sexta-feira, setembro 16, 2022

Surge no horizonte político a imagem da derrota de Bolsonaro nas urnas de outubro


Charge do Adnael (facebook.com/adnaeldaaz)

Pedro do Coutto

A quarta-feira desta semana transformou-se em um dia extremamente negativo para a campanha do presidente Jair Bolsonaro à reeleição, a começar por suas próprias declarações, objeto de reportagem de Matheus Teixeira, Folha de São Paulo de anteontem, quando revelou pela primeira vez a sua disposição de passar a faixa a quem vencer as eleições dependendo da “vontade de Deus”. Admitiu esse ato caso perca o pleito deste ano em “eleições limpas”.

“Se essa for a vontade de Deus, eu continuo. Se não for, a gente passa aí a faixa, e vou me recolher. Com a minha idade, eu não tenho mais nada a fazer aqui na Terra se acabar essa minha passagem pela política aqui em 31 de dezembro do corrente ano”, afirmou.

CONCESSÕES – Também na quarta-feira, o editorial de O Globo, desenvolveu uma análise prospectiva sobre a disposição de Lula da Silva, pois frisou o autor do texto: “O novo presidente terá que fazer concessões para assegurar maioria parlamentar”. O tom do artigo ficou claro e parte praticamente de uma certeza de que Lula retornará ao Palácio do Planalto.

Numa repetição, digo, das palavras de Vargas no final da campanha de 1950: “O povo assumirá comigo as escadas do Palácio do Catete”. Os fatos se acumulam e ainda por cima, com enorme repercussão na GloboNews e na TV Globo à noite, explodiu o episódio inconcebível da agressão do deputado estadual paulista Douglas Garcia à jornalista Vera Magalhães que participava de um debate entre os candidatos ao governo de São Paulo na TV Cultura.

Douglas Garcia, que já ameaçava a jornalista pelo celular, ofendeu-a fortemente à curta distância, repetindo as afirmações também feitas à profissional de Imprensa por Bolsonaro em outra ocasião na TV Bandeirantes. O bolsonarismo mobilizou-se para condenar a atitude do deputado do PL no sentido de evitar um reflexo maior e mais negativo nas urnas para o presidente da República e o seu partido, sobretudo junto ao eleitorado feminino que identifica em Bolsonaro uma hostilidade e uma agressividade fora do comum.

ANÁLISE – Vera Magalhães é colunista do O Globo e da Rádio CBN, além de apresentadora da TV Cultura. Ainda na noite de quarta-feira, no programa “Em Pauta”, a jornalista Eliane Cantanhêde fez uma análise contundente do comportamento do presidente da República e de bolsonaristas em relação aos fatos que ocorrem, tanto na disputa eleitoral de agora quanto registrada em episódios do passado recente.

No O Globo, a matéria sobre a agressão a Vera Magalhães, bastante ampla, é de Daniel Gullino, Fernanda Alves, Sérgio Roxo, Kathlen Barbosa, Lucas Mathias e Alice Cravo. Na Folha de S. Paulo, de Bruno Soraggi, Carolina Linhares e Carlos Petrocilo.

O deputado Eduardo Bolsonaro através do Twitter mudou o seu tom habitual e condenou a atitude de Douglas Garcia, que além de Bolsonaro prejudicou também a candidatura de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo.  O episódio, acrescento, foi um desastre, tanto para o presidente da República quanto para os bolsonaristas de modo geral. Lula, Simone Tebet e Ciro Gomes condenaram a estúpida agressão de Douglas Garcia à jornalista Vera Magalhães.

REAÇÃO – Na Folha de S. Paulo, reportagem de Renato Machado e Daniele Brand focaliza a reação de entidades de Imprensa do país repudiando a agressão de Douglas Garcia, e as mensagens de apoio a Vera Magalhães dirigidas por Lula, Ciro, Simone Tebet e Rodrigo Pacheco, solidarizando-se e defendendo a jornalista.

Para Fábio Zanini, também na FSP, o episódio dividiu a direita entre o grupo radical e o não fanatizado. Renata Galf, na mesma edição, revela que equipes de pesquisadores do Datafolha de hostilidade quando realizam o seu trabalho. Hoje deve ser divulgada nova pesquisa.

ENERGIA ELÉTRICA –  Medida Provisória do presidente Jair Bolsonaro no final de agosto – revela Manoel Ventura, O Globo de ontem – cria um custo extra de R$ 4,5 bilhões por ano nas contas de energia elétrica, incluindo domicílios, indústrias, comércio e serviços em geral. A matéria encontra-se no Senado à espera de votação e a proposta foi elaborada pela Agência Nacional de Energia Elétrica.

É estranho o que acontece no reino da energia elétrica, principalmente, digo, depois da privatização que iria aumentar a eficiência do sistema e reduzir as tarifas cobradas pela produção e fornecimento de eletricidade. Essa iniciativa soma-se à outra já colocada em prática através da qual Furnas teve que emitir debêntures e assumir uma dívida de R$ 189 milhões pela Santo Antônio Energia para saldar dívidas da construção da usina do mesmo nome com a Odebrecht e a Andrade Gutierrez.

Neste caso, a surpresa que registrei há algum tempo e que agora coloco, parte do fato de que Furnas possui 39% da Santo Antônio Energia e a Odebrecht e Andrade Gutierrez são sócias do empreendimento, ambas praticamente meio a meio com a posse de 35% das ações. Assim, não se entende por qual motivo Furnas teve que pagar dívidas da empresa da qual Odebrecht e Andrade Gutierrez também são sócias. Ser sócio nos lucros é muito bom, mas no prejuízo a empresa estatal paga. Um lance de dados espetacular.

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