávio tem contas a prestar à justiça brasileira

 

Flávio tem contas a prestar à justiça brasileira


Quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente, em 2018, a Pública anunciou que, pelos quatro anos seguintes, se dedicaria a investigar o governo Bolsonaro e as consequências que ações do governo teriam na vida dos brasileiros. Chegamos a ser questionadas por isso: “mas por que investigar o governo Bolsonaro?”.


A Agência Pública tem como princípio a defesa intransigente dos direitos humanos. Nosso jornalismo não poderia normalizar um presidente que ataca sistematicamente o que temos como princípio. 

Um dos assuntos que começamos a acompanhar logo no início de 2019 foi a articulação da extrema direita brasileira com a de outros países. Começou com uma afinidade entre Jair Bolsonaro e Donald Trump. Depois, nossas investigações mostraram que o comportamento e até o vocabulário de bolsonaristas nas redes eram importados. Em muitas reportagens, apontamos as relações, a articulação e os encontros entre bolsonaristas e trumpistas.


Termos mergulhado nesse tema — que não foi o único que cobrimos, porque, como vocês sabem, o governo Bolsonaro cometeu muitas violações de direitos humanos —, nos colocou muitos passos à frente do restante da imprensa quando, no ano passado, Donald Trump classificou como “caça às bruxas” os processos contra Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e impôs o tarifaço a produtos brasileiros.


A gente sabia de onde tinha vindo aquilo. Não foi uma ligação, uma decisão impulsiva. Foram anos de organização e articulação.


Flávio perdeu as eleições e fugiu para os Estados Unidos. Sabemos que faz parte do roteiro da extrema direita, após uma derrota, acusar fraude, perseguição e fazer ameaças golpistas. Flávio Bolsonaro foi fazer isso nos Estados Unidos, junto a seu irmão Eduardo e aliados brasileiros, como Paulo Figueiredo, Allan dos Santos e Alexandre Ramagem. É possível que tenha também contado com o apoio de figuras da extrema direita dos Estados Unidos e da Argentina.


A extrema direita também perdeu as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Donald Trump levou um caldo da onda azul Democrata e saiu enfraquecido. Os Bolsonaros perderam aqui e lá. Em entrevista ao repórter Dyepeson Martins, o brasileiro recém-eleito congressista na Flórida, Felipe Sousa-Lazaballet, disse: “Pra mim não faz sentido nenhum que os Estados Unidos estejam aceitando uma pessoa que está literalmente fugindo da Justiça no Brasil e, enquanto isso, está deportando uma empregada doméstica.”


Investigado no STF por suspeitas de irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse” e por possível lavagem de dinheiro em caso que envolve o advogado Willer Tomaz, Flávio Bolsonaro tem contas a prestar à justiça brasileira. 


Além de reportar os fatos, o jornalismo documenta processos históricos. Essas duas funções do jornalismo contribuem muito para que a justiça seja feita. Ainda há muito a descobrir sobre o Flávio Bolsonaro fez por aí antes de ser candidato à presidência. Ainda há muito a descobrir, inclusive, sobre sua fuga para os Estados Unidos. 


Esse assunto já está desaparecendo das páginas dos principais jornais e portais. Não podemos deixar isso acontecer.

A Pública quer muito investigar os próximos passos do bolsonarismo, que, apesar da derrota, ainda ameaça nossa democracia. Precisamos da sua ajuda para isso. Temos o desafio de arrecadar R$ 30 mil até o dia 15 de novembro. Por enquanto, atingimos só um terço da meta. Faltam poucos dias.

Apoie da forma que couber no seu bolso:

  1. Pix de doação única (qualquer valor): contato@apublica.org

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Posso contar com você?



Um abraço,


Marina Dias

Diretora de Comunicação e Impacto da Agência Pública

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