Gleisi ironiza interesse de Valdemar, do PL, em CPI do Master: 'investigar Nikolas?'
Deputado mineiro viajou em jato do dono do Banco envolvido em fraudes
Por Mariana Brasil/Folhapress
05/03/2026 às 20:50
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, ironizou o interesse do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de que haja uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) específica para investigar as fraudes do Banco Master, apontando a ligação de nomes do partido com o caso, como Nikolas Ferreira (PL-MG).
O deputado viajou em um jatinho do dono do banco Master, Daniel Vorcaro, preso após a revelação das fraudes. A ministra da articulação política também cita envolvimento de Ibaneis Rocha (MDB), governador do Distrito Federal, que teria se encontrado com Vorcaro quando o BRB (Banco Regional de Brasília) negociava a compra da instituição. Segundo o banqueiro, a conversa visava combinar "uma estratégia de guerra".
"O que será mesmo que o bolsonarista Valdemar do PL quer investigar sobre o Master numa CPI? A corrupção de dirigentes do BC nomeados por Bolsonaro nas mutretas de Vorcaro? A responsabilidade do governador bolsonarista Ibaneis na compra de papéis podres do Master pelo BRB? O uso não declarado ao TSE do avião de Vorcaro para o deputado Nikolas fazer campanha para Bolsonaro no segundo turno de 2022?", escreveu ela no X (antigo Twitter).
O escândalo do Master passou a ser apurado na CPI do Crime Organizado, do Senado, o que gerou questionamentos entre os parlamentares. A comissão foi criada com uma delimitação vaga para o objeto de investigação. Por isso, tem sido possível para o colegiado entrar no caso.
O plano da CPI, a princípio, era convocar os ministros do STF –ou seja, obrigá-los a depor. No entanto, o governo articulou para que o requerimento fosse alterado para convite, modalidade em que a presença é facultativa.
As convocações e quebras de sigilo desagradaram ao governo. Os convites para ministros do Supremo e o excesso de temas incluídos na investigação são os aspectos mais criticados por aliados do presidente Lula (PT).