quinta-feira, julho 13, 2023

Aliados de Bolsonaro seguem uma estratégia que minimiza os erros cometidos no governo

Publicado em 13 de julho de 2023 por Tribuna da Internet

Em live nas redes, Bolsonaro mentiu uma vez a cada 10 | Política

O problema seria o jeito tosco de Bolsonaro se expressar

Pepita Ortega
Estadão

Antes de Jair Bolsonaro ser condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral pelos ataques às urnas eletrônicas em reunião com diplomatas, aliados do ex-presidente lançaram uma estratégia uníssona na Corte na esperança de livrar o ex-chefe do Executivo da inelegibilidade. Militares e políticos ligados diretamente a Bolsonaro tentaram, em depoimentos no TSE, minimizar a conduta do ex-presidente, sustentando, por exemplo, que suas declarações sobre o sistema eletrônico de votação eram ‘hipóteses’, mas não ‘afirmações’.

Eles ainda tentaram ligar as falas de Bolsonaro à sua ‘simplicidade de linguagem’. Disseram que a transmissão do evento com diplomatas pela TV Brasil visava a ‘transparência’. Alegaram que a reunião ‘foi bem tranquila’ e que seus efeitos foram ‘superestimados’. Evocaram ‘falta de intenção’ do ex-presidente. Mas os argumentos não foram suficientes para convencer a maioria dos ministros do TSE.

OS DEPOIMENTOS – As alegações constam nos termos de oitivas tornados públicos pelo TSE após a finalização do julgamento que alijou Bolsonaro da corrida eleitoral até 2030. Foram divulgados depoimentos do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, do ex-chefe da Casa Civil Ciro Nogueira e do deputado Filipe Barros. Os relatos do almirante Flávio Augusto Viana, ex-secretário de Assuntos Estratégicos, e do major Victor Hugo também foram detalhados.

Os depoimentos dos aliados de Bolsonaro foram tomados no âmbito da Ação de Investigação Judicial Eleitoral conduzida pelo corregedor-geral do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Benedito Gonçalves. O ex-presidente foi declarado inelegível no último dia 30, para decepção de Bolsonaro e seus seguidores. 

LIVE SOBRE URNAS – Assim como o almirante Viana, o deputado Filipe Barros foi testemunha de Bolsonaro. As perguntas dirigidas ao parlamentar, no entanto, ficaram centradas na live em que o presidente usou inquérito da PF para alegar suposta fraude nas urnas eletrônicas.  Tanto Filipe Barros quanto Bolsonaro foram investigados pela divulgação da investigação da Polícia Federal, que concluiu pelo cometimento de crime. Mas o caso acabou arquivado.

Sobre o sigilo do inquérito, Filipe Barros sustentou que, de acordo com instrução normativa da Câmara, todos os documentos recebidos pelo parlamento têm de ser tornados públicos, salvo se haja pedido para colocação de sigilo.

O parlamentar ainda sustentou que ‘jamais disse que teria havia havido fraude nas urnas’. Afirmou que, na live, ele e o então presidente ‘buscaram simplificar tecnicidades’, interpretando as informações ‘numa linguagem popular’, ‘de fácil acesso’.

OUTROS DEPOENTES – O TSE ainda ouviu outro integrante da live em que Bolsonaro usou inquérito da PF para lançar suspeitas sobre as urnas: o major Victor Hugo. Ele disse que, em ‘nenhum momento’ da gravação, ‘percebeu na fala do então presidente um ataque às instituições democráticas’.

Ex-chefe da Casa Civil de Bolsonaro, Ciro Nogueira, disse considerar que o encontro com embaixadores em que Bolsonaro lançou suspeitas sobre o sistema eleitoral ‘foi uma reunião bem tranquila’, que seus efeitos foram ‘superestimados’.

O almirante Flávio Viana Rocha, que ocupava a Secretaria de Assuntos Estratégicos no governo Bolsonaro, disse que não foi consultado sobre o teor do discurso feito pelo então chefe do Executivo e comentou a transmissão do evento pela TV Brasil. Segundo ele, a transmissão ocorreu para ‘dar transparência’ ao evento.

MINUTA DO GOLPE – Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, tentou desvincular Bolsonaro na ‘minuta de golpe’ apreendida em sua casa em janeiro. Disse que não levou o documento e nem comentou sobre o teor do mesmo com o ex-presidente.

Torres sustentou que ‘nem lembrava’ da minuta, encontrada sob um porta-retrato seu ao lado da mulher.

Segundo Torres, depois de sair derrotado das urnas, o ex-presidente ‘entrou em um processo introspectivo’.

 “Ele ficou bastante isolado, fazendo esse tratamento. Acho que passando por um processo ali até, eu diria, de aceitação da derrota e de recuperação dessa doença”, registrou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Nada de novo no front ocidental. É claro que os depoimentos teriam de ser assim amaciados. Nenhuma testemunha de defesa colabora com a acusação. Isso é mais do que óbvio. Vamos em frente. (C.N.)


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