Dois dias de voos = R$ 165 mil do fundo partidário
Os documentos de fretamento indicam que o PL contratou a aeronave ligada a Aguilera entre 24 e 25 de agosto de 2024 para um trajeto envolvendo Jundiaí, SP, Belo Horizonte, MG, e São José dos Campos, SP. O valor pago pelo serviço ultrapassou R$ 165 mil.
No voo, estavam Nikolas Ferreira, o secretário parlamentar Andre Dumont Lacerda e Pedro Henrique Gonçalves. A aeronave utilizada nesses deslocamentos é um Learjet modelo 31A, fabricado em 1999 e com capacidade para até oito passageiros, segundo dados do Registro Aeronáutico Brasileiro da Anac.
A aeronave vinculada ao empresário investigado foi, inclusive, alvo de uma medida judicial posterior à viagem de Nikolas. Em outubro de 2025, um ofício da Anac encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, o STF, confirmou o cumprimento de ordem judicial de bloqueio e indisponibilidade da aeronave de prefixo PR-MKB. O documento da Anac não aponta o motivo desse bloqueio.
Caso tramita em segredo de justiça
Depois de tramitar inicialmente na Justiça de Franca, no interior de São Paulo, a defesa de Aguilera argumentou que os fatos descritos na denúncia estariam ligados a empresas sediadas majoritariamente na capital paulista e, portanto, deveriam ser julgados pelo Foro Central Criminal de São Paulo.
Com base nessa discussão processual, o caso foi encaminhado para a Justiça da capital. O processo segue em andamento e permanece aberto, mas tramita em segredo de justiça, o que impede o acesso público aos detalhes mais recentes da investigação e às decisões judiciais posteriores.
Procuramos o empresário Nelson Ramon Aguilera Júnior, o PL e o gabinete do deputado Nikolas Ferreira. A Aguilera, perguntamos sobre sua relação com a aeronave PR-MKB, a parceria com a empresa AllJet e esclarecimentos sobre os dois processos criminais em que é investigado. Ao PL, questionamos o uso de recursos do fundo partidário para fretar a aeronave e quais mecanismos o partido adota na contratação de voos privados.
Em resposta, o advogado de Aguilera, Ivan Cunha de Sousa, afirmou que a aeronave mencionada está sob gestão da AllJet Táxi Aéreo e que eventuais questionamentos sobre os voos deveriam ser direcionados à empresa. O advogado acrescentou ainda que os processos judiciais citados na reportagem tramitam em segredo de Justiça.
Já o gabinete de Nikolas enviou uma resposta afirmando que o PL contratou o serviço de táxi aéreo da AllJet e que, segundo registros da Receita Federal, Aguilera não integra o quadro societário dessa empresa. A assessoria de imprensa não respondeu, no entanto, às perguntas sobre se o deputado sabia que ele era o proprietário da aeronave utilizada no voo operado pela AllJet nem se sua equipe verifica a titularidade de aviões usados em agendas políticas.
A AllJet confirmou que operou, nos dias 24 e 25 de agosto de 2024, o voo em que esteve Nikolas e sua asessoria. Segundo a empresa, o avião de Aguilera integrou suas atividades de fretamento e segue um modelo comum na aviação executiva, em que aeronaves pertencentes a terceiros são operadas comercialmente por empresas de táxi aéreo mediante contratos firmados com os proprietários e registrados na Anac.
Até a publicação desta reportagem, o Partido Liberal não havia se manifestado.