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"A corrupção no Judiciário e o caso dos magistrados aposentados pelo Conselho Nacional de Justiça (2008-2017)." by Moisés Lazzaretti Vieira

 

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Moisés Lazzaretti Vieira
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A corrupção no Judiciário e o caso dos magistrados aposentados pelo Conselho Nacional de Justiça (2008-2017).
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Escolha de Mendonça como relator do Master arrefece crise no STF, avaliam governo e ala da corte

 

Escolha de Mendonça como relator do Master arrefece crise no STF, avaliam governo e ala da corte

Expectativa é a de que ministro adote postura mais dura, com cautelares e até prisões de envolvidos

Por Ana Pompeu/Catia Seabra/Mariana Brasil/Luísa Martins/Estadão

15/02/2026 às 16:20

Foto: Rosinei Coutinho/STF/Arquivo

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O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal)

O sorteio do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), para substituir Dias Toffoli no caso Master foi lido como uma saída com potencial de arrefecer os questionamentos sobre a condução do caso, pelo menos por enquanto. Essa avaliação é feita tanto por ala da corte como por integrantes do governo Lula (PT), que o descrevem como um magistrado técnico, discreto e duro nas suas posições.

A relatoria do caso Master, no entanto, seria a primeira prova de fogo do ministro desde sua posse no STF, já que se trata de uma investigação rumorosa cujo alcance no mundo político ainda não é claro. Isso pode tornar o magistrado alvo de pressões, e a forma como ele vai conduzir o caso só será possível de aferir no curso do processo, avaliam observadores do tribunal.

Com o caso Master, o magistrado também é apontado como um novo protagonista da corte, por também acumular o comando do caso do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Até então, a atuação do ministro Dias Toffoli era alvo de questionamentos por eventuais conflitos de interesses pela condução do inquérito, como quando o ministro impôs sigilo à investigação. Toffoli chegou a fazer críticas à PF publicamente enquanto era relator, e o presidente Lula defendeu nos bastidores que o magistrado deveria se afastar do caso.

Para auxiliares de Lula ouvidos pela reportagem, o fato de o magistrado ser um indicado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ser positivo para aliviar a tensão em torno do governo, por frustrar quaisquer insinuações de eventuais tentativas de intervenção.

Mendonça também é apontado como um ministro pouco habilidoso politicamente dentro do Supremo, o que o torna, em alguns momentos, afastado dos demais. O ministro é tido como alguém que preza por uma postura fiel aos próprios entendimentos e é pouco dado às articulações internas.

Esse traço do perfil dele aponta para, segundo pessoas com interlocução com a corte, uma dificuldade de leitura sobre os passos que o magistrado pode dar caso a investigação volte a incluir integrantes da corte.

Uma ala do governo aposta na atuação técnica do ministro, tendo como base seu trabalho na relatoria da investigação da fraude nos benefícios previdenciários, descrito como ortodoxo do ponto de vista regimental e processual.

Apesar do prognóstico, ministros do governo recordam que o PP e o União Brasil estão no cerne das investigações. Lembrando a origem do magistrado e sua relação com integrantes do centrão, outra ala do governo aponta preocupação quanto à suscetibilidade de Mendonça à pressão de parlamentares do grupo.

Um auxiliar de Lula diz que é "preciso ter couro" para conduzir ações contra aliados e que o juiz só será testado efetivamente no curso do processo.

Ainda assim, prevalece a leitura de que a saída de Toffoli serve para aplacar a crise na corte, que ameaçava atravessar o Carnaval. Colaboradores diretos do presidente afirmam, ainda, que Lula não deve opinar sobre o inquérito, repetindo que STF e Polícia Federal têm autonomia.

Para o governo, o tema é de discussão interna do Supremo, e a demanda principal era de que a relatoria fosse assumida por alguém sem envolvimento no tema e que trouxesse estabilidade.

Auxiliares do Planalto também apontam que a conduta de Mendonça na relatoria do inquérito que investiga as fraudes do INSS traz uma perspectiva positiva para a condução do caso Master daqui para a frente.

Apesar de o magistrado ter apoiado Toffoli internamente em relação ao relatório produzido pela PF, a expectativa é a de que ele queria se diferenciar do colega na condução do caso.

A postura do ministro nos processos da fraude nos descontos de benefícios previdenciários é a referência para a perspectiva de condução das irregularidades do Master também entre seus pares, auxiliares e advogados que frequentam a corte.

Um dos horizontes previstos pelas defesas de alguns dos nomes centrais da apuração é a concessão de cautelares mais duras e mesmo a decretação de prisões de envolvidos no escândalo.

Mendonça também substituiu Toffoli na relatoria do caso do INSS, em agosto do ano passado. Na ocasião, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, contestou a relatoria do ministro.

Pouco tempo depois de assumir o processo, o ministro desobrigou os investigados Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", e Maurício Camisotti de deporem à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do Congresso sobre os desvios.

O Careca do INSS e Camisotti, no entanto, foram presos na véspera dessa decisão, em 12 de setembro, por ordem de Mendonça. A comissão solicitou ao ministro que a participação deles fosse mantida mesmo assim, mas ele rejeitou o pedido e respondeu que os investigados podem optar por faltar à oitiva.

O processo corre sob sigilo de Justiça e ambos seguem presos preventivamente. O caso também tem sido mantido sob sua supervisão, sem o envio de trechos da investigação a outras instâncias até o momento.

Outra característica citada em muitos momentos é a discrição e a distância de polêmicas. Com base nisso, auxiliares da corte e interlocutores acreditam que o caso pode tramitar com menos sobressaltos.

Politica Livre

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Extratos comprovam repasses milionários de Daniel Vorcaro para empresa de ministro Dias Toffoli

 

Extratos comprovam repasses milionários de Daniel Vorcaro para empresa de ministro Dias Toffoli

Documentos obtidos pelo jornal O Estado de São Paulo mostram que aportes em fundo que comprou fatia do Tayayá batem com mensagens de dono do Master obtidas pela PF

Por Luiz Vassallo/Aguirre Talento/Pedro Augusto Figueiredo/Jenne Andrade/Estadão

15/02/2026 às 07:00

Atualizado em 15/02/2026 às 10:20

Foto: Rosinei Coutinho/STF/Arquivo

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli

O fundo de investimentos usado pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para comprar parte da participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, no resort Tayayá movimentou R$ 35 milhões, segundo extratos obtidos pelo jornal O Estado de São Paulo.

As datas dos aportes, feitos pelo cunhado do banqueiro, o pastor Fabiano Zettel, são simultâneas à costura da sociedade entre o fundo e a empresa do ministro. Também batem com mensagens obtidas pela Polícia Federal em que Vorcaro pediu a Zettel que fizesse aplicações milionárias no empreendimento e ainda disse que estava sendo cobrado pelos repasses.

Em nota divulgada anteriormente, o ministro negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou ter relação de amizade com o banqueiro (leia ao final). Procurado neste sábado, 14, ele não se manifestou. A defesa de Vorcaro também não respondeu aos questionamentos. Os advogados de Fabiano Zettel disseram que não irão se manifestar. O espaço segue aberto.

O cruzamento entre as mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro e os extratos ajudam a reconstruir a linha do tempo das transações financeiras entre o fundo ligado ao banqueiro e o resort de luxo que teve o ministro como sócio.

O pastor da igreja Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, era o único cotista do fundo de investimentos Leal, administrado pela Reag Investimentos - também investigada pela PF no caso Master. O Leal, por sua vez, é o único cotista do fundo Arleen, usado para comprar a participação da família Toffoli no resort no Paraná.

No dia 27 de setembro de 2021, o Arleen passou a ser sócio das empresas Tayaya Administração e DGEP Empreendimentos, que são a gestora e a incorporadora dos terrenos onde foi construído o Tayayá em Ribeirão Claro, no Paraná.

Nessa data, o fundo adquiriu metade da participação de R$ 6,6 milhões em capital social da Maridt S.A. - empresa de Toffoli - nessas duas companhias, ou seja, no resort.

Porém, os R$ 3,3 milhões em capital social comprado pelo fundo não representam, nem de longe, o tamanho real do negócio com os irmãos Dias Toffoli. Esse é o dinheiro que o fundo usou para adquirir sua parte do controle da empresa junto a outros sócios. São apenas recursos que sócios colocam à disposição da empresa para eventuais necessidades e também para simbolizar o tamanho de sua fatia na companhia.

Ao comprar essa participação, o Arleen adquiriu também uma parte do empreendimento, que é avaliado em mais de R$ 200 milhões. No total, documentos mostram que o fundo investiu R$ 35 milhões no resort - no qual a Maridt, empresa de Toffoli, possuía participação societária.

Segundo os extratos obtidos pela reportagem, nos dias 28 de outubro de 2021 e 3 de novembro do mesmo ano, Fabiano Zettel fez aportes de R$ 15 milhões e de R$ 5 milhões no fundo Leal. Nas mesmas datas, o Leal aplicou R$ 14.810.038,35 e R$ 4.936.679,35 no FIP Arleen.

Em janeiro, o pastor afirmou ter deixado o fundo em 2022. Os papéis do próprio Leal e as mensagens com Vorcaro mostram que, na verdade, ele continuou como cotista e manteve aportes no Tayayá por meio do fundo.

Em maio de 2024, Vorcaro perguntou por mensagem de WhatsApp a Zettel sobre a situação dos repasses ao resort do ministro. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro. O cunhado respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.

Depois disso, Zettel apresentou a lista de pagamentos para Vorcaro aprovar. Nessa lista, constava em uma das linhas: “Tayaya - 15″. Para a PF, tratava-se do repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento. Vorcaro respondeu: “Paga tudo hoje”.

Em agosto de 2024, Vorcaro novamente relatou ao cunhado as cobranças pelos pagamentos. “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, perguntou o banqueiro. Zettel respondeu que já tinha transferido o recurso para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.

Por causa disso, Vorcaro se irritou. “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”, perguntou ao cunhado. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”.

Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá. “Me fala tudo que já foi feito até hoje”. Zettel, então, respondeu: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”. Nas conversas, Vorcaro não explica quem era o responsável pelas cobranças feitas a ele pelos repasses.

Os extratos obtidos pelo jornal O Estado de São Paulo mostram que Zettel aportou R$ 15 milhões no dia 8 de julho de 2024 no fundo Leal. No entanto, de fato, o Arleen não recebeu o mesmo aporte do Leal na mesma época. Somente no dia 10 de fevereiro de 2025 o fundo Leal aportaria exatos R$ 14.521.851,17 no Arleen.

No dia 21 do mesmo mês, a Maridt S.A., do ministro Dias Toffoli, vendeu o restante de sua participação na incorporadora e na administradora do Tayayá à PHB Holding, empresa do advogado Paulo Humberto Barbosa, que já prestou serviços para a JBS.

Na quinta-feira, 12, um dia após vir à tona a existência de um relatório da PF com conversas e menções a Toffoli no celular de Vorcaro, o ministro deixou a relatoria do caso Master no Supremo. O inquérito foi redistribuído e agora está nas mãos do ministro André Mendonça.

Toffoli nega recebimento de Vorcaro

Em nota divulgada após a PF ter apresentado o relatório ao STF, Toffoli admitiu ter recebido dividendos da empresa Maridt, que tinha participação nos resorts, mas negou ter recebido pagamentos de Vorcaro. Leia a íntegra da manifestação:

“A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.

O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.

Leia tambémVorcaro diz que foi cobrado por aportes em resort de Toffoli: 'Me deu um puta problema'

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Publicado em 15 de fevereiro de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Marçal é condenado a pagar R$ 100 mil em indeni...

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